Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

10
Out 07

 

Na semana passada “caiu” no meu e-mail um texto sobre o projecto do TGV que, me levou a escrever estas simples linhas, porque já tinha opinião formada sobre o assunto.
De facto o TGV é mais uma asneira que o nosso governo nos quer impingir, como se fosse a panaceia para os problemas de acessibilidades e de competitividade da nossa pobre economia.
Fala-se num custo estimado de 7,5 mil milhões de euros, mas todos sabemos que em obra pública isso poderá significar 10 ou 12 mil milhões, com as habituais e previsíveis derrapagens financeiras.
Só quem, por distracção ou por ignorância, não souber que Portugal não tem dimensão física para um meio de transporte tão especializado, é que pode defender esta opção.
Distracção, ignorância ou vontade de servir os interesses espanhóis que estão desejosos de estender as suas linhas em território português, ainda por cima, à custa do orçamento dos “nabos” portugueses. São os únicos interessados neste negócio e até se dão ao luxo de dizer por onde deve ou não deve passar o TGV, consoante os seus interesses.
Mas que raio importa aos dez milhões de portugueses que a viagem entre o Porto e Lisboa se faça em menos meia hora???
Em que é que isso contribui para a melhoria da nossa qualidade de vida?
Mesmo aos utentes que esporadicamente fazem a viagem isso pouco importa. É como a viagem de avião entre o Porto e Lisboa. Demora trinta ou quarenta minutos, mas é preciso estar no aeroporto duas horas antes e depois a bagagem demora a chegar mais meia hora, no mínimo. Digam-me lá se é relevante o tempo gasto na viagem?
Outro aspecto que me incomoda é saber que a linha do norte sofreu obras de requalificação no valor estimado de 120 milhões de contos, para adaptação a comboios de alta velocidade tipo pendular e deixaram as obras a meio, não realizando a construção de algumas pontes e não rectificando o traçado em algumas curvas.
Quem já viajou no Alfa sabe que tanto corre a 200 quilómetros por hora, como desacelera, sem motivo aparente, até uns insignificantes 60 ou 80 quilómetros. É nessa linha que devia ser investido aquilo que falta, para o Alfa pendular se tornar um transporte moderno, confortável rápido e que estenda para fora do habitual corredor Porto-Lisboa.
Do Minho ao Algarve e ligação transversal a Espanha e resto da Europa é aquilo que se impõe e que é necessário. Tudo o resto são megalomanias parolas que continuam a delapidar as finanças publicas.
Em minha opinião o investimento público a realizar no TGV devia ser canalizado prioritariamente para saneamento básico, transportes públicos nas áreas metropolitanas, educação e formação profissional.
Certamente que se poderiam melhorar imenso estas áreas e ainda poupar “algum”, contribuindo para o equilíbrio do deficit publico, uma paranóia que nos entrou em casa há meia dúzia de anos.

Mas é claro que neste país, que faz Centros Culturais faraónicos, Parques de Exposições megalómanos, Casas da Musica que custam “pipas”, estádios de futebol à “fartazana” e deixam os velhinhos a viver em casas arruinadas com reformas de 200 Euros, deixam o saneamento ser lançado para os rios sem tratamentos, deixam que haja filas de espera de anos para uma simples cirurgia, não pode de modo algum defraudar as expectativas e abandonar um projecto que vai, na boca dos seus defensores, relançar a nossa economia.
Mas essas expectativas são as dos grandes grupos económicos, interessados em fornecer tecnologia e serviços para o TGV e não as minhas expectativas.
Quanto ao relançamento da economia, mais vale nem dizer nada...
publicado por Brito Ribeiro às 16:43
tags:

Outubro 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
11
12

14
15
16
18
20

21
22
25
26
27

29
31


Relógio
Visitantes
contador de visitas gratis
Hospedagem de Sites
O Tempo
miarroba.com
Buffering...
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO