Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

21
Fev 07

Faz parte do concelho de Caminha e pertence geograficamente ao Vale do Âncora, tendo os seus limites estabelecidos na seguinte ordem: a norte, pela freguesia de Moledo; a nascente, com Vile; a sul com o rio Âncora e a freguesia de Âncora e a poente pelo oceano Atlântico.

Dotada de um clima de uma amenidade surpreendente, está relativamente aconchegada das ventanias, encrostada em colinas sobranceiras de encantadoras paisagens.

Dista nove quilómetros da fronteira espanhola por Caminha, trinta e cinco de Valença e quinze de Viana do Castelo.

A freguesia de Vila Praia de Âncora já aparece mencionada na documentação dos séc. IX e X, então com a denominação de Gontinhães, no livro "Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo".
Era uma paróquia com igreja e que estava organizada muito provavelmente segundo a fórmula ancestral de Villa rústica (Villa Guntilanis), à qual pertencia o sítio chamado Lagarteira.
Na lista das igrejas de Entre Lima e Minho pertencentes ao bispado de Tui, elaborada por ocasião das Inquirições de D. Afonso III, em 1258, é citada a igreja de "Guntianes". As Inquirições referem também São Salvador de Bulhente, que hoje é apenas um lugar de Vila Praia de Âncora onde, com alguma dificuldade, se podem encontrar alguns vestígios duma construção muito antiga. Nessa época, porém, possuía igreja própria, sendo o seu abade apresentado pelos moradores.
D. Rodrigo de Moura Teles, em 1717, transferiu os bens da capela de Bulhente para o sítio do Calvário, por esta ter deixado de ter cura e fregueses.
Na taxação a que se procedeu no reinado de D. Dinis, em 1320, Gontinhães figura enquadrada no arcediagado da Vinha, com a taxa de 40 libras.
No Censual do Cabido de Tui para o sobredito arcediagado da Terra da Vinha, elaborado em 1321, Gontinhães pagava um quarteiro de trigo, uma libra de cera e procuração.
Entre 1514 e 1532, no Censual de D. Diogo de Sousa, Gontinhães rendia para a diocese de Braga 23 mil réis. A partir desta data, todas as freguesias de Entre Lima e Minho, da comarca eclesiástica de Valença, passaram a fazer parte da diocese de Braga.
Na avaliação dos mesmos benefícios eclesiásticos (1545-1549), esta freguesia rendia 45 mil réis.
Américo Costa descreve-a como abadia da apresentação do Ordinário, como alternativa do rei, tendo anteriormente pertencido à Casa de Vila Real.
Esta paróquia de Santa Marinha de Gontinhães atravessou mais de 1000 anos de história local e de tal forma a denominação se enraizou, que ainda é usual na região, tal como ainda há quem chame de Gontinhães a Vila Praia de Âncora, até porque, na verdade só em 1924, a secular Gontinhães se transmutou em Vila Praia de Âncora.
Toda a região é rica em vestígios arqueológicos, quer do Neolítico, quer da cultura Castreja (Idade do Ferro), mas o vale do Âncora tem atraído a especial atenção dos arqueólogos. O rio nasce na Serra de Arga e após 15 km chega ao mar num sítio a 7 km, a sul da foz do rio Minho. No sítio chamado Lapa dos Mouros, pode ver-se aquele que é provavelmente o Dólmen mais notável da pré-história em Portugal (o Dólmen da Barrosa).  
Nos finais do século passado, Martins Sarmento deu a conhecer uma povoação castreja, hoje conhecida por Cividade de Âncora-Afife. Trata-se dum monte, excepcionalmente bem situado para cumprir missões defensivas entre o mar e uma ampla área circundante, habitada pelo menos até ao séc. I DC.
Os romanos terão instalado nesta zona um entreposto mineiro para recolha dos metais que exploravam nas minas de Ribô, Orbacém e Gondar. Talvez por ter existido aí um entreposto com cais de embarque, se tenha gerado a ideia de que os romanos teriam baptizado o sítio com o nome de Âncora, por aqui desembarcarem as suas tropas e aqui embarcarem o minério, segundo a ideia de Argote.
No séc. XIII generalizou-se a lenda de que teria sido na foz deste rio que o rei Ramiro (o da lenda de Gaia), afogou a sua adúltera e saudosa esposa com uma mó atada ao pescoço como se fosse uma âncora. Ao que tudo indica, no entanto, o nome é anterior e tem origem no nome que o próprio rio já teria.
Quando a paróquia foi formada, ainda o sítio onde hoje está Vila Praia de Âncora seria completamente desabitado, principalmente por ser um sítio aberto e exposto aos constantes ataques dos piratas normandos. O mesmo Argote diz que aqui terá existido um fortim para vigilância e aviso.
Por isso, a paróquia inicial se fundou na “Villa” de Guntilares ou Guntilanis(dum tal Guntila) mais no interior e mais resguardada. Esta “Villa” teria resultado duma acção de presúria efectuada pelo Conde Paio Vermudes, aquando do repovoamento desta faixa do litoral até ao Lima (séc. IX) ou por um seu vassalo que se chamaria Guntila. O mesmo que terá povoado Bulhente. O topónimo já está documentado nos finais do séc. IX, altura em que parte das terras da Vila foram doadas ao Mosteiro de São Salvador da Torre.
Data de então a primeira igreja consagrada como era usual, a Santa Marinha. Os tempos posteriores foram bem difíceis e desastrosos devido às razias muçulmanas e a foz do Âncora deve ter-se tornado um dos sítios mais perigosos de toda a costa norte.
Era um ancoradouro que dava para um vale rico e fértil, por isso muito cobiçado e também frequentemente assaltado. Daí que uma outra Villa, a de Saboriz, provavelmente fundada no sítio actual de Vila Praia de Âncora, tenha tido uma vida precária, embora a documentação a relacione com uma Venda Velha ou com uma Pousada necessária para esta zona de muita passagem (séc. X) entre Braga, Tui e Santiago. 
Igreja de Santa Marinha (Matriz), Forte da Lagarteira, capelas da Sra. Das Necessidades (Sra. Bonança), de S. Brás, de S. Sebastião e do Senhor do Calvário, Gruta de N. S. de Lurdes, Ponte de Abadim, Dólmen da Barrosa, vários cruzeiros (10), alminhas e ninhos (9), são património existente na freguesia de Vila Praia de Âncora.
Encontram-se ainda vestígios paleolíticos no Lugar do Caído, perto da Capela de Santo Isidoro e na Gelfa, perto do Forte do Cão, que levam vários arqueólogos a pensar estarem perante um dos maiores centros de indústria tipo Asturiense.
Além de diversos instrumentos líticos variados, aparecem com mais frequência, “picos ancorenses”, “picos asturienses”, “raspadores” e “pesos de rede”. A par deste material, embora de uma época mais recente, encontram-se salinas, que podem ter origem no séc. III DC ou no séc. XI.
 
Fontes: Caminha e seu Concelho, Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, Roteiro do Vale do Âncora, Censos 2001 e www.freguesiasdeportugal.com
 
 
                                                                                      
publicado por Brito Ribeiro às 12:19
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Abrir o livro "Os Pescadores" do autor Raul Brandão é conhecer o Minho e Beira Litoral em todo o seu esplendor e, lá Gontinhães aparece como uma povoação perto de Âncora, terra de pescadores e de pedreiros. Portugal é um sem fim de costumes, paisagem e côr que devia ser bem explorado .Para melhor conhecer esta página dá-nos a sua história.Bem haja.
Maria Azevedo a 28 de Abril de 2012 às 16:47

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