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05
Nov 12

Divulgou o Caminha2000 um gráfico elucidativo sobre os rácios da despesa com o pessoal nas diferentes autarquias do Alto Minho.

Pessoalmente não fiquei surpreendido com os dados referentes a Caminha, porque o volume de contratações que este executivo tem feito ao longo dos anos é por demais evidente. Se as contratações são necessárias ou não é outra conversa; até há quem consiga adivinhar os resultados dos concursos de admissão com muita antecedência. Pensava eu na minha inocência, que a arte da adivinhação só existia no Camarido…

De facto, o rácio de despesa com pessoal é, na Câmara de Caminha, substancialmente superior a qualquer outra Câmara da região, o que configura uma situação preocupante, na medida em que não há a correspondente diminuição na aquisição de serviços.

Atualmente, para uma despesa total que não chega a 17 milhões de euros (2011), cerca de 11,6 milhões são de despesa corrente e apenas 5,1 milhões de euros de despesa de capital , quer dizer de investimento duradouro. A tendência revelada ao longo da última década, é de agravamento, o que nada auxilia o desenvolvimento económico e a coesão social do Concelho.

Seria muito importante dar no próximo ano um sinal claro por parte da Câmara de Caminha, no sentido de controlar as finanças municipais, quer ao nível da melhoria dos prazos de pagamento aos fornecedores, como no lançamento de investimento reprodutivo para o tecido empresarial local.

Hoje, que somos assediados continuamente com as notícias sobre os desmandos financeiros do Estado, das asneiras e disparates acumulados durante anos, como a destruição de sectores produtivos fundamentais (agricultura, pescas, industria) e da imposição de sacrifícios para a generalidade do povo português, do qual se excluem uma mão cheia de privilegiados, ressalta uma certa analogia com a realidade local.

Um município pobre como Caminha, não gera recursos para algumas extravagâncias que frequentemente são palco de notícia.

É urgente cortar nas gorduras e, acima de tudo, racionalizar os recursos existentes, optando por soluções sustentáveis a médio e longo prazo.

Neste contexto, a parceria público privada (PPP) que deu origem à piscina municipal de Vila Praia de Âncora, tem de ser repensada e discutida com total transparência, algo que parece faltar cada vez que se esbarra na Caminhequi, SA.

Renegociar as rendas que a Câmara de Caminha paga à Caminhequi, é hoje um imperativo de gestão, se a quiserem séria e competente.

Embora sendo (muito) discutível a opção pela parceria pública privada, entendo que o capital investido pela empresa tem de ser remunerado de forma equilibrada e razoável, nunca de forma leonina e agiotada.

Um projecto orçado em 5,2 milhões de euros, atingirá em 2033, no fim da PPP com a Caminhequi, SA, qualquer coisa como 19 milhões de euros, resultantes da construção, gestão e conservação (?) do complexo das piscinas.

Será que só vamos continuar a barafustar com os casos das "Scuts" ou da Ponte Vasco da Gama, quando temos esta aberração debaixo do nariz?

 

publicado por Brito Ribeiro às 18:40
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