Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

27
Fev 10

Comemoramos três anos de existência. Não tenho a certeza se é motivo para festejo, mas o certo é que continuo a editar posts que julgo interessantes, principalmente na área do património e da história local, do ambiente e do humor.

Ao longo destes três anos fui contactado por muitas pessoas motivadas pelas mais variadas razões. A maior parte delas, eram-me desconhecidas, mas com algum vínculo afectivo a Vila Praia de Âncora. Por laços familiares, porque em tempos tinham passado aqui férias ou simplesmente ancorenses de alma e coração, que a vida obrigou a rumar para longe.

O meu agradecimento vai para essas pessoas e também para todos os leitores anónimos, que dia após dia regressam e se dignam ler estas humildes linhas.

 

publicado por Brito Ribeiro às 18:31

Até ao reinado de D. Sebastião a actividade aumenta, levando à publicação de um “Regimento para as frotas da pesca do bacalhau”, pelo qual estas frotas eram reorganizadas sob um comando unificado.

Após a morte de D. Sebastião, e a consequente ocupação Filipina, com a chegada ao trono de Filipe II de Espanha, I de Portugal, tiveram repercussões graves na frota bacalhoeira portuguesa. Entre as acções dos Filipes que prejudicaram a frota portuguesa, conta-se a requisição de todas as embarcações capazes de enfrentarem o mar alto para a Invencível Armada. Esta acção teve como consequência que em 1624 ainda não havia nenhuma embarcação para a pesca do bacalhau em nenhum dos portos de onde habitualmente se armavam barcos para essa pesca (Aveiro e Viana).

 

 

 O "Ana Maria" a navegar com vento fresco

 

Durante este período, em 1583, Gilbert Raleigh tinha ocupado a Terra Nova, assim terminando a longa história das colónias de pescadores portugueses na América do Norte.

Paralelamente, Francis Drake terá capturado vários barcos de pesca portugueses e os seus carregamentos.

Daí, e até ao século XIX, a pesca do bacalhau feita pelos Portugueses desapareceu. Isso não significou, no entanto, o fim do consumo do peixe, apesar dos decretos régios, nomeadamente do Marquês de Pombal e de D. Maria I, que isentavam de impostos a pesca do bacalhau, num esforço para relançar a actividade.

 

As invasões napoleónicas do início do século XIX mais contribuíram para a dificuldade de reiniciar a pesca.

Para ultrapassar a falta de bacalhau pescado por portugueses, Portugal teve de recorrer à importação em grandes quantidades. Entre 1819 e 1829 eram importadas cerca de 282.811 quintais de bacalhau, o que demonstra bem a importância deste peixe, e a sua importância para a economia nacional.

A 6 de Dezembro de 1830, um decreto visando criar incentivos à pesca em geral, inclui a pesca do bacalhau, que logo no Artigo 1º isentava os barcos portugueses com tripulações portuguesas de todos os “... direitos, contribuições,...” ou seja, a pesca ficava virtualmente isenta de impostos.

Mas claro que o Estado não dava ponto sem nó, a pesca do bacalhau passava a necessitar de uma licença anual de 3$00 reis de Direitos e de 480 reis de Emolumentos por barco. No entanto esta licença era a mesma, independentemente da tonelagem, o que favorecia ao armamento de embarcações maiores.

Esta vantagem foi compreendida pela Companhia de Pescarias Lisbonense, que, por não encontrar embarcações, nem pescadores com o know-how em Portugal, recorreu a Inglaterra para suprir esta falta. Esta compra decorreu a nível privado, e não existem nenhumas referências a esta compra nos registos do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Foram compradas seis escunas, que vieram com tripulações ingleses que iriam treinar os futuros tripulantes portugueses.

Deste renascer da pesca do bacalhau, via Inglaterra, ficaram várias expressões, que foram utilizadas até ao fim dos dias da pesca. Entre as outras contribuições está o dóri, que para além da sua arquitectura, deriva da palavra inglesas wary.

 

 O homem do leme

 

A opção pela tecnologia inglesa não é clara, pois na mesma época tanto os franceses como os americanos estavam igualmente desenvolvidos, e activos nos bancos da Terra Nova. A opção pelo Reino Unido passou por outros laços comerciais que a Companhia teria com a Inglaterra, e com a eventualidade da utilização deste tipo de navios noutras rotas e serviços, de forma a rentabilizar ainda mais o investimento.

Em 1848, havia 19 embarcações na pesca na Terra Nova, 5 escunas, 12 patachos, 1 brigue, 1 barca, com o menor, a escuna “Tentativa”, com 81 toneladas, e o maior, o brigue “Vestal”, 131 toneladas. Com uma tripulação média de 15 a 20 pessoas.

A situação fiscal seria alterada por uma Carta de Lei de 10 de Julho de 1845, que substituía a licença por um imposto sobre o pescado.

Nove anos depois, em 1866, dois novos armadores surgem “Bensaúde & Cª.” e “Mariano e Irmãos”, armam 4 veleiros, o “Hortense, o “Social”, e o “Júlia I" e o “Júlia II”.

Em 1902 estes navios continuam a estar matriculados sob o mesmo armador, apesar de pertencerem já a uma nova companhia, “Parceria Geral das Pescarias”, mas com os mesmos donos: os Bensaúde. No entanto a tonelagem tinha subido para respectivamente: 98, 148, 217 e 145.

 

Entre 1886 e 1903 estas empresas tiveram o monopólio da pesca. No entanto a “Parceria” desenvolveu-se mais, possuindo em 1902 já 9 veleiros, entre eles alguns com mais de 300 toneladas, enquanto a “Mariano e Irmãos” só tinha adicionado mais um, o “Júlia III”, de 175 toneladas, que seria vendido no inicio do século à “Companhia de Pesca Atlântica”.

Entretanto em 1885 nova machadada fiscal; um parecer da Procuradoria-geral da Coroa determinou novamente que o pescado capturado fora das águas portuguesas, mesmo por barcos nacionais, com tripulações portuguesas e armadores nacionais, estava sujeito ao imposto de importação.

A movimentação da Associação Comercial de Lisboa, viria a levar à alteração desta norma em 1886. Mas esta medida só se aplicava aos barcos que existissem na altura, e foram esses os únicos a pescar bacalhau até ao século XX. Novas armações ficavam sujeitas ao regime anterior. O caricato desta situação era, com a entrada em vigor dos tratados comerciais com a Noruega e a Rússia, que o pescado importado pagava menos imposto que o pescado por nacionais, 39 reis/kg contra 34/kg.

Esta situação não favorecia ninguém, pois os armadores existentes não podiam aumentar a frota, nem tirar proveito de monopólio de facto que possuíam.

 

 O "Brites" a navegar nos anos sessenta

 

Esta situação acabaria em 1901, com uma Carta de Lei de 12 de Junho, que estipulava a taxa de 12 reis por quilo para o pescado por armadores nacionais, mas só para o bacalhau fresco. Neste período o total médio correspondeu a 1430 toneladas, média aproximada por falta de dados para o ano de 1900, contra 20690 toneladas de bacalhau importado. Neste período o principal exportador foi a Inglaterra, seguida da Suécia e Noruega, não há referências de importações de França.

Durante este período contudo, o preço do bacalhau foi sempre muito elevado, o que favorecia o bacalhau importado por ser mais barato.

Entre os importadores, os ingleses estabeleceram-se sobre tudo no Norte, em Viana do Castelo, Porto e Figueira da Foz, de onde mais tarde vão surgir os centros de armadores da pesca do bacalhau.

De 1901 em frente, a frota esteve num crescendo até 1924, com um máximo de 65 embarcações, com excepção dos anos da Primeira Guerra Mundial, onde pela primeira vez em 1918, houve menos barcos que no período de antes da viragem do século.

(continua)

 

Fontes: Iden parte 1

 

publicado por Brito Ribeiro às 17:58
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17
Fev 10

A história da pesca do bacalhau pelos portugueses aparece pela primeira vez referenciada em 1353, quando D. Pedro I e Edward II de Inglaterra estabelecem um acordo de pesca para pescadores de Lisboa e do Porto poderem pescar o bacalhau nas costas da Inglaterra por um período de cinquenta anos.

A necessidade de estabelecer um acordo indicia que esta actividade já se realizava em anos anteriores, e em tal quantidade, que justificasse a necessidade enquadrar esta actividade nas relações entre os dois reinos.

 

 

Pelo menos desde o século X que os mercadores escandinavos vinham buscar o sal a Portugal, e aí estabeleceram colónias ou feitorias, como indicam as construções ovais, do tipo viking em Pedrinhas, perto de Fão.

Do século XI existem registos dos normandos estabelecerem relações amigáveis com as populações do litoral, e terão sido estes a transmitir os conhecimentos da navegação atlântica.

Contudo não seria ainda o bacalhau o peixe de eleição no centro de toda esta actividade comercial.

No século XII, Berengária, filha de D. Sancho I, casa com Valdemar II da Dinamarca, o que novamente indicia um ligação grande entre os dois reinos, que dado o seu distanciamento físico se devia provavelmente aos fortes laços comerciais existentes.

No século XV, apesar do fim da colonização da Gronelândia e das viagens mais ou menos regulares entre o continente europeu e a ilha, a sua localização não foi esquecida, assim como a localização dos habitats do bacalhau, que havia chegado até aos portugueses.

Cinco séculos de relações comerciais tinham também estabelecido boas relações diplomáticas com a coroa dinamarquesa, as quais não passaram desapercebidas ao Infante D. Henrique, o Navegador, que obteve do rei da Dinamarca um piloto Sofus Larsen – Wollert- que veio até Portugal, e presumivelmente transmitiu os conhecimentos náuticos e da pesca aos portugueses.

Temos de esperar por 1506, quando encontramos outra referência (ainda que indirecta) à pesca do bacalhau no Atlântico Norte, desta vez pelo dízimo sobre essa pesca que D. Manuel I cobra para pagar a viagem dos Corte Reaes, o que nos sugere a importância e quanto estava estabelecida este tipo de pesca.

Em 1452 Diogo de Teive navegou para nordeste dos Açores, “a tal distancia que ficaram com o cabo Clear a leste...” segundo um texto de Las Casas. Curiosamente, este texto está manifestamente errado, pois Diogo de Teive teria de navegar para noroeste para poder ter o cabo Clear, na Irlanda, a nascente.

Se é habitual que as crónicas da época não sejam exactas, não podemos deixar de lembrar que a Lei Mental de D. Duarte era clara na sua vontade de esconder de outros o que a coroa considerava serem segredos de estado.

A viagem seguinte registada nas águas da Terra Nova é a de John Cabot, que apesar de não estar estabelecida a nacionalidade, navegou com pescadores e marinheiros de Bristol, que já pescavam nessas águas.

 A partir do século XV já nos surgem vários documentos sobre a pesca dos portugueses no Atlântico norte. Em 1502 João e Francisco Fernandes, açoreanos, bem como João Gonçalves, recebem do rei de Inglaterra uma gratificação, que tinha sido previamente solicitada, para estabelecerem uma base na Groenlândia.

Cerca de 1500 ou 1501 Gaspar Corte Real navega até ao estreito de Davis, no que, segundo o autor, representa a descoberta da Terra Nova. É elaborado o planisfério de Cantino, o primeiro a apresentar uma visão mais realista dessa região. Ora os pescadores portugueses, na posse desta informação, procuram nas áreas recém descobertas e cartografadas melhores pesqueiros.

No entanto, já o seu pai, João Vaz Corte Real, esteve numa expedição mandada efectuar pelo Rei Cristiano I da Dinamarca a pedido do rei de Portugal Afonso V, em 1470. No relato desta viagem ficou registada a Gronelandia e “A Terra dos Bacalhaus”, o que mais uma vez indicia a prática desta pesca.

 

 

Em 1504 já havia colónias de pescadores de Viana do Castelo e de Aveiro na Terra Nova. No entanto seria impossível criar em 4, 5 anos uma estrutura destas se não houvesse já antes uma indústria de conservação e distribuição do pescado. O investimento seria demasiado elevado para apostar em tão larga escala em algo totalmente novo. Só volta a haver novas referências a estas colónias para o período de 1520 a 1525.

Todas estas informações indiciam um conhecimento real e o aproveitamento económico das reservas piscícolas, antes do conhecimento “oficial” registado pelas expedições enviadas para “descobrir” estas zonas.

Estas colónias correspondem a um tipo de pesca sedentária, onde os barcos encontravam uma base em terra, e a partir daí os pescadores saíam em embarcações mais pequenas à pesca com aparelhos de linha. Naturalmente o amanhar do peixe e a primeira seca e salga era também em terra. Esta opção podia não ser a única, podendo já ocorrer uma pesca errante, semelhante à que mais tarde foi adoptada pelos lugres.

Durante o reino de D. Manuel I era em Aveiro que eram armados mais barcos para a pesca longínqua, tal como no século XX. Segundo a “Corografia Portuguesa”, seriam cerca de 60 naus só para a pesca na Terra Nova, numero que subiu para aproximadamente 150 em 1550.

Vários autores portugueses, entre eles Francisco Salles Lencastre, salientam que devido à pesca do bacalhau, trouxeram para Viana da Foz de Lima e Aveiro riquezas nunca vistas.

Em 1578, Antony Parkhurst um mercador de Bristol, escreve numa carta que “... havia ali em geral mais de 100 velas espanholas, 50 velas portuguesas e 150 francesas e bretães, na pesca do bacalhau...”, adicionando mais a frente 50 inglesas. No entanto, dois anos antes, a proporção era: 50 portugueses, 30 ingleses e 100 espanhóis, não havendo referencia a barcos gauleses.

(continua)

 

Fontes:
Mário Moutinho, História da Pesca do Bacalhau, por uma antropologia do “fiel amigo”, Imprensa Universitária, editorial Estampa, Nº 40, 1985.
As póvoas marítimas, A. Sampaio, Estudos Históricos e Económicos, Vol. I Porto, 1923.
Breve Resenha Histórica”, in Boletim de Pesca, nº 28, Setembro 1950
The search for the schonner Argus, Allan Villiers, 1951 (reedição em português, Cavalo de Ferro Editores, Lisboa 2006 - ISBN 978-989-623-026-3)
Histoire des explorations polaires, Paris, 1961
Os Grandes Trabalhadores do Mar - Reportagens na Terra Nova e na Groenlândia, Lisboa, 1942 (reedição Caleidoscópio Edição: "Heróis do mar, Viagem à Pesca do Bacalhau", Casal de Cambra 2007, ISBN 978-989-8010-89-6)
 
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Pesca_do_bacalhau"
 
publicado por Brito Ribeiro às 14:44
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07
Fev 10

Desta vez tenho umas fotografias da praia e da Avenida Dr. Ramos Pereira.

 


1924 - A Avenida tinha sido construida pouco tempo antes. Junto ao "Redondo" ou "Meia-Laranja" montavam-se as barracas e os toldos dos banhistas. Note-se que ainda não havia o parapeito da Avenida.



1940 - Aqui é perfeitamente visivel o parapeito, mas ainda não havia iluminação pública



1935 - As barracas alinhavam-se na praia, simultaneamente marítima e fluvial. Ao fundo os barcos (truques) fundeados no "Sabugo".


publicado por Brito Ribeiro às 15:33

03
Fev 10
O músico Jorge Romão, baixista dos GNR, vai leiloar dois baixos eléctricos para ajudar os bombeiros de Vila Praia de Âncora, onde mora, a comprarem uma ambulância.

Jorge Romão revelou à agência Lusa que o leilão decorrerá a partir de quinta feira (http://jorgeromao.leiloes.sapo.pt) e em destaque vão estar dois instrumentos que o acompanham há vários anos.
A base de licitação de cada um deles é de 500 euros.
É um gesto solidário do músico para angariar fundos para os bombeiros de Vila Praia de Âncora, cuja "única ambulância que tinham está à espera de reparação", disse.
"Eu tenho quatro filhos menores e saber que não tenho uma ambulância com suporte básico de vida fez-me pensar que podia fazer alguma coisa para ajudar", referiu Jorge Romão.
"Informei-me sobre quanto custa transformar um furgão numa ambulância e custa entre 35 mil e 40 mil euros", sublinhou.
Quem fizer a licitação mais alta neste leilão receberá ainda a edição em vinil do álbum "In Vivo", dos GNR, há muito retirada do mercado, e um cartaz da marca de instrumentos Aria, ambos autografados pelo baixista.
Contactado pela agência Lusa, o responsável dos bombeiros voluntários de Vila Praia de Âncora, o comandante Manuel Reis, referiu que actualmente tem apenas uma ambulância ao serviço, mas sem suporte básico de vida.
"Estamos um bocado mal. Temos uma na oficina e outra a andar, o que é insuficiente", referiu o responsável, elogiando o leilão que acontecerá na quinta feira.
publicado por Brito Ribeiro às 21:04

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