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24
Jul 21

Corria o ano de 1940, e a Europa estava mergulhada na devastadora II Guerra Mundial. No entanto, Espanha e Portugal decidiram manter-se longe do conflito, com o intuito de pouparem a Península Ibérica à devastação e como forma de manter os regimes ditatoriais vigentes, apesar de tanto Salazar como Franco terem clara simpatia pela causa germânica.

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Mas nada disso impediu Franco de planear a invasão espanhola a Portugal. Em conjunto com alguns dos seus generais de confiança, Franco criou um plano minucioso de invasão e anexação de Portugal, para o caso de a Espanha entrar na guerra combatendo ao lado dos alemães.

E isso esteve quase a acontecer, graças à obsessão de Franco em conseguir um império colonial espanhol no norte de África, algo que seria mais facilmente conseguido com o apoio germânico.

Entra assim em cena a preparação da invasão.

Vale a pena ressalvar que Portugal, em termos estratégicos, era de pouco interesse para Franco, sendo esta invasão apenas uma consequência natural da eventual entrada de Espanha na guerra, ao lado dos países do Eixo (Alemanha e Itália).

A Alemanha já há muito que pressionava Franco para que este decidisse a sua entrada no conflito, pois os Alemães pretendiam tomar posse de Gibraltar (em território espanhol mas na posse dos ingleses) para conseguirem controlar a passagem entre o Mediterrâneo e o Atlântico.

Em contrapartida, a Alemanha entregaria à Espanha os territórios franceses do Norte de África, conseguindo assim Franco o seu tão ambicionado império.

Mas por outro lado, caso invadisse Gibraltar, Franco sabia que os ingleses iriam retaliar, tomando as Ilhas Canárias e usando Portugal (seu tradicional aliado) como base para os seus ataques.

Assim, se Portugal estivesse nas mãos dos espanhóis, estes estariam duplamente protegidos contra as forças aliadas, especialmente dos ingleses, pois Portugal era o ponto de início ideal para uma invasão em grande escala da Península Ibérica pelas forças aliadas.

Essa foi a principal razão por que se criou o plano da invasão espanhola, estando esta ideia detalhada no livro A Grande Tentação, do historiador espanhol Manuel Ros Agudo, criado a partir de um documento de 120 páginas que foi encontrado nos arquivos da Fundação Francisco Franco.

Portugal e Espanha tinham assinado um Pacto de Amizade e Não-Agressão em 1939, e Salazar tinha dado um providencial apoio a Franco durante a Guerra Civil Espanhola, contribuindo fortemente para o aniquilamento das forças republicanas e apoiando logisticamente (e não só) as forças franquistas.

Apesar disso, Franco não se coibiu da criação deste plano de invasão, ignorando o tratado de não-agressão e a providencial ajuda recebida de Salazar para chegar ao poder em Espanha, onde previa um desfile triunfal até Lisboa, considerando, até, que a invasão não seria um exercício militar de grande complexidade.

Assim, o plano fez-se mesmo, e foi entregue a Franco em finais de 1940. Seria lançado um ultimato a Portugal, com condições impossíveis de cumprir, e após um curto espaço de tempo, começaria a invasão.

No documento, pode-se ler que “a delicada situação de Portugal em relação a um conflito internacional em que intervenha a Inglaterra, a escassa potencialidade do país vizinho e, sobretudo, o atrativo das suas costas, pode conduzir a Inglaterra a tentar ocupar as bases navais deste território”.

Logo a seguir, Franco escrevia “decidi preparar a invasão de Portugal, com o objetivo de ocupar Lisboa e o resto da costa portuguesa”. Franco previa ainda poder ocupar rapidamente Portugal, passando de imediato à preparação à resposta britânica, reforçando a frente atlântica.

Para o ataque a Portugal, seriam destinadas 10 divisões da infantaria, 1 de cavalaria, 4 regimentos de tanques, 8 grupos de exploração de cavalaria, e 8 regimentos mistos de infantaria, num total de 250 mil homens, o dobro do que Portugal dispunha.

A invasão seria levada a cabo através dos exércitos, que atacariam a norte e sul do Tejo, mantendo sempre a superioridade de meios e homens. O primeiro exército avançaria por Ciudad Rodrigo, levando à sua frente a Guarda, Celorico da Beira, Coimbra e depois Lisboa. O segundo exército seguia por Elvas, Évora e Setúbal. Todos tinham o objetivo de tomar rapidamente Lisboa, dividindo assim o país em 3 e facilitando a conquista.

A aviação espanhola entraria depois em cena, com cinco grupos de bombardeiros, caças e grupos de assalto, atuando no apoio ao exército invasor. Franco não planeava, no entanto, levar a cabo tal empreitada sozinho, confiando que as forças do Eixo, em particular a Alemanha, forneceriam um reforço significativo aos meios, especialmente de bombardeiros, para evitar uma eventual superioridade luso-inglesa no ar.

A ideia era pois atacar e em força, no mais curto espaço de tempo, para que Portugal não tivesse sequer hipóteses de reagir e lutar. Como sabemos, esta invasão nunca se realizou, e os planos ficaram escondidos no arquivo da Fundação Francisco Franco durante 67 anos, e nenhum dos dois países ibéricos entrou na guerra.

 

Texto de João Luís Gomes in Excertos da História

 

publicado por Brito Ribeiro às 11:58
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15
Jul 21

Texto de Ana Vicente, ao qual introduzi  algumas (poucas) alterações sobre duas personagens incontornaveis da história peninsular do século XX.

 

O período de coabitação entre os regimes de Salazar e de Franco não é um todo homogéneo. A perceção dessa coabitação torna-se mais clara quando segmentamos em períodos as relações entre os dois países e tentamos individualizar os traços mais fortes que a caracterizam.

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1939-1942

A vitória do general Franco na Guerra Civil (1936-1939), contou com o apoio muito concreto e significativo, de variado tipo, do regime português. É neste contexto que os governos dos dois países subscrevem, em 17 de Março de 1939, o “Tratado de Amizade e Não Agressão entre Portugal e Espanha”, que mereceu um protocolo adicional em 29 de Julho de 1940.

Entretanto opera-se a consolidação do poder do Caudilho em Espanha, o poder central de Madrid governa e os regionalismos/nacionalismos são violentamente reprimidos e controlados. A grande maioria da população espanhola vive com graves dificuldades que roçam níveis de miséria absoluta.

Nesta primeira fase da 2ª Guerra Mundial (1939-1945), Franco coloca-se claramente do lado do Eixo, e encara mesmo a hipótese de entrar na contenda. É Ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha o seu cunhado Ramon Serrano Suñer, que alimenta a opção de Franco e que revela animosidade e desprezo pelo vizinho português. Em 1940, há sectores da Falange espanhola que advogam a anexação rápida e imediata de Portugal. Franco, que também a pretendia, não considera o momento oportuno.

Salazar, entre 1936 e 1947, acumula a presidência do governo com a pasta dos Negócios Estrangeiros, e mantém uma posição de habilidosa neutralidade face aos dois blocos, sem jamais renegar a aliança com o Reino Unido.

Como escreveu Augusto de Castro, "Portugal e Espanha ou serão ambos neutrais, ou nenhum deles o será." Por isso mesmo, o chefe do governo observa as ambivalências espanholas com grande cuidado e algum temor e mantém contactos permanentes com Madrid.

No plano interno continua a vigilância permanente e eficaz da polícia e da censura. O racionamento é introduzido a pretexto da Guerra e as dificuldades económicas da população são muitas.

 

1942-1945

Na segunda fase da Guerra a perspetival de vitória dos Aliados torna-se gradualmente mais clara. O Conde de Jordana substitui o “cunhadíssimo”, como era conhecido Serrano Suñer, e dado o desenrolar das diversas frentes de guerra, assim como a postura muito mais maleável do Ministro dos Negócios Estrangeiros, a Espanha aprofunda a sua neutralidade e procura, através da “janela” portuguesa, contactos com o mundo ocidental.

Salazar cede os Açores aos Aliados em Outubro de 1943 numa clara aproximação a este bloco beligerante, sem comprometer a neutralidade sempre apregoada.

 

1945-1949

As esperanças de uma transição a curto prazo para uma monarquia constitucional, assumida por D. Juan de Bourbon, não servem os interesses de Francisco Franco que coloca a monarquia num horizonte mais longínquo. D. Juan e a família tinham encontrado refúgio em Portugal (Estoril).

O primogénito D. Juan Carlos parte para Espanha para aí receber uma educação adequada, preparatória para a sua função de monarca. A Espanha encontra-se num isolamento internacional profundo, pois com exceção de Portugal e da Santa Sé, em 1946, nenhum país se fazia representar a nível de embaixador, junto ao governo espanhol.

Entre 22-27 de Outubro de 1949, o general Franco, acompanhado por sua mulher, Dona Carmen Polo y Martínez Valdés, vem a Portugal em visita oficial. Chega a Lisboa, vindo de barco a partir de Vigo, na Galiza, para frisar que a Espanha também era uma nação atlântica e instala-se no Palácio de Queluz. Os discursos oficiais falam de 'pátria irmã' ou de 'Portugal irmão'.

Durante esta visita oficial (a primeira e a última que faria a um país estrangeiro), Franco recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra e foi nomeado general honorário do Exército português.

Contudo, apesar das várias tentativas realizadas, não conseguiu que D. Juan de Bourbon acordasse num encontro. Por sua vez, o Presidente da República Marechal António Óscar Carmona foi nomeado tenente-general do Exército espanhol. Neste período, Franco coloca como meta, inspirando-se na ideologia fascista italiana, a auto-suficiência económica do país, meta que iria abandonar a partir de 1959, face à persistente penúria de bens essenciais.

A oposição democrática portuguesa perde igualmente a esperança, porque a vitória dos Aliados não prenunciou o fim do apoio ocidental ao regime salazarista e muito menos a abertura do próprio regime.

Pelo contrário, o anticomunismo seguro de Salazar promoveu-o a um parceiro não desprezível que foi mesmo convidado pelos E.U.A. a integrar os membros fundadores da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em 1949, sendo um dos objetivos principais desse pacto a luta contra a "expansão comunista".

Para grande consternação do general Franco, a Espanha não foi nem convidada nem admitida, o que aliás causou sérios problemas nas relações bilaterais. O governo espanhol alegava que Portugal, à luz do Tratado de Amizade e de Não Agressão, e do seu Protocolo adicional, não poderia aderir por si só e que era também seu dever servir de mediador junto aos membros do Pacto, para fazer valer as pretensões espanholas.

As negociações foram intensas e por vezes acrimoniosas mas a Espanha acabaria por aceitar o inevitável, pois Salazar não iria, obviamente rejeitar o valioso convite que lhe fora dirigido pelos países fundadores. Por sua vez, em 20 de Setembro de 1948 tinha sido prorrogado, por mais dez anos, o Tratado de Amizade e Não-Agressão.

 

1950-1960

Na década de 50 assiste-se a um curioso fenómeno, enquanto a Espanha inicia um gradual processo de modernização e de adaptação aos ventos da história, mitigando o seu isolamento (faria um acordo militar com os EUA em 1953, nomeadamente), o regime português fecha-se sobre si próprio.

Apavora-se com o processo de descolonização africana, com o despertar dos movimentos independentistas bem aceite pelas potências ocidentais, treme perante a hipótese de perder Goa, Damão e Diu para a União Indiana, reprime severamente qualquer proposta de evolução do sistema político como foi tentado durante a campanha eleitoral para a presidência da República de 1958, indigna-se quando sectores da Igreja Católica, incluindo um membro do episcopado, como no caso do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, se atrevem a levantar problemas.

O regime continua a falar em corporativismo como uma boa solução para o relacionamento social. Ambos os países entram para a ONU em 1955 mas Portugal adere por si só à Convenção de Estocolmo, fundadora da E.F.T.A. (Associação Europeia de Comércio Livre) em 1959.

 

1961-1968

O regime franquista aprofunda um processo de modernização da economia, abrindo-a ao exterior, fomenta a indústria, realiza investimentos públicos, opta pelo turismo como uma das traves mestras do crescimento económico, investe na educação e na formação profissional, aligeira o apertado controlo sobre a cultura e sobre a circulação das ideias.

Opera a descolonização de Marrocos e a independência da Guiné Equatorial. Apoia, apenas de forma mitigada, as teses oficiais portuguesas na ONU, segundo as quais Portugal não tinha colónias mas sim províncias ultramarinas.

Em Portugal, o governo, que continua corporizado em Salazar, rejeita qualquer possibilidade de negociação na frente colonial e opta pela atitude do “orgulhosamente sós” face à hostilidade e ao isolamento político internacional.

Entretanto, a partir de 1961, rebentam com grande violência as lutas armadas em Angola, Moçambique e Guiné, conduzidas por grupos de guerrilha bem treinados e bem armados.

A resposta das Forças Armadas portuguesas vai arrastar-se até 1974, constituindo o fulcro de toda a política em Portugal. Salazar não entende e não quer ver nem saber nada acerca das movimentações sociais desencadeadas pela luta contra o racismo nos EUA nomeadamente, pelos movimentos feministas e pelas organizações estudantis.

As Universidades mantêm-se à margem da inovação e da criatividade e o fechamento chega a extremos tão ridículos como a ausência de qualquer curso de sociologia em todo o país.

Encerra-se assim, com algum esfriamento, o ciclo das relações entre os dois ditadores, cujas opções estratégicas já se encontram em planos bem distintos.

 

Conclusão

Os encontros entre os dois governantes foram marcados pela parcimónia. Entre 1939 e 1968 Salazar e Franco encontraram-se apenas: em Sevilha, a 12 de Fevereiro de 1942; na visita oficial de Franco a Lisboa, de 22 a 27 de Outubro de 1949; em Pazo de Meirás, Monção e no Porto, em 26 e 27 de Setembro de 1950; em 14 e 15 de Abril de 1952, em Ciudad-Rodrigo; de novo em Ciudad-Rodrigo, em 8 e 9 de Julho de 1957; em Mérida, de 20 a 21 de Junho de 1960; de novo em Mérida, em 1963.

Os comunicados davam informações “oficiais” sobre as matérias em discussão mas tudo indica que estes encontros serviam para analisar os posicionamentos dos dois países no contexto dos sucessivos cenários internacionais.

Passado o complexo período da 2ª Grande Guerra e seu rescaldo, estava em causa o desejo de a Espanha ser admitida, quer na NATO, quer na ONU, contando com a mediação de Lisboa para esse objetivo; por outro lado, Lisboa queria o apoio de Madrid à política ultramarina de Salazar.

Um dos aspetos muitas vezes olvidado do relacionamento bilateral não oficial, numa época de fronteiras muito definidas e policiadas, era o grande volume de contrabando que se movimentava nos dois sentidos, mas de forma mais pronunciada de Portugal para Espanha.

As guardas fronteiriças de um e de outro lado chegaram a matar pequenos contrabandistas apanhados em delito, o que deu azo a algumas notas verbais diplomáticas de teor bastante azedo. Na década de 60 ocorreu o fenómeno maciço da emigração clandestina de portugueses em direção a França, atravessando a Espanha por vezes em condições de extrema dificuldade, conduzidos por redes de passadores espanhóis e portugueses.

De referir ainda a questão de Olivença, a cidade portuguesa e o seu termo, totalizando 42 mil hectares, tomada pelos espanhóis em 1801, na Guerra das Laranjas: os dois países acordaram a sua restituição a partir do Congresso de Viena de 1815, mas tal nunca se realizou. Salazar não se empenhou junto ao seu homólogo no cumprimento da restituição talvez por ter percebido que os espanhóis nunca cederiam e que tal assunto poderia danificar muito seriamente as relações entre os dois governos.

Caracterizando as complexas relações luso-espanholas, como são sempre as relações de vizinhança, o historiador e político Cláudio Sanchez Albornoz, o último embaixador da República Espanhola em Lisboa, escreveu que entre os dois países se ergueu uma fronteira "mais alta que os Pirenéus: séculos de hostilidade, séculos de receio, séculos de incompreensão, séculos de ambições e medos", mas que também existia "um hilo escondido / que nos aprieta a los dos", como reza uma canção de amor andaluza. Poder-se-á concluir que no período em apreço a vivência das populações dos dois países foi profundamente marcada pela personalidade e ideologia dos seus respectivos ditadores e que os regimes eram, em consequência, profundamente pessoalizados.

Quer no caso espanhol, quer no caso português os sistemas em vigor não resistiram ao desaparecimento dos ditadores sem que, evidentemente, se tenham apagado as profundas marcas impressas na História dos dois países que partilham o espaço da Península Ibérica.

 

30 anos de coabitação

O Franquismo e o Salazarismo constituíram um sistema de coabitação na Península Ibérica durante cerca de 30 anos que se revelou mutuamente útil.

Os dois homens que deram nome a esse período eram, contudo, personalidades muito díspares – Francisco Franco Bahamonde (1892-1975) não foi feliz na infância. O pai, que chegou a Intendente-Geral da Marinha espanhola, era extremamente violento e os progenitores do Generalíssimo, como veio a ser conhecido, acabaram por viver separados.

António de Oliveira Salazar (1889-1970) cresceu no seio de uma família de pequenos agricultores, num ambiente tranquilo, e estudou no seminário entre 1900 e 1908.

Por outro lado, Salazar nunca casou e tanto quanto se sabe, não teve filhos. Franco era casado e pai de uma filha, e foi avô extremoso de seis netos. Salazar era professor universitário, Franco um militar de carreira. Salazar era oriundo de uma pequena burguesia profundamente rural, enquanto a família de Franco vivia e trabalhava na administração naval, na cidade de El Ferrol, na Galiza, desde o princípio do século XVIII. Franco abertamente cruel e sanguinário, Salazar calculista e simulado na sua crueldade. Franco gozando com a aquisição e o usufruto de bens materiais, Salazar de uma austeridade e de uma modéstia de estilo de vida muito acentuada. Franco praticando a caça e a pesca assiduamente, Salazar preferindo ocupar todo o seu tempo em estudo e trabalho.

Refira-se que a empatia pessoal entre Salazar e Franco não existia e que ambos se desprezavam mutuamente. Salazar considerava Franco um vaidoso megalómano, enquanto Franco se referia a Salazar, em privado, como o parolo rural.

No entanto, os pontos de convergência eram também muito vastos – um obsessivo apego ao poder que justificavam pela missão divina em que ambos se consideravam investidos; o culto do patriotismo e do nacionalismo; a prática do catolicismo como forma 'tradicional/nacional' da expressão religiosa; uma atitude profundamente conservadora perante a vida; uma valoração grande da autoridade, da ordem e da hierarquia; um anticomunismo visceral; uma representação de como 'devia ser' a vivência em sociedade que passava pela atribuição de papéis rígidos, mitificados e bem distintos às mulheres e aos homens.

Contudo, poder-se-á afirmar que a 'dedicação' que Salazar ministrava ao seu país era mais desapegada e mais desinteressada do que a de Francisco Franco em relação a Espanha, pois o Generalíssimo cultivava uma marcada auto-adulação e incentivava o culto da personalidade.

Mas há que sublinhar que também houve profundas diferenças nas visões e estratégias que um e outro ditador tiveram ao longo das décadas de governação dos seus respectivos países, das quais a mais saliente tem a ver com a sucessão.

Salazar não cuidou da evolução do regime nem permitiu que outros o fizessem. Os espaços de reflexão e de interrogação foram asfixiados. Em 1950, já com dezoito anos de regime, não se vislumbrava um futuro. Nos anos 60 a indefinição acerca desse mesmo futuro permanecia.

Em contraste, desde 1947 que Franco tinha definido a sucessão, delineara horizontes, apontando para um regime monárquico, mesmo que se possa considerar que a principal motivação do espanhol teria sido garantir a sua manutenção no poder absoluto.

No período em análise, as relações entre Portugal e Espanha, devido aos laços e entrelaces do passado histórico, longínquo ou próximo, operavam-se a dois níveis: o oficial, caloroso, ideológico, pomposo até, e o não-expresso, feito de uma algo desconfiada observação mútua e permanente, atenta aos avanços, recuos e posições, quer a nível interno quer a nível internacional, numa demarcação clara de esferas de influência e de independência de atuações de ambos os países. Necessariamente, contudo, a disparidade na dimensão dos dois países, determinava também as respectivas atitudes.

publicado por Brito Ribeiro às 11:07
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18
Jun 21

"O estudo da Maçonaria enfrenta algumas dificuldades, a principal das quais é a carencia de documentos...", palavras do Professor Doutor António Ventura, especialista em assuntos da Maçonaria com vasta obra publicada.

Da descoberta de documentos, paramentos e outro espólio da Vedeta do Norte, surge a vontade de dar a conhecer esta faceta da vida Ancorense.

Nada disto era possivel sem a colaboração dos descendentes dos antigos obreiros da Loja, que preservaram a memória que hoje colocamos à Vossa disposição. Nada disto era possivel sem o entusiasmo e o conhecimento do Professor Paulo Bento, autor do livro-catálogo da exposição.

Exposição patente no Centro Cultural de Vila Praia de Âncora até 12 de Setembro.

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publicado por Brito Ribeiro às 15:13

05
Mar 21

Mais um artigo sobre António Pedro, desta vez deitando um olhar à decoração da sua casa em Moledo, publicado na revista "Panorama" em Fevereiro de 1944.

“Encontram-se ainda, belas peças de mobiliário antigo, dos mais variados estilos, nas lojas dos antiquários e em leilões. Os estabelecimentos da especialidade também exibem, às vezes, magníficos móveis modernos. Mas há quem não aprecie tanto essas preciosidades, como o que possa sair-lhes da cabeça, com a marca bem nítida do seu gosto pessoalíssimo, inconfundível.

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Foi o caso do pintor António Pedro, que concebeu e desenhou, para o interior da sua casa – em que o antigo e o moderno se entretém em aprazíveis jogos de equilíbrio – o armário que nesta página reproduzimos.

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Para a sua trabalhosa realização (mais evidente se observarmos que a originalidade dos ornamentos é transposta em talha e embutidos policromados) encontrou o artista um desses marceneiros de mãos hábeis e de paciência inesgotável que não são raros, felizmente, numa terra em que o mais inepto dos amadorismos levou a palma, em tantas outras profissões, às virtudes tradicionais e tão nobilitantes do operariado português.

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O justo enquadramento dos móveis e peças de Arte nas paredes dos interiores é um dos mais importantes e difíceis objectivos da decoração. Veja-se como António Pedro enquadrou o belo armário que domina as salas da sua casa.”

publicado por Brito Ribeiro às 11:47

02
Mar 21

Texto e gravuras de António Pedro, publicadas na revista "Panorama" em 1943.

"A Praia do Moledo é onde começa Portugal a encontrar-se com o mar. O namoro começa ai.

Na Galiza não há praias. As que há são uma nesga de areia que lá consegue esgueirar-se entre rochedos e onde o mar, de apertado, nem tem espaço para rolar uma onda com jeito. O resto é rocha, a pique, empinando-se recortada a todo o longo da costa, e que às vezes parece, do melindre, espuma que se fês preta de velha, ali parada a impedir a brincadeira do mar, às vezes; em moles lisas, sobrepostas e imensas, faz supor que os montes se arrependeram tarde de entrar por ele dentro, e acomodaram a sua beleza, desajeitada e tamanhona, a um contraste que os esfria.

É claro que isto é literatura, e da má, mas aquilo pede literatura. Dizem que parece os fjords. Do que eu conheço, não se parece com nada.

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Depois há o Minho, que é um assombro, mas um assombro suave. Creio que é no rio Minho que se fabrica aquela cor doirada da luz do céu, por estas paragens, mais subtil que nenhuma. A luz entra pelo meio das galhas dos pinheiros e lubrifica-as de sonho, poisa sobre a mata do Camarido e alfombra-lhe os reflexos, entremeia-se nos milhos, desenha as casinhas brancas de Cristelo, na encosta do monte, respira-a a gente, e tudo resulta leve como uma suspeita de alegria.

Sei lá se isto é assim. Sei que não há terra bonita no mundo mais bonita que esta Praia do Moledo que pega na areia da foz do rio e a traz, por uma porção de quilómetros, até aos rochedos de S. Isidoro, uma areia fina, acolhedora e sensível que parece feita para brincar.

Tudo em Moledo é de propósito para ser lindo! A concha da praia, que é enorme, fecha-a pelo Nascente a corda dos montes, que vêm da Serra de Arga, e ali se ajeitam, proporcionados. Ao Norte, a Galiza acaba por um cone de pedra e árvores, como se quisesse ter fechado a fronteira com um monumento natural. É Santa Tecla. Na desembocadura do rio há uma ilha que foi poiso de monges militares, a ínsua, fortaleza maneirinha plantada no meio do mar como num cenário.

E o mar é verde, azul, espantoso como sempre, até a um horizonte nítido. Moledo é assim. Não precisa de nenhum pitoresco de almanaque folclórico. Chega-lhe o mar, a terra e o céu para não ter inveja de ninguém.

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Monte maninho para subir quem quiser desenferrujar as pernas em alpinismo barato, ou de escopeta, para os coelhos e perdizes, na falda do monte, uma aldeia rural com igreja, capela de devoção, cruzeiro de pedra, lindo, as parreiras do e verde t a ensombrar os caminhos pedregosos onde há “alminhas” em nichos junto às dunas da praia, ao longo da estrada nacional, umas dúzias de casas, as dos banhistas, e cerca de uma delas, uma capelinha linda, do século XVII, que foi para ali amorosamente transplantada de uns dez quilómetros de distância uma mata admirável de pinheiros e acácias, o Camarido, para abrigar da nortada ou ir dormir a sesta, numa rede, a encher os pulmões de saúde, a praia como nenhuma, e, se o mar traz sargaço, a faina de colhê-lo, com redanhos e ancinhos, os homens e as mulheres vestidos de oleado, os boisinhos minhotos, piscos e galegos, a ajudarem o arraste, o cheiro forte do iodo, o treme-treme do ar com a evaporação das algas, o guincho do eixo dos carros carregados pela praia fora, a azáfama da gente, é um espetáculo inesquecível num cenário inesquecível.

Ah, é verdade! Aqui as mulheres andam vestidas à moda do Minho. À moda de Moledo do Minho. Não se parece nada com o Carnaval…"

publicado por Brito Ribeiro às 12:31

01
Mar 21

Este artigo foi publicado na revista "Panorama", nº 15, de 1943. Esta revista portuguesa, publicada (1941 - 1974) mensalmente em Lisboa, abordava temas de arte e turismo e era da responsabilidade do SPN (Secretariado  de Propaganda Nacional).

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"Esta deliciosa praia minhota - a que dedicamos neste número um artigo assinado por António Pedro – possui uma Pensão limpa e aceitável. Casas mobiladas para alugar, desde 700$00 a temporada. Agua encanada, luz elétrica, telefone. Dunas magníficas para acampamentos campistas. Ténis. Pesca do robalo, à linha, nos penedos da praia; no rio Minho, salmão, lampreia, sável, e solha à fisga; trutas no Coura. Caça: além do coelho e da perdiz, rolas de passagem, com o leste, no Camarido, patos no Minho, narceja nos juncais do rio Coura, a três quilómetros. Canoa em ambos os rios. Vela e remo no maior, com um estuário de quási dois quilómetros. Caminho-de-ferro. Ainda não insultaram a paisagem com nenhuma «esplanada» de balaústres românticos de cimento armado. Outros informes, dá-os a Comissão de Turismo a quem os pedir."

publicado por Brito Ribeiro às 11:37

20
Dez 20

Na raia do Alto-Minho e Trás-os-Montes manda a tradição que a ceia de Natal seja polvo cozido com batatas.

No Museu Memória e Fronteira, em Melgaço, os arquivos das apreensões da Guarda-fiscal não mentem. Nos tempos do contrabando com Espanha as autoridades confiscavam cobre, café e azeite, mas nos últimos dois meses do calendário a listagem destaca o polvo.

Avelino Fernandes, reformado da guarda-fiscal conta que em novembro e dezembro aumentava o contrabando de polvo. Eram 32 guardas e nessa altura reforçavam a vigilância, mas fechavam os olhos à passagem do repasto natalício.

Amadeu Pereira outro ex-contrabandista e depois guarda-fiscal, diz que usou muitos conhecimentos para apanhar criminosos, mas nunca na altura do polvo, pois era como ir a casa de alguém e levar-lhe a ceia de Natal.

Todos são unanimes ao lembrar a crueldade da PIDE, que queimava o polvo que era apanhado na fronteira. O objetivo político de Salazar era proteger a frota bacalhoeira.

António Domingues era apalpador na fronteira de S. Gregório, revistando quem passava pela alfândega, mas deixava passar o octópode. Tirá-lo ao contrabandista era roubar o natal a uma família.

Era das águas atlânticas da Galiza que chegava o repasto. Nos primeiros anos o polvo era seco e depois, com a difusão da rede de frio, chegava congelado.

Em Castro Laboreiro a tradição ainda é o que era. Atear o fogo aos toros de carvalho até chama fazer-se forte, pois a água não tardar muito a ferver. Num pote de ferro deitou-se a água, uma mão cheia de sal e uma moeda preta, para dar sorte.

Quando estiver a borbulhar agarra-se no polvo pela cabeça e mergulha-se cinco vezes na água, uma por cada chaga de Cristo. Depois é atirá-lo lá para dentro com uma cebola cortada ao meio. Vinte minutos o animal sozinho, outros tantos acompanhado de batatas descascadas e cortadas pela metade.

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O jantar de Natal ignora o bacalhau e dá a primazia ao polvo cozido. Servido com batatas e regado com um molho de azeite, alho, calda do polvo e pimentão picante.

Em toda a raia nortenha, do Minho a Trás-os-Montes, a história é a mesma. Come-se polvo cozido antes da Missa do Galo e deixa-se o que sobra toda a noite em cima da mesa, para que se volte ao repasto no almoço de 25 de dezembro. E o bacalhau, omnipresente durante o resto do ano, faz folga nas Festas.

Segundo Albertino Gonçalves, professor de Sociologia na Universidade do Minho e especialista em cultura luso-galaica há duas explicações para este microfenómeno natalício: a nobreza do alimento e a proximidade à fronteira, porque o polvo é um produto de alta qualidade e sempre esteve reservado para ocasiões especiais.

No final dos anos trinta, o Estado Novo quis ordenar o abastecimento alimentar do país para travar a fome. O polvo não entrava no menu do regime, nem era uma prioridade estratégica.

A proximidade da Galiza, coração mundial da pesca de polvo, fazia que ele estivesse presente no território há séculos e entrasse na dieta das gentes da fronteira muito antes do bacalhau.

O polvo assim, tornou-se um produto identitário da raia, imune às tentativas de reconversão que lhe tentaram fazer.

O bacalhau da consoada não é, em boa verdade, uma tradição assim tão antiga. No final dos anos trinta, depois da Guerra Civil Espanhola e de uma tremenda escassez de alimentos nos dois lados da fronteira, o Estado Novo quis ordenar o abastecimento alimentar do país para travar a fome.

Salazar definiu zonas e produtos: cereais no Alentejo, sardinha nos portos pesqueiros, hortícolas e frutícolas no Oeste. E investiu seriamente na frota bacalhoeira, capaz de trazer das águas frias do Norte um ingrediente barato, facilmente conservado a bordo e altamente duradouro.

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Mas se o prato definidor da gastronomia nacional nasce afinal de uma vontade política, espalhada por todo o território pela propaganda do regime, há na linha de fronteira com a Galiza uma tradição que encontrou maneira de resistir ao menu do fascismo. E, na maior parte das vezes, foi jogo de gato e rato.

Avelino Fernandes, antigo guarda-fiscal em São Gregório, freguesia de Melgaço e a mais nortenha do território nacional conta que em novembro e dezembro já se sabia que aumentava o contrabando de polvo. A PIDE andava sempre em cima deles para controlarem o polvo. “Eram maus como as cobras, pois eram capazes de deixar uma família sem ceia na consoada para cumprir as ordens superiores”.

Muitos destes guardas-fiscais eram homens da terra e na maior parte dos casos fechavam os olhos à passagem do repasto natalício. Para este ex-guarda-fiscal a sua memória preferida de quase quatro décadas naquele ofício, foi o dia em que prenderam os agentes da polícia política, em abril de 1974.

O posto de Alfândega de S. Gregório continua a resistir ao tempo, mesmo que as janelas estejam partidas e as portas emperradas. No tempo em que quase tudo era proibido passar na fronteira, as pessoas arranjavam mil e uma maneiras de disfarçar a entrada de mercadoria. Traziam coletes encostados ao corpo, camadas falsas de roupa, tudo o que se conseguisse imaginar. Mas, na altura do Natal, não precisavam de ser revistados pois eram denunciados pelo cheiro.

Fosse a carga pequena e os guardas geralmente deixavam passar. Mas às vezes havia contrabando graúdo, centenas de quilos era apreendido e queimado numa fogueira pela PIDE. Era uma dor de alma ver aquela comida toda estragar-se num país onde faltava tudo, menos a fome.

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Há em Melgaço um museu chamado Memória e Fronteira onde se presta homenagem às décadas em que a passagem para Espanha era atividade furtiva. Ao contrabando, mas também à emigração. Os arquivos das apreensões pela Guarda-fiscal estão ali guardados – e basta olhar para os registos para perceber como o polvo era importação da quadra natalícia.

Quando chegava a altura do polvo tinham de ter cuidados redobrados, por causa do cheiro que largava. A passagem fazia-se entre as duas e as três da manhã, na hora em que até as pedras dormem, no dizer dos contrabandistas. Cada pessoa com quarenta quilos de polvo seco atados por um cordel, e às vezes eram mais de uma vintena a tentar cruzar o rio. O primeiro passava sempre sem carga, não fosse a Guarda estar à espreita. Se fosse apanhado gritava que andava ali raposa e voltavam todos para o mato.

O caminho para ir buscar o polvo era longo, trinta quilómetros pelo meio do mato, que na estrada podiam ser apanhados pela Guardia Civil. Só andavam de noite, e sempre em silêncio. De dia dormiam no meio do bosque.

Se nas casas da raia ainda é o polvo que vai à mesa na noite da consoada, o mesmo acontece no sul da Galiza. Uma das explicações é pelo facto da região ser muito montanhosa e ter historicamente uma enorme carência de produtos frescos. Isso vale para os dois lados da fronteira.

Segundo o sociólogo Albertino Gonçalves é mais fácil encontrar diferenças alimentares entre o norte e o sul do Minho do que entre os alto-minhotos e os galegos do Sul. Em termos culinários, como em muitas outras questões, são exatamente a mesma região.

Fonte: Notícias magazine

 

 

publicado por Brito Ribeiro às 16:34

27
Nov 20

Nascido em Gontinhães, preso pela PIDE a 17 de Junho de 1953 na subdirectoria do Porto por suspeitas de actividades subversivas. Esteve detido durante 12 dias e foi restituido à liberdade a 29 de Junho de 1953. 

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publicado por Brito Ribeiro às 14:17
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04
Nov 20

Chegado o outono, entramos no ciclo anual das chuvas, importando conhecer os diferentes comportamentos das águas pluviais, consoante estamos em ambiente florestal, misto ou urbano.

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publicado por Brito Ribeiro às 10:54
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20
Set 20

Artur Fernandes Fão nasceu em Gontinhães (Vila Praia de Âncora), a 27 de abril de 1894.

Matriculou-se no Conservatório de Lisboa, onde foi um aluno distinto. Ali dirigiu por várias vezes a orquestra na execução de obras suas e fez o curso de italiano. Terminou o curso superior de violino, em 1917, e o curso superior de contraponto, fuga e composição em 1919, ambos com distinção.

Tomou parte como 1º violino nas orquestras sinfónicas e da ópera.

Em julho de 1920, após brilhante concurso de provas públicas, foi nomeado Diretor da Banda da Armada.

Escreveu várias obras para canto, com acompanhamento de orquestra e piano, tendo algumas delas sido executadas pelas orquestras sinfónicas de David de Sousa e Pedro Blanch.

Dedicou-se a obras de didática musical, publicando um valioso trabalho intitulado «Teoria Musical», que foi aprovado por despacho superior, quer no Conservatório (Secção de Música), quer nos Ministérios da Guerra e da Marinha.

Em 1921, atendendo ao valor das suas obras, foi condecorado com o grau de Cavaleiro da Ordem Militar de S. Tiago da Espada. Recebe, em 30 de janeiro de 1939, o grau de Oficial da Ordem Militar de Avis.

Acompanhou o Presidente da República António José de Almeida, em 1922, ao Rio de Janeiro, por ocasião do Centenário da Independência do Brasil, tendo ali realizado concertos que foram muito aplaudidos.

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Página da revista Ilustração Portugueza, Junho de 1922

Foi maestro durante mais de 35 anos da Banda da Armada, tendo terminado o mandado com o posto de Capitão-tenente, conferido em 18 de janeiro de 1955.

Músico de talento, muito contribuiu para elevar o nível musical do país. Compositor versátil, cheio de sensibilidade, chefe de banda distinto, diretor de orquestra, notável pedagogo,

Artur Fernandes Fão recebe no fim de tantos anos dedicados à música e à «sua» banda a recompensa merecida, bem expressa, aliás, no louvor do Corpo de Marinheiros da Armada de 10 de dezembro de 1955: «…Nos termos do art.º 118 do Regulamento de Disciplina Militar louvo o Capitão-tenente Artur Fernandes Fão pela sua grande dedicação, competência profissional, interesse e esforço empregados para conseguir fazer da Banda um agrupamento musical de valor e categoria para prestígio da Armada, durante o tempo que serviu a mesma.»

publicado por Brito Ribeiro às 15:36
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