Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

26
Jun 08

Muitos pescadores ancorenses "andaram" ao bacalhau nos mares do Norte. Até ao final da década de cinquenta do século passado, os lugres à vela partiam na primavera dos portos de Viana e de Aveiro, regressando carregados nos finais de Setembro.

São dessa época as fotos que se seguem e que retratam alguns episódios do dia a dia no mar.

Na Gronelandia ou nas costas do Canadá, os nossos pescadores sofreram as agruras do frio, o rigor da disciplina, as inclemencias das longas viagens e os perigos de pescar à linha nos frageis "doris".

Um lugre de quatro mastros da classe do Argus ou do Creoula

 

O pescador no seu doris, com o navio ao longe

 

O bacalhau pescado com anzól

 

Um lugre navegando à vela

 

 

 

Serviço de escala onde os peixes eram preparados para a salga

 

Uma frugal refeição de pão e "chora". Por trás, os beliches onde dormiam.

 

publicado por Brito Ribeiro às 21:37
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25
Jun 08

Este texto foi publicado pelo colega Diário do Ambiente e dado o interesse do tema e a clareza das ideias expostas merece, a meu ver, ser divulgado.

 

É de todos sabido que o petróleo irá acabar... e se o final desse já tivesse começado?
Como iremos viver a nossa vida sem andarmos de carro todos os dias? Como iremos obter tantos materiais que usamos todos os dias sem o petróleo? Como será a nossa vida sem as comodidades que temos por existir petróleo? Como será o futuro?
Para todas estas perguntas cada um tem as suas respostas, mas existe uma em que a resposta é evidente: "Como será o futuro?", bastante mau.
Não só pelo petróleo mas também por todos os problemas ambientais que tem tendência a agravar-se cada vez mais.
Se o mundo não encontrar nenhuma fonte de energia alternativa irá ficar parado, tal como estivemos a assistir em Portugal.
Com a greve dos camionistas o país parou, ou pelo menos parte. As lojas começaram a ficar sem produtos, os frescos cada vez menos, as bombas de gasolina com filas enormes para abastecer, existiam já bombas de gasolina fechadas, apenas a gasolina que subsistia é a de 98 octanas, o aeroporto da Portela estava nas reservas, o que iria acontecer se a greve não acabasse?
Não tenho dúvida que daqui a uns anos (não muitos) teremos o país completamente paralisado, não por greves, mas porque não existe petróleo que o abasteça ou então este tornou-se tão caro que ninguém pode sequer encher o depósito. O título do artigo faz todo o sentido. Daqui a uns anos não teremos maneira de encher o depósito ou de ir de carro para o trabalho. O petróleo irá valer muito mais do que o ouro. O país que tiver 10 barris de petróleo será um país rico.
Depois da demonstração do que a falta de petróleo faz a que assistimos, espero que se comecem a apostar em alternativas melhores do que o petróleo.
Alternativas que garantam ao país que no caso de o petróleo faltar "de um dia para o outro" não fique imobilizado, nem para trás nem para a frente, simplesmente paralisado.
 
publicado por Brito Ribeiro às 12:06
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24
Jun 08

 

 

publicado por Brito Ribeiro às 15:10
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23
Jun 08

Os parâmetros de análise das águas balneares foram alterados e agora é tido em conta a presença ou ausencia da "Escherichia".

Escherichia coli é um dos microrganismos tido como habitante natural da flora microbiana do trato intestinal de humanos e da maioria dos animais de sangue quente, sendo portanto, normalmente encontrado nas fezes destes animais.

Portanto, a presença desta bactéria nas águas balneares indica claramente a presença de efluentes de saneamento, que foi o que aconteceu na primeira análise de Maio e que não voltou a repetir-se até agora. 

 

publicado por Brito Ribeiro às 15:58
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19
Jun 08

 

Localização
Viana do Castelo, Caminha, Moledo
 
Acesso
Por barco
 
Protecção
MN, Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 Junho 1910
 
Enquadramento
Borda d'água. Implanta-se numa pequena ilha rochosa situada a SO. da foz do rio Minho, fronteiro ao pinhal do Camarido, e a cerca de 200 metros da costa portuguesa.
 
Descrição
Fortaleza de planta estrelada irregular, formada por 5 baluartes, sobre embasamento saliente, de coroamento boleado e altura variável, atingindo nalguns pontos 2.80m, funcionando quase como quebra-mar das muralhas mais expostas, ou seja, as viradas a Este e a Sul.
Fachada principal a NE. com entrada protegida por revelim, de muros em talude, rasgados superiormente por canhoeiras estreitas rectangulares, e com guarita facetada e cobertura em calote esférica no cunhal; a Norte abre-se portal de arco pleno simples; no seu ângulo interior, rampas de acesso à guarita e canhoeiras.
De ambos os lados, o revelim é protegido por muros mais baixos. Fortaleza de muros em talude, corridos em toda a sua extensão por moldura curva encimada por parapeito, interrompido nos cunhais dos 4 baluartes maiores por guaritas, de planta facetada e cobertura em calote esférica, assentes directamente sobre a moldura.
A meio do pano de muralha do frontispício, rasga-se portal, de arco pleno sobre pés direitos, entre estrutura quadrangular em ressalto, sobre a qual assenta cornija e frontão triangular com 3 brasões no tímpano: as armas de Portugal e as do Governador.
No lado direito tem inserida lateralmente lápide alusiva à construção. Na fachada virada a SO., balcão rectangular sustentado por mísulas e coberto por calote esférica rematada por bola.
Interiormente é percorrida por larga plataforma, com pavimento de lajes, protegida por parapeito e com acesso junto aos 4 baluartes principais por escadas; junto às muralhas NE. e NO. desenvolvem-se os quartéis, depósitos e cozinha, muito arruinados, sem cobertura e fachadas rasgadas por janelas e portas de verga recta, excepto a do alinhamento do portal, onde é de arco pleno.
Praça de armas reduzida, tendo ao centro e para Sul, com algumas paredes comuns à fortaleza, o convento, de planta composta por igreja, longitudinal composta, sacristia, claustro quadrangular irregular e outras dependências muito arruínadas.
Igreja com portal de verga recta encimada por janela. Interiormente tem arco abatido em cantaria de suporte ao antigo coro-alto, arco triunfal pleno e cobertura em abóbada de berço. Claustro com alas de colunas jónicas assentes em murete e suportando entablamento.
 
Utilização Inicial
Militar: forte para defesa da costa / cultual e devocional: convento 
 
Utilização Actual
Devoluto
 
Propriedade
Pública: estatal
 
Época Construção
Século XV ( convento ) / XVII / XVIII
 
Arquitecto | Construtor | Autor
Desconhecido.
 
Cronologia
1378 - com o Grande Cisma do Ocidente, alguns religiosos galegos e asturianos, desgostosos por Castela apoiar o Papa de Avignon, deslocam-se para o Minho;
1392 - Breve de Bonifácio IX autoriza em Portugal religiosos Franciscanos, da Observância Menorita, na sequência do qual se devem ter iniciado as obras do convento de Santa Maria da Ínsua, tendo sido o seu principal impulsionador Frei Diogo Arias; 1462 - concessão de privilégios aos 2 pescadores que os transportavam; 1471 - obras de reedificação: construção de novas celas, melhoria da capela e retalho da casa, permitindo a entrada de muitos religiosos, entre eles Frei André da Ínsua, mais tarde Geral da Ordem;
1502 ou 1512 - visitado por D. Manuel;
1512 - visitado pelo Governador de Ceuta e Senhor de Caminha, D. Fernando de Menezes;
1548 - visitado por D. Luís, filho de D. Manuel;
1580 - ocupado pela armada galega, numa atitude de apoio à causa filipina;
1602 - atacado por corsários Ingleses;
1606 - saqueado por piratas Luteranos de La Rochelle; na sequência destes ataques, muitos religiosos abandonaram o convento;
1623 - o convento tinha apenas 2 frades;
1649 / 1652, entre - construção da fortaleza sob ordem de D. Diogo de Lima, Governador das Armas da Provícia do Minho, iniciando-se a partir daí uma difícil convivência entre os frades e a guarnição militar;
1653 - empossado o 1º Governador, Capitão Domingos Mendes Aranha;
1676 - ampliação do convento com construção em piso elevado de um dormitório de 5 celas;
1717 - D. João V oferece 200$000 reis para reedificação da igreja, com tecto de abóbada de pedra e coro-alto;
1765 - a fortaleza possuía 7 peças de bronze e guarnição de 10 homens;
1767 - fazem-se novas celas, sala do capítulo e retábulo do altar;
1793 / 1795 - obras de reparação, tendo os frades abandonado provisoriamente o convento, mas regressando alguns anos depois;
1807 - fortaleza ocupada por forças espanholas devido à 1ª Invasão Francesa;
1808 - Capitulou ( juntamente com Caminha ) perante o exército francês;
1831 - recolha ao Arsenal de Lisboa das peças de artilharia inutilizadas;
1834 - extinção das ordens religiosas;
1861 - ocupado por destacamento de veteranos;
1886 - instalação de um foral;
1909 - nomeado o último Governador, Major Rodolfo José Gonçalves;
1940 - auto de entrega da fortaleza pelo Ministério da Marinha ao Ministério das Finanças;
1953 - envio de relação dos objectos existentes na capela, pelo chefe do farol da Ínsua à Capitania do Porto de Caminha;
1983 - fortaleza definitivamente entregue ao Ministério das Finanças;
1990 - estudo do Instituto Politécnico de Viana do Castelo sobre a localização de um Centro de Investigação Avançada das áreas marinhas da costa e Rio Minho;
1993, 20 Maio - Despacho conjunto dos Secretários de Estado da Cultura e das Finanças determina a desafectação do Forte da Ínsua ao IPPAR, manifestando o Instituto Politécnico de Viana do Castelo interesse nessa afectação;
2000 - interdição do acesso do público ao interior do Forte para evitar a sua ruína;
2004 - o projecto de 1990 volta a ser tido em conta;
2005 - visita do deputado Jorge Fão, do Director Regional dos Monumentos e Edifícios do Norte e do Presidente do Instituto Politécnico de Viana, avaliando a possibilidade de instalar no local um centro de investigação marinha.
 
Tipologia
Arquitectura religiosa e militar, seiscentista e setecentista. Fortaleza seiscentista de planta em estrela irregular, com 5 baluartes e revelim protegendo o portal armoriado, integrando no seu interior convento delapidado de construção seiscentista e setecentista e planta irregular com claustro.
 
Características Particulares
Implantação original num ilhéu, no meio do rio, com fortaleza completando a defesa de Caminha, integrando intramuros convento pré-existente, com o qual forma um conjunto indissociável e quase único.
A fortaleza possui nos cunhais dos quatro principais baluartes guaritas facetadas com cobertura em calote esférica e num dos panos de muralha balcão rectangular sobre mísulas e cobertura do mesmo tipo, o qual provavelmente serviu de latrina; interiormente é percorrida por largas plataformas lajeadas.
Convento de construção austera e linhas simples, muito delapidado, com igreja coberta por abóbada de berço e claustro irregular com alas de colunas jónicas sobre murete. No interior possui um poço de água doce e tinha várias fontes.
 
Dados Técnicos
Paredes autoportantes e estrutura mista, em cantaria com aparelho "mixtum vittatum" e "vittatum".
 
Materiais
Forte: granito; convento: alvenaria de pedra granítica.
 
Bibliografia
GUERRA, Luís de Figueiredo, Castelos do Distrito de Viana, Coimbra, 1926; AGUILAR, Manuel Busquets de, Molêdo do Minho, Lisboa, 1941; CALIXTO, Carlos Pereira, Fortaleza de Nossa Senhora da Ínsua, Sim! Forte de Ínsua, Não! , O Dia, Lisboa, 17 Set. 1979; idem, O Convento, a Fortaleza e o Farolim da Ínsua in Revista da Marinha, Lisboa, 10 Abril 1980; SANTOS, João M. F. Silva, Caminha através dos tempos (parte III) in Caminiana, Ano III, nº 4, Caminha, 1981; ALVES, Lourenço, Caminha e o seu Concelho (Monografia), Caminha, 1985; GIL, Júlio, Os Mais Belos Castelos e Fortalezas de Portugal, Lisboa, 1986; MOREIRA, Rafael, Do Rigor Histórico à Urgência prática: a Arquitectura Militar in História da Arte em Portugal, vol. 8, Lisboa, 1986, p. 67 - 85; MARTINS, Reis, Que Destino para a Fortaleza da Ínsua ?, O Século, Lisboa, 26 Set. 1986; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988; RODRIGUES, David, Fortaleza da Ínsua degrada-se em silêncio, Diário de Notícias, 02 Agosto 1990, p. 43 - 44; ALMEIDA, Luís, Desenterrado projecto da Ínsua, in Jornal de Notícias - Minho, 14 Agosto 2006.
 
Intervenção Realizada
DGEMN: 1954 / 1957 - obras de conservação: reconstrução de 1 rombo no lado S. da muralha; telhados e paredes do corpo do antigo convento;
1955 - construção de 2 portas nas entradas;
1957 - execução de diversos trabalhos;
1967 - trabalhos de restauro e consolidação;
1970 - revisão de telhados;
1972 - reparação de telhados e caixilharia;
1975 - conservações: reparação geral dos telhados da igreja e consolidação dos elementos existentes no claustro;
1977 / 1978 trabalhos de conservação;
1979 - beneficiações;
1984 / 1985 - beneficiação das coberturas;
1986 - beneficiação das muralhas;
1998 - diagnóstico para a conservação e consolidação dos paramentos das fortificações; 1999 / 2000 - conservação e consolidação dos paramentos da fortaleza; reparação das patologias provocadas pela agressividade do meio ambiente marítimo, consistindo na consolidação de panos de muralha ( recalçamento, embasamentos e coroamento ); reconstrução e preenchimento de lacunas do embasamento e coroamento da muralha; limpeza e refechamento das juntas; limpeza de vegetação e guanos; recuperação da porta de madeira de acesso à fortaleza;
2001 - obras de conservação e manutenção do conjunto edificado, nomeadamente consolidação dos paramentos interiores da fortificação.
 
Observações
Foi uma das fortalezas construídas durante o século XVII, sob o reinado de D. João IV, não só para defesa do Convento de Santa Maria de Ínsua, várias vezes saqueado, mas também para reforço da costa portuguesa durante a Guerra da Restauração, integrando-se na linha defensiva estrategicamente colocada nas margens do rio Minho e ao longo da Costa Atlântica.
A sua planta, estrelada com baluartes e revelim, faz deste imóvel uma verdadeira fortaleza, tornando-se, portanto, incorrecta a designação de forte.
Inscrição da lápide junto ao portal da fortaleza: " A Piedade do muito Alto e Poderoso monarca el rei D. João IV / ministrada pela intervenção e assistência de D. Diogo de Lima / Nogueira General e Visconde de Vila Nova da Cerveira Governador das / armas e exército da Província de Entre Douro e Minho dedicaram / esta fortificação à sereníssima Rainha dos Anjos Nossa Senhora / da Ínsua para asilo e defesa das religiosas da Primeira Regra / Seráfica que assistem nos contínuos júbilos desta Senhora debaixo / de cujo patrocínio se assegura a defesa desta corte. Fez-se a / obra na era de 1650".
Em 1575 teve lugar a 1ª ligação documentada da Ilha de Ínsua à costa Portuguesa, verificando-se novas ligações em 1582, 1629, 1708, 1895, 1947 e 2001.
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 11:46

17
Jun 08
Cozem-se 250gr. de arroz com uma casca de limão coberto de água. Quando o arroz estiver a secar e a água tiver sumido, deitam-se 2 litros de leite que vai fervendo lentamente. Quando o arroz estiver bem cozido, juntam-se 6 gemas de ovo e o açúcar a gosto.

Retira-se do lume se já estiver cremoso, senão acrescenta-se um pouco mais de leite e de açúcar, conforme o paladar. No final coloque numa travessa e decore com riscas de canela.

 

Ingredientes: 250 gr de arroz, 1 casca de limão, 2 litros de leite, açúcar a gosto, 6 gemas de ovo e canela. 

publicado por Brito Ribeiro às 16:16

14
Jun 08

Na sala grande, frente ao televisor, uma senhora idosa estava sentada no cadeirão de couro castanho a condizer com a restante mobília. Ao fundo, no fogão de sala, amorrinhavam algumas brasas.

Cabelos brancos, um rosto enrugado onde sobressaíam os olhos negros, com mais vida que o corpo alquebrado. Fez um esforço e ergueu-se apoiada na bengala. Fomos ao seu encontro, instalamo-nos no sofá à sua direita. O Esteves quis oferecer-nos os aperitivos que recusamos. Estava mais interessado em ouvir a anciã e a Paula ainda estava mais curiosa que eu.
- Então foram vocês que encontraram o esqueleto lá em cima?
- Lá em cima? – Perguntei.
- Sim, na Branda da Aveleira.
- Ah!… Sim, fomos nós.
- Ó `Mingos, vai-te lá embora, que tenho que falar com estes senhores.
- Mas avó, não vê…
- Nem mas, nem meio mas… Quando acabar, eu chamo-te. E não te esqueças de dizer à tua mulher para pôr mais dois pratos.
Obedientemente o Esteves saiu e fechou a porta atrás de si. Notava-se que a velhota tinha uma personalidade forte, apesar da idade e que sabia muito bem impor a sua vontade. Encarou-nos com um olhar tão agudo que me incomodou e começou a falar.
- Quero que me prometam nunca dizer a ninguém aquilo que vos vou contar. Mas a ninguém mesmo, compreendem?
- Sim…
- Então prometam!
- Ok, prometemos…
- A senhora também – diz a velhota, olhando a Paula.
- Prometo, mas porque é que nos quer contar não sabemos o quê, se nem nos conhece e nem quer que o seu neto escute?
- Já vos explico tudo, – inclinou-se para a frente, as mãos apoiadas na bengala, a voz mais baixa meio-tom – eu não sou desta terra, mas de uma freguesia perto da raia. Vim para cá depois de casar com o meu Afonso, que Deus tenha… - fez um silêncio significativo em sua memória e prosseguiu – Mas não é disso que vos quero falar. Eu sou de uma aldeia lá mais para riba, perto de Espanha e antigamente nós só sobrevivíamos com a ajuda do contrabando. A terra pouco dava, é como hoje, e a carregar umas coisinhas para lá e para cá, amanhávamos mais uns tostões. Era uma vida miserável, meus filhos! Na aldeia havia um grupo de homens que carregavam os burros e as mulas com o que os verdadeiros contrabandistas queriam, lá iam eles por aqueles montes acima, sempre com medo dos carabineiros espanhóis que eram uns malandros. Os nossos eram melhores, bastava dar-lhes qualquer coisa e fechavam os olhos, coitados, também passavam mal só com o soldo da Guarda. Mas havia um deles, o comandante que era um filho da puta, com a vossa licença e que muito nos apoquentou. Levou preso o meu irmão que era o que dava as ordens aos outros homens. Ainda esteve em Melgaço algumas semanas, já não sei quantas, a passar fome e a levar porrada para falar. Esse Guarda, um tenente, fez-nos a vida negra durante meses e meses, embirrou com a nossa aldeia e com os de Castro Laboreiro onde uma noite a Guarda, por ordem dele, matou dois homens a tiro. Um dia disse para o Alípio, o meu irmão, que tínhamos de apanhar esse cachorro do tenente. Ao princípio ele recusou com medo, mas levei a minha avante e preparamos-lhe uma armadilha. Ninguém mais sabia o que preparávamos, só eu e ele. Conseguimos que o tenente viesse sozinho aqui à Gave, eu levei-o por um carreiro e o Alípio abateu-o com uma cachaporra na cabeça. Morreu ali mesmo e nem lhe valeu ter a pistola na mão. Levamo-lo para a Branda e enterramo-lo ainda durante a noite. Por cautela, matamos a mula que o carregou e deixamo-la a apodrecer por cima da tumba do tenente. Assim, o mau cheiro afastava qualquer um que ali passasse. Logo que acabamos de o enterrar, metemo-nos a caminho para a Espanha pelos caminhos mais difíceis e depois de muitos sacrifícios chegamos a França, onde vivemos mais de trinta anos. Durante mais de uma semana andaram à procura do tenente, mas não encontraram rasto dele. Um dia encontraram o boné e o casaco da sua farda perto de Ourense, fomos nós que a levamos para lá, deixando-a onde era fácil encontrá-la. Só para desviar as suspeitas e eles pensarem que o tenente tinha sido levado para Espanha. Deu resultado porque deixaram de o procurar deste lado. Quando cheguei a França comecei logo a trabalhar, a fazer limpezas e a ajudar no mercado, ainda de madrugada, mas acabei por abortar. Foi quando conheci o meu Afonso, que trabalhava nas obras do hospital e ia visitar-me sempre que podia. Estive muito mal, quase três meses sem me poder mexer.
- Espere aí! Então abortou mal chegou a França e só depois é que conheceu aquele que iria ser o seu marido? Foi assim?...
- Foi...
- Então quem era o pai? Hum... Desculpe, se calhar não devia ter perguntado...
- Não faz mal, meus filhos. Já passou tanto tempo e eu prefiro contar-vos a verdade que levá-la comigo para o além. O pai era esse filho da puta do tenente, com a vossa licença. Foi ele que me fez o filho e depois negou-o. Assinou a sentença no dia em que se riu na minha cara a dizer-me que não me conhecia de banda nenhuma, a mim, que me entreguei a ele apenas para não voltar a prender o nosso Alípio. Ahhh... mas pagou-as! Só tive medo que ele reconhecesse a minha voz quando o fui chamar, apesar de a ter disfarçado. Estão a ver, se ele me reconhecesse ia o plano por água abaixo, mas tudo correu bem. A história acaba aqui, senhores. O meu irmão já morreu há doze anos e quando se estava a finar, obrigou-me a prometer-lhe que se um dia o cadáver fosse descoberto eu devia contar a verdade a alguém.
- E porque é que nos escolheu Dona… nem sabemos como se chama?
- Chamo-me Maria Rita e escolhi-os porque foram vocês que o descobriram e porque queria conhecê-los.
- Mas nós podíamos agora ir contar tudo à polícia.
- Ora, uma promessa é para se cumprir… e vocês prometeram!
 
Fim
publicado por Brito Ribeiro às 22:54
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11
Jun 08

No início de mais uma época balnear, polémicas à parte sobre os quês e os porquês de mais um ano não exibirmos a Bandeira Azul, quero apresentar algumas fotos antigas da nossa praia.

 

Será este o registo fotográfico mais antigo que disponho, 1903

 

Anos 30, a maior parte dos banhistas ainda não usa traje de banho

 

Os adultos descansam, as crianças brincam tranquilamente (em segurança) no Rio Âncora

 

 

Anos 60, já se usa calção e fato de banho 

 

As barracas distribuiam-se por ambas as margens e para saber as horas bastava olhar para o relógio da torre da Capela da Senhora da Bonança

 

Início da década de setenta, aqui o Vale do Âncora encontra o mar

 

Ao longo desta época balnear, a exemplo do que aconteceu no ano anterior, tenciono publicar periodicamente os resultados das análises das águas.

No entanto a primeira análise recolhida no passado dia 3 de Junho evidenciou a presença de EC: Escherichia coli (UFC /100 ml) acima dos valores normais, motivo pelo qual a análise é considerada apenas ACEITAVEL.

 

Já está disponivel na barra de Links uma ligação para a página do INAG que publica as análises das águas da praia de Vila Praia de Âncora e restantes praias do Concelho.

 

 

publicado por Brito Ribeiro às 16:09

09
Jun 08

No sábado passado fui visitar um evento promovido pela nova Associação de Empresários de Hotelaria e Restauração do Concelho de Caminha (AEHRCC), realizado no Forte da Lagarteira em Vila Praia de Âncora.

Deu para apreciar trabalhos de Mário Garrido, Mário Rebelo de Sousa e de outros artistas locais, convidaram-me a degustar vinho verde, dei mais uma volta e recolhi uma pequena brochura promocional dos diversos estabelecimentos hoteleiros aderentes.
À noite, em casa dispus-me a ler a dita brochura e fiquei seriamente preocupado com a forma como se pode dar cabo de um trabalho que me parece meritório.
Na realidade este livrinho encerra dúzias de erros ortográficos, repito dúzias de erros ortográficos, um sem número de frases construídas em português “macarrónico” e algumas frases sem fazerem qualquer sentido.
É mal de mais para ser oferecido como veículo promocional seja do que for, pois qualquer alma poderá pensar se a qualidade da brochura não será igual à qualidade dos estabelecimentos apresentados.
Fiquei com a ideia que foi um trabalho feito à pressa, elaborado por amadores sem o mínimo de qualidade e de conhecimentos de hotelaria ou de marketing. É muito pouco provável que este trabalho tenha sido corrigido antes de ser impresso. Se foi, lamento, mas essa pessoa tem de deixar esse tipo de tarefa para a qual não tem competência.
Conheço muitos dos restaurantes e hotéis lá mencionados, tenho a certeza que estão à vontade em matéria de qualidade de serviços oferecidos, mas têm de se precaver contra este tipo de situações lesivas para o bom nome dos operadores turísticos do Concelho de Caminha.
publicado por Brito Ribeiro às 14:55
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07
Jun 08

Amanham-se todos os peixes, cortam-se em postas, lavam-se muito bem e salpicam-se de sal grosso.

Cortam-se as batatas, as cebolas, os tomates e os pimentos, colocando-se todos os produtos dentro da caldeira (tacho) de forma alternada, havendo o cuidado da primeira e ultima camadas serem de cebola.
Todos os produtos são colocados no tacho em cru e só depois de estarem as camadas feitas é que vai ao lume.
Ao fim de dez minutos de cozedura regar com vinho branco verde. Deixar cozinhar por mais 45 minutos, tendo o cuidado de dar umas voltas ao tacho.
 
 
Ingredientes para 6 pessoas: ½ congro, raia, tamboril, ruivo, feiticeiras, tremelicosas, fígados e bucho do tamboril, chocos e ovas de badejo e pescada; 3 kg de batatas, 1 kg de pimentos, 1 kg de tomates, 1 kg de cebolas, alhos, ½ litro de vinho verde branco, colorau espanhol, pimenta branca, banha de porco, azeite, sal, salsa, louro e aguardente velha.
publicado por Brito Ribeiro às 19:36

Junho 2008
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