Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

19
Jun 09

Publicou a revista “FOCUS” no seu nº 505 um artigo sob o tema “Costa Verde, praias azuis”. Porque no referido artigo são cometidas diversas incorrecções sobre Vila Praia de Âncora importa corrigi-las. Fiquei com a ideia que a articulista de uma forma leviana escreveu sobre algo que desconhece e apenas terá vertido alguns dados para as páginas da revista, copiados sabe-se lá de onde.

A intenção até podia ser louvável, mas o resultado foi medíocre, o que não abona nada em favor de uma profissão que tem tanto de influente, como se pretende rigorosa e credível. O que neste caso, notoriamente não aconteceu.
 Vamos a factos:
“… a aldeia ascendeu à categoria de cidade de Vila Praia de Âncora em 1924.” Na realidade Gontinhães ascendeu a vila e tomou a designação de Vila Praia de Âncora em Julho de 1924, mas nunca foi cidade.
 
“… já no século XVIII existia o porto de abrigo na Lagarteira.” É falso, não havia qualquer porto. Existia um portinho natural que apenas permitia, durante o verão, que pequenas embarcações de Caminha e de La Guardia descarregassem aí o pescado. Os molhes, que ainda hoje existem, são do século XIX.
 
“Era aí, ao largo desse antigo porto, que se situava a fortaleza de D. Pedro III, também conhecida por forte da Lagarteira. Actualmente este lugar ainda tem uma série de impressionantes peças de artilharia.” Ao largo do porto não existe coisa nenhuma, excepto mar. Em segundo lugar, o Forte da Lagarteira nunca foi conhecido pela “fortaleza de D. Pedro III”. A confusão deve ser com D. Pedro II, pois foi durante o seu reinado que o fortim foi construído (cerca de 1690). Aliás, D. Pedro III foi um rei “não reinante” pois era o consorte de D. Maria I (casaram em 1760, já o fortim tinha 70 anos de existência). Por fim, o Forte da Lagarteira não tem nenhuma colecção impressionante de peças de artilharia, nem nos seus melhores tempos, quando era guarnecida por dois soldados e um cabo artilheiro. A não ser que se esteja a referir às duas pequenas peças de artilharia que datam do século vinte e que ornamentam a porta de armas.
 
“Em Caminha o mais conhecido dos pratos é o eiróz cozido e o sargo”. Fiquei com dúvidas e apurei que a palavra “eiróz” nem sequer existe e o mais aproximado que encontrei foi “eiró” que significa enguia, que não é, de todo, um prato típico da nossa gastronomia. Se queria dizer congro também não me parece correcto, pois o congro, nestas bandas, é maioritariamente confeccionado em caldeirada ou frito. Sobre o sargo também não acertou, pois o que é tradicional é a choupa que sendo da mesma família é diferente no seu aspecto físico e no sabor.
 
Por fim, não posso deixar de criticar a ausência de referências a Vila Praia de Âncora no capítulo “onde ficar” e “onde comer”, preferindo a autora divagar por restaurantes de Vila Nova de Gaia que, como todos sabemos, é uma “grande” referência gastronómica na Costa Verde.
 
Sinceramente, acho o artigo da “Focus” muito fraco e totalmente injustificada essa falta de qualidade, pois hoje em dia é fácil obter informações sérias e rigorosas sobre a nossa região.
 
Promoção turística desta forma? Não, obrigado.
publicado por Brito Ribeiro às 16:21
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