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Set 07
 


Como vimos no anterior post sobre Cândido dos Reis, quis o destino que a sua vida ficasse para sempre ligada à de Miguel Augusto Bombarda que nasceu no Rio de Janeiro a 6 de Março de 1851, estudou na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde viria a ser professor.
Como médico, dedicou-se principalmente a doenças do foro nervoso, especializando-se em psiquiatria sendo por isso convidado para director do Hospital de Rilhafoles, onde criou o Laboratório de Histologia em 1887. Deixou publicados vários escritos, entre os quais: ''A Contribuição ao Estudo dos Microcéfalos'', ''Consciência e Livre Arbítrio'' e foi o fundador da revista ''Medicina contemporânea''.
Foi presidente e secretário-geral da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa e organizou o "XV Congresso Internacional de Medicina e Cirurgia" que se reuniu em Lisboa em 1906. Foi activo secretário-geral e animador da Liga Portuguesa contra a tuberculose e, nessa qualidade organizou vários congressos nacionais que tiveram grande êxito.
Republicano convicto, foi um acérrimo anti-clerical, mas apenas em 1908 entrou na vida política activa. Tornou-se membro do Partido Republicano Português em 1909, tendo sido eleito deputado em Agosto de 1910 embora nunca tivesse tomado posse, assim como o Almirante Reis.
Membro do comité revolucionário que implantou a República em Portugal, em 5 de Outubro de 1910, é considerado o seu chefe civil.
Não chegou, contudo, a assistir à vitória dos republicanos por ter sido assassinado no seu gabinete por um dos seus doentes, um tenente do exército que sofria de esquizofrenia, em 3 de Outubro de 1910, poucas horas antes do início da revolta.
Teve um funeral conjunto ao de Cândido dos Reis, no dia 6 de Outubro.
As mortes destes dois ilustres republicanos contam-se entre os 76 mortos e cerca de 300 feridos de ambos os lados, que provocou o golpe que derrubou a monarquia.


Em Vila Praia de Âncora foi dado o nome de Miguel Bombarda à rua que começa na Praça da República até ao extremo da freguesia em direcção a Vile e restantes freguesias do Vale do Âncora.
A Atribuição desta toponímia, assim como a de Candido dos Reis, tem o cunho da 1ª República e muito provavelmente a influencia local do Dr. Luis Ramos Pereira.
Para terminar, conferimos uma pequena cronografia dos acontecimentos que antecederam a implantação da República:

1910.10.02 A revolução é marcada para o dia 4, à 1 hora da madrugada.
1910.10.03 Miguel Bombarda, médico republicano, é assassinado. Às 20h realiza-se a última reunião dos conspiradores.
1910.10.04
00.45 h Revoltas nos quartéis da Infantaria 16 (Campo de Ourique), Artilharia 1 (Campolide) e Marinha (Alcântara)
05.00 h Acampamento na Rotunda
07.00 h Encontrado morto o republicano Cândido dos Reis, na Rotunda.
08.00 h Oficiais do Exército abandonam a Rotunda.
10.00 h 50 manifestantes são alvejados a tiro nos Restauradores.
12.30 h Ataque à Rotunda pelos monárquicos comandados por Paiva Couceiro (dura até às 16h).
14.00 h Navios revoltosos bombardeiam o Palácio das Necessidades. D. Manuel II refugia-se em Mafra.
16.00 h A Marinha bombardeia o Terreiro do Paço.
21.00 h O navio D. Carlos é capturado pelos republicanos.
1910.10.05
06.00 h Combates de artilharia na Avenida da Liberdade.
08.00 h A República é proclamada na Câmara Municipal de Lisboa, por José Relvas.
publicado por Brito Ribeiro às 15:03
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