Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

30
Jan 09

 

Percursora de uma importante indústria de lacticínios (Empresa de Lacticínios Âncora) que cessou actividade há poucos anos, a Fábrica de Lacticínios J. A. Fernandes Cannas, Sucessores foi fundada em 1894.
O edifício visível na fotografia (1903) situava-se no largo da estação do caminho-de-ferro, na saída norte da povoação.
Nessa época, o leite entregue pelos agricultores, era trocado por fichas de um ou de cinco litros, que acabaram por serem aceites como moeda válida no comércio local.
publicado por Brito Ribeiro às 17:16

24
Jan 09

O eixo chiava de forma aflitiva. Um guincho quase animal, que lembrava o porco no estertor da morte sob a faca do matador. Lentamente, o carro puxado pela junta de vacas galegas, pachorrentas e teimosas, avançava passo a passo.

Sobre a plataforma de madeira escura, as crianças mais velhas divertiam-se com a novidade da viagem. A mais nova, ainda de colo, embrulhada no xaile de borlas castanhas, brincava com o cordão de ouro que volteava o pescoço da mãe. Com elas viajava a Rosa, criada da pensão, que viera de Coura ainda criança, para servir e fazer-se mulher.
Tinham partido de manhã, ao nascer do dia, preparados para cobrir pouco mais de duas léguas até ao Amonde, onde iriam viver nos próximos dias.
A Tia Leonarda que segurava o temoeiro de couro, fez parar as vacas com uma pancada seca da vara. Do bolso do avental tirou um naco de sabão que passou pelo eixo ressequido do carro. Logo retomaram a marcha sem mais demora, apesar dos protestos das crianças que queriam sair do carro e dar uns pinotes.
- Vamos, vamos, senão chegaremos noite dentro. Os dias são curtos… Ande lá Tia Leonarda, espevite-me estes animais!
- Já lá vamos, Dona Delfina! Os bichos ainda ficam com a língua de fora… Há anos despariu-me uma vaca por causa das pressas…
Tinham passado pela veiga da Baralha, deixado para trás a Matriz de Soutelo e atravessavam agora os montes da Esturranha. Os carvalhos, loureiros, azevinhos e sobreiros que bordejavam o caminho, corriam monte acima até às bandas de S. Pedro Varais.
O eixo já não chiava, as duas raparigas mais velhas iniciaram uma discussão por causa da boneca de trapos. Com mão ligeira, a mãe deu um tabefe a cada uma e a ordem regressou ao pequeno espaço do carro de vacas.
 
Estávamos em Janeiro de 1919 e a sublevação monárquica tinha-se espalhado pelo norte. Enquanto os republicanos se entretinham em questiúnculas, os saudosistas do rei tinham conspirado e aplicado um golpe audacioso na frágil ordem que tinha sobrevivido ao assassinato do Sidónio Pais.
A 19 de Janeiro, a Junta do Norte proclamou, no Porto, a restauração da Monarquia, anunciando a constituição de uma Junta Governativa. Esta era presidida por Paiva Couceiro e geraram-se focos de resistência ao poder republicano em vários pontos do País. Em Viana do Castelo, o regime monárquico foi aclamado das varandas da Câmara Municipal e a multidão reunida em volta do chafariz deu vivas ao rei.
Grupos de soltados aderentes à revolta, foram distribuídos pelas principais povoações minhotas. Gontinhães não foi excepção e um grupo de meia dúzia de soldados, comandados por um tenente, assentaram arraiais na localidade.
À falta de instalações próprias para acantonarem, optaram por se hospedarem na Pensão Âncora.
 
Montado no seu cavalo ruço, o regedor de Riba D’Âncora cruzou-se com aquele carro cheio de mulheres e crianças. Descobriu-se perante a senhora e seguindo caminho murmurou com os seus botões, “Mais uma família que se põe a bom recato. Como irá acabar esta loucura?”
- Dona Delfina, temos de parar no rio para o gado beber e repousar – avisa a Tia Leonarda, muito ciente do conforto dos seus animais.
- É melhor! As crianças também precisam espairecer e já estão cheias de fome.
Pararam na Ponte de Saim, puseram os pés em terra com os agasalhos bem fechados, embora o frio embora não apertasse ao fim da manhã, sentia-se a humidade no ar.
Com as crianças a correrem à volta do carro, a Tia Leonarda desengatou os animais e desceu com eles à beirada do Rio para os saciar. Deixou-os a pastar num pequeno paul da Vitória, que morava ali perto. Já era costume e a Vitória até costumava presenteá-la com algumas laranjas sumarentas colhidas no seu lugar.
- Meninas, venham comer – chamou a mãe, que abrira a sesta de verga carregada de lauto farnel; frango assado, panadinhos de vitela, um tachinho de arroz no forno, presunto, postas de bacalhau frito para a Leonarda e para a Rosa, pão cozido no dia anterior e um garrafão de vinho. A bebé iria comer papas de arroz, cuidadosamente acondicionadas na pequena marmita de esmalte. Uma pucarinha de barro com água da Fonte da Retorta, colhida de manhã bem cedo, por uma das criadas da pensão, iria mitigar a secura das crianças.
Ao longe um sino deu as doze badaladas, talvez em Orbacém, quiçá em Outeiro, que o vento estava a favor. O sol espreitou fugaz entre as nuvens que passavam apressadas. A refeição foi rápida, os animais regressaram à canga, a Tia Leonarda tornou a ensaboar o eixo. Em breve passaram as primeiras casas de Orbacém, deram a volta pelo Arnado.
Na última volta da pequena colina sobranceira ao Rio Âncora surgiu a Ponte de Tourim, tão velha que diziam ter sido construída pelos romanos nos tempos de Cristo.
Pela veiga de Tourim acima, juntas de bois puxavam os arados, mulheres manejavam as enxadas enquanto os homens podavam e atavam as vinhas, que ano após ano, se carregavam de uvas escuras e miúdas.
 
Em Gontinhães, na pensão Âncora, os soldados ocuparam dois dos quartos virados à rua e o tenente ficou com o quarto número um, ao cimo das escadas. Durante o dia davam umas voltas pela localidade, uma espécie de patrulha, perante o olhar curioso de uns e indiferente de outros. Quase todos pensavam que o Reino da Traulitânea não iria resistir às forças republicanas que haviam de vir de Lisboa.
O tenente Castro era um monárquico convicto, apoiante do Integralismo Lusitano e parente afastado de um dos seus mais destacados dirigentes, Pequito Rebelo.
Botas e calções de montar, dolman de colarinho direito, recentemente brunido, faziam dele uma figura elegante. Apesar da face picada das bexigas, o porte marcial destacava-se naturalmente.
Luvas de pelica, pingalim com cabo de alpaca lavrava e boné regulamentar com botões dourados, completavam a indumentária do novo representante do poder real nas terras do Vale do Âncora. A bandeira azul e branca ondulava ao sabor da aragem nos mastros da estação do caminho-de-ferro, na Junta de Freguesia e na varanda da pensão, para preocupação do seu proprietário, que não se queria ver imiscuído nas complexas e instáveis questões de regime.
Fora essa a gota de água que tinha levado que a esposa e as filhas se retirassem para o Amonde, uma aldeia próxima, mas suficientemente distante destes problemas.
- Não vá algum maluco anarquista atirar-nos uma bomba por causa da bandeira – dizia o Abel, rolando o palito que mantinha entre os dentes.
Decidiram que a pensão ficaria entregue ao Abel, à Maria Chocalha, sua sogra por parte do primeiro casamento e ao Américo, neto da Chocalha e enteado do Abel. A Delfina iria passar uns tempos ao Amonde, para a casa de uma família amiga, levando as quatro filhas e a Rosa para ajudar.
A Tia Leonarda, velha carrejona que nunca calçara sapatos, trabalhadora incansável, sempre pronta para esvaziar um copo, ficaria encarregue de levar regularmente os abastecimentos à casa dos Fulueiros no Amonde.
 
- Ainda falta muito, Tia Leonarda?
- Estamos a chegar. Ao virar ali em cima entramos no caminho para o fulão…
- Até que enfim, tenho os ossos maçados.
- Olha!... A senhora Maria veio esperar-nos, à beira do caminho… Ora viva, então como está tudo por aqui?
- Com a Graça de Nosso Senhor, minha senhora. Fizeram boa viagem?
- Fizemos, mas as crianças já estão aborrecidas de estarem tanto tempo presas entre os varais do carro.
- Ah… Elas já vão fartar-se de pular e de reinar pelo lugar fora – diz a senhora Maria, uma solteirona a chegar à meia-idade, dona do fulão e de mais uma mão cheia de propriedades espalhadas pela aldeia, herança dos pais e da madrinha.
- E a sua irmã Joana e o marido?...
- Lá em baixo, para as bandas do Arnado a lavrarem. Está a chegar o tempo da batata, Dona Delfina. Quem não semeia, não colhe…
 
Em Gontinhães, a 30 de Janeiro, a Junta de Freguesia tinha-se demitido ao saber que em Viana a monarquia tinha sido aclamada e o Governador Civil exonerado.
A Guarda Republicana estava recolhida nos quartéis das cidades e em Gontinhães o poder chamava-se Tenente Castro. A ele acorriam constantemente meia dúzia de velhos monárquicos, dando-lhe conta dos movimentos e alcovitices da terra, além das últimas novidades trazidas pelos raros viajantes que o comboio transportava.
Pelo Largo das Necessidades, renomeado de Praça da República em 1910 e que os locais chamavam apenas “Largo”, juntavam-se grupos para comentar a situação política do país e da região em particular.
- Diz-se que vem aí um batalhão de lanceiros para darem cabo dos azuis – dizia o Cannas encostado à porta da botica.
- Ora, não vão ter mais que fazer que virem de propósito para prenderem meia dúzia de rufiões, que não tem onde caírem de mortos… Ora!
- É verdade, compadre! É o que corre em Viana… Os da república querem limpar o terreno até Valença. Parece que aí a coisa está mais preta. São muitos e tem o grupo das metralhadoras com eles.
- Pois eu também já ouvi isso – intervem o João Brito, proprietário da botica, poiso habitual dos tertulianos – Meus amigos, isto ainda acaba mal… Esse Paiva Couceiro é maluco e ainda nos vai atirar para uma guerra civil. Não se esqueçam do que lhes digo!
- Eu até mandei a mulher e as crianças para a aldeia – diz o Abel, que estava recostado com as pernas estendidas no comprido banco exterior do estabelecimento.
- E fez vossemecê muito bem, senhor Abel! Ter as suas crianças com aqueles soldados todos lá em casa… fez muito bem.
- E eu vou fazer o mesmo! – diz o Manuel Presa – tenho uns primos em Lanheses, vou hoje mesmo escrever-lhes a dizer que seguimos daqui a dias.
 
O ambiente geral era de expectativa e muita apreensão. A cada dia que passava, circulavam os mais disparatados rumores, desde dizerem que viria uma armada inglesa apoiar a revolta trazendo a bordo o exilado rei D. Manuel II, a notícias da eminente chegada de tropas republicanas, que tudo poriam a ferro e fogo.
Os soldados da guarnição pareciam pouco preocupados e entre algumas patrulhas e umas tigelas de vinho que bebiam pelas tascas onde passavam, sobrava-lhes pouco tempo para montarem guarda ou zelarem pela segurança no caso de serem atacados. O Tenente Castro, com a interminável cigarrilha no canto da boca, mostrava o peso da responsabilidade e acusava um nervosismo indisfarçável.
- Espero ordens – dizia ele, tentando convencer-se e convencer os demais que estava tudo bem – Amanhã deve chegar um estafeta de Viana. Até novas ordens, devemos manter-nos aqui e garantir a segurança…
- E eu quero saber quem garante o pagamento das diárias – resmunga a Maria Chocalha que não ia à missa com a cara do Tenente.
 
Durante a noite o tempo arrefecia e só as achas de carvalho que amorrinhavam na lareira da cozinha, conseguiam manter algum conforto na rústica casa de lavoura.
A senhora Maria, como boa anfitriã, tinha cedido o seu quarto à Delfina e à filha mais nova que tinha apenas anos e meio. No quarto ao lado, dormiam a Rosa e uma das pequenas numa cama, enquanto as restantes partilhavam o outro leito.
Duas vezes por semana, a Tia Leonarda vinha trazer carne e peixe fresco, transportado à cabeça no cesto de verga. Só uma vez foi necessário trazer o carro com os animais para transportar mais roupa. As crianças sujavam-se imenso a brincarem no campo e o tempo chuvoso não ajudava para secar a roupa.
publicado por Brito Ribeiro às 20:52
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18
Jan 09

Designação

Capela de São Pedro de Soutelo
 
Localização
Viana do Castelo, Freixieiro de Soutelo, Lugar do Cadinho
 
Protecção
Inexistente
 
Enquadramento
Rural, isolado, na periferia do aglomerado, integração harmónica em plataforma aluvial do vale do Rio Âncora. Integra-se num adro murado, em alvenaria irregular de granito, com aberturas a Oeste e Norte, pontuado por oliveiras e com pavimento em terra batida onde se inserem, no extremo Oeste, algumas tampas sepulcrais anepígrafas e dois cruzeiros, de cruz latina, simples, sobre plinto paralelepipédico, com pequeno parque de merendas no extremo Este.
 
Descrição
Planta longitudinal composta por nave única e capela-mor rectangular, da mesma largura e altura, com anexo e sacristia, rectangulares, adossados a Sul. Volumes escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na capela e de uma no anexo. Fachadas rebocadas e caiadas, com cunhais em perpeanhos e terminadas em cornija.
Fachada principal orientada a Oeste, terminada em empena, coroada por cruz latina de cantaria sobre acrotério, e rasgada por portal de verga recta, sublinhada superiormente por cornija, encimado por óculo quadrilobado, gradeado; sobre o cunhal Sul, e assente em soco de alvenaria rebocada e caiada terminada em cornija, ergue-se sineira de dupla ventana, em arco de volta perfeita, sobre pilares, terminada em cornija, sobrepujada por cruz latina, sobre acrotério, entre pináculos piramidais, albergando duas sinetas de metal.
Fachada lateral Norte rasgada por porta de verga recta, moldurada, na nave e por uma outra porta e fresta rectangular de capialço na capela-mor. Na fachada Sul, onde é visível o escalonamento dos corpos, rasga-se sobrelevada porta de verga recta, moldurada, de acesso à sineira, precedida por escada de pedra, sem guarda, de um lanço, na sacristia porta de verga recta, no anexo, janela rectangular, jacente, gradeada, e, na capela-mor, fresta rectangular de capialço.
Fachada posterior virada a Este cega, com capela-mor terminada em empena.
Interior com paredes rebocadas e caiadas de branco e faixa cinzenta, pavimento cimentado, entre guias de granito, e tecto em madeira envernizada, de masseira, com tirantes de ferro pintados de verde.
À parede fundeira, adossa-se, ladeando o portal do lado da Epístola, pequeno lanço de escadas em pedra de acesso ao antigo coro-alto, actualmente inexistente, e que se apoiava em duas mísulas, confrontantes, conservadas lateralmente na nave.
Do lado do Evangelho, dispõe-se pia baptismal facetada, assente em pé quadrangular, e, do lado oposto,.pia de água benta, de bordo boleado. A meio da nave, surge, do lado do Evangelho, pia de água benta, de bordo boleado, ladeando a porta travessa, e púlpito de bacia rectangular sobre mísula, com guarda em balaustrada em madeira.
Segue-se, inserido num vão da caixa muraria, retábulo lateral em talha policroma e dourada, de planta recta e um eixo. Arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras toscanas, ostentando a pedra de fecho inscrita com a data 1802. É ladeado, do lado da Epístola, por retábulo colateral de talha policroma, de planta recta e um eixo.
Capela-mor, com acesso por um degrau, com pavimento lajeado e tecto em madeira envernizada, de masseira, possuindo porta de verga recta, de acesso à sacristia, do lado da Epístola. Mesa de altar destacada. Sobre supedâneo com acesso por três degraus, surge o retábulo-mor de talha policroma, de planta recta e três eixos definidos, exteriormente por duas pilastras, de capitel estilizado, e por duas colunas, de capitel coríntio, todos assentes em altos plintos; ao centro, abre-se tribuna, de perfil curvo e moldura dourada, interiormente pintado de azul e albergando trono de cinco degraus; nos eixos laterais, surgem painéis pintados de azul, com perfil superior curvo, sobreposto por mísulas com imaginária; ático em espaldar, com volutas e terminado em fragmento de cornija, sobreposta por cartela com atributos do orago (mitra com as chaves em haspa); sotobanco com portas de acesso à tribuna.
O retábulo é ladeado por nicho para as alfaias. Sacristia rebocada e caiada, com pavimento cimentado e tecto estucado, apresentado lavabo na parede Sul, com reservatório terminado em arco de volta perfeita, sobre pia semicircular. Anexo rebocado e caiado, com pavimento cimentado e tecto estucado.
 
Descrição Complementar
Retábulo lateral do lado do Evangelho de planta recta e um eixo definido por duas colunas torsas, decoradas por fénices e pâmpanos, assentes em consolas e de capitéis coríntios, suportando cornija, sobre a qual assenta fragmentos de antiga tabela rectangular, vertical, terminada em cornija assente em quarteirões, ladeados de aletas e coroada por espaldar recortado, pintado de azul, terminado em acantos recortados e enquadrado por florões; ao centro, possui painel sobreposto por mísula com imaginária.
O retábulo colateral da Epístola tem planta recta e um eixo, definido por duas colunas de fuste marcado no terço inferior, assentes em plintos ornados de motivos fitomórficos, e de capitéis coríntios; ao centro, abre-se nicho de perfil curvo, moldurado, inferiormente pintado de azul, tendo, à esquerda, alguns instrumentos da Paixão de Cristo, albergando imaginária; o nicho é ladeado por duas mísulas com imaginária; ático em espaldar curvo, decorado com resplendor e grinalda, terminado em cornija sobreposta por elemento vegetalista e tendo fragmentos de frontão com concheados no alinhamento das colunas; banco com apainelados inserindo ao centro painel policromo representando as Almas. Altar tipo urna, pintado.
 
Utilização Inicial
Cultual e devocional: Capela
 
Utilização Actual
Cultual e devocional: Capela
 
Propriedade
Privada: Igreja Católica
 
Época Construção
Século XVII
 
Arquitecto | Construtor | Autor
Desconhecido.
 
Cronologia
Século XVII - época provável de construção da capela; século XVIII, final - provável remodelação da capela e feitura do retábulo colateral da Epístola; 1802 - data inscrita na pedra de fecho do arco triunfal, indicando o seu restauro; século XX - execução do retábulo-mor; 1927 - data inscrita em painel, indicando o restauro do telhado da capela, por acção do benemérito Baltazar Gonçalves e sua esposa.
 
Tipologia
Arquitectura religiosa, vernácula, maneirista e tardo-barroca. Capela de planta longitudinal composta por nave e capela-mor, com sacristia e anexos adossados a Sul, interiormente com tectos de madeira e iluminadas por frestas de capialço. Fachada principal terminada em empena, rasgada por portal de verga recta, encimado por cornija, e óculo, tendo sineira de dupla ventana colocada sobre os anexos, e a lateral esquerda com porta travessa.
No interior, ostenta púlpito no lado do Evangelho, retábulo lateral maneirista, colateral tardo-barroco e retábulo-mor revivalista, neobarroco.
 
Características Particulares
Antiga capela maneirista ampliada no século XVIII e novamente no XIX, conforme atesta a data inscrita no arco triunfal. No interior, conserva vestígios do antigo coro-alto, actualmente inexistente, e reaproveita elementos de um antigo retábulo maneirista, terminado em tabela, e integrando já um espaldar tardo-barroco; o retábulo colateral da Epístola, conserva painel relevado com representação das Almas que teria pertencido também a um retábulo de estrutura maneirista. O retábulo-mor, executado no século XX, procura reproduz o esquema dos retábulos neobarrocos
 
Dados Técnicos
Paredes autoportantes.
 
Materiais
Estrutura em cantaria, com paredes rebocadas e caiadas; molduras dos vãos, sineiras, mísulas, pias de água benta e pia baptismal em cantaria de granito; retábulos em talha policroma; púlpito com bacia de granito e balaustrada de madeira; sinetas em metal; tecto em madeira e estuque; portas de madeira; pavimento lajeado e cimentado entre guias graníticas; janelas gradeadas e envidraçadas; cobertura em telha.
 
Bibliografia
VASCONCELOS, Joaquim Manuel de Paula e, Roteiro do Vale do Âncora, Vila Praia de Âncora, 1999, p. 77.
 
Intervenção Realizada
Fábrica da Igreja Paroquial de Feixieiro de Soutelo: 1990, finais da década - restauro do tecto da capela; 2002 - reparação dos rebocos exteriores e pintura das portas; 2004 - colocação de novo lajeado na capela-mor e cimentação do pavimento da nave.
 
Observações
Nas obras de restauro da capela foi demolida a parede Este do adro, alargando o espaço disponível e instalado um pequeno parque de merendas, onde se colocou uma bica de água e a base de um cruzeiro, com a inscrição ANXº / ALIZ.
 
publicado por Brito Ribeiro às 14:56

12
Jan 09

Nevar é uma ocorrencia rara no litoral português. Quando isso acontece, logo estas imagens abrem telejornais, as crianças brincam, os adultos divertem-se e os velhinhos afirmam a pés juntos que há pelo menos trinta ou quarenta anos não se via nada igual.

Foi assim na semana passada, quando um forte nevão, empurrado por uma corrente fria de leste, se abateu por todo o país. Do Minho ao Algarve, de Trás-os-Montes ao Alentejo quase tudo se cobriu de branco. Quase tudo, porque em Vila Praia de Âncora não nevou, desta vez.

Para que não caia no esquecimento, aqui vos deixo algumas fotos do nevão caido em 14 de Janeiro de 1987, portanto, há 22 anos. Parece que foi ontem!

 

Rua 5 de Outubro, junto à Cruz Velha

 

 

Cruz Velha. Onde existiam campos, hoje estão semeados apartamentos

 

 

Praça da República e o taxi do sr. Dario. O prédio do Central estava em obras.

 

 

Grupo de alunos da Escola do Rego. Hoje terão perto de trinta anos.

 

 

Um tojeiro de neve florido

 

 

 

Arga de Cima

 

 

 Rampa do Portinho e Forte da Lagarteira

 

 

 Praça da República

 

 

 Avenida e Parque Dr. Ramos Pereira

 

 

 Onde a areia e a neve se confundem

 

 

 Uma imagem dificil de se repetir, a neve chegou ao mar

 

 

 Igreja Matriz e residencia paroquial

 

Fotos cedidas por José Araújo (das Ganchas), Hernani Miranda, José Gaspar, Alberto Magalhães (Berto da Biandota) e Brito Ribeiro.

Estas e outras fotos do mesmo acontecimento, integraram a exposição "Aqui há bonecos de neve", que decorreu de 2 de Dezembro de 2008 a 6 de Janeiro de 2009 na Biblioteca da Escola Básica 1,2 de Vila Praia de Âncora e que foi visionada por todas as turmas do 1º e 2º ciclo.

publicado por Brito Ribeiro às 22:29

08
Jan 09

Ingredientes

30g fermento de padeiro
1dl de leite morno
500g de farinha
1 colher de chá de sal
3 ovos
1 colher de sopa de manteiga
0,5dl de cerveja
0,7dl de azeite
150g de linguiça
150g de chouriço de carne
150g de fiambre
Salsa picada
Presunto, chouriço, azeitonas pretas e amêndoas para enfeitar
 
Preparação
Dissolva o fermento de padeiro no leite morno e junte-lhe 100g de farinha. Tape e deixe levedar até a mistura dobrar o volume. Misture a restante farinha com o sal e envolva-lhes o preparado com o fermento. Adicione dois ovos, a manteiga e a cerveja; amasse bem. Verta o azeite, envolva bem e polvilhe a massa com farinha. Tape-a com um pano e deixe levedar.
Pique a linguiça e o chouriço, corte o fiambre em cubinhos. Estenda a massa sobre uma superfície enfarinhada e sobreponha-lhe a linguiça, a chouriça, o fiambre e a salsa picada. Enrole a massa até obter um rolo e de seguida corte-o em pedaços.
Ligue o forme a 180ºC.
Volte a unir a massa, obtendo uma bola e com o punho cerrado faça um orifício ao centro. Pincele com o restante ovo (batido) e decore com tirinhas de presunto, rodelas de chouriço, azeitonas pretas e amêndoas. Coloque num tabuleiro e leve ao forno por 40 minutos.
Retire do forno; pode servir quente ou frio.
 
publicado por Brito Ribeiro às 16:03

05
Jan 09

Um professor diante da sua turma, sem dizer uma palavra, pegou num frasco de maionese grande e vazio, começando a enchê-lo com bolas de golfe.

A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio. Todos estiveram de acordo em dizer que “sim”.
O professor tomou então uma caixa de fósforos e despejou-a dentro do frasco de maionese. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe. O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que “Sim”.
De seguida, o professor pegou numa caixa de areia e vazou-a dentro do frasco. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio. Os alunos responderam-lhe com um “Sim” retumbante.
O professor, de imediato, adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes riram-se nesta ocasião. Quando os risos terminaram, o professor comentou:
“Quero que percebam que este frasco é a vida. As bolas de golfe são as coisas importantes, a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que vos apaixonam. São coisas que mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia. Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro etc. A areia é tudo o resto, as pequenas coisas. Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe. O mesmo ocorre com a vida. Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Prestem atenção às coisas que realmente importam. Estabeleçam as vossas prioridades e o resto… é só areia”.
Um dos estudantes levantou a mão e perguntou: “Então e o que representa o café”?
O professor sorriu e disse: “Ainda bem que perguntas! Isso é só para vos mostrar que por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, há sempre lugar para tomar um café com um amigo”.
 
publicado por Brito Ribeiro às 16:17
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