Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

25
Ago 09

Artigo sobre poluição em meio aquático elaborado por alunos da Academia Militar e que me parece importante divulgar.

 

Durante muitos anos o mar tem sido usado como a maior lixeira da Terra. Embora sejam imensos, os oceanos não podem continuar eternamente a absorver desperdícios. O Homem é responsável por 70% da poluição marinha.

Os oceanos constituem o receptor final da maior parte das substâncias poluidoras, através dos cursos de água, das águas de escorrência, da imersão intencional de resíduos e até de acidentes de navegação. Os oceanos recebem ainda imensas quantidades de detritos provenientes da erosão dos continentes e do seu litoral.

Os oceanos possuem uma grande capacidade autodeporadora e são um meio pouco propício para o desenvolvimento de seres patogénicos. No entanto o derrame incessante de águas residuais provenientes de zonas urbanas e despejos industriais transformam as águas dos oceanos num meio muito favorável à sobrevivência de bactérias patogénicas.
Enormes quantidades de imundícies provenientes de canos de esgoto, lixos industriais, petróleo, plásticos e resíduos radioactivos são despejados no mar todos os anos. Podem matar ou danificar animais e plantas marinhos e destruir ecossistemas frágeis. Podem também ser nocivos para as pessoas.
Não é por acaso, que as zonas marítimas mais poluídas a nível mundial se localizam nas imediações dos países mais industrializados. Isto acontece, não só, pela descarga de esgotos fluviais e industriais mas também pelo elevado tráfego marítimo que se faz sentir nos seus portos.
Outra causa que estabelece as zonas mais poluídas nos oceanos é o movimento de petroleiros que provocam grandes manchas de poluição nos oceanos.
A poluição dos oceanos tem basicamente duas origens. Mais de 40% vem da terra, levada pelos rios. A maior parte da restante é despejada ou lançada directamente no mar. Pode ainda ser transportada pelo ar e cair no mar com a chuva. Em mares quase totalmente rodeados de terra, a poluição pode tornar-se gravíssima. Aí os poluentes não se dissolvem da mesma maneira que em oceanos abertos.
Este problema é ainda agravado se esses mares se situam em zonas de indústria pesada ou muito tráfego marítimo, ou ainda se vive muita gente nas suas proximidades. As regiões mais afectadas são o Mediterrâneo, o mar do Norte, o mar Báltico e o mar Vermelho.
 
Produtos químicos agrícolas - com a crescente necessidade de os agricultores produzirem mais comida, aumenta a quantidade de produtos químicos espalhados nos campos para matar as pragas e obter colheitas mais abundantes.
Cerca de metade desses pesticidas e fertilizantes são varridos pela chuva e lançados nos rios, sendo depois levados para o mar. Alguns fertilizantes provocam a diminuição da quantidade de oxigénio existente na água, impedindo assim que os animais respirem. Pesticidas como o DDT acumulam-se no interior do seu organismo, envenenando-os a eles e aos animais que os comem.
 
Derramamento de petróleo - Se um petroleiro tem uma colisão ou encalha, pode derramar enormes quantidades da sua carga no mar. Forma-se então à superfície da água uma camada espessa que pode ser arrastada para terra pelo vento e pelas correntes. Os hidrocarbonetos espalhados pelos mares e oceanos provêm sobretudo dos petroleiros que limpam os seus depósitos no alto mar e derramam assim em cada uma das suas viagens cerca de um 1% dos seus produtos.
Isso supõe, ao fim de alguns anos, cifras da ordem de vários milhões de toneladas de produtos petrolíferos nos oceanos. Entre as zonas mais levemente afectadas está o mar Mediterrâneo e o oceano Atlântico, frequentados pelos petroleiros vindos do Médio Oriente, Mar do Norte, Canal da Mancha e os mares que rodeiam o Japão.
Os prejuízos ocasionados ao meio marítimo são muito diversificados e numerosos.
O petróleo lançado ao mar dificulta a oxigenação das águas e ao mesmo tempo consome o oxigénio que necessita para sua própria degradação.
A poluição impede a fotossíntese indispensável para o desenvolvimento do fitoplâncton.
As aves são especialmente afectadas. Na Inglaterra calcula-se que o número de aves vítimas de contaminação de hidrocarbonetos se eleva anualmente a 250.000 seres. As aves marinhas, cujas penas ficam pegajosas, perdem a mobilidade e acabam por morrer, o mesmo acontecendo aos peixes e mamíferos, envenenados pelo petróleo que ingerem.
Os moluscos e mariscos costeiros, são vítimas da poluição por produtos derivados dos hidrocarbonetos, como o benzopireno, de conhecidas propriedades cancerígenas para o homem.
Existem várias técnicas de combate aos derrames de petróleo: o afundamento, utilização de detergentes e dispersantes, combustão, recolha mecânica e degradação biológica.
A técnica do afundamento tem efeitos nocivos sobre a fauna e flora dos fundos oceânicos. Uma vez afundado, cobre os sedimentos do fundo do mar e destrói toda a vida aí existente no espaço de alguns meses.
Também não muito aconselhável é o sistema de detergentes que consiste na dissolução do petróleo. Os detergentes espalham-no, permitindo a dissolução das partes mais tóxicas que atingem grandes concentrações. Este processo não se revelou muito eficaz, pois o complexo petróleo-detergente é mais tóxico que o petróleo isolado, e a sua biodegradação é mais lenta.
A combustão consiste em queimar o petróleo como forma de o eliminar, mas as altas temperaturas atingidas aumentam a solubilidade de compostos tóxicos não o tornando num processo muito viável.
A recolha mecânica é ideal, salvo em difíceis condições atmosféricas, pois não fere o ambiente.
No processo de degradação biológica, as bactérias decompõem o petróleo em substâncias mais simples. Estas bactérias são extraídas do amido do milho, vivendo enquanto tiverem petróleo para degradar. Para digerir 1 litro de petróleo, as bactérias consomem o oxigénio de 327 litros de água, o que agrava o risco de asfixia dos oceanos.
 
Descarga de esgotos - Em alguns lugares os esgotos domésticos são lançados directamente no mar sem tratamento prévio. A água pode ficar imprópria para as pessoas nadarem, devido ao perigo de infecção e pode ainda perder o oxigénio. Os esgotos contêm nutrientes de que as algas necessitam.
Mas nutrientes em demasia podem provocar um crescimento excessivamente rápido. À medida que morrem, as plantas consomem mais oxigénio da água, e outros seres vivos podem sufocar. A este processo chama-se eutrofização.
À medida que a produtividade do fitoplâncton aumenta, a transparência da água diminui, o que provoca uma diminuição na penetração da luz e afecta a comunidade de macrófitas (formas macroscópicas de vegetação aquática) submersas que vivem na zona litoral.
Deste modo, a diversidade do habitat litoral diminui deixando de haver refúgios e/ou alimentos para muitos organismos, o que empobrece as comunidades de invertebrados e vertebrados.
Outra consequência do aumento da biomassa algal é a diminuição da capacidade de auto-purificação do sistema, ou seja, o poder de reciclar a matéria orgânica diminui, levando à acumulação de detritos e sedimentos.
Num estado mais avançado a concentração de oxigénio vai diminuindo, a profundidade de compensação (profundidade à qual o consumo de oxigénio iguala a sua produção) diminui e as espécies que não conseguem tolerar concentrações de oxigénio baixas tendem a desaparecer, havendo uma nova redução na biodiversidade. O pH também se altera, passando de neutro ou ligeiramente alcalino a ácido, o que também pode afectar algumas espécies.
 
Lixos industriais - Grande número de indústrias estão instaladas junto à costa ou ao longo dos rios.
Muitas vezes descarregam na água resíduos químicos, entre os quais se contam metais pesados, como chumbo, mercúrio, cádmio, cobre e estanho.
Provêm de extracção mineira, fundição, fabrico de papel e outros processos industriais. Metais como o chumbo e o mercúrio podem concentrar-se e matar peixes e outros animais mais importantes na cadeia alimentar.
Algumas zonas do mar, de grande profundidade, têm sido usadas como lixeiras para resíduos radioactivos altamente perigosos, encerrados em contentores de betão. Esses resíduos podem levar milhares de anos a perder a radioactividade e deixar de ser perigosos. Teme-se a possibilidade de fugas para a água.
Em grandes quantidades, esses resíduos podem matar peixes e outros seres vivos. Em quantidades menores, podem provocar o cancro e crescimento anormal.
Com a escassez de água potável, proveniente de rios e lençóis de água doce subterrâneos, o homem recorre cada vez mais à água dos oceanos para obter água para consumo próprio.
Através de um processo que se chama "dessalinização" a água dos oceanos é transformada em água doce, retirando-se-lhe o sal. Por conseguinte se a água estiver muito poluída, é-nos difícil eliminar toda a poluição da água, com consequências para o homem.
Nalguns países desérticos vizinhos do golfo Pérsico, instalações de dessalinização junto à costa extraem o sal da água do mar para abastecimento de água potável.
publicado por Brito Ribeiro às 14:56
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Estimado Brito,
Talvez nos esqueçamos amiúde de que a maior fortuna que porventura podemos deixar às gerações vindouras é a Terra ... limpa. A Terra (Planeta Terra), mares inclusos, óbvio.

Sabe da minha propensão para "contadora de estórias " - cruzámos já em vários espaços literários. Não resisto pois a contar que, recentemente, na minha casa de Peniche, entrei em choque porque vi que um dos meus vizinhos, uma "douta pessoa", após uma festança de várias dezenas de comensais, muitos "igualmente doutos", encaminhava todo o lixo para o contentor comum... fiquei "pele de galinha". Inadmissível! A Urbanização de moradias "finas" dispõe de zona de reciclagem... mas o contentor comum era mais perto ... escassos metros.

Tristes "doutas pessoas". :)

Bem-haja por colocar estes temas.
Fraterno abraço, boas férias se for o caso.

Mel
Mel de Carvalho a 28 de Agosto de 2009 às 15:01

Grato pela visita e comentário. É lamentavel mas a consciencia ou inconsciencia ambiental é transversal à sociedade, por isso todos somos poucos para promover a defesa do nosso maltratado planeta. Não desista!
Abraço
BR
Brito Ribeiro a 29 de Agosto de 2009 às 16:37

O homem se diz um ser racional, mas como o mesmo pode ser racional se vai em busca de sua própria destruição? O homem não é um ser racional, muito pelo contrário, ele é um ser auto destrutivel ( que caminha para sua própria destruição sem se dá conta). Mal sabendo ele que quando polui um rio ou mesmo joga um papel de bombom no chão, não esta só causando impactos na fauna e na flora, mas sim em toda a biodiversidade do planeta na qual o mesmo esta incluso. Para que possamos combater os efeitos dessa auto destruição precisamos nos auto conscientizar e conscientisar as pessoas que estão em nossa volta. Mudar é possível, pois a mesma só depende de cada um de nós.
ana camila oliveira de paula a 31 de Outubro de 2010 às 00:28

esse asunto e muito importante mesmo para as pessoas se comcretizar que não devem jogar lixos no oceanos ou em outros locais como:mares e rios...
bjssssssss
nadia a 8 de Dezembro de 2010 às 11:14

a poluiçao está cada vez mais evoluida os seres humanos sao os responsavéis por essa poluiçao muitas pessoas jogão plasticos,vidros e etc.Nos temos que prezervar nosso ambiente e os oceanos temos que prezervar por dever.
katia a 4 de Junho de 2012 às 23:57

Eu acho que não deviam poluir os oceanos porque o que alguns não sabem é que há pessoas que vivem do mar e com o mar poluido os peixes morreram.
DIGAM NÃO Á POLUIÇÃO NOS OCEANOS
Anónimo a 11 de Janeiro de 2017 às 15:35

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