Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

07
Mar 07
Quando saí da escola primária, no longínquo ano de 1967, fui direitinho para o Externato de Santa Rita em Caminha, porque em Vila Praia de Âncora apenas havia uma pequena escola particular, as “freiras” na Quinta do Doutor Queiroz.
Outra alternativa era o Liceu ou a Escola Técnica em Viana, mas a minha mãe não via com bons olhos, que o seu menino (eu!), fosse sozinho, de comboio, vadiar à vontade, para a grande cidade.
 
Como o Externato tinha boa reputação e tinha uma carrinha que vinha buscar os miúdos às freguesias, os meus pais fizeram o sacrifício de pagar as propinas, acabando por “estacionar” em Caminha durante cinco anos, até ir para o Liceu de Viana do Castelo.
No Externato fiz o quinto ano, actual nono ano, sem problemas de maior, como muitos conterrâneos da mesma idade. Era sem dúvida a escola da moda e evoluiu muito mais depressa que “as freiras” em Vila Praia de Âncora que da Quinta do Queiroz vieram mais tarde para o Lugar do Paraíso, dando origem ao Colégio Nossa Senhora da Assunção, o embrião da actual Ancorensis.
O Externato, no início dos anos oitenta, começou a definhar, acabando por encerrar, estando hoje o edifício, que era alugado, totalmente abandonado e em ruínas. Mete dó olhar para aquela miséria, pelo menos a mim, que tenho ainda e sempre, recordações muito vivas daquele espaço.
 
No ano que entrei para aquela escola, foi contratado o meu primo Zé Meira, para funcionário da secretaria, tarefa que acumulava com a de motorista de uma das carrinhas, que transportava a rapaziada até casa.
O Zé Meira fazia a parte sul, seja Cristelo, Moledo, V. P. de Âncora, Laje, Vile e Riba D`Âncora, enquanto outra carrinha passava por Venade, V. de Mouros, Seixas, Lanhelas, Gondarem e Cerveira. Pelo menos estas freguesias eram percorridas uma e outra vez, pelas pequenas carrinhas, uma Volswagen e uma Austin, que deviam levar nove passageiros, mas que eram atulhadas com vinte ou trinta putos todos encavalitados uns nos outros. Mais tarde, compraram um pequeno autocarro italiano, um OM e posteriormente, já não é do meu tempo, adquiriram um autocarro Leyland, que acabou os seus dias, no Âncora-Praia.
É curioso que em V. N. de Cerveira só havia escola primária, tendo os alunos que quisessem continuar a estudar, de optar pelos Externatos de Caminha ou Valença; ou então ir para Viana.
O prédio onde estava instalado o Externato de Santa Rita era antigo, mas estava relativamente bem conservado, excepto as águas furtadas, local totalmente proibido para nós. Lembro-me de ter lá ido espreitar uma vez e apenas retenho a ideia de muitas pastas e muitos papéis empilhados.
 

Dizer que os rapazes e as raparigas não se misturavam e tinham entradas e recreios separados, causa grande estranheza nos jovens de hoje, mas naquela época era natural e eu nem sequer achava nada de estranho, pois vinha habituado a essa segregação da escola primária. Havia algumas turmas que eram mistas mas, mesmo aí, os rapazes ficavam de um lado e as raparigas ficavam do lado contrário. Se houvesse gente para fazer duas turmas é claro que estávamos novamente condenados a ver as raparigas ao longe. Raio de sorte!
Também é verdade que não haviam tantas exigências pedagógicas como agora; a minha turma no terceiro ano, (actual sétimo) tinha quarenta e três ovelhinhas e usava a sala maior do primeiro piso, virada a sul, para Venade e tinha uma pequena varanda.
 
Quando lá cheguei, com os meus dez anos acabados de fazer, encontrei uns matulões que lá andavam, que impunham respeito. A nós, os pequenos, não nos permitiam sequer ir às retretes, local onde eles, os grandes, permaneciam para fumar às escondidas, o que nos obrigava a fazer as necessidades de fugida, antes que caísse algum cachaço.
Por falar em cachaços, era prática comum os castigos corporais por parte dos professores, embora me lembre que alguns nunca nos bateram, nem sequer ameaçaram. Havia um vasto leque de castigos corporais desde as bofetadas até à palmatória, passando pelas sempre temíveis canadas. No entanto, a palmatória era o castigo que todos procuravam evitar, em particular a palmatória do Padre Cândido de Âncora, que tinha treze buracos e era conhecida pelo “totobola”. Esse Padre era professor de português e faleceu num acidente de viação. Foi substituído em Âncora pelo Padre Marinho, uma figura castiça, de que hei-de falar um dia.
 
O professor Laurentino Monteiro, o professor Monteiro para a malta, era simultaneamente o nosso terror e o nosso ídolo, pois se era severo e nos aquecia o pêlo quando calhava, também era o professor que estava sempre pronto para uma piada ou uma história engraçada. Quase quarenta anos volvidos, ainda não conheci ninguém que se sinta magoado com o comportamento desse homem.
Ao longo dos anos, deu-me uma série de disciplinas, o português, história, ciências, francês e geografia, pelo menos. Quando algum professor faltava, o que era raro naquele tempo, se estivesse livre, dava qualquer outra matéria, com todo o à vontade.
Este professor tinha imensas particularidades, uma das quais eram os sumários. Invariavelmente o sumário era “matéria nova”, “continuação da lição anterior” e “chamadas”. As “chamadas” eram umas provas orais, uma série de perguntas, que fazia a quatro desgraçados que ele escolhia pelos números e que se iam sentar nas primeiras carteiras à sua frente.
Eu era habitualmente um dos “Cristos” devido ao meu primeiro nome, António. Como os números eram atribuídos por ordem alfabética eu tinha sempre um número baixo e ele escolhia imensas vezes o 1,2,3,4; e lá ia eu, que fui sempre o 2 ou o 3. Antes de mim só haviam os Alfredos, os Abílios e pouco mais.
Os meus colegas com números altos tinham mais sorte, mas também se tramavam, pois ele sabia muito bem o que fazia, tinha boa memória e não deixava escapar ninguém, até porque as “chamadas” contavam para nota, sendo a nota cuidadosamente apontada na sua caderneta. Alem de nos arriscarmos a uma negativa (sofrível, medíocre e mau) ainda arriscávamos alguma canada na “tola”, se disséssemos algum disparate maior. Lembro-me de ter levado algumas, a propósito das declinações em latim.
 

Outro professor inesquecível é o Dr. Fonseca, felizmente ainda vivo e de boa saúde, que era o director da escola e professor de matemática. Retenho do Dr. Fonseca uma certa imprevisão do humor ao entrar na sala. Se estivesse bem disposto, tudo corria bem e tinha paciência de santo. Pelo contrário, se vinha com os “azeites”, ia tudo na frente e era realmente mal de aturar.
Estes dois eram o núcleo duro do Externato e a sua alma. Os outros professores e funcionários contribuíam para o sucesso, mas na verdade, na minha verdade, quem puxava o carro eram o Monteiro e o Fonseca.
 
Recordo a D. Zita, professora dos miúdos da primária (que eram poucos) e professora de desenho, o Dr. Ernesto e a Dr. Rosa que eram casados e foram depois para África. Ele leccionava português e musica, ela era professora de físico-química; a professora Isolina, professora de Francês, cujo marido tinha um Volswagem carocha que a malta achava o máximo, o Dr. Dionísio Marques advogado de Caminha, que dava inglês e que possuía um Citroen DS, um “bico de pato” como ele dizia, o Padre Amorim professor de história e moral. Mais tarde entrou para docente o eng. Cruz que nos deu matemática e que hoje está no Instituto de Estradas em Viana do Castelo. Foi com ele que vi, pela primeira, vez usar uma régua de cálculo, já que ainda não haviam calculadoras.
Não me lembro quem dava Físico-química depois da saída da drª Rosa, talvez o dr. Fonseca. Tive ainda como professor o padre Lourenço Alves em Francês, um apaixonado pela história e pela arqueologia e um óptimo contador de histórias. Estava-me a esquecer do malogrado padre Aparício que dava Religião e Moral e que faleceu de acidente de motorizada, aqui em Vila Praia de Âncora, em plena Praça da Republica. Aquele homem era um santo e ainda hoje o recordo frequentemente com saudade. Após a sua morte foi substituído pelo padre Manuel Afonso.
 
Na secretaria trabalhava a D. Luiza, irmã da D. Zita e o Zé Meira, como já tinha referido. Havia uma senhora da limpeza, da qual tenho ideia vaga, mas não me recordo do nome; havia outro motorista alem do Zé Meira, que era o sr. Fernando Costa, mais conhecido, por Fernando dos Pitos, marido da Capitolina, que tinha um supermercado na rua da Corredoura, agora administrado pelo seu filho mais novo, o Carlos. O filho mais velho, Fernando como o pai, é da minha idade e estudou comigo durante aqueles cinco anos; era um dos meus parceiros favoritos. Há muitos anos que não nos encontramos, visto ter emigrado para o Canadá. Não me posso esquecer do Amaro, o motorista que depois substituiu o Fernando dos Pitos e que nos aturava as algazarras que fazíamos dentro do autocarro.
Alem do Fernando dos Pitos filho, guardo na memória muitos outros colegas de turma, como o Vítor Barrocas de Vilar de Mouros, o Desiderio de Dem, o Fernando Lajes e o Rui Fernandes de Lanhelas, o Gonçalves de Cerveira, o Zé Araújo, o Fausto e o Filipe de Caminha, o Frederico de Vile, o Zé João de Riba D`Âncora, o Ernesto de Cristelo que era o ajudante de campo do professor Monteiro. Era ele que lhe fazer os recados e acompanhava-o à feira para carregar as couves!
Alem destes, tínhamos o Nelson, Chico e o Zé da Linha, todos eles de Âncora. O Chico que era primo do Nelson, morreu tragicamente num acidente de motorizada poucos anos depois, na rua 31 de Janeiro, junto à bomba de gasolina.
 
Alguns destes compinchas ficaram pela zona o que permite algum contacto esporádico. Outros tiveram rumos de vida diversos e perdeu-se todo o relacionamento, mas não se perdeu a memória.
A próxima vez que pegar neste tema será para contar algumas aventuras que ainda me lembro, passadas comigo e com outros colegas de anos e turmas diferentes, mas todos pertencentes à grande “família” do Externato de Santa Rita.
 
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 21:14
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Estava a trabalhar meu escritório, quando me lembrei de uma chamada telefónica que tinha que fazer. Encontrei o número e marquei.
Atendeu-me um sujeito mal-humorado, que disse:
- Stou!!!
- Bom dia. Posso falar com a Teresa?
O gajo do outro lado resmungou algo que não entendi e desligou-me o telefone na cara. Nem podia acreditar que existia alguém tão mal-educado.
Voltei a pegar na minha agenda o número correcto da Teresa e liguei. O problema tinha sido a inversão os dois últimos dígitos do seu número. Depois de falar com a Teresa, observei o número errado ainda anotado no bloco de apontamentos sobre a minha mesa. Decidi ligar de novo. Quando a mesma pessoa atendeu, disse-lhe:
- Você é um filho da puta!!!
Desliguei imediatamente e anotei ao lado do número a expressão "filho da puta", arranquei o papel do bloco e enfiei-o por baixo da minha agenda. Assim, quando estava nervoso com alguém, ou num mau momento do dia, ligava para ele, e quando atendia, dizia-lhe "Você é um filho da puta" desligando sem esperar resposta.
Isto fazia-me sentir realmente muito melhor. Ocorre que a PT introduziu o novo serviço de identificação de chamadas, que me deixou preocupado e triste, porque teria que deixar de ligar para o "filho da puta".
Então, tive uma ideia: liguei o seu número de telefone, ouvi-o dizer "Stou" e mudei de identidade:
- Boa tarde, estou ligando do departamento comercial da PT, para saber se o senhor conhece o nosso serviço de identificador de chamadas.
- Não estou interessado! - Disse ele, e desligou de imediato, deixando-me pendurado na linha.
O gajo era mesmo mal-educado. Rapidamente, disquei novamente:
- Stou?
- É por isso que você é um Filho da puta!!! - e desliguei.
Deixe-me dar-lhe uma sugestão! Se existe algo que realmente o incomoda, sempre pode fazer alguma coisa para se sentir melhor; simplesmente liga 258921xxx ou o número de algum outro filho da puta que conheça, e diga-lhe o que ele realmente é.
 
Um dia fui até ao shopping, no centro da cidade, com a ideia de comprar umas camisas. O parque estava cheio e uma senhora demorava imenso tempo para tirar o carro do seu lugar. Cheguei a pensar que nunca mais fosse sair, tal a dificuldade das manobras executadas pela condutora.
Finalmente o carro começou a mover-se e a sair lentamente do seu espaço. Dadas às circunstâncias, decidi retroceder o meu carro um pouco, para dar à senhora todo o espaço que fosse necessário: "Boa, finalmente vai embora".
Imediatamente, apareceu um Citroen azul vindo do outro lado do estacionamento que entrou de frente no espaço deixado vago pela senhora, que tinha acabado de sair. Comecei a buzinar e a gritar:
- Ei, amigo. Não pode fazer isso! Eu estava aqui primeiro!
O fulano do Citroen simplesmente desceu do carro, fechou a porta, activou o alarme e caminhou no sentido do shopping, ignorando a minha presença, como se não tivesse ouvido.
Perante a sua atitude, pensei: "esse gajo é um grande filho da puta! Com toda certeza há uma grande quantidade de filhos da puta neste mundo!". Foi aí que reparei que o gajo tinha um aviso de "VENDE-SE" no vidro do Citroen. Então, anotei o seu número de telefone e procurei outro espaço para estacionar.
Alguns dias depois, estava sentado no meu escritório, após ter ligado o 258921xxx do meu velho amigo e dizer-lhe "Você é um filho da puta" (agora já é muito fácil marcar pois tenho o seu número na memória do telefone), quando vi o número que havia anotado do cabrão do Citroen azul e pensei: "Deveria ligar para esse gajo também".
E foi o que fiz. Depois de um par de toques alguém atendeu:
- Alô.
- Falo com o senhor que tem um Citroen azul para venda?
- Sim, sou eu.
- Poderia me dizer onde posso ver o carro?
- Sim, eu moro na Rua do Rosário, n° 527. É uma casa amarela e o Citroen está estacionado em frente.
- Como é o seu nome?
- Chamo-me Eduardo Cerqueira Marques - diz o gajo.
- Qual a hora é mais apropriada para encontrar com você, Eduardo?
- Pode encontrar-me em casa ao final da tarde, à noite e nos fins de semana.
- É o seguinte Eduardo, posso dizer-lhe uma coisa?
- Claro.
- Eduardo, você é um grande filho da puta!!! - e desliguei o telefone.
Depois de desligar, coloquei o número do telefone do Eduardo (que parecia não ter identificador de chamada, pois não fui importunado, depois de falar com ele) na memória do meu telefone. Agora eu tinha um problema: eram dois "filhos da puta" para ligar.
 
Após algumas ligações ao par de "filhos da puta" e desligar, pensei que já não era tão divertido como antes. Este problema parecia-me muito sério e pensei numa solução: Em primeiro lugar, liguei para o "filho da puta número um". O sacana, mal-educado como sempre, atendeu:
- Stou - e então disse-lhe:
- Você é um filho da puta - mas desta vez não desliguei.
O "filho da puta" diz:
- Ainda estás aí, desgraçado?
- Siiimmmmmmmm, maricão!!! - Respondi rindo.
- Pára de me telefonar, seu filho da mãe - disse ele, irritadíssimo.
- Não paro nããão, grande filho da puta!!!
- Qual é o teu nome, cachorro? - Berrou ele, descontrolado!
Eu, com voz séria de quem também está bravo, respondi:
-O meu nome é Eduardo Cerqueira Marques, seu filho da puta. Porquê???
- Onde moras, que eu vou aí foder-te, desgraçado? - Gritou ele.
- Achas que eu tenho medo de um filho da puta ranhoso como tu? Eu moro na Rua do Rosário, n°527, numa casa amarela, e o meu Citroen azul está estacionado em frente. Seu palhaço, filho da puta. E agora, vais fazer o quê???? – Gritei eu.
- Eu vou até aí, agora mesmo... É bom que comeces a rezar, porque tu já eras... - rosnou ele.
- Uuiii! É mesmo? Que medo me dás, filho da puta. Tu és um monte de merda! E vou ficar à porta da minha casa à tua espera!!! - e desliguei o telefone na cara dele.
Imediatamente liguei para o "filho da puta número 2".
- Sim? - diz ele.
- Olá, grande filho da puta!!! – Disse-lhe.
- Pá, se eu te encontrar vou...
- Vais o quê? O que vais fazer??? Seu filho da puta!
- Vou dar-te tantos pontapés nessa boca até ficares sem nenhum dente!!!
- Achas que eu tenho medo de ti? Vou-te dar uma grande oportunidade de tentares dar-me um pontapé na cara, pois vou agora para a tua casa, seu filho da puta!!! E depois de te rebentar o focinho, vou partir todos os vidros desta porcaria de Citroen que tens. E reza para eu não pegar fogo a essa casa amarelinha de paneleiro. Se fores homem, espera-me na porta dentro de 5 minutos, meu filho da puta!!! - e desliguei o telefone.
De seguida fiz outra ligação, desta vez para a polícia. Usando uma voz afectada e chorosa, disse que estava na Rua do Rosário, n° 527 e que ia matar o meu namorado homossexual e incendiar-lhe a casa.
Finalmente peguei no telefone e liguei para a SIC contando que ia começar um desacato entre um marido, que ia voltar mais cedo para casa, para apanhar em flagrante o amante da mulher, que morava na Rua do Rosário, n° 527. Depois de fazer isto, meti-me no meu carro e fui para Rua do Rosário, um pouco mais acima do n° 527, para gozar o espectáculo.
 
Foi reconfortante, observar um par de "filhos da puta" à chapada em frente de uma equipa de reportagem da televisão, até a chegada de 2 carros da polícia, uma carrinha do corpo de intervenção, dois carros dos bombeiros e duas ambulâncias que acabaram por levá-los (algemados) para as urgências do hospital onde ficaram internados, dada a gravidade dos ferimentos.
 
Moral da história? - Não tem moral nenhuma! Foi mesmo para lixar dois filhos da puta…
E tu, vê se atendes o telefone educadamente, pois posso ser eu a ligar-te por engano...
 
publicado por Brito Ribeiro às 20:42
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publicado por Brito Ribeiro às 16:49
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