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Abr 07

 

Nunca escrevi sobre santos, mas como descobri que hoje é o dia de Santo Isidoro (4 de Abril), entendi que não faria nada mal tecer algumas considerações sobre ele, até porque existe, aqui bem próximo, uma Capela em sua honra, à qual se devia dar um pouco mais de atenção.
Santo Isidoro era irmão de S. Leandro, S. Fulgêncio e Santa Florentina, nasceu em Sevilha no século VI, em 560 DC. Foi educado pelo irmão mais velho Leandro, bispo de Sevilha, ao qual sucedeu no ano 600 na administração da diocese.
Em 619 convocou e presidiu ao II Sínodo Sevilhano e em 633 presidiu ao IV Concílio de Toledo.
Foi um bispo muito popular e influente, um homem muito activo e empenhado nos problemas do seu tempo.
Organizou a vida na igreja, criou vários seminários e promoveu a formação dos futuros sacerdotes. Unificou a liturgia, regulamentou a vida monástica e escreveu uma quantidade apreciável de livros que, de alguma forma, salvaram do esquecimento determinados aspectos da cultura antiga.
Entre as suas obras destacam-se “Etimologias” em vinte volumes, que é uma síntese de todo o saber antigo e do seu tempo; escreveu também “Diferenças e propriedades das palavras” uma espécie de dicionário; escreveu sobre astronomia e cosmografia, escreveu uma crónica sobre a história universal, outra sobre os reis Godos, Vândalos e Suevos; acrescentam-se ainda obras sobre a vida e morte de santos, diversos tratados de moral e um catálogo de escritores eclesiásticos, entre outras.

Vista geral lado norte
A Capela de Santo Isidoro está situada junto ao mar, na freguesia de Moledo, quase na extrema com Vila Praia de Âncora, a pouco mais de cem metros do Caído. A sua origem não é conhecida, mas sabe-se que já existia no século XIV.
É uma ermida de pequenas dimensões, com o tecto totalmente em abóbada de granito, com um adro coberto. Foi-lhe acrescentada, no lado norte, uma pequena sacristia.
Há registo de uma reparação efectuada em 1648, poucos anos após a restauração da independência. Esta Capela ficou muito conhecida pela existência de uma irmandade ou confraria, que nela unia, por voto, catorze freguesias, que hoje pertencem aos Concelhos de Caminha e Viana do Castelo.
Foi no século XIV, pelos reinados de D. Dinis e posteriormente de D. Afonso IV, que as gentes da península, muito pobres, mas também muito religiosas, iniciaram a organização de procissões, para afastar os grandes males que os atormentavam, as doenças, as pragas ou as inclemências atmosféricas.

Cruz da cabeceira, muito antiga
Esta irmandade teve origem numa grande seca que atingiu o noroeste peninsular, regia-se por estatutos, mas só temos conhecimento de um manuscrito datado de 1600 (4 de Agosto) e reformulados em 1683.
Ao longo dos tempos esta irmandade foi perdendo dinamismo e já no século vinte acabou a sua actividade.
Embora esteja razoavelmente conservada, a Capela de Santo Isidoro merecia um tratamento mais cuidado da sua área envolvente, que está no domínio público marítimo.
publicado por Brito Ribeiro às 12:15

Gostei da atenção que prestou a essa joia que é a capela de S. Isidro (ou Isidoro), com o seu raro retábulo em granito do século XVII (que consegui lobrigar através do buraco da fechadura, porque nunca lá entrei). Falta aí a imagem do santo, mas penso que não se trata do S. Isidoro de Sevilha, autor das "Etimologias", mas de um outro homónimo, alguns séculos mais recente (sec. XI-XII), patrono dis lavradores e de Madrid, a localidade onde nasceu. A razão de lhe ser dedicada esta capela é que a área adjacente (até Moledo, e também a sul, mesmo para lá do Âncora), que agora é um chavascal, quando não reconquistada pelo mar (e vê-se nas arribas a qualidade da terra fértil) ou invadida pelas habitações, era um fecundo espaço agrícola - desde a longínqua época dos dólmens, ainda existentes ou com vestígios, e dos "picos (impropriamente ditos) ancorenses", que eram instrumentos agrícolas. O facto de S. Isidro ser padroeiro dos agricultores fazia com que nos séculos passados aí se dirigisse um "clamor" ou procissão colectiva, em que participavam todas as freguesias das vizinhanças... Isto merece ser estudado e desenvolvido, mas fico-me por aqui..
antonio matos Reis a 6 de Março de 2017 às 14:16

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