Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

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Mar 07
 


A origem
Esta capela fica na Freguesia de Vile, bem no centro do Vale do Âncora. O povoamento desta freguesia, que é uma parte da paróquia medieval de S. Pedro de Varais, é documentada arqueologicamente antes do séc. XII pelo “Castro do Medo”, o “Corucho do Mouro” e a “Anta do pinhal do Santo de Vile”.
No séc. IX, o local denominava-se “Villa” e no séc. XI “Villar de Villa”. Até 1641 Vile mantém-se ligada (com a freguesia de Azevedo) à Paróquia de S. Pedro de Varais.
A capela de S. Pedro de Varais, está situada numa área montanhosa dos contrafortes da Serra D`Arga e é desconhecida a data da sua construção, apontando-se como mais provável o final do séc. XII e o início do séc. XIII, sendo certo que já é referida numa Bula de 1320 do Papa João XXII, que concede a D. Dinis por três anos e para ajuda da guerra contra os mouros, a décima de todas as rendas eclesiásticas dos seus reinos, com excepção das igrejas, comendas e benefícios, que pertencessem à Ordem de Malta. Nessa Bula datada de Avinhão, a 23 de Maio de 1320, lá vem taxada em 180 libras a igreja de S. Pedro de Varais, ligada ao Bispado de Tui.
Nas “Memórias Paroquiais” do Padre Luís Cardoso, de 1758, faz-se menção da Igreja de S. Pedro de Varais nestes termos: « Tem esta freguesia (Vile) huma capela ou igreja quasi no alto do monte, que fica da parte do norte, muito antiga, que por tradição dizem que prmeyramente foi Mosteyro de Eremitas, e ao depois Prochia desta dita freguezia e da freguezia de Sam Miguel de Azevedo (...) e muito distante das ditas duas freguezias mencionadas se dividio nas ditas duas freguezias ou Parochias pelos anos mil seiscentos e corenta e hum...».
Durante muitos anos houve uma acérrima disputa entre as Freguesias de Vile e Azevedo pela sua posse, resolvida com a decisão de a empossar na Confraria de Santo Isidoro que a mandou reparar em 1850 e até meados do séc. XX ainda a mantinha, com o intuito de satisfazer um dos quinze clamores anuais do seu compromisso estatutário.


As características
A Capela de S. Pedro de Varais, apesar das suas pequenas dimensões, é um monumento românico de perfeita arquitectura e rara beleza. Diz a tradição tratar-se de um Mosteiro antigo e a sua situação assim o parece indicar pois, se não fora o destino cenobítico e o caracter procurado, de eremita, para o tempo, não se teria erguido tal igreja no seio de um monte difícil de subir de ambas as partes, tanto de Vile, como de Azevedo.
A Capela de S. Pedro de Varais é formada por dois quadriláteros desiguais, com uma discordância, pois a abside sofreu uma inclinação, deslocando-se do eixo transversal do templo. Coroando a fachada principal, na prumada dos pórticos, encontra-se o campanário. Sobre a porta está gravada a cruz de Malta e no cimo da nave com a abside existe uma cruz vazada equilátera, a Cruz dos Templários.
No interior vê-se um arco sólido tumular (arcossólio) em ogiva e na abertura do arco, em baixo, encontra-se um túmulo vazio, sem tampa.
O altar é em granito trabalhado estando pintado de várias cores, não havendo dúvidas que é de construção mais recente, nada tendo a ver com o estilo arquitectónico românico. No cimo deste altar está gravada a data de 1743.

Os alertas
Foi Marques Abreu, um editor do Porto que após visita ao local, chamou a atenção das autoridades para a necessidade da classificação do monumento e para a sua preservação.
Em 1950 entrou para a lista dos Monumentos Nacionais, classificada como Interesse Público pelo Decreto 37728, de 5 de Janeiro.
Mais recentemente, em 1982, o então Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara de Caminha, José Luís Presa denuncia o estado de degradação em que se encontra este monumento.
Em 1988, o NUCEARTES e o NAAIA, Associações de Defesa do Ambiente e do Património, iniciam um processo de pressão sobre diversas entidades de forma a tornar possível a recuperação deste monumento.


A recuperação
Em 1989, dois técnicos do Instituto Português do Património Cultural (IPPC) inspeccionam o monumento, recolhendo elementos necessários para iniciarem o estudo de recuperação.
Em 1990, o NUCEARTES e a Junta de Freguesia de Vile estabelecem um acordo em que a Junta se comprometia a reparar o caminho para assegurar o transporte dos materiais necessários ao restauro e o NUCEARTES diligenciaria junto das entidades públicas e privadas no sentido de angariar fundos destinados a suportar os custos destas obras.
Assim, os membros daquela Associação de Defesa do Património saíram à rua para cantar as Janeiras (Janeiro de 1991) no sentido de angariar fundos e oficiaram a todas as entidades com responsabilidades na gestão do património, informando que as obras previstas estavam orçadas em 2.050 contos.
Pouco tempo depois chegavam as respostas, que invariavelmente reconheciam a necessidade das obras e a indisponibilidade financeira de as apoiar.
De forma resumida, os trabalhos de recuperação passavam pela substituição do travejamento e do telhado, substituição da porta, colocação do forro de tecto, eliminação das escorrências de água e limpeza geral no interior e exterior do monumento.
Os trabalhos decorreram com o acompanhamento de técnicos da Direcção Geral de Monumentos Nacionais e colaboraram entusiasticamente muitos populares da Freguesia de Vile, alem dos elementos do NUCEARTES, que em 1992 voltaram a cantar as Janeiras para obter fundos que garantissem a finalização das obras, sendo correspondidos pela população que colaborou generosamente.
Mais tarde, a Junta de Freguesia de Vile iniciou as obras de recuperação do espaço envolvente e do calcetamento do caminho de acesso, tornando fácil e cómoda a visita à Capela de S. Pedro de Varais, que hoje em dia tem uma ampla zona arborizada, dotada de parque de merendas e sanitários em excelentes condições de fruição.
Falta a Junta de Freguesia em colaboração com a Câmara Municipal, a Região de Turismo e outros parceiros interessados, darem a conhecer este belo e bem preservado monumento, incluindo-o nos Roteiros turísticos da região, com o destaque que merece.

Fontes: Roteiro do Vale do Âncora, Melro D`Água, Arquitectura religiosa do Alto Minho, DGEMN

publicado por Brito Ribeiro às 16:19

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