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29
Jul 08

O relatório da Polícia Judiciária que levou ao arquivamento do processo de desaparecimento de Madeleine McCann e o livro de Gonçalo Amaral: «Maddie: A verdade da mentira» têm diferenças, mas também são coincidentes na maior parte dos pontos analisados.

 

 

Hora dos factos

 

 

 

 

Relatório PJ: O alerta do desaparecimento de Madeleine McCann, momento em que Kate McCann anuncia que Maddie foi raptada, foi, segundo os dados recolhidos pela PJ, entre as 22h e as 22h10 da noite de três de Maio. No entanto, o mesmo relatório refere que «os factos», segundo testemunhos, ocorreram entre as 21h05 e as 22h00.

 

 

Livro: No livro do ex-inspector da Polícia Judiciária, que coordenou a investigação durante seis meses, é referido que: «A discussão no seio da equipa de investigação, incluindo os colegas ingleses, foi objectiva e permitiu uma importante conclusão: o alarme do desaparecimento não pode ter sido dado às 22h00. Terá ocorrido antes dessa hora». Segundo Amaral, para a investigação, a hora dos factos situa-se «entre as 21h30 e as 22h00, com base nos testemunhos de empregados do restaurante «Tapas».

 

A janela

 

 

Relatório PJ: O relatório da Polícia Judiciária refere que «somente» foram detectadas impressões digitais da mãe de Madeleine na janela do quarto de onde, alegadamente, a menor desapareceu. O documento indica que os «vestígios dactilares» foram detectados no caixilho da janela.

 

 

Livro: No livro do ex-PJ, a questão da janela e dos depoimentos sobre a mesma surge como fulcral. Segundo conta no livro, «na janela, não existiam sinais de arrombamento ou de luvas, tendo a mesma sido limpa no dia anterior, pela empregada que procedeu à limpeza do apartamento. As únicas impressões digitais que ali foram encontradas são as de Kate Healy. O sentido e posição dos dedos impressos na janela são de molde a abri-la para a esquerda».

 

 

Livro: Para Gonçalo Amaral, as contradições nos depoimentos do grupo de amigos em relação a este ponto revelam sempre que alguém está a mentir: «Como alguém haveria de dizer, parte da solução da investigação está naquela janela. A verdade sobre a janela desmentirá sempre alguém do grupo».

 

 

Relatório PJ: No entanto, é de realçar que as dúvidas sobre a janela são partilhadas pela Polícia Judiciária. O relatório refere que a reconstituição dos factos permitiria «esclarecer importantíssimos detalhes, entre outros»: «A situação relativa à janela do quarto onde Madeleine dormia, juntamente com os gémeos, a qual estava aberta, segundo Kate. Afigurava-se então necessário esclarecer se existia alguma corrente de ar, já que se menciona movimento de cortinas e pressão sobre a porta de entrada no quarto, o que seria, eventualmente descortinável através da reconstituição».

 

 

Relatório PJ: Um desses relatos é de Jane Tanner que foi já amplamente divulgado. Outro, menos mediático, é o da família Smith. No relatório da PJ é dito: «Veio à liça o testemunho de M. Smith relatando o avistamento de um indivíduo com uma criança ao colo, numa das artérias que acede à praia. Foi dito que essa criança poderia ser Madeleine McCann, ainda que nunca tenha sido afirmado peremptoriamente. Algum tempo depois, esta testemunha alegou, que pelo jeito [a forma como segurava num dos gémeos], o indivíduo com a criança ao colo poderia ser Gerald McCann, concluindo neste sentido quando o viu a descer as escadas de uma aeronave. Apurou-se, porém, que à hora mencionada, Gerald se encontraria sentado à mesa, no restaurante Tapas». No entanto, o documento não refere a fonte da informação, se o grupo dos amigos, se os funcionários do «Tapas».

 

 

Livro: Segundo Gonçalo Amaral, esta família veio a Portugal, a 26 de Maio, numa operação secreta, que trouxe o patriarca e dois filhos adultos à PJ de Portimão. Todos confirmaram ver um homem com uma criança ao colo e o local exacto em que se cruzaram, pelas 22h. O patriarca afirmou não se tratar de Murat, uma vez que o conhecia, não identificando alguém em particular. Uma situação que se altera com a chegada dos McCann a Inglaterra.

 

 

Livro: «No final de Setembro, ficamos a saber daquele reconhecimento por parte da família Smith». (...) «Tomámos uma decisão, desencadear uma operação logística para trazer de novo as testemunhas da família a Portugal». (...) «Mas os Smith não vieram. A polícia portuguesa, após a minha saída, muda de ideias e opta por pedir a sua inquirição fazendo uso de um mecanismo de cooperação internacional». Note-se que Amaral não faz referência ao apurado pela PJ, isto é, de que naquela hora o pai de Maddie estava no «Tapas».

 

Relatórios periciais

 

 

 

 

 

Relatório PJ: Relativamente às análises enviadas pela Inglaterra, com vestígios detectados pelos cães, no apartamento e no veículo alugado, o relatório da PJ afirma que os «resultados finais não vieram corroborar as marcações caninas, ou seja, foi recolhido material celular, que, todavia, não foi identificado como pertencente a alguém em concreto, não tendo sequer sido possível apurar a qualidade desse material», ou seja, «se poderia ser sangue ou outro tipo de fluido corporal».

 

 

Relatório PJ: Porém, o relatório reconhece, que «numa primeira abordagem científica afigurou-se a possibilidade de compatibilização do perfil de ADN da Madeleine com alguns dos vestígios recolhidos (dos quais avultavam os existentes na viatura Renault Scenic alugada pelos McCann)».

 

 

Livro: O relatório da PJ nada mais diz sobre os exames. Gonçalo Amaral questiona os resultados das análises, mas no fim reconhece que não são prova, mas apenas indícios: «A cadela assinalou a presença de sangue humano em locais onde o cão marcou odor a cadáver. (...) Esses fluidos corporais, segundo o FSS [laboratório inglês], continham componentes do perfil de ADN de Madeleine». «De momento, aqueles resultados não constituem prova material, mas meros indícios, os quais se deveriam acrescentar aos indícios já apurados».

 

 

Livro: Menos claras, serão as análises sobre os cabelos encontrados na bagageira. Os exames a estes não terão chegado ao mesmo tempo que os restantes. Até à data de saída de Amaral não havia resultados. As amostras de cabelo foram solicitadas ao laboratório, mas este «não quis abrir mão» das provas.

 

 

Fonte: Portugal Diário

publicado por Brito Ribeiro às 16:28
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