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01
Mai 20

Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, nasceu no dia 1 de Maio de 1872 em Caminha e quando exercia a Presidência de Portugal, foi assassinado no dia 14 de Dezembro de 1918 por José Júlio da Costa, um ativista da esquerda republicana.

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Na política, Sidónio Pais, exerceu as funções de deputado, ministro do Fomento, ministro das Finanças, embaixador de Portugal em Berlim, ministro da Guerra, ministro dos Negócios Estrangeiros, presidente da Junta Revolucionária de 1917, presidente do Ministério e presidente da República Portuguesa.

Exerceu a Presidência de forma ditatorial, suspendendo e alterando por decreto normas essenciais da Constituição Portuguesa de 1911. Foi popularmente cognominado o presidente-rei.

Quando em 1918 ocorreu uma greve dos trabalhadores rurais no Vale de Santiago, José Júlio da Costa assumiu a posição de negociador entre as autoridades e os grevistas, alcançando um acordo. A atuação daqueles trabalhadores, liderados pela ala anarquista da Comuna da Luz de António Correa, foi considerada perigosa para a ordem pública, não aceitando o Governo os termos do acordo, sendo os grevistas severamente punidos e alguns deportados para África.

Sentindo-se traído pela falta de palavra das autoridades, Costa jurou vingar os seus conterrâneos do Vale de Santiago, decidindo assassinar Sidónio Pais, visto então pela esquerda radical como o ditador cuja ação era a fonte da opressão das classes trabalhadoras e como o traidor que abandonara à sua sorte o Corpo Expedicionário que combatera em França.

Costa deslocou-se de Garvão, no Baixo-Alentejo, até Lisboa, com o objetivo de acabar com o regime sidonista, pondo termo à chamada República Nova, assassinando o seu líder. A ação foi cuidadosamente preparada, como indica uma carta escrita por ele mesmo em 12 de Dezembro.

No dia 14 de Dezembro, após jantar no restaurante Silva no Chiado, dirigiu-se à Estação do Rossio, onde aguardou a chegada do chefe de Estado que deveria partir rumo à cidade do Porto. Quando Sidónio Pais se preparava para o embarque, no primeiro andar da estação, Costa furou o duplo e compacto cordão policial ao mesmo tempo em que disparava uma pistola sobre o presidente, que mal tem tempo de reagir. Sidónio Pais ainda faz um gesto, na intenção de sacar o revólver que trazia no bolso esquerdo do capote militar. Porém, um segundo tiro acerta-lhe em cheio e fá-lo cair no limiar da porta que procurava transpor.

É tudo tão rápido que só por mero acaso o autor dos disparos foi preso no local. Na infernal confusão, a Polícia e a Guarda investiram indiscriminadamente, distribuindo coronhadas ao acaso e desencadeando um furioso tiroteio, que atinge tudo o que está perto.

Fugia-se em todas as direções, para escapar às espadas, aos sabres e aos disparos que não diferenciam ninguém na sua fúria vingadora. Uns refugiam-se nos comboios, outros escondem-se dentro do túnel da estação e outros, ainda, metem-se entre os fardos de bagagens e de mercadorias acumulados no cais. O próprio irmão do presidente é acutilado, no meio de todo este pandemónio. Um convicto sidonista, de nome Luís Furtado Saraiva, caixeiro de profissão, é abatido no local, e além de Sidónio Pais, são ceifadas pelas armas das forças de segurança várias vidas.

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No chão, Sidónio Pais agonizava, perante os esforços infrutíferos do capitão Carneira, que tenta, a todo o custo, salvar a vida do presidente, protegendo-o com o seu corpo do tiroteio a que se assiste.

Sidónio já não assistirá à gala que a recepção oficial se preparava para lhe oferecer no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, e tão-pouco estará presente na parada militar que em sua honra desfilaria pela Avenida da Boavista.

Ao coro de Gounod a duas vozes, que vinte e cinco damas da primeira sociedade, com acompanhamento de órgão, harpa, violino e violoncelo, se aprontavam para lhe dedicar, no sarau musical oferecido pela Associação Comercial do Porto, também o presidente não dará já o contributo da sua presença física.

José Júlio da Costa, um alentejano que quase ninguém conhecia, acabara de o assassinar. Moribundo, o “presidente-rei” jazia na laje da estação que tantas vezes o recebera em delírio e que se transformara, agora, num verdadeiro inferno.

Alheio a este diabólico tumulto que o cerca, o capitão Carneira tenta erguer o corpo ensanguentado do presidente e, com o auxílio de Ferreira da Silva e de António Miguel Sousa Fernandes, mete-o no carro que o motorista José Felício Franco conduz rapidamente na direção do Hospital de S. José.


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Casa onde nasceu Sidónio Pais, adquirida pela Câmara Municipal de Caminha e entretanto demolida

Sidónio Pais chegará já morto ao hospital, onde o médico Torres Pereira praticamente se limita a certificar o óbito.

A autópsia dirá, mais tarde, que as lesões sofridas pelo presidente eram forçosamente mortais. Ferido no lado direito da região mamária, com perfuração do pulmão direito e derrame hemático peritoneal, Sidónio Pais não podia ter mais de 15 a 20 minutos de vida.

Apesar da enorme confusão que se instalou, e de que resultaram quatro mortos, José Júlio Costa, não tentou fugir, deixando-se capturar.

Embora não existam provas convincentes, sempre circularam teses que apontavam para o envolvimento da maçonaria na preparação do assassinato de Sidónio, alegando-se que Costa estaria ligado àquela sociedade secreta.

Apesar dos rumores, próprios de uma época em que a maçonaria estava sob forte ataque por parte dos círculos mais conservadores, sabia-se que Costa nutria grande simpatia pelo grão-mestre Sebastião de Magalhães Lima. O grão-mestre em carta enviada a um correligionário, afirmou ter mantido contacto com Costa, mas “achou-o muito doente, receando mesmo pela sua vida que tão preciosa é a esta nossa tão amada terra”.

Carecem de prova os rumores de que teria escrito uma carta a Magalhães Lima, que, sem mencionar o pretendido assassinato, teria sido encontrada nos bolsos do grão-mestre quando foi preso e conduzido ao calabouço na noite do assassinato.

Um dos argumentos apontados pelos defensores desta tese é o facto de Sidónio ter sido maçom, alegando-se que a maçonaria não perdoaria que os seus antigos membros abandonassem a organização, criando desse modo o mito que Sidónio teria sido morto por outro maçom.

Outro motivo que apontava a cumplicidade da maçonaria na morte do presidente era o conhecido apoio dado pela maçonaria à República e aos republicanos que Sidónio vinha traindo e perseguindo. Tal sentimento tinha levado a uma radicalização de posições, com os defensores do sidonismo a acusar a maçonaria de estar por detrás do atentado fracassado que sofrera em 5 de Dezembro. A reação antimaçónica levara a que no dia imediato, a 6 de Dezembro, a loja do Grande Oriente Lusitano Unido fosse invadida e saqueada.

A tese de que José Júlio da Costa pertencia à maçonaria jamais foi confirmada, apresentando-se como pouco provável pois aquela era uma organização elitista e urbana, onde um militar de baixa patente dificilmente entraria.

No caso de Costa fazer parte de alguma associação secreta, o que não seria de estranhar devido ao seu empenho político, provavelmente pertenceria à Carbonária, um movimento bem mais radical, com forte implantação nas áreas rurais e entre praças e sargentos das forças armadas. Contudo, desconhecem-se ainda hoje, provas da ligação de José Júlio com qualquer associação secreta.

José Júlio da Costa faleceu em 1946, aos 52 anos, internado no Hospital Miguel Bombarda, depois de 28 anos preso, sem direito a julgamento.

 

Texto adaptado dos blogs: https://estoriasdahistoria12.blogspot.com e https://aviagemdosargonautas.net 

publicado por Brito Ribeiro às 11:49
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