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Jul 14

Desde que António Costa começou a falar para o exterior, deixando a discussão quezilenta do entre muros partidário para um único protagonista, sentiu-se uma brisa fresca a trespassar a modorra bolorenta da crise e das desgraças anunciadas a vozes contraditas, de quaisquer esganiçados do governo.

Costa está a falar para os socialistas de sempre e para aquele milhão de eleitores que alteram frequentemente o sentido do seu voto. Finalmente há alguém a pensar em português, depois de anos de oposição segurista, a mastigar um combinado de puré e óleo de fritar churros, sem coerência, sem garra e sem mobilizar expectativas, como se confirmou no último acto eleitoral, mostrando que há novas formas de intervenção no espaço público, à custa da destruturação dos velhos modelos.

Aconteceu pela primeira vez em Portugal que a intervenção no espaço público rasgou as barreiras da formalidade desse mesmo espaço, não disfarçando a fraca representatividade que o actual sistema político revela, traduzido nos níveis recorde de abstenção e no aumento da base eleitoral dos partidos, ditos anti-sistema.

Não foi por acaso que A. J. Seguro, após ser eleito secretário-geral, alterou os estatutos do partido, entrincheirando-se de qualquer ataque à sua liderança até às próximas legislativas. A cereja em cima do bolo é a questão das primárias, oferecida como alternativa ao congresso, exemplo maior das boas práticas socialistas.

Quem não deve, não teme e Seguro mostrou que teme e mal se segura nas canetas, por muitas contas que faça, por muitas federações a que se alape, por muitas espingardas que imagine ter.

Desenganem-se todos aqueles que vêem em Costa a salvação messiânica, a cura para todas as maleitas, qual anti-inflamatório genérico, que podemos prescrever a eito.

Não faço parte desse grupo, mas parece-me que não há comparação entre o pensamento estruturado de Costa e a postura engaiolada de Seguro. Agora que foi empurrado para fora da dita, encontra em cada esquina motivo para denegrir o seu adversário, deixando aos seus desesperados apoiantes a tarefa de esbracejarem ao governo. Se não fosse pelo dramático da situação, seria interessante ver Seguro a formar governo com sapientes ministros, como Álvaro Beleza, Eurico Brilhante Dias, Carlos Zorrinho, João Proença ou Alberto Martins.

Mas o avanço e disponibilidade de Costa, não importunaram apenas o ainda secretário-geral do Partido Socialista. Foi um murro no estomago do governo, do PCP e de um Bloco de Esquerda frágil e desavindo. A emergência de Costa como candidato a líder do PS, face aos estatutos internos e outros condicionalismos do modelo partidário actual, nunca seria possível se não tivesse encontrado na sociedade civil acolhimento tal, que se impôs ao partido e ao seu "aparelho".

Costa sabe que tem de pescar à esquerda eleitorado imprescindível para chegar ao poder, abrindo o espaço natural dos socialistas, fugindo do pântano central onde tantas vezes se refugiam e onde são invariavelmente esmagados pelos partidos de direita.

publicado por Brito Ribeiro às 16:47

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