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05
Fev 09

Que o mar possui propriedades medicinais e terapêuticas já não é novidade para ninguém. Mas hoje, a ciência médica moderna, baseia-se nas propriedades marinhas de elementos como a água do mar, as algas, o barro, a brisa marítima e a areia para obter resultados terapêuticos de diversa ordem.

A vida nasceu do mar e, curiosamente, o plasma sanguíneo de alguns mamíferos (entre os quais se encontra o homem) tem uma composição semelhante à da água marinha.
«O plasma é que mantém os elementos do sangue revigorados (tanto os glóbulos vermelhos, como os brancos) e transporta os elementos nutritivos para as várias células.
As células banham-se na água intersticial, que é um líquido semelhante ao soro fisiológico, com uma determinada quantidade de água e sais minerais, entre eles o cloreto de sódio. Esse líquido apresenta, sem dúvida, a mesma composição química que existe na água do mar», explica o médico fisiatra António Ramos.
A semelhança é tal que, em 1903, o biólogo René Quiton substituiu pequenas quantidades de sangue por água do mar para salvar um cão. Isso explica que os elementos dessa água têm propriedades eficazes quando postos em contacto com o organismo.
 
A talassoterapia provém dos vocábulos gregos thalassa (mar) e therapeia (terapia) e constitui a ciência que estuda e permite aproveitar essa grande reserva de princípios activos que existe no mar, através de banhos, hidroterapia, algas e cosmética marinha.
Outra terapia adstrita à talassoterapia é a algoterapia, que reforça e potencia ao máximo a acção do meio ambiente marinho sobre o estado de saúde em geral, melhorando especialmente certas doenças da pele e actuando sobre o equilíbrio neuro-sensorial.
Pelas suas altas concentrações de elementos marinhos, as algas actuam como correctores e têm propriedades que remineralizam, sendo possíveis resultados espectaculares quando são aplicadas em tratamentos corporais e faciais.
Quando as algas são reduzidas a partículas muito finas podem atravessar a barreira da pele, proporcionando resultados visíveis desde a primeira aplicação.
 
A talassoterapia, como cura marinha completa, faz intervir numerosas técnicas que envolvem os banhos de água salgada, as algas, os aerossóis, sendo a associação de tais técnicas dependente dos problemas a tratar.
«A técnica a utilizar, o calor dos banhos e dos duches, a sua força, a localização e a duração devem ser escolhidos após um exame médico prévio que determine com precisão a doença em causa, estabelecendo o tratamento a aplicar», refere o Dr. António Ramos.
Os aerossóis consistem na inalação de vapores de água salgada e são especialmente benéficos nos casos de problemas nas vias respiratórias, sinusite e catarros rinofaríngeos.
«Os banhos tomam-se em piscinas colectivas com multijactos, jactos de costas, percurso de pernas, banho borbulhante, cascata e área para hidroginástica. As banheiras de hidromassagem são individuais, com 180 jactos e 240 litros de água, a temperaturas de 34-38º C, entre 15 a 25 minutos.
Há possibilidade de fazer-se igualmente um duche a jacto, com temperaturas de frio ou quente», esclarece o médico. Todas estas técnicas intensificam o metabolismo celular, favorecendo o bem-estar.
 
Indicações terapêuticas
A talassoterapia é uma técnica de incontestável prevenção e manutenção que proporciona um imenso bem-estar. No entanto, existem problemas de saúde para os quais está particularmente vocacionada pelos efeitos benéficos que produz.
«As principais indicações da talassoterapia são as doenças do sistema osteoarticular e muscular – as artroses, as raquialgias, alguns reumatismos inflamatórios ou os traumatismos menores. Também está indicada nos casos de doenças do aparelho respiratório, designadamente nos casos de asma, sinusite, bronquite e nos casos de doenças do aparelho circulatório, nomeadamente da circulação venolinfática.
Outras áreas que podem beneficiar da talassoterapia são as situações de fadiga, stress, apoio pré e pós-parto, pós-cirurgia, prevenção e luta contra o envelhecimento e inclusivamente apoio a regimes de emagrecimento e tratamentos de adiposidade localizada e hidrolipodistrofias, ou seja, celulites», enuncia o médico.
É provável que, no futuro, se descubram ainda outros benefícios de origem marinha, até porque, actualmente, é possível descer a profundidades superiores, onde têm sido descobertas novas e complexas formas de vida.
No entanto, o que se sabe hoje já é motivo mais do que suficiente para se ter em vista a preservação urgente deste berço de vida.
 
O caso de Vila Praia de Âncora
Em Vila Praia de Âncora existiram em tempos os “banhos quentes”, casas localizadas perto da praia onde se podia desfrutar de um banho de água salgada, previamente aquecida. Esta água era carregada em cântaros desde o mar até à caldeira por mulheres, que depois era dividida por as diversas banheiras.
Já nessa época se sabia das propriedades terapêuticas da água do mar. Se recuarmos mais uns anos, até ao final do século XIX e início do século XX podemos encontrar no receituário médico a prescrição de banhos de mar para diversas maleitas.
Os “banhos quentes” acabaram por encerrar por falta de continuadores, as casas entraram em ruínas, foram vendidas e nunca mais se reatou esta actividade percursora da moderna talassoterapia.
Nada se alterou, o mar mantêm as suas características, a ciência evoluiu imenso, há mercado para vender este produto, há espaço e… pelos vistos, não há vontade de investir.
Apesar de teimarem em promover turisticamente o concelho de Caminha como um mosaico de paisagens, eu entendo que não saímos da “cepa torta” com um limitado leque de oferta turística.
Aos disparates urbanísticos ainda não conseguimos contrapor com uma recuperação e valorização do património monumental; ao desleixo ambiental ainda não conseguimos contrapor com uma valorização paisagística e com políticas de divulgação cultural de qualidade.
O turismo continua a ser, maioritariamente, de “garrafão”, com o visitante de proximidade a chegar de manhã carregado com o guarda-sol e a lancheira, abalando ao fim da tarde para casa, sem constituir uma mais valia para o comércio e industria hoteleira local. Já disse isto várias vezes, sou de opinião que apenas com um grande projecto de desenvolvimento turístico, o mais abrangente possível, se conseguirá almejar que a nossa terra seja um destino apelativo.
O caso concreto da talassoterapia é flagrante e a sua implementação iria contrariar a sazonalidade turística concentrada no binómio praia/sol, com ocupação diluída por todo o ano, indo preencher um nicho especializado, que já é amplamente explorado na costa galega aqui bem perto e que em Portugal continua por descobrir.
 
publicado por Brito Ribeiro às 17:21
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