Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

19
Ago 08

Localização

Viana do Castelo, Caminha, Vila Praia de Âncora, R. 5 de Outubro
 
Protecção
Inexistente
 
Enquadramento
Urbano, flanqueado por edifícios de habitação unifamiliares e plurifamiliares, integrado na malha urbana, em zona plana. A fachada principal abre directamente para a via pública, separado dela por pequeno passeio.
 
Descrição
Planta rectangular, composta por dois corpos, o anterior, rectangular e disposto paralelamente à via pública, e um longitudinal, de volume mais estreiro e com cunhais chanfrados na fachada posterior, de disposição horizontal, com coberturas diferenciadas em telhados de quatro, duas e seis águas, na zona que surge sobre o palco, mais elevada.
Fachadas rebocadas e pintadas de branco, a principal percorrida por embasamento saliente, em cantaria de granito, rematadas em beiral, exceptuando a principal, em cornija, assente em cachorrada.
Fachada principal virada a E., de dois registos, definidos por friso de cantaria, e três panos, o central mais elevado, com os vãos rasgados simetricamente, a partir deste. O pano central é rasgado por três vãos rectilíneos, separados por pilares toscanos, os laterais compondo duas janelas e central uma porta, encimada por cornija, de onde evolui elemento escultórico, representando uma concha, rodeada por elementos fitomórficos, e integrando uma âncora, símbolo da povoação.
O conjunto é encimado por janela termal seccionada, formando vão rectilíneo e duas meias lunetas, sobre a qual surge uma faixa de perfil curvo com a inscrição: "BOMBEIROS VOLUNTARIOS". O pano central remata em cornija de perfil curvo, com lira sobre plinto no acrotério e elementos vegetalistas nos ângulos. Os panos laterais são semelhantes, cada um deles rasgado, no registo inferior, por porta em arco abatido, assente em impostas salientes, e com arquivolta ornada por friso fitomórfico, sublinhada por cornija, assente em duas mísulas e encimada por medalhão circular com troféu, representando os símbolos dos bombeiros - capacete e machado -, rodeado por festões.
O registo superior apresenta uma janela de perfil e decoração semelhante à porta, apresentando, nas jambas, friso almofadado. Fachada lateral esquerda, virada a O., parcialmente adossada a edifício, sendo a zona visível cega. Fachada lateral direita, virada a N., parcialmente adossada a edifício residencial, tendo na zona posterior, uma janela de peitoril, rectilínea, e, porta de verga recta, de acesso aos camarins. Fachada posterior cega, em empena recta.
Interior marcado pelo vestíbulo, rebocado e pintado de bege, percorrido por lambrim de cantaria, com pavimento em ladrilho e cobertura em estuque, formando caixotões, com o fundo pintado a castanho e molduras em estuque branco, ornado por elementos vegetalistas, assente em friso e mísulas de estuque equidistantes. Em frente à porta de acesso, escada com três degraus, em cantaria, acede à zona de distribuição, através de amplo arco em asa de cesto, protegido por portadas de madeira e vidro martelado; no lado esquerdo desta, um vão rectilíneo, protegido por vidro simples, constitui a bilheteira.
A zona de distribuição, rebocada e pintada de branco, com lambril em cantaria, encimado por moldura de madeira, possui a zona do bengaleiro no lado direito, com estrutura e porta de madeira e vidro e, no lado oposto, as escadas de acesso ao piso superior, de madeira, composta por dois lanços e patamar intermédio e guarda torneada, do mesmo material; um amplo arco em asa de cesto acede a dois corredores simétricos, o do lado direito de acesso a instalações sanitárias e o do lado esquerdo de ligação à sala.
Através de três portas de verga recta e portadas de madeira, com dois pequenos losangos de vidro, acede-se à plateia, seccionada em duas zonas, com um total de 240 lugares. A sala possui lambril de madeira, com a zona superior revestida a papel, tecto plano com lâmpadas embutidas e pavimento em alcatifa. Sobre esta, o balcão, com acesso por duas portas, semelhantes às anteriores, de perfil contracurvado e guarda plena em alvenaria, encimada por elemento em latão dourado, com 68 lugares; ambos os espaços possuem as cadeiras dipostas em filas regulares, forradas a napa e assentes em estrutura metálica fixa.
A caixa de palco é em madeira, de perfil rectangular, com pavimento em parquet e acesso por duas portas que a ladeiam. Embutido na estrutura do palco, a caixa do ponto, com pequena abertura rectangular.
No topo das escadas, um patamar de acesso à sala, à cabine de projecção e, no lado direito, uma porta em arco abatido, com portadas de madeira e bandeira do mesmo material, com vidro martelado,de acesso ao "foyer". Este forma três dependências intercomunicantes por amplos arcos em asa de cesto, pintadas de verde, com pavimento em soalho e cobertura em estuque branco; a central apresenta decoração mais elaborada, com sanca e frisos decorados por elementos fitomórficos siunuosos e pouco relevados, pontuados por urnas e pequenos florões; ao centro, um elemento cruciforme em estuque, envolve o lustre; as dependências laterais apresentam simples elementos ovalados em estuque.
Uma das dependências está transformada em zona museulizada, com algumas carretas antigas dos bombeiros.
 
Descrição Complementar
No vestíbulo, sobre o guichet da bilheteira, surge uma placa de mármore polido com inscrição avivada a negro e dourado: "NO 50º ANIVERSARIO DESTA ASSOCIAÇÃO / AOS SEUS FUNDADORES: / DOMINGOS JOSÉ GONÇALVES / JOSÉ JOAQUIM LOPES / JOAQUIM JOSÉ FERNANDES JÚNIOR / JOÃO JOSÉ DE CASTRO / JOSÉ DA SILVA MOURA / JOSÉ EMÍLIO PINHEIRO DE AZEVEDO / ANTÓNIO JOSÉ CORREIA / HOMENAGEM E GRATIDÃO / 1-1-1967".
No espaço de distribuição inferior, um nicho rectilíneo contendo painel de azulejo, monocromo, azul sobre fundo branco, representando um rancho folclórico; sobre este, uma lápide de granito polido, com a inscrição avivada a dourado: "A / ALVES DA CUNHA / GLORIA DO TEATRO NACIONAL / Homenagem dos Seus Admiradores / 7 - 12 - 1950".
 
Utilização Inicial
Equipamento: quartel de bombeiros
 
Utilização Actual
Recreativa: cine-teatro (desactivado por questões de segurança)
 
Propriedade
Privada: Assoc. Humanit. Bombeiros Volunt. V. P de Âncora
 
Época Construção
Séc. 20
 
Arquitecto | Construtor | Autor
ARQUITECTO: Carlos Fernando Leituga (1931).
 
Cronologia
1916, 3 Novembro - foi criada a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, por Domingos José Gonçalves, José Joaquim Lopes, Joaquim José Fernandes Júnior, João José de Brito, José da Silva Moura, José Emílio Pinheiro de Azevedo e António José Correia; 1 Dezembro - aprovação dos estatutos, elaborados por Laureano de Brito;
1917, 1 Janeiro - tomada de posse da primeira direcção da Associação; tinha uma sede provisória e o material encontrava-se distribuído por várias instalações;
1926 - o quartel passou a estar instalado na R. 31 de Janeiro;
1931, 18 Outubro - início da construção da nova sede e quartel, conforme projecto do arquitecto Carlos Fernando Leituga;
1934, 7 Maio - em resposta a um questionário da Repartição de Jogos e Turismo, refere-se que "há uma casa a que dão o nome de Cinema Ancorense, onde algumas companhias em viagem pela província dão espectáculos, mas cinema não há" (ALVES, p. 545);
1943, 15 Janeiro - inauguração do edifício dos bombeiros, que compreendia uma sala de espectáculos, visando a obtenção de fundos para a segunda fase das obras do quartel; 1942, 18 Maio - reorganização da antiga Banda Ancorense, com o nome de Banda dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora;
1949, 30 Novembro - aquisição de uma máquina de projecção;
1954, 26 Setembro - aquisição de um novo pronto socorro, para substituir os carros manuais;
1960, 18 Março - aquisição de um terreno com 480 m2, na R. 5 de Outubro, para a instalação do quartel, por 80.000$00;
1966, 6 Maio - extinção da Banda dos Bombeiros Voluntários;
1983, 25 Setembro - inauguração do novo quartel dos bombeiros;
1985 - projecto de restauro da antiga sede, mantendo a sala de espectáculos.
 
Tipologia
Arquitectura civil de equipamento, novecentista. Quartel de bombeiros, de planta rectangular, composta pela sala das viaturas, laterais, um vestíbulo e, na zona posterior, uma sala de espectáculos.
No piso superior, a zona administrativa e quartos. Fachada principal marcada pelas amplas entradas dos carros, no primeiro piso e amplamente iluminada, sendo as fachadas laterais de acesso à sala de espectáculo, com portas de verga recta.
A sala de espectáculos Insere-se no grupo de auditórios de planta rectangular com balcão em forma de "U", de cena contraposta, com uma sala de cerca de 300 lugares, distribuídos por plateia e balcão, tendo um palco de configuração quadrangular.
Dispõe de cabina de projecção, sobre o balcão, em zona elevada. Interior com decoração em estuque.
 
Características Particulares
Antigo quartel de bombeiros, que integrava numa sala de espectáculos e actualmente transformada em cine-teatro, destacando-se o aspecto modernista do interior, bastante simples e com um carácter meramente funcional.
De relevar, o tratamento da fachada principal, com várias cartelas alusivas à primitiva função do imóvel, com troféus de instrumentos ligados à actividade do bombeiro e um friso com a inscrição a identificar o imóvel como quartel.
A fachada vive pelo tratamento dos vãos, rectilíneos ou curvos, onde se integra uma ampla janela termal, seccionada e que permite iluminar o actual foyer, decorados com estuques brancos, formando elementos fitomórficos. As portas das fachadas laterais foram desactivadas, processando-se o acesso apenas pela fachada principal.
 
Dados Técnicos
Estrutura autoportante.
 
Materiais
Estrutura em alvenaria de granito, rebocada; embasamento, pilastras, mísulas, cachorrada, elementos decorativos, modinaturas, lambris em cantaria de granito; lambris em mármore; pavimentos, portas, lambris, caixa de palco, modinaturas dos vãos internos em madeira; janelas e portadas com vidro simples ou vidro martelado; pavimentos em tijoleira; sala com pavimento forrado a alcatifa; cobertura em telha; cadeiras com estrutura em ferro e revestidas a napa; guarda do balcão em latão amarelo.
 
Bibliografia
ALVES, Lourenço, Caminha e o seu concelho (monografia), Caminha, 1985.
   
Intervenção Realizada
Proprietário: séc. 20, 2.ª metade - tratamento de rebocos e pinturas; arranjos pontuais.
 
Observações
O edifício está desactivado por falta de condições de segurança, nomeadamente ao nivel da cobertura, não havendo até ao momento qualquer garantia de financiamento para as imprescindiveis obras de requalificação.
 
publicado por Brito Ribeiro às 14:17

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