Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

08
Dez 07
Mais uma vez decidimos ir até A Guarda, na Galiza por altura das festas locais, mais ou menos em meados do mês de Agosto, as já famosas Festas do Monte.
Apesar das intenções reiteradas durante muito tempo, aconteceu que alguns dos habituais interessados acabaram por ficar em casa, devido à eminência de “conflitos diplomáticos” internos (lá da casa deles) e sobre os quais não vou tecer mais nenhum comentário.

Como estava cá um sobrinho meu que vive em França e o miúdo não costuma ter este tipo de convivência, decidi levá-lo comigo. Para uma criança de nove anos que nunca tinha acampado, que só fala francês, ir com uns tios portugueses para Espanha, pode ser um bocado confuso, mas no mínimo, é uma aventura.
Depois dos preparativos inerentes à preparação de uma semana de férias, lá arrancamos os quatro, eu a Paula, a Joana e o Lidick no nosso velho Audi, que mais uma vez ia carregado(íssimo).

O Zé Alfredo e a tropa dele já lá estavam desde o dia anterior e tinham reservado um local para nos instalarmos à vontade. O parque não estava cheio, mas estava bem preenchido. Onde se notava mais era na piscina ou no bar e este ano haviam poucos portugueses, pelo menos foi o que me pareceu.
 O Lidick tinha ficado mudo de espanto quer na travessia do ferry-boat, quer na instalação do acampamento no parque, para nós banal, mas para ele um desfiar de novidades. Embora sem se afastar, era vê-lo de pescoço esticado e olhos bem abertos a registar todas as novidades. Até se esquecia de ajudar a montar a tenda e arrumar as tralhas.
Ao nosso lado estava a tenda do Pedro, que a tinha deixado montada para quando quisesse lá ir passar um ou dois dias. É o que dá ter tendas complicadas de montar! Mais vale deixá-las armadas, mesmo que isso custe alguns euros suplementares. Como também tinha deixado ficar um grelhador aproveitamo-lo um dia para grelhar umas febras que ficaram divinais.
O Zé Alfredo, a Cristina e a Carina tinham ido no dia anterior jantar uma mariscada a um restaurante no porto de A Guarda e ainda estavam um pouco enfastiados, mas conhecendo-os como eu os conheço, sabia que rapidamente iriam retomar o apetite habitual.
Estávamos com um problema suplementar, motivado pela azáfama de limpeza que as mulheres transportaram para o acampamento. Acho que já uma vez me queixei disso, mas agora já não tem remédio. “Limpa os pés, arruma isto, não deixes aquilo aí”, etc, etc., só visto.

Bem, a solução foi pirarmo-nos para a piscina, onde as brincadeiras se sucediam sem que ninguém parecesse ter frio, mesmo depois de muito tempo dentro de água. O Lidick era o mais animado e gozava de uma liberdade a que não estava habituado. Posso-vos dizer que o puto estava positivamente encantado, comia como um leão e quando caía na cama, dormia como uma pedra até ao dia seguinte.
No dia da Festa do Monte desde manhã que ouvíamos os grupos de bombos participantes, a subir ao Monte de Santa Tecla, em Galego Santa Trega. Ora os ouvíamos com mais intensidade, ora os ouvíamos de forma mais abafada, como se estivessem mais longe.

À noite arrancamos (a pé) até ao sopé do Monte onde tencionávamos assistir à descida dos romeiros, em grupos organizados por freguesias ou por associações e que vinham mais ou menos etilizados, melhor, vinham todos encharcados, por dentro e por fora, de vinho tinto, outra tradição desta festa.

Passamos momentos verdadeiramente animados que procuramos registar em fotografia e depois demos uma volta pela vila, até estacionarmos na já habitual praça para ouvir o concerto de duas orquestras de baile.
Quando as pernas já não aguentavam mais e os olhos já piscavam de sono, abalamos de regresso até ao parque, pois ainda são uns dois quilómetros ou mais.

Este ano tivemos que regressar a casa mais cedo, pois o tempo estava a ameaçar chuva o que efectivamente veio a acontecer um dia depois de termos levantado o acampamento. Na realidade os meses de Junho, Julho e Agosto estiveram uma grande porcaria, se não chovia, havia vento; se não havia vento, havia nevoeiro; não me lembro de um verão como este.

Quem ficou triste foi o Lidick, por ele tínhamos ficado, nem que chovesse a potes. Claro que lhe prometi que no próximo ano o levarei outra vez à Festa do Monte ou a qualquer outra festa, ele quer é sentir a liberdade e o sossego que não tem lá em casa. Também eu!
 
publicado por Brito Ribeiro às 17:21
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