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24
Abr 14

Os pobres que sempre foram pobres, os novos pobres, os desempregados que emigraram e os que ficaram, os reformados, os que ainda trabalham, mas conscientes que podem ser despedidos, legal ou ilegalmente, vão comemorar o quê?

Os que clamam justiça que tarde ou nunca chega, que vêem encerrar tribunais e sair em liberdade os ladrões do BPN, que vêem prescrever os processos dos banqueiros e da generalidade dos casos de corrupção envolvendo políticos, vão comemorar o quê?

Os que sentem na carteira o aumento das taxas moderadoras, o encerramento e deslocalização de serviços dos Centros de Saúde e hospitais de província para as grandes cidades, que vêem negado o indispensável transporte para consultas e tratamentos, que esperam meses por uma simples consulta ou anos por intervenções cirúrgicas que se fazem da noite para o dia no sector privado, vão comemorar o quê?

Os que têm filhos a frequentar escolas onde reina a balburdia e a indisciplina, onde sobra a desmotivação e o desencanto, tudo em nome de uma visão economicista e de mera estatística escolar, vão comemorar o quê?

Os que vêem as forças policiais desacreditadas por escândalos internos e por tribunais que em vez de castigar o delinquente, não raras vezes julga e pune o agente da autoridade, vão comemorar o quê?

Os que vêem ser rasgado o contrato de honra estabelecido com o Estado, enquanto gestor dos descontos de uma vida de trabalho, agravando as taxas e impostos aplicados às reformas, vão comemorar o quê?

Os que vêem as remunerações leoninas das Parcerias Público Privadas e das Rendas Energéticas continuarem a sugar os nossos impostos, vão comemorar o quê?

Os que se chocam com os privilégios de reformas antecipadas, subsídios de reintegração e outras mordomias, designadamente de políticos, enquanto a idade de reforma aumenta para os demais portugueses, vão comemorar o quê?

 

40 anos depois do 25 de Abril de 1974 que vamos nós comemorar? Será motivo de comemoração o aperto socioeconómico em que nos enfiaram?

 

Quando temos um Presidente da República que se comporta como uma múmia; uma tonta na Presidência da Assembleia da República; um primeiro-ministro, que começou a trabalhar aos quarenta anos e que tinha por principal muleta no governo um licenciado a martelo; um vice-primeiro-ministro suspeito até à medula de corrupção no caso dos submarinos; uma tia do Movimento Nacional Feminino como presidente da caridade e das sopas dos pobres; um alambique a Presidente do Governo da Madeira; uma administração invisível do BPN, a maior fraude europeia do sector financeiro; dois cervejeiros, um como ministro da economia, outro como presidente da RTP; um gerente de revista de cabaret manhoso na cultura; dois comentadores televisivos, um que justifica as trapalhadas, o outro que justifica as mentiras do Governo; quando se permite que funcionários da Troika comandem os destinos do Estado e dos cidadãos; quando se governa à vista e em função dos mercados e dos especuladores financeiros; quando se governa para a destruição do Estado Social e não para o crescimento, desenvolvimento e qualificação de vida dos portugueses.

 

Mas que raio é que nós vamos comemorar?

 

PS – Sem dúvida, deve-se comemorar a liberdade; de contrário, artigos como este seriam cortados pelo lápis azul da censura e o seu autor seria (com grande probabilidade), atirado para os calabouços de um certo edifício da Rua do Heroísmo, no Porto.

publicado por Brito Ribeiro às 22:13
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