Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

19
Fev 08
Desde Maio que andava com vontade de ir acampar um fim-de-semana, mas o tempo teimou sempre em estar uma porcaria.
Se durante a semana ainda dava, de vez em quando um ar de graça, mal se aproximava o fim-de-semana aparecia a chuva, o vento e o frio. Este ano realmente o verão esteve um nojo, para não dizer outra coisa.
E se a vontade de ir passar uns dias em contacto estreito com a natureza já é habitual, este ano estava reforçada, porque tinha feito alguns investimentos em material novo. A começar pela tenda que foi substituída por um modelo espaçoso da Quechua. Mas não fui só eu a comprar tenda nova!
Durante o Inverno, em conjunto com o Zé Alfredo e o Pedro tínhamos ido meter o nariz em várias lojas e vasculhamos todos os sites possíveis na Net sobre o tema.
Acabamos por ir parar à loja Decathlon na Maia e adquirimos uma montanha de “tarecos” novos, a começar pelas tendas. Eu e o Zé Alfredo adquirimos duas tendas iguais, o Pedro optou por um modelo tipo túnel ainda maior. Eu hei-de mostrar-vos as fotografias!
Também comprei umas cadeiras novas, um colchão, mais um saco cama e já não sei que mais. O Pedro e o Celestino também compraram mais umas coisas e acabaram a discutir se haviam de comprar ou não um fogão eléctrico de duas bocas. Podia dar-lhes para pior!
O Zé Alfredo comprou uma mesa da Quechua toda moderna, em alumínio, que se fecha e que é muito prática para arrumar. Acho que também comprou uma gambiarra nova porque o foco todo futurista que tinha comprado aos marroquinos tinha dado o “peido mestre”.
 
Um sábado de tarde decidimos ir até ao pinhal da Gelfa experimentar as tendas, só para ver como é que aquilo se montava. Como estava uma ventania do caraças, pouco faltou para irmos buscar as tendas lá acima à Cividade. Decidimos então ir experimentá-las no Calvário, ao pé das casas de banho, que continuam com um aspecto completamente ranhoso.
O teste correu bem e viemos todos entusiasmados e cheios de planos na cabeça, só que os fins-de-semana iam passando e, na maior parte das vezes, o tempo estava miserável. De uma ou duas vezes que o tempo se aguentou, algum de nós estava impedido e não dava para ir.
Até que em meados de Julho decidimos arriscar apesar da previsão meteorológica ser tudo menos animadora; sexta-feira bom tempo, sábado assim-assim e chuva para domingo. Bem, os gajos fartam-se de se enganar, podia ser o caso.
Eu decidi “tirar” a sexta-feira, peguei nas tralhas e nos meus filhos e arranquei depois do almoço, em direcção Galiza; já estava no ferry boat quando enviei um SMS ao Pedro a perguntar se demorava muito, ao qual ele me respondeu que estava em casa à minha espera, já com o carro carregado e tudo! Porreiro, assim é que é começar! Disse-lhe para se pôr a andar, porque eu já estava em território “estrangeiro”.
O tempo estava magnífico e o calor apertava enquanto montávamos o nosso enorme T2 Quechua. Tínhamos terminado quando chegou o Pedro e a Inês, a miúda dele, que tem quatro anos.
Montar aquele bacamarte não é muito complicado mas exige alguma perícia, coisa que o Pedro possui em quantidades reduzidas para estas tarefas, por isso ficou muito aliviado quando viu o seu palácio bem esticadinho.
Lá dentro, alem do seu quarto, arranjamos uma sala com televisão, computador portátil e antena. Apenas esqueceu o Kanguru do meu filho para a ligação à Net, apetrecho que pedi por telefone à Paula (a minha mulher) e que iria chegar mais tarde, pois só saía do trabalho às cinco e meia.
 
Enquanto não vinha o Zé Alfredo fomos para a piscina e estávamos todos refastelados na água quando ele chegou. Fomos ajudá-lo a montar a tenda que ficou de frente para a minha e de lado para a do Pedro. No conjunto as três tendas formavam um U, ficando um bom espaço central para a área social, mesas e cozinha incluída. A tenda do Zé Alfredo ficou ligeiramente inclinada devido a um desnível do terreno, coisa pouca e que não nos preocupou.
O jantar foi rápido para ele, para a Cristina e a Carina porque tinham actuação do Orfeão em Tuy e limitaram-se a petiscar qualquer coisa. Duas tortilhas feitas pela minha sogra e uma empada de frango feita pela Paula. Os habituais panados ficaram para mais tarde.
Mais tarde chegou a Mariazinha, a mulher do Pedro, que é pouco dada a estas comunhões com a natureza, vinha buscar a Inês que tinha comido este mundo e o outro. Pelos meus cálculos tinha comido quase tanto como o pai e olhem que ele é um bom garfo (faca, colher e tudo). Aquela miúda precisa é de ar livre!
Enquanto esperávamos por os nossos amigos orfeonistas, demos umas voltas porque a noite convidava, desenferrujamos a língua na esplanada e quando chegaram, já depois da meia-noite, vinham cheios de fome porque, mais uma vez, os comes e bebes não chegaram nem para a cova de um dente. Tinha sido um beberete de “arreda queixos”, lá foram mais uns panados e acabou a empada de frango.
 
No dia seguinte comentamos que a mesa do Zé Alfredo, aquela que tinha comprado na Decathlon, era super, só tinha um inconveniente, era muito baixa e nem sequer dava para meter as pernas por baixo. Ao almoço comemos uma paelha deliciosa e começamos a aturar as mulheres com as manias costumeiras, “limpa os pés antes de entrares na tenda”, “arruma isto”, “leva aquilo”; é o que dá levá-las, nem descansam nem dão descanso!
Durante a tarde começou a ventar e o céu a encobrir-se. Já não fui à piscina, preferi ficar na tenda a ler. Já me esquecia de dizer que a Paula tinha levado o Kanguru, mas tinha deixado em casa o link de USB e por isso não tínhamos NET.
Só televisão com os canais “apanhados” por aquela parabólica comprada no chinês, no ano passado, pelo Pedro. O jantar foi um bocado tristonho porque jantamos dentro da tenda do Pedro, já que no exterior estava frio e cada vez mais vento. A noite foi preenchida com jogos de cartas e muita treta. E alguma cerveja também!
 
A meio da noite, por culpa da cerveja, tive de ir ao WC ali perto e quando regressava ao aconchego do saco cama, senti alguns pingos de chuva na cara.
Adormeci despreocupado e mais tarde senti a barulheira da chuva a cair sobre a tenda. Há quantos anos que não sentia isso, já tinha saudades e até de manhã a chuva não mais nos abandonou.
Como estava no seco, deixei-me sornar até que ouvi vozes dos meus companheiros no exterior. A Paula levantou-se, eu ainda me demorei, quando saí vi as “tropas” concentradas na tenda do Pedro e meia tenda do Zé Alfredo debaixo de água.
A tal pequena depressão que vos falei, acabou por se transformar num enorme charco, transformando a novíssima tenda, numa espécie de Titanic de tamanho familiar.
Depois do pequeno-almoço não houve outro remédio que desmontar tudo e meter de qualquer maneira nos sacos.
Chegados a casa fui directamente à garagem estender a tenda encharcada e lembro-me agora que a mesa rasteira do Zé Alfredo afinal tinha pernas de esticar, descobrimo-lo só no sábado à noite, o que alegrou o feliz proprietário, que perante tal descoberta exclamou simplesmente: “ Bem me parecia, pelo preço que me custou”.
E andou ele dois dias a comer de pernas abertas, todo inclinado para a frente, com o cu a um quilómetro da mesa!
publicado por Brito Ribeiro às 23:22
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Olá, Tó-Zé!
Mais uma aventura real muito bem contada e com graça.

Abraço
António a 23 de Fevereiro de 2008 às 13:50

Nestes acampamentos sempre acontecem coisas inesperadas. Só é preciso estar bom tempo e... lá vamos nós!

Abraço
Brito Ribeiro a 23 de Fevereiro de 2008 às 17:32

Quem escreve assim não é gago!

Parabéns!
elmanofilo a 24 de Fevereiro de 2008 às 10:02

Obrigado pela visita e comentário.

Abraço
Brito Ribeiro a 24 de Fevereiro de 2008 às 10:18

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