Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

07
Mar 07
Estava a trabalhar meu escritório, quando me lembrei de uma chamada telefónica que tinha que fazer. Encontrei o número e marquei.
Atendeu-me um sujeito mal-humorado, que disse:
- Stou!!!
- Bom dia. Posso falar com a Teresa?
O gajo do outro lado resmungou algo que não entendi e desligou-me o telefone na cara. Nem podia acreditar que existia alguém tão mal-educado.
Voltei a pegar na minha agenda o número correcto da Teresa e liguei. O problema tinha sido a inversão os dois últimos dígitos do seu número. Depois de falar com a Teresa, observei o número errado ainda anotado no bloco de apontamentos sobre a minha mesa. Decidi ligar de novo. Quando a mesma pessoa atendeu, disse-lhe:
- Você é um filho da puta!!!
Desliguei imediatamente e anotei ao lado do número a expressão "filho da puta", arranquei o papel do bloco e enfiei-o por baixo da minha agenda. Assim, quando estava nervoso com alguém, ou num mau momento do dia, ligava para ele, e quando atendia, dizia-lhe "Você é um filho da puta" desligando sem esperar resposta.
Isto fazia-me sentir realmente muito melhor. Ocorre que a PT introduziu o novo serviço de identificação de chamadas, que me deixou preocupado e triste, porque teria que deixar de ligar para o "filho da puta".
Então, tive uma ideia: liguei o seu número de telefone, ouvi-o dizer "Stou" e mudei de identidade:
- Boa tarde, estou ligando do departamento comercial da PT, para saber se o senhor conhece o nosso serviço de identificador de chamadas.
- Não estou interessado! - Disse ele, e desligou de imediato, deixando-me pendurado na linha.
O gajo era mesmo mal-educado. Rapidamente, disquei novamente:
- Stou?
- É por isso que você é um Filho da puta!!! - e desliguei.
Deixe-me dar-lhe uma sugestão! Se existe algo que realmente o incomoda, sempre pode fazer alguma coisa para se sentir melhor; simplesmente liga 258921xxx ou o número de algum outro filho da puta que conheça, e diga-lhe o que ele realmente é.
 
Um dia fui até ao shopping, no centro da cidade, com a ideia de comprar umas camisas. O parque estava cheio e uma senhora demorava imenso tempo para tirar o carro do seu lugar. Cheguei a pensar que nunca mais fosse sair, tal a dificuldade das manobras executadas pela condutora.
Finalmente o carro começou a mover-se e a sair lentamente do seu espaço. Dadas às circunstâncias, decidi retroceder o meu carro um pouco, para dar à senhora todo o espaço que fosse necessário: "Boa, finalmente vai embora".
Imediatamente, apareceu um Citroen azul vindo do outro lado do estacionamento que entrou de frente no espaço deixado vago pela senhora, que tinha acabado de sair. Comecei a buzinar e a gritar:
- Ei, amigo. Não pode fazer isso! Eu estava aqui primeiro!
O fulano do Citroen simplesmente desceu do carro, fechou a porta, activou o alarme e caminhou no sentido do shopping, ignorando a minha presença, como se não tivesse ouvido.
Perante a sua atitude, pensei: "esse gajo é um grande filho da puta! Com toda certeza há uma grande quantidade de filhos da puta neste mundo!". Foi aí que reparei que o gajo tinha um aviso de "VENDE-SE" no vidro do Citroen. Então, anotei o seu número de telefone e procurei outro espaço para estacionar.
Alguns dias depois, estava sentado no meu escritório, após ter ligado o 258921xxx do meu velho amigo e dizer-lhe "Você é um filho da puta" (agora já é muito fácil marcar pois tenho o seu número na memória do telefone), quando vi o número que havia anotado do cabrão do Citroen azul e pensei: "Deveria ligar para esse gajo também".
E foi o que fiz. Depois de um par de toques alguém atendeu:
- Alô.
- Falo com o senhor que tem um Citroen azul para venda?
- Sim, sou eu.
- Poderia me dizer onde posso ver o carro?
- Sim, eu moro na Rua do Rosário, n° 527. É uma casa amarela e o Citroen está estacionado em frente.
- Como é o seu nome?
- Chamo-me Eduardo Cerqueira Marques - diz o gajo.
- Qual a hora é mais apropriada para encontrar com você, Eduardo?
- Pode encontrar-me em casa ao final da tarde, à noite e nos fins de semana.
- É o seguinte Eduardo, posso dizer-lhe uma coisa?
- Claro.
- Eduardo, você é um grande filho da puta!!! - e desliguei o telefone.
Depois de desligar, coloquei o número do telefone do Eduardo (que parecia não ter identificador de chamada, pois não fui importunado, depois de falar com ele) na memória do meu telefone. Agora eu tinha um problema: eram dois "filhos da puta" para ligar.
 
Após algumas ligações ao par de "filhos da puta" e desligar, pensei que já não era tão divertido como antes. Este problema parecia-me muito sério e pensei numa solução: Em primeiro lugar, liguei para o "filho da puta número um". O sacana, mal-educado como sempre, atendeu:
- Stou - e então disse-lhe:
- Você é um filho da puta - mas desta vez não desliguei.
O "filho da puta" diz:
- Ainda estás aí, desgraçado?
- Siiimmmmmmmm, maricão!!! - Respondi rindo.
- Pára de me telefonar, seu filho da mãe - disse ele, irritadíssimo.
- Não paro nããão, grande filho da puta!!!
- Qual é o teu nome, cachorro? - Berrou ele, descontrolado!
Eu, com voz séria de quem também está bravo, respondi:
-O meu nome é Eduardo Cerqueira Marques, seu filho da puta. Porquê???
- Onde moras, que eu vou aí foder-te, desgraçado? - Gritou ele.
- Achas que eu tenho medo de um filho da puta ranhoso como tu? Eu moro na Rua do Rosário, n°527, numa casa amarela, e o meu Citroen azul está estacionado em frente. Seu palhaço, filho da puta. E agora, vais fazer o quê???? – Gritei eu.
- Eu vou até aí, agora mesmo... É bom que comeces a rezar, porque tu já eras... - rosnou ele.
- Uuiii! É mesmo? Que medo me dás, filho da puta. Tu és um monte de merda! E vou ficar à porta da minha casa à tua espera!!! - e desliguei o telefone na cara dele.
Imediatamente liguei para o "filho da puta número 2".
- Sim? - diz ele.
- Olá, grande filho da puta!!! – Disse-lhe.
- Pá, se eu te encontrar vou...
- Vais o quê? O que vais fazer??? Seu filho da puta!
- Vou dar-te tantos pontapés nessa boca até ficares sem nenhum dente!!!
- Achas que eu tenho medo de ti? Vou-te dar uma grande oportunidade de tentares dar-me um pontapé na cara, pois vou agora para a tua casa, seu filho da puta!!! E depois de te rebentar o focinho, vou partir todos os vidros desta porcaria de Citroen que tens. E reza para eu não pegar fogo a essa casa amarelinha de paneleiro. Se fores homem, espera-me na porta dentro de 5 minutos, meu filho da puta!!! - e desliguei o telefone.
De seguida fiz outra ligação, desta vez para a polícia. Usando uma voz afectada e chorosa, disse que estava na Rua do Rosário, n° 527 e que ia matar o meu namorado homossexual e incendiar-lhe a casa.
Finalmente peguei no telefone e liguei para a SIC contando que ia começar um desacato entre um marido, que ia voltar mais cedo para casa, para apanhar em flagrante o amante da mulher, que morava na Rua do Rosário, n° 527. Depois de fazer isto, meti-me no meu carro e fui para Rua do Rosário, um pouco mais acima do n° 527, para gozar o espectáculo.
 
Foi reconfortante, observar um par de "filhos da puta" à chapada em frente de uma equipa de reportagem da televisão, até a chegada de 2 carros da polícia, uma carrinha do corpo de intervenção, dois carros dos bombeiros e duas ambulâncias que acabaram por levá-los (algemados) para as urgências do hospital onde ficaram internados, dada a gravidade dos ferimentos.
 
Moral da história? - Não tem moral nenhuma! Foi mesmo para lixar dois filhos da puta…
E tu, vê se atendes o telefone educadamente, pois posso ser eu a ligar-te por engano...
 
publicado por Brito Ribeiro às 20:42
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