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27
Abr 09

Designação

Dólmen da Barrosa / Anta da Barrosa / Lapa dos Mouros
 
Localização
Viana do Castelo, Caminha, Vila Praia de Âncora, Lugar da Barrosa, Rua Miguel Bombarda
   
Protecção
Monumento Nacional, Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 Junho 1910
 
Enquadramento
Urbano. Dentro da povoação de Vila Praia de Âncora, ergue-se no meio de um terreno particular, à direita da estrada e vedado por alto muro; nas imediações tem casas de habitação.
 
Descrição
Anta formada por câmara e corredor indistinto. A câmara, de planta poligonal tem 8 esteios, estando o da cabeceira partido, e a mesa (com superfície de 10,50 m2) que assenta sobre 3 deles. Corredor largo e desenvolvido com 6 m. x 1,46 m., segundo João Castro Nunes composto por 4 lajes, 2 de cada lado, estreitando ligeiramente para a entrada, virada a nascente, inflectindo para NE.
Escavações de 1948 puseram a descoberto, entre outras, 1 laje que entrava profundamente na parede da anta entre o espaço do último esteio do corredor e o primeiro da câmara. A Anta da Barrosa já não tem mamoa, contudo conserva alguma ornamentação característica da arte dolménica nas 3 lajes encontradas por Castro Nunes durante as escavações. São elas as linhas ondulantes (serpentiformes) e sinais em U obtidos por percussão.
 
Utilização Inicial
Funerária: Monumento de tumulação colectiva
 
Utilização Actual
Marco histórico-cultural
 
Propriedade
Privada: pessoa singular / Pública: municipal
   
Época Construção
Idade do Bronze (conjectural)
 
Cronologia
2000 - 1700 a.C. - Barreira cronológica para a sua construção, segundo João Castro Nunes;
Séc. I e II - ocupação romana, revelada pela descoberta de fragmentos de louça grosseira e de telha romana;
1879 - Martins Sarmento procede à recolha de parco espólio durante as escavações arqueológicas;
2000 - diagnóstico, elaboração de proposta e assistência técnica para a conservação, beneficiação, salvaguarda e revitalização pela DREMN.
 
Tipologia
Marco histórico-cultural, pré-histórico. Monumento megalítico com dólmen de apreciáveis dimensões, inserindo-se na tipologia do Noroeste Peninsular dos dólmens de corredor e, dentro desta, no sub-grupo apontado por G. Leisner com câmara e corredor indiferenciados.
Se esta indistinção é nítida ao nível da planta, ela já é mais problemática ao nível do alçado, dado o mau estado do corredor, pois actualmente o seu primeiro esteiro é nitidamente mais baixo do que a câmara, marcando assim uma ruptura de volumes.
 
Características Particulares
Constitui o monumento megalítico maior, mais importante e mais bem conservado até agora encontrado no Vale de Âncora, zona rica nesta cultura.
As suas dimensões fazem-no destacar do megalitismo do Noroeste Peninsular, caracterizado pela modéstia de proporções dos dólmens. Exceptuando-se a Anta de Santa Marta (Penafiel), o Dólmen da Barrosa é também aquele em que o corredor atinge maiores proporções.
 
Bibliografia
CARVALHO, Gen. Mesquita, O Dólmen da Barrosa, Porto, 1898; PINTO, R. de Serpa, O Austuriense em Portugal in Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, vol. 4, Porto, 1928, p. 5 - 44; NUNES, João de Castro, Escavações no Dólmen da Barrosa in Revista Guimarães, vol. 61, Guimarães, 1951, p. 196 - 204; idem, Escavações no Dólmen da Barrosa (Âncora) II in Revista Guimarães, vol. 65, nºs 1-2, Guimarães, 1955, p. 154 - 159; s.a., Guia de Portugal, Lisboa, 1965; JORGE, Vitor Oliveira, Megalitismo do Norte de Portugal: Um Novo Balanço in Portugalia, nova série, vol. 4 / 5, Porto, 1983 / 84, p. 37 - 48; ALVES, Lourenço, Caminha e seu Concelho (Monografia), Caminha, 1985; VILAÇA, Raquel, Arte Megalítica in História da Arte em Portugal, vol. 1, Lisboa, 1986, p. 23 - 29.
 
 
Intervenção Realizada
1879 - escavações arqueológicas por Martins Sarmento;
1948 - escavações arqueológicas por João de Castro Nunes no interior e em circunferências;
1979 - arranjo e melhoramento.
 
Observações
Durante as escavações de 1948, Castro Nunes encontrou 2 lajes de granito, de diferente qualidade, à profundidade de 1 m., em posição horizontal do lado oposto à galeria, ali postos a esmo.
A 3ª laje, gravada em ambas as faces, foi encontrada, como já anteriormente referimos, criando certa separação entre o corredor e a câmara, e posta de cutelo ao mesmo nível da base das lajes laterais do corredor.
Devido ao seu interior estar completamente remexido, não foi possível estabelecer a estratigrafia do espólio. Como é comum nos demais monumentos megalíticos do N. do país, o espólio aqui encontrado é também pobre, em quantidade e qualidade.
Existe um litígio entre a Câmara e um dos proprietários esperando que o poder judicial se pronuncie sobre a posse de parte da Quinta da Barrosa, local onde está implantado este dólmen.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 22:08

Nossa só acho que devido o valor cultural do local , o mesmo deveria estar em melhores apresentações . Em vista ao local achei totalmente abandonado ....
Vanessa a 14 de Junho de 2009 às 19:00

Tem toda a razão. Este marco histórico, dos mais representativos da Peninsula Ibérica está abandonado, não é valorizado em termos turístico, nem em termos culturais e ainda há pouco tempo foi vandalizado.
Agradeço-lhe a visita e o comentário tão oportuno.

Abraço

Bom dia. Pretendia visitar o Dolmen da Barrosa com um neto brasileiro, próxima semana. Por favor, alguém poderia dizer-me como chegar lá e se tem coordenadas de GPS. Obrigado
TLBastos
Teófilo Bastos a 12 de Julho de 2010 às 12:53

Boa e interesante estudio do castro. Obrigado.
Carlos a 24 de Agosto de 2010 às 15:36

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