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06
Mar 10

Dos 15 barcos que partiram à pesca em 1902, 9 pertenciam à “Parceria”, 3 à “Mariano”, e as restantes a novos armadores: “Guilherme Mesquita”, “Santiago e Rosa” e “Parceria Lisbonense de Pescarias”. A frota era composta por 2 escunas, 8 lugres patachos, 2 patachos, 1 lugre e 2 iates. Com uma tripulação média de 32 homens.

Este aumento de capacidade, tanto em toneladas como em homens permitia um aumento das capturas, tanto pelo tamanho como pelo número de dias nos bancos: 45 dias para viagem de ida e volta, 121 dias de pesca (aproximadamente), mais 10 dias que em 1848. Mas não houve alterações quanto ao método de pesca, que continuava a ser a da long line, com um homem por dori.

 

A chegada dos bacalhoeiros

 

Novamente a “Parceria Geral das Pescarias”, sempre na vanguarda da inovação, tentou introduzir doris maiores, para dois homens, à semelhança do utilizado em França, que enfrentaram tal oposição por parte dos pescadores que tiveram de ser abandonados. A pesca de arrastão só teve uma tentativa, o “Elite”, mas foi inconsequente.

Em 1917 a pesca do bacalhau empregava 1400 homens de tripulação. Na década de 20 surgem pela primeira vez armadores no Algarve, que terão desaparecido antes do fim da década, e cujo número nunca foi significativo, apesar dos Algarvios serem um grupo muito significativo em termos de tripulações, chegando a haver navios de Lisboa com tripulações quase exclusivamente de algarvios.

 

 

A pequenez da frota do bacalhau até meados dos anos 30, significava que quando o navio entrava no defeso, de Novembro a Abril, o comandante e 2 ou 3 marinheiros, encarregados na manutenção e preparação da próxima campanha, tinham de importar a maioria dos aprestos, isco, utensílios de pesca, incluindo algumas vezes os próprios doris.

Esta saída de divisas preocupava sobremaneira os armadores, que entretanto já haviam criado a sua própria associação, que seria extinta para dar origem Grémio.

A tripulação era constituída por: Capitão, Piloto, Marinheiros-pescadores, Cozinheiro e 1 ou 2 moços.

Entre os marinheiros-pescadores, existiam as seguintes divisões: Escaladores, Salgadores, Pescadores verdes (aqueles que participavam pela primeira vez).

Os capitães e pilotos eram na sua maioria de Ílhavo, e raramente possuíam instrução formal. Habitualmente os capitães tinham os seus engajadores, que percorriam o país para formar a tripulação, mas havia uma tradição familiar e de fidelidade ao barco, fazendo com que a tripulação de um ano era praticamente a mesma de ano anterior. As principais zonas de recrutamento eram a região da Figueira da Foz, Aveiro, Sesimbra e Algarve, com principal incidência na Fuzeta. Nesta altura não era requerida nenhuma inspecção médica.

 

Creoula a todo o pano

 

Os pescadores recebiam um adiantamento para o suporte da família, o que criava uma obrigação do pescador para com o armador. Metade do adiantamento era dado em Fevereiro, e o restante no acto da matrícula. O curioso é que o montante do adiantamento era determinado, e o armador seria punido se desse qualquer outro montante. Havia também um sistema de apoio em caso de doença, participado pelo armador, mas só aplicável a pescadores com mais de dois anos de serviço.

Um pescador para mudar de armador teria de ter passado um ano sem embarcar, ou mediante uma carta do armador a autorizar a cedência, que só era passado se a mudança fosse de comum acordo, ou comunicada antes de Janeiro.

Com a criação do Grémio esta situação alterou-se, a contratação e a distribuição dos pescadores pelos navios passou a ser da competência do Grémio. Para esse fim foi criado o primeiro registo de tripulantes, este registo continha os dados sobre o passado saúde, disciplina, motivos de dispensa, navios por onde tinha passado, etc. Desde a sua criação até 1974, fizeram-se cerca de 23.400 inscrições.

O ano do 1937 viu a única acção reivindicativa de monta: a recusa à matrícula. O governo reagiu decretando a mobilização dos pescadores inscritos no ano anterior, e que não se tivessem ainda inscrito, através do Decreto nº 27.658 de 21 de Abril.

Durante a 2ª Guerra, dois lugres foram afundados, o “Delães”, e o “Maria da Glória”, que custou a vida a 36 pescadores.

(continua)

Fontes: iden partes I e II

publicado por Brito Ribeiro às 16:02
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