Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

22
Ago 11

Ouvi várias vezes a minha mãe falar do vapor que “deu à costa” em Montedor carregado de vinho e azeite, mas nunca me dera ao trabalho de aprofundar o conhecimento deste naufrágio. Hoje, tropecei na notícia publicada à época no “Comércio do Porto” e que retirei do Blog “Navios e Navegadores”  http://naviosenavegadores.blogspot.com/, a quem felicito pelo trabalho desenvolvido em prol da nossa história marítima.

Embora no artigo do “Comércio do Porto” se refira a Freguesia de Areosa, penso que se trata de um erro do jornalista, pois, mais à frente, refere-se o Lugar de Montedor, na Freguesia de Carreço. Analisando as coordenadas verifica-se também, que correspondem a uma zona compreendida entre a costa do farol e o inicio da praia de Paçô.

O navio vapor de nome “ Cabo Blanco “, foi construido em 1909 pela Cia. Euskalduna, Bilbao, Espanha, 04.1909, pertencia a Ybarra & Cia., Sevilha e naufragou a 13 de Julho de 1936 em Montedor. Este navio tinha uma arqueação de Tab 2.163,00 tons - Tal 1.325,00 tons e as dimensões de Pp 80,92 mts - Boca 11,77 mts - Pontal 4,88 mts.

A propulsão era obtida por uma máquina Blair & Co., 1909 - 1:Te - 3:Ci - 187 Nhp - 9 mph/h e tinha uma equipagem de 27 tripulantes.

 

Viana do Castelo, 13 - Ao norte da barra desta cidade, em frente à freguesia da Areosa, naufragou esta manhã o vapor espanhol “Cabo Blanco”, da companhia Vasco Andaluza, de Sevilha. Vinha de Huelva com destino a Vigo e trazia dois dias de viagem. Salvou-se a tripulação composta de 27 homens, que abandonaram o navio e sete passageiros. O capitão conserva-se a bordo. A carga compõe-se de barris de vinho, cascos de azeite, etc. Parte da tripulação ainda não abandonou o navio, que se considera perdido, procurando contudo salvá-lo.

Da companhia portuguesa «Radio Marconi», recebemos a seguinte informação, respeitante ao naufrágio:- Ontem, de manhã, as estações costeiras de Lisboa e de Leixões Rádio, desta companhia, interceptaram um sinal de S.O.S. lançado cerca das 6 horas BST, pelo vapor espanhol “Cabo Blanco”, anunciando que devido ao denso nevoeiro, tinha encalhado na Lat. 41º45’N e Long. 08º52’W, em Montedor ao sul de Vigo, pedindo assistência imediata de navios, especialmente de rebocadores.

Pelas 06,45 horas BST o rebocador holandês “Ganges“, informou-nos que seguia a toda a velocidade em direcção do navio sinistrado, informando nessa mesma ocasião, qual a sua posição obtida às 06,30 horas BST.

Também o vapor inglês “Highland Princess” informou, pelas 06,18 horas BST, que só em caso de extrema urgência é que se aproximaria daquele navio, a fim de proceder ao salvamento da tripulação, de contrário e em virtude de transportar passageiros e malas de correio continuaria viagem. Cerca das 12,30 horas BST, o vapor espanhol “Cabo Prior” comunicou estar já à vista do navio sinistrado, esperando auxiliá-lo dentro do espaço de meia hora. Segundo informações prestadas pelo próprio navio sinistrado, sabe-se que foram tentados todos os esforços pela respectiva tripulação para salvarem o navio tem resultado inúteis, continuando aqueles contudo, esperançados em o conseguir com a colaboração de rebocadores, cuja chegada era esperada dentro de algum tempo. Mais informaram que o navio estava já metendo água e se encontrava encalhado numa posição bastante critica e entre rochas. Não obstante, sentem-se bastante animados em virtude do mar estar muito calmo.

A estação de Leixões-Rádio continua mantendo comunicação directa com o navio sinistrado, assistindo-lhe em todos os casos requeridos por T.S.F.

(In jornal “O Comércio do Porto”, de 14 de Julho de 1936).

 

Viana do Castelo, 15 - Tem sido uma romaria à praia da Areosa, para ver o vapor espanhol “Cabo Blanco“, encalhado na segunda-feira nos penhascos dos Moinhos. Como o barco trazia bom vinho, os sequiosos tem tomado boas «carraspanas», dando lugar a cenas picarescas! Na Delegação Aduaneira estão-se arrecadando carga e utensílios de bordo.

O barco considera-se perdido, pois enfragou na penedia e tem os porões inundados. Enquanto o mar se conservar calmo, poderá salvar-se alguma carga; mas a mais pequena ressaca obrigará a suspender quaisquer trabalhos de salvamento.

(In jornal “O Comércio do Porto”, de 16 de Julho de 1936).

 

 

publicado por Brito Ribeiro às 11:01

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