Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

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Mai 13

“As praias portuguesas estão a perder areia e as barragens são as grandes responsáveis pela situação”, alerta o hidrobiólogo Adriano Bordalo e Sá, docente da Universidade do Porto e investigador do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

Dando como exemplo a bacia hidrográfica do Rio Douro, que tem ao longo do seu curso cerca de 50 barragens e que transporta anualmente cerca de 250 mil toneladas de areia em direcção ao mar, quando há 60 anos transportava na ordem dos dois milhões de toneladas de areia por ano. Portanto, oito vezes mais.

Falta pois a areia vinda de terra para o mar e, quer o Governo, quer os investigadores, quer as concessionárias das barragens sabem disso. O Governo até reconheceu o problema, mas tem-se limitado a fazer recargas de areias nos locais mais críticos, de modo a evitar que maresias mais violentas provoquem prejuízos maiores.

No que toca ao Governo, este tal como os anteriores, tem uma atitude reactiva e não pró activa, servindo os carregamentos de areia como solução transitória para manter as praias utilizáveis durante o Verão, porque o mar volta regularmente a levar a areia.

A solução em relação às barragens passará por fazerem descargas de fundos. No entanto, esta operação pressupõe a perda de volumes consideráveis de água e as empresas que exploram as barragens não estão dispostas a isso.

No que nos diz directamente respeito, a situação do Rio Minho é em tudo idêntica ao Rio Douro. Com efeito, o Rio Minho é “travado” por cerca de 45 aproveitamentos hidráulicos existentes ao longo da sua bacia hidrográfica, que retem grande parte do caudal de inertes, ficando estes depositados a montante das barragens.

Ao contrário do que nos querem fazer acreditar, a hidroelectricidade não é verde e tem custos ambientais imensos (este tema irei desenvolvê-lo numa próxima oportunidade).

Outra questão prende-se com a falta de ordenamento da orla costeira. O desafio actual consiste em minimizar a erosão, através de uma gestão mais eficaz, quer protegendo e recuperando sistemas dunares ainda existentes, quer demolindo construções que o POOC (Plano de Ordenamento da Orla Costeira) contempla.

E no Concelho de Caminha temos matéria mais que suficiente para reflectir, nomeadamente nas praias da Gelfa ou Moledo.

Também, quando falam de projectos de navegabilidade do Rio Minho, é claramente sobrevalorizar o acessório, fazendo vista grossa ao essencial, algo que apenas compreendo pela proximidade de um acto eleitoral, pela necessidade de preencher agenda política e pelo crónico desprezo pelas questões ambientais.

“É preciso ter coragem de forma a proteger o bem comum, em detrimento do bem particular”, defende Bordalo e Sá. Eu acrescentaria que é necessária a coragem de dizer "não" a gente economicamente (e politicamente) muito poderosa, é preciso ter bom senso e visão de futuro, além de uma dose generosa de humildade perante a natureza e as suas especificidades.

publicado por Brito Ribeiro às 16:13
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