Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

18
Ago 15

 

"As sociedades necessitam de símbolos para representarem os seus valores. A arquitectura, a estatuária, a pintura, a arte em geral também cumprem esse papel de dar forma e local de culto ao que uma sociedade considera ser a sua essência, aquilo que pode ser designado pela sua alma. 

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Em África, por exemplo, certas culturas têm as suas árvores sagradas. Na Guiné, na Senegâmbia, chamam-lhes Irã. É ali que repousam os espíritos dos antepassados e ali que eles podem ser chamados a pronunciar-se sobre o presente e a transmitir aos atuais a sabedoria que recolheram da vida, a aconselhar, a julgar.

 

Os panteões começaram por ser os locais de reunião dos vários deuses de uma dada região e de uma dada cultura, ou civilização. Foram um primeiro passo para o monoteísmo. Ali se reuniam todos os veneráveis, num único lugar. Diferiam dos templos porque, ao contrário destes, não tinham altar, não eram lugar de sacrifício, nem de oferendas, apenas de veneração, de unanimidade sobre um certo modo de viver, que aqueles seres divinizados representavam.

 

Os modernos panteões retomaram esse espirito numa vertente laica e republicana. Pretenderam reunir aqueles que uma dada nação considerava como os seus faróis, aqueles que foram orientando a sociedade e dotando-a de uma identidade. Aqueles que foram capazes de decantar a essência do seu povo.

 

A ideia de reunir esses símbolos é em si mesmo louvável. Mas é necessário deixar que o tempo faça o seu trabalho, limpando o efémero. É necessário envelhecer bem para merecer o Panteão. Um panteão não é uma caderneta de cromos com os bonecos dos futebolistas que jogaram nesse anos na primeira divisão.

 

Vem isto a propósito da nova moda dos panteonáveis. Tenho a minha opinião sobre os que lá estão, os da primeira vaga e os da segunda, mas não é sobre um referendo a propósito de inclusões ou exclusões que me parece saudável discutir, mas sobre o conceito de “ir para o panteão”. O ir para o panteão, já, como se ouviu após a morte de Eusébio e agora com a morte de Manuel de Oliveira é o correspondente ao sanctus súbito da Igreja Católica, que deu por vezes péssimos exemplares de santos. O outro perigo é o de transformar o Panteão numa montra dos famosos da época, de amigos de um dado regime... ou num local da moda. Num cemitério de personalidades – em vez de ser uma fonte, uma árvore numa floresta sagrada.

 

É evidente que todas as personalidades ultimamente panteonadas são ilustres, a questão não é essa, é a de a sociedade portuguesa entender que o Panteão passou a ser o jazigo dos ilustres. Isto é, se o Panteão português passou a ter outra finalidade...

 

É que, se o Panteão passou a ser o cemitério do PéreLachaise de Portugal..., convém desimpedir o campo à volta de modo a albergar a vaga de famosos que mais cedo ou mais tarde falecerão e que terão tanto direito como outros a ali figurar! Lembro, sem nenhum desejo de lhes apressar o fim, longe vá o agoiro, atletas como Carlos Lopes, Rosa Mota, Joaquim Agostinho, atores e actrizes como Rui de Carvalho, ou Eunice Munõz, ou Maria de Medeiros, filósofos como Eduardo Lourenço, músicos como Chaínho, pintores como Pomar, escritores como Agustina e, pergunto, onde estarão, entre outros, o Zeca Afonso, ou Agostinho da Silva, ou Saramago, ou Eugénio de Andrade, ou Natália Correia, ou Amadeo de Souza Cardoso, administradores como Azeredo Perdição, ou engenheiros de grandes obras como Edgar Cardoso, enfim a lista podia continuar com os acrescentos e exclusões de cada um, se a ideia for panteonar os nossos ilustres concidadãos e não aqueles que dirão aos nossos descendentes onde devem lançar a âncora, aqui e não ali, as boas épocas para viajar, ou de ficar em casa, as de correr ou as de andar, as de lutar ou as de negociar…

 

No romance Para Sempre, Vergílio Ferreira (aí está outro panteonável) coloca vários escritores de várias épocas a comentarem as vicissitudes de história numa imaginária biblioteca.

 

Eu vejo o Panteão como a «biblioteca do Para Sempre», com os ilustres, que lá se encontram a reflectirem sobre Portugal, sobre os portugueses, sobre o que somos, sobre o nosso futuro e a deixarem-nos ouvi-los. Eu, por exemplo, de todos os ilustres lá imortalizados, o que me parece ter dado a melhor resposta às perguntas que eu lhe faria sobre o que de mais importante devíamos fazer para vivermos melhor e sermos melhores, sobre a causa da nossa pobre situação foi João de Deus: aprendam a ler! E deixou-nos uma cartilha! Inteligente e eficaz. Eis um caso raro!

 

Para já, o que oiço dos que andam cá por fora é: «coitado, lá vai mais um para o panteão». Ou, a nova versão da frase de Almeida Garrett: “Foge cão que te mandam para o panteão!” O que não honra o Panteão, nem quem lá está, nem quem lá deverá estar…

 

O populismo é sempre mau conselheiro e, como diz o povo, “cadelas apressadas parem cães cegos!!!” Ainda corremos o risco de lá irem parar o Alves dos Reis e o Ricardo Espírito Santo, os maiores fazedores de dinheiro falso…"

 

Artigo de Carlos de Matos Gomes

publicado por Brito Ribeiro às 14:28

16
Ago 15

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Olhar o passado para construir o futuro” é o tema da XVIII Bienal Internacional de Arte de Cerveira, que decorre até 19 setembro de 2015, em Vila Nova de Cerveira, para apresentar 400 artistas de 33 países, cerca de 500 obras de arte. Pretende-se a identificação dos saberes e tradições da região, para apresentar soluções de identificação contemporânea, conducentes a uma aposta no diálogo dos artistas criadores com a história e conhecimento dos meios onde se inscrevem geograficamente. A Direção Artística está a cargo de Henrique Silva.

O formato, adotado desde a primeira Bienal, foi mantido de acordo com o objetivo a que este evento se propõe desde 1978: um local de encontro, debate e investigação de Arte Contemporânea, num programa concertado com a vizinha Galiza e o Ensino Superior a nível Europeu.

O programa de 2015 envolve: Concurso Internacional; representações de 13 Universidades, Escolas Superiores e Politécnicos das áreas artísticas, com apresentação dos departamentos de investigação artística e as produções de alunos e professores; Artistas Convidados nacionais e estrangeiros; Curadorias nacionais e internacionais; Artistas Homenageados (Alcino Soutinho, Dacos e Eurico Gonçalves); Conferências e Debates; Ateliers e Workshops; Visitas Guiadas; Espetáculos interiores e exteriores; um Drive-in, entre outros.

A Bienal de Cerveira alarga, mais uma vez, o seu âmbito expositivo, apresentando mostras em Paredes de Coura, Caminha e Tomiño.

De destacar, ainda, a participação da artista grega Danae Stratou, que apresenta dois trabalhos de vídeo, um deles com um texto de Yanis Varoufakis, e Margarida Reis que expõe parte do seu notável trabalho artístico na área da tapeçaria contemporânea.

  

PROGRAMAÇÃO XVIII BIENAL DE CERVEIRA

 

TEMA

O desenvolvimento de objetivos nacionais e internacionais, a atualização e revisão do Estatuto de Estratégia Regional são os planos de enquadramento desta edição, onde se propôs promover uma série de workshops que serão a base da construção de uma coesão regional sustentada para a prestação de serviços culturais essenciais para o desenvolvimento criativo e económico da Bienal de Cerveira e para a sua maior internacionalização. Neste sentido, a XVIII Bienal de Cerveira levou a cabo uma identificação dos saberes e tradições da região, para apresentar soluções de identificação contemporânea conducentes a uma aposta no diálogo dos artistas criadores, com a história e conhecimento dos meios onde se inscrevem geograficamente.

Baseado num Centro de Recursos para as Indústrias Criativas que deverá contribuir para a sua subsistência e desenvolvimento económico, a componente central basear-se-á no apoio dos departamentos de investigação de Universidades e Institutos Politécnicos, como pano de fundo para uma alta e internacional referência cultural. Assim o tema proposto para esta XVIII Bienal de Cerveira é:

 

 "Olhar o Passado para Construir o Futuro”

 

CONCURSO INTERNACIONAL

O concurso foi destinado a artistas de todo o mundo, sendo que cada concorrente apresentou, para além da(s) obra(s) a concurso, um portfólio com fotografias de trabalhos da sua carreira artística, um currículo completo e uma memória descritiva sobre a integração da sua proposta no contexto do tema proposto. Foi dada preferência às obras que refletiam a cultura e tradição do país de origem dos artistas concorrentes, numa interpretação contemporânea. Pretende-se, desta forma, estabelecer um diálogo mais enriquecedor entre os concorrentes e o público em geral.

 

ARTISTAS CONVIDADOS

Com o fim de aproximar os conceitos científicos da prática laboratorial, foram convidadas Faculdades, Institutos e Escolas Superiores de Arte a participar nesta Bienal com mostras dos resultados das investigações dos respetivos departamentos das áreas artísticas, assim como em debates e conferências sobre o estado da arte, em analogia com as investigações feitas nos anos 60 por José Ernesto de Sousa sobre a valorização da “expressão ingénua” como ele lhe chamava.

Participam, nesta edição, 13 Instituições Superiores das áreas das Artes:

  • Colégio Das Artes da Universidade de Coimbra;
  • Escola Superior das Artes e Design das Caldas da Rainha;
  • Escola Superior Artística do Porto;
  • Escola Superior Gallaecia;
  • Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo;
  • Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa;
  • Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto;
  • Instituto Politécnico de Tomar;
  • Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro;
  • Universidade Católica Portuguesa do Porto;
  • Universidade do Minho;
  • Universidade Aberta;
  • Universidade do Algarve.

 

No âmbito deste trabalho realizado em conjunto com as Instituições de Ensino Superior, a programação inlcui: exposição das obras de alunos e/ou professores, selecionadas pelas Instituições de Ensino Superior convidadas e que compõem o Conselho Científico / Artístico da Fundação Bienal de Cerveira; uma Assembleia do Conselho Científico / Artístico da Fundação Bienal de Cerveira, tendo como principal assunto a ser debatido o futuro da Fundação Bienal de Cerveira; e, finalmente, um debate público sobre o ensino tradicional versus o ensino contemporâneo das artes.

Está programado também um Retiro Doutoral, até 31 de julho, pela Universidade Aberta e Universidade do Algarve que partilham o Curso de Doutoramento em Média-Arte Digital, onde serão realizadas conferências abertas ao público, apresentação dos trabalhos dos doutorandos, defesa de projetos de teses, entre outras atividades.

Podemos, ainda, falar de dois outros convidados que marcam, com certeza, a XVIII Bienal de Cerveira: a artista Margarida Reis, cujo trabalho em tapeçaria é reconhecido internacionalmente e, ainda, a artista grega Danae Stratou, que participa com dois trabalhos de vídeo, um deles com textos de Yanis Varoufakis.

  

HOMENAGENS

É homenageado o artista Eurico Gonçalves não só pela consistência e personalidade da sua obra, mas também pela dedicação e contribuição que teve ao longo dos 37 anos da Bienal de Cerveira, cujo contributo muito marcou a Instituição, assim como o Arquiteto Alcino Soutinho (1930-2013) pela sua intervenção no ex-líbris de Vila Nova de Cerveira, chamando assim a atenção das autoridades competentes para o futuro do Castelo, onde esteve implementada a Pousada D. Dinis, e que hoje merecia uma integração mais objetiva nos destinos desta Vila das Artes.

Dacos (1940-2012) colaborou com a Bienal de Cerveira durante mais de 10 anos, tendo sido responsável pelos ateliers de gravura. Mestre gravador, muito contribuiu para o desenvolvimento da gravura no Norte de Portugal e foi co-responsável pela organização de exposições no Museu de Liège de artistas portugueses, no qual participou ativamente.

 

INTERVENÇÕES ARTÍSTICAS

Ao longo do mês de julho e agosto decorrerão ações espontâneas de artistas convidados, tanto no interior da Bienal como no espaço público, cujo conteúdo será desenhado de uma forma interventiva nos espaços.

 

WORKSHOPS

Aproveitando as sinergias do “Cluster” das Industrias Criativas da Fundação Bienal de Cerveira, dinamizar este sector com a criação de workshops, cursos e ateliers livres em áreas criativas como o desenho e pintura, cerâmica, gravura, tapeçaria, arte digital, entre outras, integrando nos serviços educativos do Museu da Bienal de Cerveira.

 

4 a 15 agosto | Ateliers

Horário – Das 15H:00 às 19H00

Local: Fórum Cultural (Oficinas)

 

Pintura – Conceção e orientação – Henrique do Vale

Cerâmica /Escultura – Conceção e orientação – Álvaro Queirós

Arte Digital – Conceção e orientação – Joel Ribeiro

Serigrafia – Conceção e orientação – Lídia Portela

Gravura – Conceção e orientação – Cabral Pinto

 

4 a 9 agosto| Workshop de Gravura

Horário| Das 15H:00 às 19H00

Local | Fórum Cultural (Oficinas)

Conceção e orientação – FACAL

 

16 a 29 agosto | Laboratório de improvisação

Horário: 15h00 às 18h00

Local | Fórum Cultural (Openspace)

Atividade Prática Exercícios de: movimento, escrita, oralidade, expressão corporal/dança, sonoros/musicais.

Conceção e orientação – Ana Maria Pintora

 

ATELIERS INFANTIS

O atelier de crianças será dirigido aos jovens em idade escolar, onde aprenderão a manipular os objetos, estimulando a criatividade e, sobretudo, desenvolvendo a capacidade de observação e o contacto com a arte contemporânea. Estão agendados de 9 a 15 de agosto, sob a coordenação de Ana Patrícia.

 

VISITAS GUIADAS

Serão organizadas visitas guiadas por artistas, cumprindo com o objetivo levar o “conhecimento a todas as populações”, único meio para o desenvolvimento social e cultural indispensável a uma melhor qualidade de vida. Já em Setembro a XVIII Bienal estará aberta exclusivamente para receber Instituições de Ensino e de Solidariedade Social.

  

CONFERÊNCIAS E DEBATES

Estão a ser preparadas conferências no âmbito do tema “Olhar o passado para construir o futuro”, tendo sido já definida uma sessão de debate intergeracional sobre a “Idade do saber”.

 

Contacto imprensa | Ana Vale Costa | gab.comunicacao@bienaldecerveira.pt | 925973911

publicado por Brito Ribeiro às 12:20
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