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Mai 08

Desde pequeno que ouço falar no “Tio Brasileiro” que era irmão do meu avô materno Abel e chamava-se Manuel do Nascimento Brito. Era mais velho que o Abel, pelas minhas contas entre quatro a seis anos. Deve ter nascido por volta de 1875 e emigrou para Moçambique, mais concretamente para Lourenço Marques onde ganhou a alcunha de “Brito das massas” por ter montado uma fábrica de massas alimentares, tendo como sócio um senhor chamado Matos Ferreira, pai do Dr. Luís Matos Ferreira que mais tarde casou com a filha da D. Laura, a “Mariinha”, que ainda hoje possui casa no Largo do Sol Posto e vem passar férias à nossa terra.

 
Em 1951, frente à Pensão Meira, com as sobrinhas Maria José e Arminda
O Manuel Brito, o nosso Tio Brasileiro, embarcou para Moçambique em 1918 (provavelmente logo a seguir ao armistício), desconheço se já seria casado ou ainda não, com a Maria “Fanfarrona” uma sua conterrânea de Segadães, às portas de Valença, uma costureira que já possuía uma máquina de coser Singer.
A aventura moçambicana não deve ter durado muitos anos, porque entretanto regressou a Portugal onde passava umas temporadas em Gontinhães, na casa do irmão, a Pensão Âncora.
 
Do seu primeiro casamento não teve filhos e como ele por saias ainda era pior que o irmão Abel, acabou por “fugir” para o Brasil com a Flabiana (ou Flaviana) uma mulher de Gontinhães. Esta mulher era irmã da Ana do Presa, portanto, tia da Hermínia Presa, do Apolinário, da mulher do Paulino da Laje e da mulher do Quim do “Tábio” que é a única que ainda está viva. Esta fuga para o Brasil foi preparada no maior segredo e nem o Abel sabia da matroia.
O “Brito das massas” e a Flabiana depois de se rasparam para o Brasil tiveram, que eu saiba, cinco filhos.
A Margarida que é a mais velha e foi professora, o Zé, o mais novo continuou o negócio do pai, que tinha montado uma empresa de camionagem. Este meu primo nasceu com o lábio rachado (lábio luperino) e foi operado com êxito em criança. Pelo meio nasceram o Luís, a Mercedes e a Lucília. O Luís era mecânico de aviões e chegou a vir a Âncora, dormindo na casa dos meus pais e comendo na Pensão Meira. Deve ser mais velho que o Jorge Meira, embora a diferença não seja muita.
 
Em 1948 nos arredores do Rio de Janeiro, a Tia Flabiana e os filhos
Sei que o Tio Brasileiro montou um stand de motos para o filho mais novo, o Zé, mas não lhe agradou esse tipo de vida, acabando por ser a Mercedes a ficar com o negócio pois parece que era tipo “Maria rapaz”, gostava de mecânica e de motos. A propósito, o Abel em solteiro tinha uma moto, mas isso é outra história. Reparem que a moto tinha de ser anterior a 1910, devia ser um “maquinão”!!!
 
A Flabiana tinha cá em Âncora uns terrenos para os lados da Estação da CP, que foram herdados pela Hermínia Presa.
O Tio Brasileiro voltou duas vezes a Portugal, em 1951 e 1957 e ainda foi protagonista de umas “estórias” porreiras, com mulheres, claro!
O meu primo Jorge e as minhas irmãs ainda se lembram de algumas, como a do Tio Brasileiro ter ido à loja do Correia comprar umas peças de roupa, blusas e saias, “mônos” que o Correia lhe despachou ao desbarato e que serviram para o velho marialva oferecer às empregadas da pensão em troca de um beijo. Naquele tempo de miséria, parece não ter havido quem resistisse a semelhante prenda, por pouca vontade que tivesse de levar um beijo e alguma “garfada” marota do Tio Manuel.
Na primeira vez que regressou a Portugal, em 1951, hospedou-se na Pensão Meira sem se anunciar, mas fazendo muitas perguntas aos empregados que acabaram por contar à patroa, a Bèlinha Meira o que se passava. Havia um brasileiro alto, magro de uma certa idade que fazia perguntas sobre a família. A minha Tia Bela foi até à sala para ver o tal brasileiro e “matou-o” logo pela “pinta”. Dirigiu-se a ele e sem mais conversa disse-lhe “Você é o nosso tio brasileiro” ao que ele simplesmente respondeu “pois sou, menina”.
Quando ele veio a Portugal já o seu irmão Abel tinha morrido há quatro anos, por isso eles separaram-se em 1923 e nunca mais se encontraram.
 
Em 1960, O Tio Brasileiro e a neta (Virgínia) no dia da sua formatura
Durante anos, após ter ido para o Brasil, a Maria Chocalha, ama de leite dele e do Abel, enviava-lhe todos os anos umas lampreias enlatadas, petisco que ele muito apreciava. A sua velha ama era-lhe muito dedicada e trocavam correspondência com frequência. Como não sabia escrever, a Maria Chocalha pedia às suas netas para escreverem as cartas que seguiam para o Brasil, de onde vinham regularmente umas latas de goiabada, enviadas pelo Tio Brasileiro.
Sei que 1948 já todos ao filhos eram adultos e tinha uma neta (pelo menos) com uns quatro ou cinco anos chamada Virgínia, filha da Margarida. Esta rapariga formou-se em Dezembro de 1960 (não sei em quê) no Rio de Janeiro e o Tio Brasileiro ainda era vivo, já teria uns 85 anos.
Hoje desconheço o paradeiro destes familiares, sendo certo que o Tio Brasileiro, já está a “fazer tijolo” há muito. Desde que para lá emigrou andou sempre na zona do Rio de Janeiro e na década de 60 ainda por lá vivia.
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 20:43

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