Mais uma vez estamos às portas de novo período estival, com as almejadas e merecidas férias. Vila Praia de Âncora como destino turístico que é há muitos anos, espera as enchentes costumeiras, com a praia a abarrotar, os estacionamentos sempre difíceis, os restaurantes cheios, as casas mais ou menos alugadas, o bulício do costume.
Bem, espero que não seja tudo como o costume e vocês já sabem porquê! Esta “marmelada” da poluição no rio tem de acabar, tem de ser obra do passado, tantas vezes repetido.
No ano passado foi uma desgraça com a praia a ser interditada e com um cenário, no mínimo surrealista, de se saber onde era ou deixava de ser a praia das crianças. Que isso é coisa que até nem me importa.
O essencial é não ter poluição do rio até ao final da época balnear, sem as escandaleiras acostumadas há mais de dez anos. E a situação em vez de melhorar, piora a cada ano que passa, apesar das intenções e das promessas dos nossos autarcas.
Se calhar estou a ser profeta da desgraça e o ano até vai correr bem. Oxalá que assim aconteça, mas nada me garante que neste ano e no próximo ano e por aí adiante o problema está definitivamente resolvido, que não vão haver mais mentiras, mais desculpas idiotas e tolas, mais vergonha para a nossa terra, mais prejuízos para Vila Praia de Âncora.

Ainda não vi qualquer obra estruturante que me permita ficar sossegado a este respeito, apenas vi um pequeno levantamento de anomalias numa linha de água executada por um técnico, acção que é nitidamente insuficiente para colmatar de vez a conspurcação do rio Âncora. Aliás, estudos não resolvem problemas, apenas fazem diagnósticos para aplicação de medidas correctoras.
Toda esta prosa vem apenas para lembrar que estão a iniciar-se as colheitas de amostras das águas balneares e em breve teremos resultados qualitativos, espero eu que desmintam o meu pessimismo.
Deixem-me já agora partilhar convosco outra preocupação e que se prende com a limpeza das áreas dunares, onde se acumula lixo que chega a estar lá anos. É aborrecido e desvaloriza o resto do trabalho se apenas se limpar por onde “passa a procissão” deixando todo o tipo de detritos espalhados por zonas mais remotas. Se passarem pelos passadiços das dunas, que precisam de uma boa revisão, vêem do que estou a falar.