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Abr 08
Com a publicação deste post terminam os textos sobre o percurso de Portugal e dos Portugueses desde 1910 até 1975. Trinta e quatro anos depois do 25 de Abril de 1974 há muitos factos históricos e muitas personalidades que cairam no esquecimento, tantas vezes involuntário, tantas outras intencionais, com a colaboração de agentes do Estado que deveriam zelar pelo conhecimento e esclarecimento da nossa história contemporânea.
Junta de Salvação Nacional
 
Órgão de governo provisório instituído em Abril de 1974 pelo Movimento das Forças Armadas no momento da vitória. Constituíam-no sete oficiais superiores e generais dos três ramos das Forças Armadas: António de Spínola, Francisco da Costa Gomes e Silvério Marques, do Exército; Pinheiro de Azevedo e Rosa Coutinho, da Armada; Galvão de Melo e Diogo Neto, da Força Aérea.
A sua missão seria a de implementar o Programa do MFA, que naquela mesma data era publicamente anunciado, e que se poderia sintetizar na conquista de três Ds: Desenvolvimento, Democratização e Descolonização.

Assim, coube à Junta de Salvação Nacional a efectivação de diversas medidas destinadas a modificar as condições da vida económica, social e política nacional: dar os primeiros passos no sentido da construção de uma política económica e social ao serviço das classes trabalhadoras (fixação do salário mínimo nacional); assegurar as condições mínimas para o exercício das liberdades políticas, o que se traduz na autorização do regresso de exilados (Mário Soares, Álvaro Cunhal e muitos outros), na formação livre de partidos políticos (formar-se-ão dezenas de partidos das mais diversas orientações, ao mesmo tempo que emergem à luz do dia os clandestinos), na garantia da liberdade de acção sindical, no reconhecimento do direito à greve e na realização de eleições para uma Assembleia Constituinte que dotasse o país de uma nova Constituição; reconhecer o direito dos povos das colónias à independência e encetar os contactos diplomáticos e negociações necessários para se atingir esse objectivo.
O primeiro presidente da Junta de Salvação Nacional foi o General António de Spínola, que seria nomeado Presidente da República em 15 de Maio de 1974, precisamente no dia em que é nomeado o I Governo Provisório, que toma posse no dia seguinte.
A inflexão da política interna portuguesa para a esquerda virá, no entanto, a provocar desassossego entre camadas mais conservadoras receosas das tendências para o controle operário e a colectivização e nacionalização da economia.

O receio perante a forte influência das forças de esquerda dá origem a dois acontecimentos graves, em que a figura de António de Spínola se apresenta como factor de união de tendências díspares: a manifestação da "maioria silenciosa" de 28 de Setembro de 1974, neutralizada nas ruas, que leva à demissão de Spínola e à sua substituição por Costa Gomes; e o golpe militar de 11 de Março de 1975, rapidamente anulado por um contragolpe militar com participação de elementos civis, que força Spínola ao exílio.
É nesta última data que a Junta de Salvação Nacional é extinta, sendo substituída pelo Conselho da Revolução, que assume todas as funções e poderes do órgão extinto mas tem uma composição política diferente.
 
 
Zeca Afonso
 
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, nascido a 23 de Fevereiro de 1929 em Aveiro e falecido em 1987, foi estudante na Faculdade de Letras de Coimbra, tornando-se notado pelas suas interpretações do fado típico daquela cidade, não apenas pela qualidade da sua voz mas desde logo pela originalidade que emprestava às suas interpretações.

Essa mesma originalidade se manifestará ao longo da sua fértil obra, em que se podem encontrar canções populares de diversas regiões do País, sempre recriadas de modo inventivo, com recurso frequente a instrumentos tradicionais ou até a instrumentos e ritmos exóticos, e ainda originais criados com a finalidade de intervir na vida social e política nacional.
Ficaram célebres canções como "Os Vampiros", forte e subtil ataque à rapacidade dos detentores do poder, ou "Menino do Bairro Negro", poética denúncia da pobreza e da exclusão social, ou ainda "Grândola Vila Morena", profissão de fé na democracia, que viria a celebrizar-se como hino não oficial da Revolução de 25 de Abril de 1974.
Noutras composições, o objectivo político era claramente marcado pela forma de intervenção do autor-cantor, que as interpretava em realizações culturais ou políticas de declarada oposição ao regime (na greve estudantil de Coimbra, em 1969, por exemplo).

Apesar de galardoado por três vezes consecutivas (1969, 1970 e 1971) com um prémio oficial, a sua produção viria a ser banida dos meios de comunicação, dado o seu conteúdo indesejável para o regime; por essa mesma ordem de razões (talvez mais do que pela inovação musical), a sua popularidade viria a crescer após a reimplantação da democracia.
 
publicado por Brito Ribeiro às 13:43
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