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02
Jul 12

Terminou mais uma edição da Feira do Livro de Vila Praia de Âncora, a décima quarta, que foi animada por um conjunto de atividades variadas, desde tertúlias, teatro, espetáculos musicais e desfiles de moda.

Não me compete ajuizar sobre estas animações, no que se refere à tipologia, qualidade ou pertinência, apenas me parece algo desgarrado realizar os espetáculos na Praça da Republica, com a Feira a realizar-se noutro local. Digamos que não joga a bota com a perdigota.

Sobre a Feira do Livro propriamente dita, como espaço, momento e oportunidade de aquisição de livros e outras publicações, de esclarecimento, de debate literário informal, foi um fracasso. Tanto em localização, conteúdo, divulgação e calendário, este evento não esteve ao nível de outras edições anteriores, quando a Feira do Livro representava um marco importante na agenda cultural Ancorense.

Compreendia, embora sem concordar, que a Feira do Livro se realizasse na Praça da República, quando o argumento era dar animação ao centro nevrálgico da Vila e captar para esta mostra, o maior número possível de visitantes.


Todos nos recordamos que as primeiras edições foram realizadas no Parque Ramos Pereira e após as obras de requalificação, tudo parecia indicar que a polémica praça junto à estátua do Dr. Ramos Pereira, iria servir, entre outras finalidades, para continuar a acolher a Feira do Livro. Assim não aconteceu, pois esta assentou arrais na Praça da República, e desde há dois anos a esta parte parece ser encarniçada a vontade de a “esconder” no edifício do Centro Cultural.

A conclusão é óbvia, não há público, nem vendas, dois fatores determinantes para aferir o sucesso ou insucesso de um evento desta natureza.

O que me espanta é entidades como a Ancorensis e a Câmara Municipal, com ampla experiencia na organização de eventos, alinharem repetidamente neste erro. Costuma-se dizer que “à primeira qualquer um cai, à segunda só cai quem quer”.

Posto isto, questiono-me sobre a utilidade daquela praça no Parque Ramos Pereira, onde o homenageado (Dr. Luís Inocêncio Ramos Pereira) foi “arrumado” a um canto, onde evoluem bicicletas e carrinhos de aluguer, espaço que em breve se metamorfoseará em esplanada, mas onde a arte e a cultura parecem proibidas de se instalar.

Questiono-me sobre que interesses serve uma Feira do Livro serôdia, com um diminuto leque de oferta livreira, remetida para os corredores do Centro Cultural, sem visitantes, quase abandonada, não fosse a persistência e abnegação do alfarrabista Rafael Capela.

Questiono-me sobre a oportunidade de fazer coincidir o fim-de-semana de encerramento da Feira do Livro, com a abertura da Festa da Sardinha.

Questiono-me sobre o silêncio da Junta de Freguesia, que se limita-se a emprestar o seu nome ao cartaz da organização, sem ter um papel ativo na definição da estrutura do evento, bem como no ordenamento e utilização do seu território.

Faço votos que haja algum bom senso e que sejam retirados das menos valias desta edição que agora termina, os ensinamentos necessários para se regressar aos êxitos das Feiras do Livro de outros tempos.

publicado por Brito Ribeiro às 15:01
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