Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

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Ago 11

Dia após dia, deparamo-nos com dificuldades acrescidas no estacionamento de viaturas em Vila Praia de Âncora. Este “fenómeno” tem vindo a consolidar-se, não só nos turbulentos meses de verão, mas já se estendem por todo o ano, pelo menos nas zonas centrais da vila.

Erros de planeamento com origem nas últimas décadas do século vinte explicam, em parte, os porquês do problema. Com o desenvolvimento urbanístico pós 25 de Abril, uma das coisas não acauteladas foram os estacionamentos das urbanizações. Construía-se mal e à toa, sem qualidade e sem preocupação de ordenamento, como todos sabemos e disso estamos conscientes. Os tempos eram outros e o que hoje sobra em meios técnicos e recursos humanos, ditos especializados, escasseava nessa época.

Além disso, se em 1976 havia em Portugal cerca de um milhão de viaturas, hoje temos cerca de seis milhões de viaturas, segundo dados da ACAP. Por isso as necessidades de estacionamento ou aparcamento aumentaram em flecha. Nas áreas metropolitanas tem-se feito algum esforço no sentido de dar maior operacionalidade aos transportes públicos, mas esta questão não se aplica em Vila Praia de Âncora.

Por isso, deviam ter sido investidos esforços no sentido de encontrar soluções de minimização do impacto urbano e de atractividade turística para a zona. É lamentável mas, alem de não se ter procurado solução ainda se agrava deliberadamente o problema, com soluções pretensiosamente requalificadoras, que não requalificam coisa nenhuma, apenas introduzem um factor de embelezamento, muito ao sabor das modas e do gosto dos mandantes.

Isto tudo a propósito da falta de lugares de estacionamento em Vila Praia de Âncora que está a transformar esta vila num cenário caótico, tipo capital subsariana. Se este é o cartaz turístico de acolhimento, estamos conversados.

Para ajudar à festa temos gente sem o mínimo de escrúpulos que “deixa” os carros de qualquer maneira, não restando à autoridade outro remédio que chamar o reboque para expulsar os prevaricadores. Claro que também há casos de excesso de zelo, nomeadamente da Polícia Marítima, que não aportam nada de positivo e deixam uma imagem ainda mais negativa da terra.

 

Vista aérea da praia e Av. Dr. Ramos Pereira - Crédito Foto DAP

Este ano fomos também confrontados com o surgimento de uns pequenos quadriciclos a pedal que deambulam por entre os peões que passeiam na Avenida Doutor Ramos Pereira, com incómodo e perigo constante de atropelamento. Até porque na maior parte dos casos não são crianças que conduzem os quadriciclos, mas “matulões” em corridas e gincanas parvas entre as pessoas. Confinados à praça multiuso no Parque ainda vá que não vá, com esforço, mas é admissível (também a praça não serve para mais nada…).

Agora, circular anarquicamente em espaço público, entre as pessoas que passeiam, é que não. E isto para não questionar a legalidade de todo este negócio, desde o licenciamento, até ao controlo fiscal. Mas isso é outra conversa e compete às autoridades avaliar esses parâmetros, aqui o que quero destacar é o absurdo a que esta terra chegou, por falta de soluções reflectidas, de planeamento e de responsabilidade.

 

publicado por Brito Ribeiro às 18:45
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Ouvi várias vezes a minha mãe falar do vapor que “deu à costa” em Montedor carregado de vinho e azeite, mas nunca me dera ao trabalho de aprofundar o conhecimento deste naufrágio. Hoje, tropecei na notícia publicada à época no “Comércio do Porto” e que retirei do Blog “Navios e Navegadores”  http://naviosenavegadores.blogspot.com/, a quem felicito pelo trabalho desenvolvido em prol da nossa história marítima.

Embora no artigo do “Comércio do Porto” se refira a Freguesia de Areosa, penso que se trata de um erro do jornalista, pois, mais à frente, refere-se o Lugar de Montedor, na Freguesia de Carreço. Analisando as coordenadas verifica-se também, que correspondem a uma zona compreendida entre a costa do farol e o inicio da praia de Paçô.

O navio vapor de nome “ Cabo Blanco “, foi construido em 1909 pela Cia. Euskalduna, Bilbao, Espanha, 04.1909, pertencia a Ybarra & Cia., Sevilha e naufragou a 13 de Julho de 1936 em Montedor. Este navio tinha uma arqueação de Tab 2.163,00 tons - Tal 1.325,00 tons e as dimensões de Pp 80,92 mts - Boca 11,77 mts - Pontal 4,88 mts.

A propulsão era obtida por uma máquina Blair & Co., 1909 - 1:Te - 3:Ci - 187 Nhp - 9 mph/h e tinha uma equipagem de 27 tripulantes.

 

Viana do Castelo, 13 - Ao norte da barra desta cidade, em frente à freguesia da Areosa, naufragou esta manhã o vapor espanhol “Cabo Blanco”, da companhia Vasco Andaluza, de Sevilha. Vinha de Huelva com destino a Vigo e trazia dois dias de viagem. Salvou-se a tripulação composta de 27 homens, que abandonaram o navio e sete passageiros. O capitão conserva-se a bordo. A carga compõe-se de barris de vinho, cascos de azeite, etc. Parte da tripulação ainda não abandonou o navio, que se considera perdido, procurando contudo salvá-lo.

Da companhia portuguesa «Radio Marconi», recebemos a seguinte informação, respeitante ao naufrágio:- Ontem, de manhã, as estações costeiras de Lisboa e de Leixões Rádio, desta companhia, interceptaram um sinal de S.O.S. lançado cerca das 6 horas BST, pelo vapor espanhol “Cabo Blanco”, anunciando que devido ao denso nevoeiro, tinha encalhado na Lat. 41º45’N e Long. 08º52’W, em Montedor ao sul de Vigo, pedindo assistência imediata de navios, especialmente de rebocadores.

Pelas 06,45 horas BST o rebocador holandês “Ganges“, informou-nos que seguia a toda a velocidade em direcção do navio sinistrado, informando nessa mesma ocasião, qual a sua posição obtida às 06,30 horas BST.

Também o vapor inglês “Highland Princess” informou, pelas 06,18 horas BST, que só em caso de extrema urgência é que se aproximaria daquele navio, a fim de proceder ao salvamento da tripulação, de contrário e em virtude de transportar passageiros e malas de correio continuaria viagem. Cerca das 12,30 horas BST, o vapor espanhol “Cabo Prior” comunicou estar já à vista do navio sinistrado, esperando auxiliá-lo dentro do espaço de meia hora. Segundo informações prestadas pelo próprio navio sinistrado, sabe-se que foram tentados todos os esforços pela respectiva tripulação para salvarem o navio tem resultado inúteis, continuando aqueles contudo, esperançados em o conseguir com a colaboração de rebocadores, cuja chegada era esperada dentro de algum tempo. Mais informaram que o navio estava já metendo água e se encontrava encalhado numa posição bastante critica e entre rochas. Não obstante, sentem-se bastante animados em virtude do mar estar muito calmo.

A estação de Leixões-Rádio continua mantendo comunicação directa com o navio sinistrado, assistindo-lhe em todos os casos requeridos por T.S.F.

(In jornal “O Comércio do Porto”, de 14 de Julho de 1936).

 

Viana do Castelo, 15 - Tem sido uma romaria à praia da Areosa, para ver o vapor espanhol “Cabo Blanco“, encalhado na segunda-feira nos penhascos dos Moinhos. Como o barco trazia bom vinho, os sequiosos tem tomado boas «carraspanas», dando lugar a cenas picarescas! Na Delegação Aduaneira estão-se arrecadando carga e utensílios de bordo.

O barco considera-se perdido, pois enfragou na penedia e tem os porões inundados. Enquanto o mar se conservar calmo, poderá salvar-se alguma carga; mas a mais pequena ressaca obrigará a suspender quaisquer trabalhos de salvamento.

(In jornal “O Comércio do Porto”, de 16 de Julho de 1936).

 

 

publicado por Brito Ribeiro às 11:01

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