Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

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Jul 08

Decorreu no passado fim-de-semana a Feira do Mar, no Campo do Castelo, em Vila Praia de Âncora que se saldou por um balanço francamente mais positivo que o ano anterior. No entanto parece ser imprescindível uma reflexão profunda sobre o modelo e os objectivos se quiserem continuar, ano após ano, a apostar num evento de qualidade.

Não vou tecer considerações sobre os espectáculos dos diversos dias, mas o cabeça de cartaz era garantia de largo auditório, alicerçado por uma divulgação razoável, quer ao nível de cartazes, quer ao nível de inserções na imprensa.
 
O resto do programa era variado e presumo que ao gosto da maioria dos visitantes. Faltou algo para “prender” os mais jovens, talvez uma banda com ritmos mais dinâmicos, quem sabe uns DJ e um pouco de música techno.
Sobre o tempo não há nada a dizer, pois este evento está condicionado aos caprichos do S. Pedro que este ano não atrapalhou, mas também não ajudou, principalmente à noite, marcando presença, o vento e o frio.
Fiquei com a sensação que, de mar, esta festa teve pouco e era nessa vertente que a aposta deverá subir nas próximas edições.
 
No plano gastronómico, ficar por umas sardinhas assadas é realmente pouco e banal. Poderia aqui referir um conjunto de pratos ligados ao mar, ligados à nossa terra que se mantêm esquecidos, que nunca são referidos e que mais uma vez não foram apresentados, nem degustados no recinto da feira. Dizer que os restaurantes colaboram é positivo, mas deve ser no recinto da Feira que tem de haver a possibilidade de degustar os pitéus do mar.
E nem sequer estou a pensar em coisas complicadas, por exemplo, gostaria de ver umas fanecas fritas com arroz de tomate, carapaus assados ou de escabeche, umas postas de congro frito, para não referir a já tradicional caldeirada à Tio Feito.
Por que não associar o bacalhau a esta festa, não com os pratos tradicionais, mas com os pratos populares, como a “chora”, as línguas, as caras ou as “punhetas”.
Também o que a “ribeira” dá, foi esquecido, como os lamparões (que dão um excelente arroz), os mexilhões, os percebes, as caramujas e os fedelhos, o polvo e as navalheiras das nossas rochas ou os búzios (óptimos em salada), por exemplo.
É este tipo de gastronomia, que tem estado fora dos circuitos comerciais, esquecido dos compêndios e dos programas de televisão que é necessário “agarrar”, em parcerias com restaurantes ou com associações interessadas, sempre enquadradas nos objectivos da organização.
Desculpem-me a franqueza, mas arroz de marisco ou arroz de tamboril, por muito bem confeccionados que sejam, fazem-se um pouco por todo o lado e já não são factor distintivo.
 
Outro aspecto que merece ser reavaliado é a utilização do Forte da Lagarteira que mais uma vez esteve muito subaproveitado. Era a oportunidade de incentivar a componente artística do certame com uma mostra de artes plásticas, por exemplo, ancorada no tema e no ambiente circundante.
Estou a recordar uma exposição de fotografia sobre os homens do mar, que pautei na altura de muito interessante e que esteve patente no Posto de Turismo há cerca de um ou dois anos e que podia ser repetida no nosso “castelo”.
Poderiam ser tambem promovidas algumas conferências sobre o mar, a náutica, as pescas ou outro tema apropriado ao momento e local, assim como a projecção de filmes ou documentários alusivos ao mar e aos pescadores.
 
No campo das barraquinhas de exposição, já em número razoável, notava-se as ausências de actividades profissionais e de lazer ligadas ao mar. Não havia nenhuma escola de surf, nem sequer vi o clube de surf local, nem nenhum clube de aventura, apenas um expositor de material de pesca desportiva, um clube de mergulho, dois stands de barcos com uma oferta limitada que, tudo somado, é ainda pouco.
Será de equacionar de futuro a aposta num atelier de surf e bodyboard, que certamente seria um sucesso.
O próprio artesanato tem de ser diversificado, há na nossa região artesãos fantásticos que são raramente lembrados, que tem tanto mostrar, que tem artes já esquecidas, quase extintas.
 
Estes foram os aspectos mais importantes que sinalizei, outros haverá, tão ou mais importantes a ter em conta para o ano que vem.
Interessa a vontade de realizar, interessa que a população se reveja no evento, interessa uma grande divulgação, interessa que as pessoas se sentam satisfeitas na hora de regressar a casa.
 
                                                                                         
 
 
 
 
 
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 12:13
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Assino por baixo o teu artigo. Parabéns!
José Alfredo a 4 de Julho de 2008 às 00:17

Obrigado pelo comentário e que alguem com responsabilidade na promoção deste evento leia e medite sobre este simples texto.

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