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29
Ago 08

Ontem fui a S. João D’ Arga, à romaria popular da Serra D’ Arga, que se realiza todos os anos de 28 para 29 de Agosto e que reúne no pequeno santuário muitos milhares de romeiros.

Direi que a festa já não é o que era há uns anos atrás, hoje com tendas a vender pechisbeque made in China e todas as tretas que nos habituamos a ver nas feiras e romarias.
 
 
As tradicionais tendas de comes e bebes, a par do tradicional cabrito já “despacham” cachorros, hambúrgueres e pão quente com chouriço. A tradicional aguardente com mel, agora denominada estupidamente (por alguns) como “chiripiti”, não passa de uma aguardente comercial, baptizada com água, mel e açúcar amarelo.
É como vos digo, aquilo já não é o que era, mas mesmo assim ainda é das romarias populares, mais genuínas do Alto Minho. Tem algo insuperável que é o convívio intergeracional, pois convivem na mesma festa gente de todas as idades, de todas as condições sociais, sejam do campo, sejam da cidade.
Ontem não me meti na imensa confusão à volta dos coretos para assistir ao salutar duelo entre a Banda de Lanhelas e a Banda de Moreira do Lima. Deixei-me ficar a um canto do recinto, no local onde saboreei um belo sarapatel de cabrito e entretive-me a reflectir com uns amigos, sobre as condições em que se realiza esta festividade.
De facto, a comissão de festas limita-se a contratar duas bandas de música, ornamentar a capela com umas luzinhas de várias cores, espalhar pelo recinto algumas florescentes que o iluminem minimamente e ligar um gerador que abasteça de energia aquela rede mais que artesanal. Ah…. Já me esquecia! A Comissão de festas aluga o espaço àquelas tendas todas e recebe o dinheirinho que não deve ser tão pouco, bem pelo contrário.
E que é que a comissão de festas faz ao dinheiro? Bem, isso não sei e pelos vistos há muita gente como eu, que também não sabem onde o dinheiro é aplicado.
Uma coisa posso garantir, no recinto não é! Melhoramentos que se vejam, estão na construção de uns sanitários já há muitos anos e que hoje são totalmente insuficientes tal é a jabardice em que ficam, ainda antes de cair a noite.
A própria capela está a precisar de obras urgentes ao nível de isolamento da cobertura, os quartéis precisam de obras de restauro, não há uma iluminação decente e segura, não há uns sanitários em condições, nem sequer uma manutenção permanente nos dias da festa, os coretos precisam ser reformados, a área envolvente ao santuário podia ser limpa e arranjada de forma a acolher confortavelmente os romeiros, enfim, há bastante que fazer sem retirar o mínimo de tipicismo e de genuinidade à Romaria de S. João D’ Arga.
O que vejo é a romaria ter cada vez mais projecção, cada vez mais tendas, agora até já invadem o recinto do santuário, as condições são cada vez mais exíguas e degradadas face ao maior número de visitantes e a comissão das festas limita-se a olhar para o cu da galinha dos ovos de oiro.
 
publicado por Brito Ribeiro às 13:32
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Boa tarde
Gostei da forma como descreveste a festa e infelizmente tenho que dizer que a degradação, o oportunismo e "os ovos de ouro" estão espalhados por todo o nosso lindo Portugal. Os produtos tradicionais estão a desaparecer, agora estão adulterados....
A essa festa nunca assisti, só assisti à senhora da Agonia e à Senhora da Bonança.
Eram outros tempos e outra gente!
maria josé diegues a 29 de Agosto de 2008 às 14:02

Pedindo antecipadas desculpas pela “invasão” e alguma usurpação de espaço, gostaríamos de deixar o convite para uma visita a este Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa...
Ressaca a 29 de Agosto de 2008 às 19:57

Grato pelos Vossos comentários.

Abraço
Brito Ribeiro a 31 de Agosto de 2008 às 00:00

Boa tarde.
Gostei da descrição feita. As festas no nosso Minho são sempre lindas, não podemos parar no tempo.
A comissão das festas para o ano já devia ter sido apresentada, porque não se candidata para o outro ano, ideias são sempre vem vindas e das ideias discutidas surge sempre algo de positivo.
Desejo que as festas e romarias da nossa terra nunca caiam em desuso.
Até sempre
carolina a 3 de Outubro de 2009 às 12:29

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