Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

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Ago 08

O autocaravanismo está na moda e para onde quer que olhemos podemos esbarrar com uma dessas novas casas com rodas. Há dias, o Jornal de Notícias dedicou a esta actividade de laser duas páginas inteiras e o jornal Público já o tinha feito há semanas atrás, o que atesta a crescente importância do caravanismo e principalmente do autocaravanismo.

O autocaravanismo é um fenómeno recente para o qual os governantes ainda não acordaram, e daí o vazio legal que devia estabelecer as regras para a prática desta actividade.
Mas se os governantes ainda não acordaram os portugueses estão a tomar consciência da dimensão do problema, principalmente quando são violadas algumas questões básicas, como os estacionamentos abusivos e prolongados, a ocupação de espaços públicos de elevado valor ambiental e paisagístico, quando são utilizados indevidamente infra-estruturas públicas para fins privados, sem a devida autorização.
Remetendo-me à realidade de Vila Praia de Âncora, que é idêntica à de todo o litoral em matéria de autocaravanismo, detecto um conjunto de situações irregulares e prejudiciais que importa resolver de forma positiva e inteligente, deixando de lado a obtusa ideia que as autocaravanas devem ser banidas e esse tipo de turismo não interessa.
Isso é de todo errado e como já disse esta tendência turística vai em sentido crescente, por isso deve ser aproveitada em favor de um turismo dinâmico e diversificado. Ao fim ao cabo, tudo o que não existe em Vila Praia de Âncora e não venham dizer que agora a culpa é das autocaravanas.
A ocupação selvagem do Campo do Castelo e mais recentemente da marginal norte com o estacionamento e pernoita de autocaravanas é totalmente inaceitável do ponto de vista legal e do ponto de vista ambiental.
Durante os meses de verão chegam a estar concentradas naquela zona mais de setenta autocaravanas que estacionam de forma desordenada, estendem avançados, espalham mesas e cadeiras, bicicletas e outras tralhas, acendem assadores, ligam geradores, transformando uma paisagem de alto valor turístico num acampamento desregrado e terceiro mundista. Mas ainda mais grave é o facto de haver gente que assenta arraias para passar férias de semanas a fio, sempre no mesmo sítio.
Isso é uma perversão do verdadeiro espírito do autocaravanismo, é a vergonha para os verdadeiros autocaravanistas que se definem como turistas itinerantes e pugnam por um conjunto de regras e de códigos no respeito integral pelo ambiente e pelo meio envolvente.
Aconselho vivamente a pesquisa no portal de autocaravanismo, um site muito bem estruturado e com informação bastante detalhada da modalidade em http://www.campingcarportugal.com
Repito, o que se passa em Vila Praia de Âncora é motivado por falta de regras e por falta de infra-estruturas de apoio a este tipo de turismo.
Em Portugal existem matriculadas cerca de seis mil autocaravanas e estima-se que no pico do verão com a entrada de autocaravanas estrangeiras ultrapassem as vinte mil, o que é um número deveras preocupante, atendendo à falta de legislação e fundamentalmente à falta de locais especialmente preparados para o seu estacionamento e pernoita.
Basicamente o que falta são parques de serviço, que ainda são raros em Portugal e que só agora, face à necessidade crescente, as autarquias começam a incluir nas suas prioridades. Outras nem isso fazem!
Mas porque é que as autocaravanas não vão todas para os parques de campismo? Simplesmente, porque são dois tipos de turismo diferentes e o autocaravanista é, ou pelo menos devia ser, um itinerante, sempre em deslocação, enquanto o campista é o protótipo de pessoa em comunhão com a natureza e que até dispensa um conjunto de comodidades e mordomias durante o tempo que está acampado.
 
Voltando à questão dos parques de serviço, pelo que consegui apurar, são estruturas muito simples que albergam as autocaravanas em estacionamento aberto ou alvéolos, que tem iluminação, que dispõe de tomadas de energia, de água potável, equipamento para despejar a sanita química e WC. Isto é o essencial, claro que pode depois haver outro tipo de serviços, como balneários, cabine telefónica, bar de apoio, internet, etc.
Será que a nossa autarquia já pensou em potenciar este tipo de turismo e investir num projecto de futuro como parece ser esta nova forma de turismo?
Ou será preferível deixar as coisas tal como estão, com aquela “feira” espalhada pelo litoral dando uma péssima imagem do ordenamento do nosso território, dando uma péssima imagem do nosso sentido de organização.
Ou será que apenas somos bons a organizar concertos estivais de gosto e oportunidade de investimento duvidoso, investimentos efémeros e que nada aportam para o desenvolvimento e a promoção da nossa terra.
Quero crer que este assunto entrará na agenda política dos nossos autarcas muito em breve e que a inteligência e bom senso voltem a ser demonstrados com a implementação de medidas que resolvam este problema, que tanto nos tem apoquentado nos últimos tempos.
publicado por Brito Ribeiro às 16:34
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De hecho, por lo que viajo por esas partes, me he preguntado muchas veces por qué tenemos que quedarnos en descampados y por qué no hay parques propios con las infraestructuras necesarias para ese tipo de turismo, cada día más adoptado en Europa?
programa de ruleta a 9 de Fevereiro de 2009 às 18:46

Obrigado pelo comentário. Tem toda a razão, no norte de Portugal ainda não há infraestruturas para acolher de forma satisfatória as autocaravanas.
Devemos todos continuar a reclamar dos políticos uma resposta positiva.

Abraço
Brito Ribeiro a 11 de Fevereiro de 2009 às 10:50

Boa tarde,

Foi de uma grande satisfação ler o que escreveu, sou Autocaravanista Itinerante e realmente, no norte do país, apesar de recursos naturais, museus, etc... , neste momento, não é tão apetecível viajar pelo norte como pelo centro, existe falta de infra-estruturas de apoio à Autocaravana em que me faço transportar...
Se verificar no portal do CampinCarPortugal existe uma lista com as áreas de serviço para autocaravanas em Portugal sendo já 56, sendo que 36 são na zona centro, entre Douro e Tejo, sendo muitas delas no interior...
Lembre-se que os autocaravanistas também gostam muito dos restaurantes regionais, assim como dos produtos das regiões por onde passam...

Muito Obrigado pela ajuda à causa autocaravanista responsável.

Danibeja
Danibeja a 21 de Maio de 2011 às 18:05

Com um pouco de geito, ao ordenarem os espaços para os autocaravanistas somos atirados para bem longe dos locais dos Taís "paradisíacos" para dar lugar ao estacionamento de viaturas de passageiros, merendeiras de domingueiros, cobrarem a tal taxa de estacionamentos/pernoita, enfim considerarem o autocaravanista um indesejado a abater da circulação, a ser explorado e ser considerado uma praga...disse esse senhor que viu 70 caravanas lá no sítio...e quantas viaturas auto estavam lá? 200? 300? Comportem- se srs!
Manuel Sá a 18 de Agosto de 2017 às 09:29

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