Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

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Nov 08

É uma embarcação tradicional dos pescadores da costa norte de Portugal, nomeadamente Caminha, Vila Praia de Âncora, Viana do Castelo, Esposende, Fão, Povoa de Varzim, Vila do Conde, Azurara e Matosinhos, usado até à década de cinquenta do século passado. Também teve alguma utilização mais para sul, até à Figueira da Foz.

 
Construídos nos estaleiros da costa Atlântica, a configuração do casco é de ascendência nórdica; barcos de quilha com proa bem lançada que contrasta com um cadastro recto, muito pouco inclinado. Estes aspectos integram uma estirpe na qual figuram a lancha da Bretanha, o terret da Grã-Bretanha, alguns modelos da Dinamarca e da Suécia, representados nas pinturas das igrejas de Fide e Kalmor.
 
Portinho da Praia de Âncora - 1915 - Barcos tipo Poveiro
A Póvoa de Varzim foi um dos locais que melhor e mais largo tempo conservou intactos os seus costumes; por isso foram estes os que mais se agarraram aos seus usos, nomeadamente pela prática da endogamia, regendo-se por leis e preceitos próprios, sob a orientação dos “homens de respeito”. Vivendo exclusivamente da pesca, estruturavam-se por classes dentro da profissão exercida sob a forma associativa.
 
Ora a tradicional frequência das colónias galegas (incluindo a autorização de casamento), a comprovada formação de certas colónias em Portugal, por pescadores emigrados da Galiza e das Astúrias, o uso comum das marcas de família são também iguais à dos pescadores escandinavos; o sistema de herança a favor do filho mais novo, como na Bretanha e na Dinamarca; os próprios dados antropológicos, formam um conjunto de indicadores, complementares dos próprios barcos, favoráveis à hipótese de estarmos perante os resultados de uma “invasão” pacífica de pescadores nórdicos, chegados ao noroeste da península através de uma escala natural, a Bretanha.
 
Entrada no Portinho - 1903 - Barco tipo Poveiro com cerca de 10 tripulantes
O que poderia ter acontecido na fase do repovoamento litoral e reorganização das pescas marítimas, que se seguem ao período das invasões normandas e sarracenas.
 
Apesar de ser um barco de boca aberta, as suas qualidades de robustez e navegabilidade conferiam-lhe apreciável segurança. Além dos remos, utilizava a força do vento, com um bastardo de tamanho invulgar o que obrigava ao emprego de um leme deveras alteado.
 
Vista do Portinho - 1915
Os diversos tipos de pesca originaram um escalonamento de modelos desta embarcação:
  • Lanchas de pesca do alto – pescada – 13,6 metros – 30 a 40 tripulantes
  • Bateis de pesca do alto e costeira – sardinha – 11 metros – 20 a 30 tripulantes
  • Catraias grandes do alto e costeira – 8 metros – 8 a 10 tripulantes
  • Catraias pequenas do alto e pesca à linha – 6 metros – 5 a 8 tripulantes
  • Caícos de pesca costeira – 3,6 metros – 2 a 4 tripulantes
 
A decoração dos barcos poveiros tinha por motivo central a invocação dos santos patronos; à proa e à popa as pinturas das siglas, símbolos religiosos, distintivos, figuras de objectos, aves, peixes, etc., que tinha como objectivo identificar a embarcação à distancia; a palamenta da embarcação bem como o aparelho e redes encontravam-se marcadas com a sigla de arrais proprietário da embarcação.
Um batél em primeiro plano - Ao fundo um barco patrulha da Marinha
 
Um agradecimento especial ao Sr. Domingos Verde (Pinga) por me ter facultado as informações contidas neste trabalho.
 
publicado por Brito Ribeiro às 10:37
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