Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

26
Fev 09

Era aluna na escola profissional onde trabalho. Uma rapariga entre tantas, cada uma com a sua maneira de ser, a sua maneira de estar.

A Liliana era apenas uma jovem alegre, entusiasmada com as actividades da escola, com os amigos, com todos nós.
Foi sepultada hoje em Alvarães onde residia. Faleceu devido a um acidente de viação estúpido, como todos, que lhe roubou a alegria de viver aos dezasseis anos.
Fica em paz, miúda…
publicado por Brito Ribeiro às 17:42

25
Fev 09

Estamos a comemorar dois anos de existência. A aventura começou em Fevereiro de 2007 e desde então, foram publicados cerca duzentos e quarenta artigos e por cá passaram mais de 51.000 visitantes.

Pelo mundo continuaram as lutas entre palestinianos e israelitas, conflito sem fim à vista, tal como no Iraque, o Afeganistão, o Sri Lança ou a Somália. A América elegeu o primeiro presidente negro que tem pela frente uma tarefa ciclópica.
Por cá a crise que nunca nos deixou, instalou-se de armas e bagagens, sendo pedido aos portugueses, como de costume, mais uns apertões no cinto.
Os governos alternam entre uns e outros, irmanados na incompetência e nos escândalos que enlameiam, cada vez mais, a classe política. Os dinheiros públicos continuam a fluir para as obras públicas de duvidoso interesse nacional, mas de relevante interesse político partidário. A segurança de pessoas e bens é diariamente posta em causa e começa a ser abusivo falarmos do “tranquilo jardim à beira mar plantado”.
O polícia mais parece o criminoso e este acaba na maior parte das vezes a rir-se da justiça feita deliberadamente para funcionar tarde, mal ou nunca. Os crimes de colarinho branco, recentemente postos a nu pela comunicação social e que incriminam a insuspeita comunidade banqueira, deixam o Estado e as entidades fiscalizadoras, que nada fiscalizaram, com o embaraço de resolver a crise financeira que deixou à beira da falência diversos bancos. Mais uma vez à custa dos nossos impostos, mais uma vez à custa de quem trabalha… como de costume.
Por cá, Vila Praia de Âncora, bem entendido, continuamos na mesma cepa torta. Desenvolvimento económico é coisa que continua a escapar para os concelhos vizinhos e a qualidade de vida não é mais, nem menos que antigamente. Industria não há, agricultura muito menos e sobre a pesca estamos conversados. Turismo só de garrafão e marmita e não há projectos nem intenções de inverter a situação.
Como estamos em ano de eleições não será de estranhar que nos próximos meses apareçam promessas, se inaugurem obras mesmo sem acabar, se façam festas, com beijinhos e abraços… como de costume.
Felizmente este blog não vai a votos, por isso continuará tranquilamente a sulcar o espaço e o tempo, reflectindo, criticando, informando e divertindo-se com tudo isto até ao próximo aniversário.
Bem hajam!
 
publicado por Brito Ribeiro às 22:26

17
Fev 09

Designação

Capela de Nossa Senhora do Carmo
 
Localização
Viana do Castelo, S. Lourenço da Montaria, Largo da Igreja
 
Protecção
Inexistente
 
Enquadramento
Rural, isolado, num vale. Situa-se no extremo NO. de um grande terreiro parcialmente arborizado e em cujo lado Sul se situa a Igreja Paroquial.  Implanta-se sobre um pequeno adro sobrelevado, pavimentado com calçada irregular e sem qualquer separador.
 
Descrição
Planta longitudinal de massa simples com cobertura em telhado de 2 águas. Fachadas em alvenaria rebocada e pintada, com cunhais, em cantaria de granito, rematados por pináculos.
Fachada principal virada a Sul, terminada em empena encimada por cruz patriarcal. Portal axial de verga recta, com cornija, ladeado por 2 pequenos janelos rectangulares e encimado por óculo oval.
Fachadas laterais, terminadas em cornija, tendo na fachada E. uma pequena janela rectangular. Fachada posterior terminada em empena encimada por cruz.
No INTERIOR, espaço único, com paredes rebocadas e pintadas de branco; altar em madeira com frontal pintado imitando tecido policromo decorado com motivos florais; na parede testeira nicho em arco abatido, com imagem do orago. Pavimento em tijoleira e tecto em madeira.
 
Propriedade
Privada: Igreja Católica
 
Época Construção
Séc. XVIII ( conjectural )
 
Arquitecto | Construtor | Autor
Não definido
   
Tipologia
Arquitectura religiosa, barroca. Capela barroca, de planta longitudinal simples, marcada por cunhais encimados por pináculos, frontispício em empena, com portal de verga recta ladeado por janelos e encimado por óculo. No interior altar, de frontal pintado, encimado por nicho em arco abatido.
 
Características Particulares
Ermida barroca, de grande simplicidade, com esquema de vãos no frontispício, característico das ermidas, ou seja, portal ladeado por janelos e encimado por óculo. No interior destaque para o frontal de altar pintado imitando tecido policromo.
 
Dados Técnicos
Paredes autoportantes.
 
Materiais
Paredes e muros em alvenaria; cunhais, molduras, cornija, pináculos e cruzes em cantaria de granito; tecto, porta e altar em madeira; cobertura em telha marselha; pavimento em tijoleira.
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 15:37

12
Fev 09

 

Mergulha-se rapidamente a lampreia em água muito quente. Com uma faca raspa-se ao de leve todo o corpo da lampreia para a limpar de limos e outras viscosidades, mas sem lhe tirar a pele. Pode-se ajudar esfregando com um pano grosso, tipo linho, após o que se passa a lampreia por várias águas.
Em seguida, coloca-se numa vasilha funda para a sangrar, dando-lhe para isso, na parte de baixo, a partir da cabeça um golpe longitudinal com 10 centímetros de comprimento aproximadamente. Aproveita-se todo o sangue que sai do golpe e deita-se-lhe vinho ou vinagre para não coalhar.
Dá-se outro golpe junto ao umbigo e puxam-se as vísceras, sem rebentar. Golpeia-se transversalmente na barriga, desde a cabeça até à cauda, com o intervalo com que queremos cortar os toros, quando os quisermos separados.
Tira-se em seguida a espicha que a lampreia tem na cabeça, aprofundando o primeiro golpe com todo o cuidado para que saia inteira, pois, se rebenta ou fica qualquer bocadinho, dá mau gosto ao cozinhado (dizia a minha mãe que a lampreia ficava a saber à sardinha).
 
Há poucas divergências na forma de amanhar a lampreia. Mesmo a forma de confeccionar o tradicional arroz de lampreia tem poucas variantes regionais, podendo identificar-se a lampreia à moda de Viana, à moda de Esposende e à moda de Entre-os-Rios, que usa vinho maduro tinto e presunto, em vez de vinho verde e chouriço, como em Viana ou Esposende.
Aliás a diferença entre a forma de cozinhar a lampreia nestas duas cidades minhotas é que na zona de Viana se usa preferencialmente o vinho branco (não pode ser doce) e em Esposende usa-se mais o vinho tinto.
 
Deixem-me dizer-vos que não sou grande apreciador de lampreia. Ao longo da vida, já provei várias vezes e de várias maneiras pratos confeccionados com lampreia, mas ainda não fiquei adepto.
Vi muitas vezes a minha mãe, a minha irmã e principalmente a minha tia (grande cozinheira) Belinha Meira, às voltas com este tradicional prato minhoto e apesar de não o degustar, interessei-me pela sua confecção delicada, mas não muito difícil.
Nos últimos anos, a lampreia tem vindo a vulgarizar-se com a introdução de exemplares importados de França, que são muito diferentes em aspecto e em sabor da espécie autóctone, que é capturada nos rios do norte de Portugal.
Também a criatividade gastronómica tem “atacado” este ciclóstomo, surgindo a cada passo novas formas de o cozinhar. No entanto a forma tradicional é o Arroz de Lampreia e como alternativa, a Lampreia à Bordalesa. É sobre a primeira forma que me vou debruçar.
 
 
 
Ingredientes: (para 4 pessoas)
 1 lampreia, 2 cebolas, 2dl de azeite, um ramo de salsa, 1 dl vinho, ½ chouriço de carne, sal, pimenta e cerca de 400 gramas de arroz.
Prepara-se a lampreia, corta-se em toros e tempera-se com o vinho, a salsa, o sal e a pimenta, deixando na marinada de um dia para o outro. A Belinha Meira usava vinho verde tinto ao qual adicionava um pouco de vinagre.
Faz-se um refogado pouco puxado com a cebola e o azeite. Introduz-se a lampreia neste refogado assim como o chouriço às rodelas e deixa-se refogar em lume brando.
Retiram-se cuidadosamente os bocados de lampreia e acrescenta-se a calda com água. Esta deve ser em quantidade que perfaça 5 ou 6 vezes o volume do arroz. Rectifica-se o paladar da calda, deixa-se levantar fervura e junta-se o arroz escolhido mas sem ser lavado. Pouco antes de pronto acrescenta-se o sangue.
Depois do arroz estar cozido, juntam-se os bocados da lampreia e serve-se imediatamente, tendo o cuidado de ter calda suficiente (estar a “fugir”).
publicado por Brito Ribeiro às 15:42

09
Fev 09

- Vem aí um barco de guerra… Já está ao largo de Viana…

- E depois?
- Homem, é um barco dos republicanos… Vem por aí acima para nos bombardear!
- Ora! Então acha que o navio anda para aí aos tiros, sem mais nem menos?
- É o que lhe digo. Escute, – baixou a voz em tom confidencial – o Silvestre veio de Viana no trem da manhã e disse-me que por lá não se fala de outra coisa… Olhe que o Silvestre é homem sério…
- Eu sei, eu sei, mas nem quero acreditar numa coisa dessas. Bahh… Bombardeados! Esta coisa dos Bolcheviques ainda vai chegar aqui…
- Já não digo nada, amigo Celestino, este mundo está perdido…
 
Há dois dias que não parava de cair uma chuva miudinha, irritante e que se pegava à roupa como visgo. Naquela manhã foi difícil descortinar o fumo que saia da chaminé do “Limpopo”, apesar de navegar a menos de uma milha da costa rochosa de Montedor e Afife. Dobrou o promontório do Forte do Cão, reduziu a velocidade e vogou suavemente frente à praia de Âncora.
A povoação de Gontinhães estendia-se terra dentro, ocupando as terras férteis do Vale do Âncora. Nos últimos anos tinham as construções descido até à praia e com a construção do portinho, muitos pescadores de outras terras tinham vindo habitar para o Lugar da Lagarteira. Foram estes pescadores os primeiros a verem a pequena canhoneira a vapor, que parecia estar a estudar as condições de fundear perto da costa, se calhar com a intenção de baixar algum escaler.
As crianças furavam por entre as pernas dos adultos e algumas não se livraram de levar uns sopapos. Mesmo assim valia a pena para estar na primeira fila. As mulheres benziam-se e os homens seguiam com atenção as manobras do vaso de guerra, que já tinha andado pelas terras de Moçamedes em tempos idos. A chuva continuava a cair e a ninguém parecia importar.
- Deixem passar! Deixem passar! Arreda!!!
Com estas palavras o Tenente Castro desceu até à praia por entre a multidão expectante. Formados a dois e de espingarda ao ombro, a reduzida vanguarda monárquica seguia-o marchando com os passos trocados.
- Senhor tenente, será dos nossos? – perguntou o Afonso, que se benzia todos os dias em frente à fotografia do rei que tinha pendurada na sala, entre o relógio e o oratório.
- Hummm… Acho que não – replicou o Tenente que via perfeitamente a bandeira da República na popa do barco – Se desembarcarem vamos aprisioná-los…
- Só vocês?...
- Sim, os nossos soldados com a inspiração de Sua Alteza e a Graça Divina… E todos os homens de fé e de coragem desta terra!
Quem por ali estava e ouviu as palavras inflamadas do oficial, cedo tratou de se desviar e alguns até desistiram de continuar a observar as movimentações a bordo do vapor, que parecia agora fazer um compasso de espera.
 
As crianças mais velhas, a Bela e a Minda estavam sentadas junto da mãe que vigiava o trabalho de bordado que ambas se esforçavam por fazer. A Delfina abanava a cabeça, silenciosamente desapontada perante a falta de jeito que a Bela, apesar de mais velha, tinha para tudo o que implicasse cozer ou bordar. A bebé dormia na cama da mãe e a outra miúda, com quatro anos, tinha ido com a Rosa até ao moinho, onde a senhora Maria transformava grão em farinha.
- Que sossego – pensou a Delfina, cruzando as mãos sobre o regaço – Como se estarão a ver na pensão? Deve estar tudo uma confusão… O Abel não liga nenhuma, a velhota, coitada, não chega para as encomendas… Melhor tivesse eu ficado e vinha a avó com elas… Aqui um sossego e lá uma confusão! Deus me livre, quando lá chegar até tenho medo de dar em doida com o que encontrar… ahhh! Mas vão ouvir-me!
- Mãe, isto não fica direito – queixa-se a Bela – e já me espetei.
- Deixa-me ver… Estes pontos estão muito grandes! Jesus! Parecem comboios… Tens de fazer assim… estás a ver! Parece-me que estou a ouvir a bebé, deve ter acordado.
Levantou-se e empurrou de mansinho a porta do quarto onde a Letinha repousava. A criança ainda dormia e a extremosa mãe decidiu colocar outro cobertor sobre a criança.
Haviam cobertores no guarda-fatos, já os tinha visto no primeiro dia. Abriu a porta do roupeiro, escolheu uma manta aos quadrados verdes, segurou a roupa que estava por cima e puxou-a para fora. Junto com a manta veio uma peça de roupa preta. Levantou-a do chão para a dobrar e arrumar no mesmo sítio, quando reparou na interminável fila de botões muito juntos.
- Mas que raio… parece a sotaina… ora esta…é a sotaina do padre.
Levantou a sotaina, virou-a várias vezes para melhor a apreciar, dobrou-a apressada, sentindo-se afogueada. Voltou a colocá-la sob a rima de cobertores e fechou cuidadosamente o roupeiro que guardava o grande segredo. Há muito que corria, à boca pequena, o boato que a senhora Maria se entendia com o padre Correia. Não se falava na freguesia, mas as comadres cochichavam e os homens trocavam aqueles olhares de sabedoria.
 
Uma pequena nuvem de fumo saiu da proa do “Limpopo” e um silvo agudo passou sobre as cabeças dos espectadores. Do mar veio o barulho semelhante ao trovão, que deixou todos atónitos.
- Que foi, mãe? – pergunta a pequenita agarrada com todas as forças à saia da mãe.
- Fujam, fujam, estão a bombardear – gritou alguém.
- Estão a bombardear-nos… Fujam!!! – era o que mais de ouvia.
Como impulsionados por uma mola, todos se viraram para terra e correram. Novos, velhos, mulheres, crianças… todos procuraram abrigo entre o casario baixo, pobre e rústico da Lagarteira.
Novo silvo agudo e novo estrondo vieram do mar, pouco mais longe que o Sabugo.
- Dispararam outra vez – informa alguém, como se os outros não soubessem.
Passados os primeiros momentos de pânico, o Tenente Castro que fora dos primeiros a fugir, recobrou animo, tirou o boné, passou a mão pelo cabelo, voltou a enfiar o boné, olhou para as botas sempre reluzentes e agora emporcalhadas da areia, puxou as mangas do dolman e decidiu-se a tomar conta da situação.
- Cabo Simões, reúna os homens.
- Eles estão aqui, senhor tenente.
- Sim? Onde está a sua arma? – pergunta o oficial ao soldado gordo que arquejava com o esforço da corrida.
- A ar… arma?!!!... Hum… Acho que… que ficou ali em baixo – responde o atarantado soldado, apontando para o sítio onde tinham estado a observar o navio republicano.
- Perder da arma!!!... Você vai a conselho de guerra. Devia ser fuzilado imediatamente – berra o tenente descontrolado.
- Eu vou… eu vou já buscá-la – responde-lhe o soldado afastando-se ligeiro.
Entretanto mais um tiro de canhão foi disparado e todos se encolheram pois o impacto dera-se ali perto.
- Fujam, eles vão destruir tudo! – gritou alguém, levando a nova correria pelas ruelas, entre as casas.
- Soldados! – berrou o tenente de pistola em punho – Carregar armas. Vamos ripostar. Espalhem-se para parecer que somos muitos. Depressa!!! Ao meu comando… fogo!
Uma descarga de Mauser atingiu o “Limpopo” onde, descontraidamente, a tripulação assistia do convés, aos disparos do canhão da proa. Um marinheiro caiu, ficando na coberta a gemer, enquanto os outros de abrigavam do lado do mar e nova saraivada de balas batia nas chapas carcomidas da velha canhonheira.
 
O primeiro tiro do canhão fez o Abel dar um salto no banco da loja que funcionava no piso térreo da sua pensão. O projéctil tinha caído ali perto. Muito perto, no lado do Sol Posto. Veio à porta olhou para o céu e viu na varanda, sobre a sua cabeça, a bandeira azul e branca que os soldados tinham desfraldado.
- Américo, vai lá acima e tira aquela bandeira. Estão a disparar contra ela! Depressa!
Neste momento ouviu-se outro impacto mais afastado e pouco depois chegou o enteado com a bandeira nos braços. Os disparos seguintes foram para outros alvos e o coração do Abel começou a serenar.
- Foi na casa da Tia Claudina – diz alguém que passa na rua a correr.
- Ó diabo! Matou alguém?
- Não… Ela tinha ido à horta apanhar um braçado de couves para os coelhos.
A batalha foi curta e ao fim de meia dúzia de disparos, a canhoneira vomitou umas baforadas de fumo pela chaminé, afastou-se da costa e rumou para norte. Fosse pela resposta dos soldados em terra que, bem abrigados pelos muros de pedra dispararam as suas armas, fosse por qualquer outro motivo, o certo é que não houve nenhuma tentativa de desembarque e ao fim de pouco tempo o “Limpopo” deixava de ser visto.
Ainda houve quem fosse ao Espilrro espreitar, não mudassem de ideias ou fosse uma armadilha para apanhar os atiradores distraídos, mas viram o barco seguir a direito até à Ínsua.
 
No Amonde só souberam destes acontecimentos dois dias depois, graças à visita da Tia Leonarda, que depois de retemperar forças com uma caneca de vinho branco e um par de pataniscas, lhes contou como a casa da Tia Claudina, no Largo do Sol Posto tinha levado um tiro de canhão, que entrara pelo telhado e rebentado com um alguidar onde demolhavam umas postas de bacalhau. A Delfina teve um arrepio só de pensar no que podia ter acontecido, se o projéctil se tivesse desviado quarenta ou cinquenta metros, caindo sobre a pensão.
Outro dos edifícios atingidos foi a estação dos caminhos-de-ferro, pois era bem visível do mar a enorme bandeira monárquica que lá tinham hasteado. Um dos quartos da residência do chefe da estação tinha ficado destruído e a esposa desse ferroviário tinha-se salvo por milagre, pois estava na dependência imediata.
A Defina que estava desejosa de regressar a casa, ponderou nos perigos cada vez maiores deste conflito político. Teriam de ficar mais algum tempo, apesar de contrariada por estar afastada da sua cozinha, local onde passava a maior parte do tempo e onde se sentia como peixe na água. Também a descoberta que fizera no roupeiro da senhora Maria a constrangia muito, principalmente quando ficava a sós com a sua anfitriã.
 
A 13 de Fevereiro o exército republicano entrou na cidade do Porto e o Reino da Traulitânea ruiu como um castelo de cartas. Os soldados envolvidos na revolta regressaram aos quartéis, os chefes do golpe foram encarcerados e a bandeira verde e rubra voltou flutuar em todo o país.
O tenente Castro quando recebeu das mãos de um estafeta a cavalo, a ordem para se dirigir imediatamente a Viana e pôr-se à disposição do comandante do Regimento de Artilharia Ligeira do Forte de Santiago da Barra, compreendeu que estava tudo perdido. Esmagou lentamente a cigarrilha com a biqueira da bota reluzente, subiu ao seu quarto, escreveu uma nota dirigida ao seu comandante de divisão, pegou no revolver e deu um tiro na cabeça.
Ao barulho da detonação acorreram várias criadas da pensão e dois dos soldados que se entretinham a jogar à bisca na loja do rés-do-chão. Em breve, todos sabiam que o nervoso tenente Castro tinha preferido suicidar-se a ter de reconhecer a derrota, enfrentar a prisão e o exílio provável nas colónias africanas.
- E agora, que fazemos? – pergunta um dos soldados, perante o cadáver do tenente.
- Agora – responde o Abel – peguem nele e enterrem-no! Ou pensam que vou ser eu a tratar disso? Já me chega ter-vos sustentado durante duas semanas… Andando daqui para fora!!! Levem o tenente e… levem o raio da bandeira convosco! 
 
A Tia Leonarda já tinha o gado atrelado ao carro, a Rosa descera as bagagens, a Delfina estava a despedir-se da senhora Maria e as crianças brincavam com os cães da propriedade.
A Delfina descia as escadas exteriores de pedra, quando voltou para trás e disse em voz baixa para a Senhora Maria, que estava debruçada na balaustrada.
- Esqueci-me de lhe dizer que cozi os botões que estavam soltos no gabinardo do padre, mas não se preocupe, pois voltei a arrumá-lo entre os cobertores.
Fim
publicado por Brito Ribeiro às 15:47
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05
Fev 09

Que o mar possui propriedades medicinais e terapêuticas já não é novidade para ninguém. Mas hoje, a ciência médica moderna, baseia-se nas propriedades marinhas de elementos como a água do mar, as algas, o barro, a brisa marítima e a areia para obter resultados terapêuticos de diversa ordem.

A vida nasceu do mar e, curiosamente, o plasma sanguíneo de alguns mamíferos (entre os quais se encontra o homem) tem uma composição semelhante à da água marinha.
«O plasma é que mantém os elementos do sangue revigorados (tanto os glóbulos vermelhos, como os brancos) e transporta os elementos nutritivos para as várias células.
As células banham-se na água intersticial, que é um líquido semelhante ao soro fisiológico, com uma determinada quantidade de água e sais minerais, entre eles o cloreto de sódio. Esse líquido apresenta, sem dúvida, a mesma composição química que existe na água do mar», explica o médico fisiatra António Ramos.
A semelhança é tal que, em 1903, o biólogo René Quiton substituiu pequenas quantidades de sangue por água do mar para salvar um cão. Isso explica que os elementos dessa água têm propriedades eficazes quando postos em contacto com o organismo.
 
A talassoterapia provém dos vocábulos gregos thalassa (mar) e therapeia (terapia) e constitui a ciência que estuda e permite aproveitar essa grande reserva de princípios activos que existe no mar, através de banhos, hidroterapia, algas e cosmética marinha.
Outra terapia adstrita à talassoterapia é a algoterapia, que reforça e potencia ao máximo a acção do meio ambiente marinho sobre o estado de saúde em geral, melhorando especialmente certas doenças da pele e actuando sobre o equilíbrio neuro-sensorial.
Pelas suas altas concentrações de elementos marinhos, as algas actuam como correctores e têm propriedades que remineralizam, sendo possíveis resultados espectaculares quando são aplicadas em tratamentos corporais e faciais.
Quando as algas são reduzidas a partículas muito finas podem atravessar a barreira da pele, proporcionando resultados visíveis desde a primeira aplicação.
 
A talassoterapia, como cura marinha completa, faz intervir numerosas técnicas que envolvem os banhos de água salgada, as algas, os aerossóis, sendo a associação de tais técnicas dependente dos problemas a tratar.
«A técnica a utilizar, o calor dos banhos e dos duches, a sua força, a localização e a duração devem ser escolhidos após um exame médico prévio que determine com precisão a doença em causa, estabelecendo o tratamento a aplicar», refere o Dr. António Ramos.
Os aerossóis consistem na inalação de vapores de água salgada e são especialmente benéficos nos casos de problemas nas vias respiratórias, sinusite e catarros rinofaríngeos.
«Os banhos tomam-se em piscinas colectivas com multijactos, jactos de costas, percurso de pernas, banho borbulhante, cascata e área para hidroginástica. As banheiras de hidromassagem são individuais, com 180 jactos e 240 litros de água, a temperaturas de 34-38º C, entre 15 a 25 minutos.
Há possibilidade de fazer-se igualmente um duche a jacto, com temperaturas de frio ou quente», esclarece o médico. Todas estas técnicas intensificam o metabolismo celular, favorecendo o bem-estar.
 
Indicações terapêuticas
A talassoterapia é uma técnica de incontestável prevenção e manutenção que proporciona um imenso bem-estar. No entanto, existem problemas de saúde para os quais está particularmente vocacionada pelos efeitos benéficos que produz.
«As principais indicações da talassoterapia são as doenças do sistema osteoarticular e muscular – as artroses, as raquialgias, alguns reumatismos inflamatórios ou os traumatismos menores. Também está indicada nos casos de doenças do aparelho respiratório, designadamente nos casos de asma, sinusite, bronquite e nos casos de doenças do aparelho circulatório, nomeadamente da circulação venolinfática.
Outras áreas que podem beneficiar da talassoterapia são as situações de fadiga, stress, apoio pré e pós-parto, pós-cirurgia, prevenção e luta contra o envelhecimento e inclusivamente apoio a regimes de emagrecimento e tratamentos de adiposidade localizada e hidrolipodistrofias, ou seja, celulites», enuncia o médico.
É provável que, no futuro, se descubram ainda outros benefícios de origem marinha, até porque, actualmente, é possível descer a profundidades superiores, onde têm sido descobertas novas e complexas formas de vida.
No entanto, o que se sabe hoje já é motivo mais do que suficiente para se ter em vista a preservação urgente deste berço de vida.
 
O caso de Vila Praia de Âncora
Em Vila Praia de Âncora existiram em tempos os “banhos quentes”, casas localizadas perto da praia onde se podia desfrutar de um banho de água salgada, previamente aquecida. Esta água era carregada em cântaros desde o mar até à caldeira por mulheres, que depois era dividida por as diversas banheiras.
Já nessa época se sabia das propriedades terapêuticas da água do mar. Se recuarmos mais uns anos, até ao final do século XIX e início do século XX podemos encontrar no receituário médico a prescrição de banhos de mar para diversas maleitas.
Os “banhos quentes” acabaram por encerrar por falta de continuadores, as casas entraram em ruínas, foram vendidas e nunca mais se reatou esta actividade percursora da moderna talassoterapia.
Nada se alterou, o mar mantêm as suas características, a ciência evoluiu imenso, há mercado para vender este produto, há espaço e… pelos vistos, não há vontade de investir.
Apesar de teimarem em promover turisticamente o concelho de Caminha como um mosaico de paisagens, eu entendo que não saímos da “cepa torta” com um limitado leque de oferta turística.
Aos disparates urbanísticos ainda não conseguimos contrapor com uma recuperação e valorização do património monumental; ao desleixo ambiental ainda não conseguimos contrapor com uma valorização paisagística e com políticas de divulgação cultural de qualidade.
O turismo continua a ser, maioritariamente, de “garrafão”, com o visitante de proximidade a chegar de manhã carregado com o guarda-sol e a lancheira, abalando ao fim da tarde para casa, sem constituir uma mais valia para o comércio e industria hoteleira local. Já disse isto várias vezes, sou de opinião que apenas com um grande projecto de desenvolvimento turístico, o mais abrangente possível, se conseguirá almejar que a nossa terra seja um destino apelativo.
O caso concreto da talassoterapia é flagrante e a sua implementação iria contrariar a sazonalidade turística concentrada no binómio praia/sol, com ocupação diluída por todo o ano, indo preencher um nicho especializado, que já é amplamente explorado na costa galega aqui bem perto e que em Portugal continua por descobrir.
 
publicado por Brito Ribeiro às 17:21
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01
Fev 09

Há um tio de José Sócrates, chamado Dias Loureiro, frade mendicante que queria abrir um Banco Insular no Freeport de Alcochete em Cabo Verde.

 
Para isso, explicou aos deputados e à Judite de Sousa, que teve uma reunião informal com os dirigentes do BPP, sendo que, por engano, os repórteres de televisão passaram a tarde de ontem à porta do BPN, onde as autoridade policiais, sob as ordens da procuradora Felícia Cabrita, procuram dois bilhetes de cinema (do Freeport) utilizados por um fulano chamado Oliveira e Costa e por um inglês cujo nome me escapa... acho que é Smith ou assim parecido.
 
Dizem os jornais do dia que a conversa entre Oliveira e Costa e o tal inglês, o Smith, gravada em DVD por uma prima do cunhado de Vítor Constâncio, terá ocorrido durante a exibição de "La Grande Bouffe - O Filme", exibido no Forum de Almada, que terá sido construído em plena ZPE da A2, com financiamento da Quercus e supervisão dos analistas da OCDE.
publicado por Brito Ribeiro às 17:59
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