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Dez 08

Nasceu a 19 de Abril de 1915 em Gontinhães, hoje Vila Praia de Âncora. Pela Europa decorria uma guerra de trincheiras e gases venenosos que dizimava soldados de ambos os lados. Por cá, os governos sucediam-se a um ritmo alucinante e em breve surgiria um surto de gripe, a pneumónica, que iria matar dezenas de milhares de portugueses.

Era a terceira de cinco filhos de um casal de comerciantes, ambos provenientes da zona de Valença, que se tinham estabelecido com uma pensão e loja, um misto de mercearia e taberna.
Cresceu feliz no seio da família até lidar de perto com a doença e morte do irmão mais novo, único rapaz entre quatro raparigas. Nunca superou este trauma e muitos anos depois, a simples menção deste episódio, faziam-lhe correr grossas lágrimas pela face.
Um dia reparou no rapaz trabalhador, humilde e bem-parecido, vendedor de chás e cafés, que frequentava a pensão dos pais. Começaram a namorar na festa da Senhora da Cabeça, em Soutelo, casaram dois anos depois, em 1937.
No dia do casamento - 1937
Foram viver para o Porto onde o marido se tinha estabelecido por conta própria, mas regressaram a Vila Praia de Âncora ao fim de poucos anos. Agora ele era caixeiro-viajante, ela ajudava na loja dos pais.
Nasceu a primeira filha; passados dois anos nasceu a segunda; logo a seguir faleceu-lhe a mãe. Manteve o negócio a funcionar com a ajuda das irmãs e quando o pai faleceu, largou tudo para voltar a ser mãe e esposa a tempo inteiro.
Mais tarde nasceu o filho mais novo, tinha ela a bonita idade de quarenta e dois anos. Os anos foram passando, o marido reforma-se, mantêm os gostos simples e a vida humilde, mas digna que sempre tiveram.
Igreja Matriz, baptizado do bisneto - Julho 2008
Fica viúva em 1993, passa por um longo período de desânimo muito difícil de superar. Como lutadora que sempre foi, recupera o dinamismo e vive em total independência até aos oitenta e oito anos. Tonturas e perdas de equilíbrio frequentes, levam-na ao médico e pouco depois é-lhe diagnosticada doença de Parkinson.
A filha do meio disponibiliza-se para cuidar dela e ao longo de cinco anos vê agravarem-se as condições de saúde da mãe, até que no domingo passado teve de ser internada no Hospital de Viana do Castelo. Alem de uma insuficiência renal, tinha contraído uma pneumonia.
Durante dois dias lutou pela vida, como sempre o fez, lúcida, teimosa e rodeada por aqueles que mais gostavam dela.
Desta vez foi vencida, faleceu a 10 de Dezembro.
Com o bisneto Duarte - Abril de 2008
Perdi a minha melhor amiga… Foi quem me deu à luz naquela manhã soalheira de Julho; foi quem me deu de mamar e me ensinou os primeiros passos; era quem velava sempre que eu estava doente ou que chegava mais tarde a casa; que me fazia o petisco favorito sem eu pedir nada; que defendia princípios e valores que considerava fundamentais e nos transmitiu desde tenra idade; que me contava histórias passadas na sua infância e juventude, me transmitia de forma esclarecida as memórias de uma época, de um povo, de uma vida.
Ela era minha mãe…
publicado por Brito Ribeiro às 11:26

Vinha à procura de novidades e deparo-me com uma notícia tão triste. Mas é uma homenagem muito linda, uma vida contada como só o meu amigo sabe...
Mãe é Mãe e uma perda destas deixa-nos sempre marcas profundas.
Peço-lhe que aceite os meus sentidos pêsames.
Eira-Velha a 13 de Dezembro de 2008 às 20:44

Fico muito sensibilizado com as suas palavras. Bem haja.

Abraço
Brito Ribeiro a 15 de Dezembro de 2008 às 19:55

Bela homenagem que prestas aqui à uma senhora tão "bonita". Que os anjos da paz a rodeiem!
José Alfredo a 15 de Dezembro de 2008 às 23:26

Bela homenagem que prestas aqui a uma senhora tão "bonita". Que os anjos da paz a rodeiem!
José Alfredo a 15 de Dezembro de 2008 às 23:28

Escreveste um excelente texto biográfico para homenagear a tua mãe e minha tia e madrinha.
Na parte final fizeste uma abordagem mais pessoal e intimista.
Gostei de ler!

Que descanse em paz é o nosso desejo, não é?

Um grande abraço
António a 17 de Dezembro de 2008 às 23:23

Certamente. Obrigado pelas tuas palavras.

Abraço
Brito Ribeiro a 18 de Dezembro de 2008 às 11:35

Meus sentimentos pelo falecimento da tua querida Mae.Estou certo que partiu orgulhosa dos frutos que deixou neste Mundo.Que descanse em Paz. Um abraco do amigo ..
Fernando Costa a 18 de Dezembro de 2008 às 02:14

Obrigado, amigo. Tudo de bom para ti.

Abraço
Brito Ribeiro a 18 de Dezembro de 2008 às 11:54

não, não a perdeste...beijo grande *paulinha
apps a 18 de Dezembro de 2008 às 18:03

Fica a memória, a saudade... foi-se o convívio. Agradeço as tuas palavras.

Abraço
Brito Ribeiro a 18 de Dezembro de 2008 às 19:01

Bom dia
Soube da morte da tua mãe através do teu primo António Castilho.
Os meus sentidos pêsames.
Já passei por isso, é uma perda irreparável, embora continuem vivas no nosso pensamento.
O meu pai também era de 19 de Abril, transmontano que casou com a minhota de Vila Prais de Ancora, a Maria Bouças, tia do Fausto.
Um abraço.
maria diegues a 2 de Janeiro de 2009 às 10:09

Obrigado pelas tuas palavras de conforto, amiga.
Abraço
Brito Ribeiro a 2 de Janeiro de 2009 às 11:32

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