Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

25
Mar 08
Designação
Farol de Montedor
 
Localização
Viana do Castelo, Freguesia de Carreço, Lugar de Montedor
 
Protecção
Inexistente
 
Enquadramento
Rural, isolado, integração harmónica na periferia do aglomerado, no topo de colina destacada, sobranceira à orla costeira, coberta de mato e pinhal, estando ladeado por duas antenas de telecomunicações. O edifício do Farol está inserido em amplo terreno murado, de contorno rectangular irregular, delimitado por muro de alvenaria de granito, rebocado e pintado de branco na frontaria, apresentando a envolver os edifícios espaços de uso dos faroleiros; estes, encontram-se relvados e ajardinados, com hortas, capoeiras, lavadouro, cisternas, um pequeno parque infantil, instalações oficinais e garagens, com áreas de circulação em terra batida e pontuado por algumas árvores.
 
Descrição
Edifício de planta em U invertido, fechado, integrando, ao centro e avançado da ala S., torre de farol, quadrangular. Volumes articulados horizontalmente, com coberturas de duas, três e quatro águas, e torre com cobertura em telhado semicircular, metálico, rematado por catavento metálico sobre acrotério esférico.
Fachadas das alas de um piso e a torre de quatro registos, em cantaria, de fiadas pseudo-isódomas, envoltas por passeio de lajes graníticas, percorridas por soco avançado, embasamento ressaltado, com cunhais em cantaria fendida e terminadas em duplo friso e cornija, as alas do U rematadas por platibanda plena, com friso e superiormente capeadas a cantaria.

Fachada principal virada a N.-NE., com os topos das alas do U, rasgados por duas janelas de peitoril, de verga abatida, moldurada, encimadas por silhares de cantaria dispostos em cunha; o pátio do U, rectangular, é cerrado a N. por muro de alvenaria de granito, encimado por gradeamento de ferro, intercalado por pilares de aparelho almofadado e cornija saliente, com portão central, de ferro forjado, enquadrado por pilares iguais, mas mais altos, ornados, frontalmente, por motivo circular, ressaltado, e com remate prismático, ostentando, a do lado esquerdo, cartela, em mármore, com a inscrição PATRIMÓNIO DO ESTADO.
As alas viradas ao pátio são rasgadas regularmente por janelas de peitoril e portas, ambas com verga abatida, molduradas, integrando bandeira, rasgando-se na face frontal do U, com pano central mais avançado, porta entre duas janelas de igual modinatura, mas mais estreitas. As restantes fachadas são rasgadas por vãos semelhantes, mas num compasso irregular.
Torre em cantaria, formando alambor, com cunhais salientes, em falsa alheta, em silhares almofadados, de aresta viva e junta alargada; apresenta soco avançado, embasamento em silhares almofadados, definido superiormente por friso de perfil curvo, e termina em múltiplos frisos encimados por cornija escalonada e balançada, sobrepujada por platibanda plena de cantaria; é rasgada no 1º, 2º e 3º registo de todas as fachadas por janelas rectangulares rematadas em arco de volta perfeita, molduradas, e no último registo por janelas de idêntico formato, na fachada S., e por janelas rectangulares jacentes, molduradas, nas restantes.
O aparelho óptico está instalado a cerca de 25 metros de altura do solo, no interior de cúpula cilíndrica, metálica e pintada de vermelho, de dois registos, sendo o inferior rasgado por porta rectangular, metálica, e o superior envidraçado e rasgado por porta rectangular de acesso ao varandim que a rodeia, sendo este sustentado por prumos, com pavimento em chapa metálica e guarda em ferro forjado.
INTERIOR com vestíbulo, de pavimento em marmorite, de motivo enxaquetado branco e rosa, moldurado, paredes rebocadas e pintadas de bege, com silhar de azulejos de estampilha verde e branca e friso verde, e tecto de gesso, de tramos arqueados, entre perfis de ferro. A partir do vestíbulo desenvolvem-se, simetricamente, em eixo, compartimentos de trabalho *1, servidos por corredores que, partindo de portas de verga recta, confrontantes, correm junto da fachada N. da ala S., e em cujas extremidades se abrem portas de verga recta conduzindo às alas E. e O., onde se instalam as residências dos faroleiros.
Ainda no vestíbulo rasga-se, axialmente e confrontante com a porta principal, amplo vão pétreo, em arco de volta perfeita, com fecho saliente, sobre pilastras, que abre para pequeno vestíbulo, com pavimento e silhar idênticos aos do espaço precedente, que conduz a vão confrontante, de igual estrutura, mas menor dimensão, cerrado por porta de madeira envidraçada que dá acesso à caixa de escada da torre.
A caixa de escadas da torre tem pavimento em marmorite, rosa e branco, decorado com a rosa-dos-ventos entre dois círculos, paredes revestidas a azulejos monocromos brancos, com escada helicoidal, pontualmente marcada por pequenos patamares, de degraus pétreos com cobertor de rebordo boleado, guardas em balaústres metálicos e corrimão em cobre.
 

 
Cúpula com piso inferior de pavimento em chapa metálica e paredes revestidas a reguado de madeira envernizada, albergando motores de rotação e aparelhagem de incandescência, com escada metálica, de um lanço, de acesso ao piso superior, de pavimento e paredes em chapa metálica e com ampla vidraça em todo o seu perímetro; tecto metálico, abobadado, sobre estrutura de perfis metálicos em I, arqueados, albergando aparelho óptico em cristal direccional rotativo, sobre base metálica.
 
Descrição Complementar
Pátio empedrado, com cisterna central, coberta por volume rectangular, pintado de branco e com porta de visita, frontal, em chapa metálica. A porta principal do átrio inscreve-se em corpo ligeiramente saliente do restante pano da fachada, tendo, sobre a cornija, mastro de bandeira, em ferro. A fachada N. da torre apresenta, sob a janela do primeiro registo, painel de azulejos, branco com orla fitomórfica a azul e inscrição: FAROL DE MONTEDOR.
Os compartimentos de trabalho da ala S. possuem pavimentos em mosaico cerâmico, paredes rebocadas e pintadas, com silhar de azulejos monocromos branco e tectos de gesso formando tramos, arqueados, entre perfis de ferro, tendo os corredores desta ala solução semelhante, excepto nos azulejos que apresentam estampilha azul e branca.
 
 
Os compartimentos das residências do faroleiros apresentam portas de verga recta, molduradas e portas de madeira, pavimentos em taco de madeira e em mosaico cerâmico, paredes rebocadas e pintadas e com silhar de azulejos e tectos em gesso e pintados. O registo superior da torre do farol apresenta piso com pavimento em mosaico cerâmico, e, encastrado na parede, armário, em madeira envernizada, tendo remate superior do paramento em cantaria, de contorno circular e aresta boleada, processando-se a comunicação com a cúpula por intermédio de escada metálica, de um lanço.
 
Utilização Inicial
Equipamento: Farol
 
Utilização Actual
Equipamento: Farol
 
Propriedade
Pública: estatal
 
 

 

 
 
Época Construção
Século XX
 
Arquitecto | Construtor | Autor
CASA: Barbier, Bénard & Turrene. ENGENHEIRO: José Ribeiro de Almeida (1908).
 
Cronologia
1758, 1 Fevereiro - alvará da Junta Geral da Fazenda manda construir este farol, juntamente com mais seis (Berlengas, Nossa Senhora da Guia, São Lourenço, São Julião da Barra, barra do Porto e costa de Viana); apesar disso, nem o farol de Montedor nem os outros foram construídos;
1826, 12 Dezembro - novo decreto ordenando mais uma vez a construção do farol;
1882, 21 Janeiro - a Comissão de Faróis e Balizas deu a sua aprovação ao parecer da subcomissão encarregada de elaborar o plano geral de iluminação da costa de Portugal, em que era incluído o de Montedor;
1884, 28 Janeiro - a Comissão de Faróis e Balizas voltou a debruçar-se sobre o farol de Montedor;
1902 - Nomeação de comissão, presidida pelo Capitão Mg. Joaquim Patrício Gouveia e de fazia parte o capitão-de-fragata. Júlio Zeferino Schultz Xavier e o 1º tenente Francisco Aníbal Oliver, que a secretariava, para definição da localização do farol e execução do respectivo projecto; 1903, 9 Julho - em sessão, determina-se a localização e o equipamento a instalar em Montedor;
1908 - Conclusão do projecto do farol pelo Engenheiro José Ribeiro de Almeida;
1910, 20 Março - início do funcionamento do farol, tendo a sua construção orçado em 22 contos de réis; o primitivo aparelho óptico, adquirido à casa Barbier, Bénard & Turrene, por 35977 francos franceses, proveio do farol de São Vicente, sendo constituído por um candeeiro a petróleo de nível constante, de 4 torcidas, com um alcance médio de 26 milhas;
1917 - Um furacão provocou profundos danos nos edifícios;
1919 - Instalação de equipamento sonoro;
1926 - Redução no sistema óptico de 3 para 2 relâmpagos;
1936 - Alteração do sistema iluminante para incandescência pelo vapor de petróleo;
1939 - Construção de uma casa para o rádio farol;
1942 - Instalação de um rádio farol;
1947 - Ligação à rede eléctrica de distribuição pública, passando a utilizar uma lâmpada de 3000 W e vedação dos terrenos do farol com muro perimetral;
1952 - Desmontagem do sinal sonoro a ar comprimido e montagem de uma sereia eléctrica; 1959 - conclusão da construção da torre destinada ao sinal sonoro;
1983 - Utilização de uma lâmpada de quartzine de 1000 W;
1987 - Remodelação do sistema eléctrico com montagem de sistema automatizado, modelo DF de 2 relâmpagos brancos e alcance luminoso de 22 milhas, e o correspondente sinal sonoro é um modelo CEFA 1000;
1998 - Construção da garagem para os faroleiros;
2001 - Desactivação do rádio farol.
 
Tipologia
Arquitectura civil de equipamento, novecentista. Farol costeiro, com torre de planta quadrangular, fachadas em alambor e de quatro registos, com cunhais em alheta e terminada em friso, cornija e platibanda plena, com cúpula cilíndrica, de dois andares, onde tem sistema de iluminação de óptica em cristal direccional rotativa, colocada ao centro e avançado de edifício de planta em U invertido, fechado, com fachadas de um piso em cantaria, cunhais em cantaria fendida, terminadas em duplo friso, cornija e platibanda plena e rasgada regularmente por vãos de verga abatida, moldurados.
 
 
 
Características Particulares
O Farol de Montedor é o farol mais setentrional da costa do continente português e constitui um dos mais interessantes exemplares nacionais deste tipo de edifícios, representando uma marca significativa da orla costeira do litoral minhoto, não só pelas elegantes características arquitectónicas da massa construída, bem como pela exuberante cenografia proporcionada pela sua extraordinária envolvente paisagística.
No interior, destacam-se alguns aspectos decorativos, de excelente qualidade, como a porta de acesso à caixa de escadas da torre patente nas molduras e almofadas entalhadas e ferragens em cobre, gravadas com motivos fitomórficos, no armário, em madeira envernizada, encastrado numa das paredes do registo superior da torre, com portas, gavetas, prateleiras, orlas e remates decoradas com entalhados de fino recorte.
Refira-se ainda a própria escada e guarda da torre, em balaústres metálicos e corrimão em cobre, com pavimento na caixa das escadas em mármores rosa e branco, formando uma rosa dos ventos.
 
Dados Técnicos
Estrutura mista e paredes autoportantes.
 
Materiais
Estrutura em cantaria de granito; paredes interiores rebocadas e estucadas; molduras dos vãos em granito; silhar de azulejos; portas e janelas de madeira envidraçadas e em chapa matálica; gradeamento e portão em ferro forjado; pavimento em marmorite, mosaico cerâmico, taco de madeira e em chapa metálica; tectos em estrutura metálica e gesso; escadas metálicas e de pedra com guardas metálicas; cobertura exterior em placas de fibrocimento e metálica, cúpula em ferro forjado, envidraçado; varandim e cata-vento em ferro.
 
Bibliografia
Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1º Volume, Lisboa, 1959; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959, 2º Volume, Lisboa, 1960; VILHENA, Francisco João, e LOURO, Maria Regina, Faróis de Portugal, Lisboa, 1995, p. 33; AGUIAR; J. Teixeira de, NASCIMENTO, J. Carlos, e SANTANDREU, Roberto, Onde a terra acaba. História dos faróis portugueses, Lisboa, 1998, p. 20-27
 
Intervenção Realizada
DGEMN: 1957 - Obras de conservação pelos Serviços de Construção e Conservação; Comissão Administrativa das Novas Instalações para a Marinha: 1959 - abastecimento de água às residências anexas ao Farol; vedação do muro à volta do farol com rede.
 
Observações
*1 - Estes compartimentos destinavam-se a área funcionais necessárias ao quotidiano do farol, estando, actualmente, uma delas ocupada com pequena mostra museológica onde se expõem antigos equipamentos.
 

 

publicado por Brito Ribeiro às 15:10

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