Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

23
Set 10

 

Um homem, uma ideia

O primeiro festival realizado em Vilar de Mouros aconteceu no longínquo ano de 1937, a 26 de Setembro e designava-se “Festival Infantil” que teve a participação da Banda Pitagórica Infantil Vilarmourense, uma zarzuela pelo Grupo Cénico Infantil, fogo-de-artifício vindo da Freguesia vizinha de Lanhelas, bazar de prendas, trabalhos regionais gentilmente oferecidos por habilidosas raparigas da terra e muitas barracas de comes e bebes (Zamith, 2003).

Em 1965 o médico Vilarmourense António Augusto Barge organizou um evento cuja intenção era a divulgação da música popular do Alto Minho e da Galiza e transformar Vilar de Mouros num destino turístico. Como conta Carlos Alves, ex-Presidente da Junta de Freguesia, "toda a população tinha-lhe imenso respeito, até porque era conhecido como médico dos pobres". Exercia em Lisboa, mas sempre que chegava a Vilar de Mouros, a sua casa "tornava-se num consultório, no qual ajudava os mais carenciados" (Alves C. , 2009), daí a estima que granjeou no povo, que o recorda como o homem que colocou a aldeia no mapa.

 

Em 1968 repetiu o festival onde reuniu a Banda da GNR, Zeca Afonso, Carlos Parede, Luís Goês, Adriano Correia de Oliveira, Quinteto Académico+2, Shegundo Galarza e alguns grupos folclóricos. Estima-se que assistiram a este festival cerca de quinze mil pessoas, repartidos por três dias.

Entusiasmado com a receptividade, este homem de ideias largas e inovadoras, sonhou com um grande evento musical que pusesse a sua pequena Freguesia nas bocas do mundo. Como dizia o Dr. Barge “fazer turismo é uma arte que, para bem se processar, apenas exige colaboração e espiritualidade. O resto temos nós” (Paço, 1971).

Com a experiência adquirida e com o auxílio de uma pequena mas voluntariosa equipa que comungava os mesmos ideais, lançaram-se na organização de algo que nem eles sabiam muito bem, de início, como iria desenvolver-se. Esta ideia demorou três anos a realizar-se e a imaginação era o limite.

Objectivo

As primeiras bandas a serem equacionadas foram os Beatles, Rolling Stones e Pink Floyd. Os Beatles com um cachet de 1000 contos acabaram por se separar antes da contratação e os Rolling Stones, Pink Floyd e outros como Moody Blue ou Cat Stevens não tinham datas disponíveis. De referir que este Festival começou a ser pensado e organizado antes de Woodstock, que viria a acontecer em 1969.

Depois de alguma indefinição acabou por ser contratado Elton John, por 600 contos e os Manfred Mann que terão custado pouco mais de cem contos.

Quarteto 1111

Alem dos grupos ingleses estavam contratados os portugueses Quarteto 1111, Pentágono, Sindikato, Chinchilas, Contacto, Objectivo, Bridge, Beartnicks, Psico, Mini-Pop, Pop Five Music Incorporation, Amália Rodrigues, Duo Ouro Negro, Celos, Banda da GNR, Coral Polifónico de Viana do Castelo e o Grupo de Bailado Verde Gaio (Zamith, 2003).

O movimento hippie

O movimento hippie nasceu na América em 1966; pacifista, defendia o fim de todas as guerras e empenhou-se activamente contra a guerra do Vietname, a sociedade de consumo e o poder capitalista.

O traje dos seguidores deste movimento (Stabile, 2009) era composto por jeans com boca-de-sino, túnicas indianas unisexo muito coloridas, associado ao gosto pela cultura psicodélico e ao uso de substâncias alucinogénicas.

As roupas eram geralmente estampadas com símbolos do movimento, amor, paz, flores e motivos orientais, especialmente aqueles ligados ao hinduísmo. Homens e mulheres usavam cabelos longos, apartados ao meio, reflexo da imagem tradicional de Cristo. Os sapatos e bolsas tinham geralmente aspecto artesanal, próprio de uma cultura não industrializada e valorizavam-se os adornos de origem folclórica.


No final dos anos sessenta, os anteriores ídolos como James Dean e Elvis Presley são substituídos pela rebeldia política de Gue Guevara e o firmamento de novas estrelas que usavam e abusavam de drogas como Jimi Hendrix, Jim Morrison ou Jane Joplin.

Representam as duas maneiras de estar, de viver e até de morrer, na luta contra o capitalismo ou sob o efeito das drogas. Estes dois ideais desenrolavam-se em paralelo, a revolução política e a revolução cultural, propondo-se em qualquer uma delas transformações comportamentais.

 

 

Três fins-de-semana que mudaram a história

O Festival de Vilar de Mouros decorreu (Zamith, 2003) durante três fins-de-semana entre 31 de Julho e 15 de Agosto de 1971. O primeiro foi dedicado a um público mais erudito com a actuação da banda da GNR e música clássica com coral e dança, o segundo foi orientado para os jovens e foi este o momento marcante, enquanto no terceiro fim-de-semana actuaram a Amália Rodrigues e o Duo Ouro Negro para um público diferente, mais conservador e burguês, que até assistiu ao espectáculo sentado em cadeiras dispostas no grande Largo do Casal.

Cartaz do Festival

No primeiro dia de Festival, a 31 de Julho aconteceu a primeira audição mundial da cantata “D. Garcia”, com poemas de Natália Correia e David Mourão Ferreira, música de Joly Braga Santos tendo como solista a soprano Elisette Bayam.

No dia 1 de Agosto actuou a Banda da GNR dirigida pelo maestro Silva Dionísio que tocaram peças de Tchaikowsky, Chostakovitch, Gimenez, Gershwin, Oswaldo Cabral e Duarte Pestana. À noite Vitorino d’Almeida interpretou a “Fanfarra de Richard Strauss” e uma tocata de piano, nº1, opus 23 (si bemol menor) de Tchaikowsky em três andamentos. Na segunda parte foi interpretada a “Sinfonia Concertante” (estreia mundial) de Vitorino d’Almeida com Olga Pratts, Quinteto de Sopro, banda, coro e estereofonia de percussão com o Grupo de Zés Pereiras de Baião (Imperadeiro, 1971).

O pouco público presente (entre mil a mil e quinhentos espectadores no total) aplaudiu, mas a crítica foi particularmente severa com “D. Garcia”. O compositor não se sentiu muito estimulado, o que a música claramente revelou. No contexto da evolução criadora de Joly Braga Santos esta cantata representa um passo atrás do ponto de vista da linguagem musical (Carvalho, 1971).

Claramente decepcionado e desapontado com a ausência quase total das gentes do Concelho, Vitorino d’Almeida refere (Imperadeiro, 1971): “O Concelho de Caminha é de facto muito pobre de cultura. Mas esta não se forma de um dia para o outro, nem nasce por geração espontânea na cabeça de cada pessoa”.

No entanto e como já referi, o grande cartaz do Festival estava centrado no segundo fim-de-semana onde iriam actuar os grupos de “Música Moderna para a Juventude” e que atraiu uma verdadeira multidão à pequena aldeia do sopé da Serra d’Arga.

Recinto do Festival

A organização teve o cuidado, inédito, de distribuir pela região norte, umas pequenas tarjas onde apelava aos automobilistas para darem boleia a quem se deslocasse ao festival e contratualizou com a CP um conjunto de comboios extraordinários entre as estações de Lisboa até ao Porto e ligação a Caminha.

Rapidamente as estradas encheram-se de jovens vestidos de forma extravagante, cabelos compridos, carregados com mochilas e outros haveres transportáveis. O trânsito automóvel entre Caminha e Vilar de Mouros esteve parado durante horas e a aldeia transformou-se de repente num enorme acampamento e numa confusão indescritível. Os terrenos reservados pela organização para acomodação dos campistas foram-se transformando em parques de estacionamento de automóveis, que não tinham sido previstos e todos os cantos serviam para montar uma tenda ou apenas um simples toldo.

As margens do Rio Coura desapareceram debaixo do colorido das lonas das tendas, a paisagem transformou-se por completo e milhares de jovens vestidos descuidadamente com longas túnicas coloridas, uns descalços, quase todos de cabelos compridos e desgrenhados invadiram pacificamente Vilar de Mouros. Nos locais de maior confluência alguns hippies vendiam artesanato típico do movimento e que atraia muitos curiosos.

Refere a imprensa local (Paço, 1971) “Num ambiente de autentica camaradagem que milhares de jovens, moços e moças das mais variadas camadas sociais, desde universitários a simples trabalhadores se misturaram e confundiram, uma confraternização informal e anónima com milhares de hippies estes trajando vestimentas exóticas e extravagantes, ostentando com o seu modus vivendi, os ares mais insólitos e excêntricos, que se possam imaginar… Eram jovens e, quando se é jovem sente-se nas veias, o resfolegar de um sangue irrequieto e o desejo ardente de JUSTIÇA, de AMOR, de LIBERDADE e de PAZ”.

A população assistia apreensiva mas curiosa a esta invasão exótica de portugueses e de muitos estrangeiros que pareciam não ter qualquer problema de inter-relacionamento nem de comunicação. O movimento hippie era internacional, pacifista e demonstrava-o na prática.

Durante todo o Festival não houve registo de qualquer incidente ou altercação e a segurança esteve a cargo de um pelotão de 45 elementos da GNR do Porto e de alguns elementos da DGS que não chegariam a uma dúzia, que protagonizaram uma cena anedótica ao confundirem a soprano Elisette Bayam com uma imigrante clandestina. As forças da GNR tiveram uma actuação pautada pela discrição pois nem sequer estavam à vista, optando por acantonarem, em estado de prontidão, numa residência perto do Largo do Casal.

Não há números exactos, nem sequer aproximados de quantos espectadores assistiram a este evento musical. Perto de vinte mil neste fim-de-semana, talvez na casa dos vinte e cinco mil no cômputo geral dos três fins-de-semana.

Recinto do Festival

Poucas horas passaram e os géneros alimentícios esgotaram nas duas ou três lojas locais, havendo muita gente que nem dinheiro tinha para comprar o que quer que fosse. Os campos de milho e as hortas começaram a ser visitados e no final do Festival pode-se mesmo dizer que a maior parte deles estava com as culturas dizimadas, apesar da população de uma maneira geral ter condescendido, até porque tinha a promessa do Dr. Barge em indemnizar todos os prejuízos. Inclusivamente há relatos de populares que distribuíram alimentos pelos festivaleiros mais esfomeados. Muitos optaram por se deslocarem a freguesias vizinhas na busca de alimentos e Caminha em breve se viu invadida por uma turba esfomeada. A primeira reacção dos comerciantes foi encerrarem os seus estabelecimentos, mas a atitude pacífica e simpática dos hippies logo os levou a inverter o posicionamento, a abrirem as lojas e servirem o melhor possível quem os demandava.

(continua)

publicado por Brito Ribeiro às 18:54
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19
Set 10

No sábado passado fui até ao Pincho, local que muito prezo, mas saí de lá revoltado com a falta de limpeza e cuidado a que este pequeno paraíso está votado. Sendo um dos cartões-de-visita da Serra d’Arga, não compreendo como é que o poder local não zela pelo que realmente pode projectar a região em termos turísticos e criar condições para que seja cada vez mais visitada. Isto para não falar da sua sensibilidade ambiental que, pelos vistos, não existe!

Das duas, uma; ou temos vocação turística ou, definitivamente, não temos e será necessário assumir essa postura. O que não se pode é fazer promoção turística e deixar ao abandono, emporcalhado e degradado um dos mais belos recantos do Alto-Minho.

Do Pincho fui até aos Viveiros, um pouco mais acima, outro dos locais onde gosto de usufruir a natureza, as águas calmas do Rio Âncora, a vegetação exuberante, a calma própria de um fim de tarde de verão.

Se já tinha ficado aborrecido com a situação do Pincho, fiquei estarrecido com a imundice que cobre toda a área dos Viveiros.

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Aliás, as fotografias não mentem! É lamentável que a Junta de Freguesia de S. Lourenço da Montaria não cuide destes locais com carinho e nem sequer serve de desculpa dizer que não tem meios, pois as intervenções de limpeza e sua manutenção são simples e pouco dispendiosas.

A Câmara Municipal de Viana do Castelo também tem de estar mais atenta a estas questões, pois o turismo no seu Concelho não se esgota nas Festas da Senhora da Agonia, nas praias atlânticas ou na gastronomia.

Estende-se, cada vez mais, para nichos alternativos, como o turismo de natureza, do património, religioso, cultural ou radical, entre outros.

Mas com dois dos principais pontos de atracção totalmente conspurcados e impróprios, convenhamos que se está a dar um óptimo contributo para “espantar a caça”.

publicado por Brito Ribeiro às 20:24
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07
Set 10

Introdução

Abordar este tema é como que fazer uma viagem ao passado, ao baú das minhas recordações. Em 1971, tinha eu 14 anos, demasiado jovem para viver o acontecimento por dentro, mas já com o entendimento necessário para reter algumas imagens relacionadas com o Festival, que nunca mais esqueci.

Também a minha ligação afectiva e familiar a Vilar de Mouros, assim como o gosto pela música, sempre me aproximou deste evento.

Por isso, este tema surgiu-me naturalmente quando fui instado a apresentar um trabalho no âmbito da Unidade Curricular de História da Música. Tenho-me deparado com falta de bibliografia rigorosa o que me dificulta a tarefa, mas também me motiva de forma extraordinária. Encontrar o caminho entre dados contraditórios, às vezes leva-nos à descoberta de outras informações ocultas e ainda mais interessantes.

Ainda há testemunhos, com memória muito lúcida sobre os acontecimentos, se bem que muitos daqueles que tiveram um papel activo na realização do Festival, já não estejam entre nós, nomeadamente o seu mentor, Dr. António Barge. Outros têm a visão limitada a estereótipos, a versões em segunda mão distorcidas pelo tempo.

Não é minha intenção fazer história sobre este Festival, eventualmente dar um pequeno contributo tendente a explicar a relação deste marco musical com a sociedade e a cultura de então, algo muito complexo, cruzando-se tendências musicais inspiradas em movimentos internacionais, onde os acontecimentos de 1968 na Sobornne, em Paris, a guerra no Vietname, o Festival de Woodstock ou a guerra colonial em África, se misturam.

Em Vilar de Mouros, aldeia rural, no sopé da Serra d’Arga.

 

 

 

Vilar de Mouros, da antiguidade aos nossos dias

A Freguesia de Vilar de Mouros pertence ao Concelho de Caminha e é geograficamente delimitada pelos Montes de Góios, Pena, Gávea e Crasto. Entalada entre montes, cresceu ao longo do Rio Coura e do fértil vale adjacente.

Povoada desde tempos remotos (Alves, 1982) encontram-se vestígios desde a Idade do Bronze, mas foram os romanos que lhe deram personalidade própria. Depois de dominado e romanizado o Castro de Vilar de Mouros, de onde partiu o povoamento dos vales do Minho e do Coura, estabeleceram-se nas zonas planas e baixas da zona.

Do subsolo foram exploradas jazidas de estanho e ouro, na terra crescia o centeio e a cevada, as pastagens davam alimento a cabras e ovelhas.

As condições extraordinárias do local, abrigado e diversificadamente rico, atraíram no século VIII um núcleo de Mouros, que construíram uma aldeia de acordo com a sua cultura.

No século IX, Paio Bermudes, no âmbito da reconquista da região norte, hoje designada por Entre Douro e Minho, assenhorou-se deste vilar e mandou construir uma igreja em honra de Santa Eulália, mártir hispânica.

Com as incursões normandas a população migrou para o interior, tendo Vilar de Mouros beneficiado com este movimento dada a sua interioridade. Com estas convulsões o povoado passou para a posse do rei como terra auto sustentada com monte, minas, sobrado, gado, vinho, pão e sal que era produzido no lugar de Marinhas onde o fluxo das marés se fazia sentir.

Ao longo de toda a Idade Média foi gerida por senhores laicos e até ao século XVI aparece arrendada, com a ponte de inspiração gótica construída nos séculos XIV ou XV (Ribeiro, 2007) a imitar as pontes de Ponte de Lima e Ponte da Barca.

A emigração para o Brasil, se por um lado deu uma extraordinária fonte de rendimentos, por outro lado roubou aos campos muitos braços. Os dinheiros vindos de além-mar deixaram marcas na igreja paroquial que foi renovada e decorada com rica talha rococó. Em 1855 com o encerramento da Fábrica de Cerâmica de Viana, alguns operários fundaram no lugar de Além Ponte, em Vilar de Mouros uma nova fábrica que exportava principalmente para o mercado galego a sua produção. O barro vinha da Figueira da Foz e de barreiras locais, a areia para o vidro era transformada no moinho do Viso da Quinta da Barze.

No século XX a riqueza do subsolo voltou a ser explorada com a extracção do volfrâmio durante a Segunda Guerra Mundial, os vinhos de Marinhas produzidos num pequeno microclima ganharam fama, os ferreiros criaram arte nas ferramentas, equipamentos agrícolas e forjados de gradeamentos e portões (Bento, 2008), o Festival de Vilar de Mouros deu a conhecer este belo pedaço do Alto Minho.

 

 

 

Contexto sócio cultural

Estávamos em 1971 e Salazar  (Rosas, 1997) tinha sido arredado do poder, substituído por Marcelo Caetano, o que abriu uma janela de esperança na sociedade portuguesa, a “primavera Marcelista” que, após alguns tímidos avanços e outros tantos recuos, não logrou vingar.

Se é certo que a muito contestada PIDE tinha mudado de nome e agora era designada por DGS, os métodos eram os mesmos e os objectivos não tinham sido alterados.

A guerra em África continuava a matar e a mutilar jovens, o Estado continuava a recusar qualquer solução política, apostando tudo na solução militar que já se arrastava há uma década.

A censura estava mais vigilante e activa que nunca, os cortes e proibições deixaram de ser cirúrgicos e objectivos. Na esfera do censor estavam os livros, o cinema, a imprensa e o mundo da música onde inúmeros cantores de intervenção foram banidos por completo.

Tudo o que tivesse a autoria, por exemplo, de José Mário Branco, José Afonso ou José Pedro Ary dos Santos era proibido e apenas podia ser editado ou transmitido clandestinamente.

Portugal vivia também momentos de isolamento internacional. Depois da célebre tirada de Salazar, “orgulhosamente sós”, Portugal foi sendo pressionado pela maioria dos países e condenado internacionalmente, através da ONU, pela manutenção da guerra colonial em África. De facto, Portugal vivia entre a angústia da guerra, o desconhecimento da situação real, o isolacionismo político e um nível sócio cultural muito atrasado em relação aos vizinhos europeus.

A taxa de analfabetismo era elevadíssima, apenas uma minoria acabava os estudos secundários e ainda menos os estudos superiores. O peso da Igreja sentia-se por todo o lado e apesar da separação de poderes regidos por uma Concordata, era evidente a cumplicidade entre o Estado Novo e a Igreja Católica, que representava o sector mais retrógrado e obscurantista da sociedade.

Dizia-se nessa época que o Português tinha três interesses, “Futebol, Fado e Fátima” uma clara distracção organizada e patrocinada pelo estado totalitário, cujo objectivo era manter a maior parte do povo alheio aos problemas políticos e de governação.

Na pequena aldeia de Vilar de Mouros a meia dúzia de quilómetros de Caminha, o tempo passava devagar, como em todas as aldeias minhotas. Muitos dos que trabalhavam no campo tinham emigrado “a salto” para França, onde aprenderam, da noite para o dia, novas profissões, fazendo todos os sacrifícios para um dia regressarem.

Duas serralharias (Bento, 2008) e uma serração de madeiras davam emprego a algumas dúzias de homens e rapazes da zona, únicas alternativas à emigração, ao campo ou à construção civil.

A Freguesia tinha então cerca de 650 habitantes (Alves, 1982) e estendia-se ao longo do Rio Coura por ambas as margens, que eram ligadas, ainda e só, pela velha ponte gótica.

(continua)

publicado por Brito Ribeiro às 19:57
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