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05
Jul 13

A vida tem destas coisas e o mesmo político que começou a sua carreira fulgurante derrubando uma coligação governamental constituída para salvar o país, arrisca ver a sua carreira afundar-se nas areias movediças de uma crise da coligação, que chegou ao poder e por lá se mantem com a sua preciosa ajuda.

O conflito entre Cavaco Silva e o seu próprio destino não termina aqui, a maldade é bem maior, pois o governo do bloco central que ele derrubou tinha sido constituído na sequência de um acordo com o FMI para superar a bancarrota a que o país foi parar, muito por culpa de um ministro das Finanças que decidiu ser populista com um orçamento expansionista e uma revalorização do escudo (1980). Sobre esta revalorização Silva Lopes escreve: “em conjugação com a falta de rigor no controle da procura interna, essas alterações da política cambial foram um das principais causas dos défices catastróficos da balança de transacções correntes de 1981 e 1982” (A Economia Portuguesa desde 1960, p. 231).

Pode este presidente ter autoridade moral ou competência para remendar coligações?

 

Mas a falta de autoridade moral de Cavaco Silva não é apenas histórica, ainda que agora se arrisque a tropeçar na memória que ele próprio tanto invoca quando diz “eu escrevi”, “eu disse”, “eu discursei”, “eu avisei”.

O senhor que raramente tem dúvidas e nunca se engana, também pode tropeçar no argumento eleitoral de que os seus conhecimentos de economia seriam uma preciosa ajuda para o país. Pois ainda estamos para o ver ajudar o país; a verdade é que não foi apenas o Gaspar e a troika a falhar nas previsões, Cavaco Silva também prometeu crescimento e emprego para o final de 2012, voltou a fazê-lo para o final deste ano e ainda recentemente garantiu que acreditava no cumprimento das metas do défice.

Como é que pode um Presidente ajudar um país com os seus conhecimentos económicos se as suas previsões ao nível da política económica estão alguns degrau abaixo do “Borda d’Água”?

Um economista que não acerta uma previsão e que justifica os sucessos pontuais com a ajuda da Nossa Senhora de Fátima não tem autoridade moral para pedir aos portugueses que confiem na política económica do governo.

 

O que fez Cavaco Silva para levar Passos Coelho a cumprir o acordo de concertação social, o tal acordo de que Cavaco tanto se orgulha do seu papel? O que fez Cavaco para impedir a humilhação sistemática do líder do CDS pela canalhada afecta a Passos Coelho? O que fez Cavaco Silva para impedir que o PS fosse ignorado em sucessivas revisões do memorando? Um presidente que fez questão que o acordo inicial com a troika tivesse a chancela do PSD e até “meteu” o amigo Catroga a conduzir as negociações, para depois ignorar o PS nas revisões do memorando, não tem autoridade moral para falar em consensos políticos.

 

O país precisa de um presidente de todos os portugueses, um presidente que pense em termos de nação e não um presidente que aparenta estar mais preocupado com o seu papel na história do que com Portugal.

Cavaco Silva, que nunca teve competência para o cargo, agora já não tem qualquer autoridade moral.


Inspirado num post do jumento.blogspot

publicado por Brito Ribeiro às 12:13
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