Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

28
Fev 08

 

Um ano passou sobre o vilapraiadeancora.blogs.sapo.pt. Se estamos de parabéns ou não, são os leitores, são os frequentadores deste blog que o podem dizer.
Pela parte que me toca, estou feliz por ter criado esta página e conseguir manter o entusiasmo como no primeiro dia. Não estou totalmente satisfeito com os conteúdos, falta-me tempo para fazer mais e, principalmente, fazer melhor.
Conto com a Vossa presença, apoio e crítica para manter o “vilapraiadeancora” como um blog que vale a pena ler, um blog de divulgação do Vale do Âncora e das suas gentes.
Bem hajam!
 
Brito Ribeiro
publicado por Brito Ribeiro às 13:31
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27
Fev 08

Uma conhecida marca japonesa, colocou no mercado um novo tipo de televisão, que concilia as vantagens do plasma, do raio x, do Gps e de mais algumas engenhocas que, na realidade, não servem para nada.

Convidada a fazer a apresentação de tão sofisticado aparelho, Pamela Anderson viu revelado(s) o(s) seu(s) maio(res) segredo(s).

 

 

 

 

publicado por Brito Ribeiro às 19:38
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24
Fev 08
 
Localização
Viana do Castelo, Caminha, Âncora, Lugar da Aspra
 
Enquadramento
Rural, flanqueado, integração harmónica no periferia do aglomerado, integrado em muro de propriedade e ladeando porta carral, em face de caminho, entre muros e calcetado com cubo granítico, que conduz à capela de Santa Luzia.
 

Descrição
Oratório em cantaria, de vão rectangular com parapeito saliente, tendo cornija moldurada assente em duas consolas e sobrepujada por cruz latina, sobre acrotério, de secção quadrangular com chanfros e terminais em forma de botão. O nicho alberga imagem pétrea, de grandes dimensões, do Senhor dos Passos.
Suportando o parapeito encontra-se um outro nicho, desnudo, igualmente de vão rectangular com parapeito saliente, com avental, tendo as bases das ombreiras ornadas com motivos vegetalistas, relevados.
 
Utilização Inicial
Devocional: Oratório
 
Utilização Actual
Devocional: Oratório
 
Propriedade
Privada: pessoa singular
 
Época Construção
Século XIX / XX (conjectural)
 
Arquitecto | Construtor | Autor
Desconhecido.
 
Tipologia
Arquitectura religiosa, oitocentista vernácula. Oratório de vão rectangular com parapeito saliente, tendo cornija moldurada assente em duas consolas e sobrepujada por cruz latina, albergando imagem, de grandes dimensões, do Senhor dos Passos.
 

Características Particulares
Oratório com dois nichos sobrepostos, apresentando execução de sabor popular, característica presente em muitos exemplares da arquitectura religiosa do Alto Minho. Possui inferiormente um outro nicho, de vão rectangular, de modinatura mais cuidada.
A imagem possui tratamento plástico cuidado em alguns pormenores, como o rosto, barba, corda, mas depois as mãos e pés são muito disformes. A cruz parece não ter pertencido à imagem.
 
Dados Técnicos
Estrutura autoportante.
 
Materiais
Estrutura em cantaria, imagem e cruz em granito.
publicado por Brito Ribeiro às 10:56

19
Fev 08
Desde Maio que andava com vontade de ir acampar um fim-de-semana, mas o tempo teimou sempre em estar uma porcaria.
Se durante a semana ainda dava, de vez em quando um ar de graça, mal se aproximava o fim-de-semana aparecia a chuva, o vento e o frio. Este ano realmente o verão esteve um nojo, para não dizer outra coisa.
E se a vontade de ir passar uns dias em contacto estreito com a natureza já é habitual, este ano estava reforçada, porque tinha feito alguns investimentos em material novo. A começar pela tenda que foi substituída por um modelo espaçoso da Quechua. Mas não fui só eu a comprar tenda nova!
Durante o Inverno, em conjunto com o Zé Alfredo e o Pedro tínhamos ido meter o nariz em várias lojas e vasculhamos todos os sites possíveis na Net sobre o tema.
Acabamos por ir parar à loja Decathlon na Maia e adquirimos uma montanha de “tarecos” novos, a começar pelas tendas. Eu e o Zé Alfredo adquirimos duas tendas iguais, o Pedro optou por um modelo tipo túnel ainda maior. Eu hei-de mostrar-vos as fotografias!
Também comprei umas cadeiras novas, um colchão, mais um saco cama e já não sei que mais. O Pedro e o Celestino também compraram mais umas coisas e acabaram a discutir se haviam de comprar ou não um fogão eléctrico de duas bocas. Podia dar-lhes para pior!
O Zé Alfredo comprou uma mesa da Quechua toda moderna, em alumínio, que se fecha e que é muito prática para arrumar. Acho que também comprou uma gambiarra nova porque o foco todo futurista que tinha comprado aos marroquinos tinha dado o “peido mestre”.
 
Um sábado de tarde decidimos ir até ao pinhal da Gelfa experimentar as tendas, só para ver como é que aquilo se montava. Como estava uma ventania do caraças, pouco faltou para irmos buscar as tendas lá acima à Cividade. Decidimos então ir experimentá-las no Calvário, ao pé das casas de banho, que continuam com um aspecto completamente ranhoso.
O teste correu bem e viemos todos entusiasmados e cheios de planos na cabeça, só que os fins-de-semana iam passando e, na maior parte das vezes, o tempo estava miserável. De uma ou duas vezes que o tempo se aguentou, algum de nós estava impedido e não dava para ir.
Até que em meados de Julho decidimos arriscar apesar da previsão meteorológica ser tudo menos animadora; sexta-feira bom tempo, sábado assim-assim e chuva para domingo. Bem, os gajos fartam-se de se enganar, podia ser o caso.
Eu decidi “tirar” a sexta-feira, peguei nas tralhas e nos meus filhos e arranquei depois do almoço, em direcção Galiza; já estava no ferry boat quando enviei um SMS ao Pedro a perguntar se demorava muito, ao qual ele me respondeu que estava em casa à minha espera, já com o carro carregado e tudo! Porreiro, assim é que é começar! Disse-lhe para se pôr a andar, porque eu já estava em território “estrangeiro”.
O tempo estava magnífico e o calor apertava enquanto montávamos o nosso enorme T2 Quechua. Tínhamos terminado quando chegou o Pedro e a Inês, a miúda dele, que tem quatro anos.
Montar aquele bacamarte não é muito complicado mas exige alguma perícia, coisa que o Pedro possui em quantidades reduzidas para estas tarefas, por isso ficou muito aliviado quando viu o seu palácio bem esticadinho.
Lá dentro, alem do seu quarto, arranjamos uma sala com televisão, computador portátil e antena. Apenas esqueceu o Kanguru do meu filho para a ligação à Net, apetrecho que pedi por telefone à Paula (a minha mulher) e que iria chegar mais tarde, pois só saía do trabalho às cinco e meia.
 
Enquanto não vinha o Zé Alfredo fomos para a piscina e estávamos todos refastelados na água quando ele chegou. Fomos ajudá-lo a montar a tenda que ficou de frente para a minha e de lado para a do Pedro. No conjunto as três tendas formavam um U, ficando um bom espaço central para a área social, mesas e cozinha incluída. A tenda do Zé Alfredo ficou ligeiramente inclinada devido a um desnível do terreno, coisa pouca e que não nos preocupou.
O jantar foi rápido para ele, para a Cristina e a Carina porque tinham actuação do Orfeão em Tuy e limitaram-se a petiscar qualquer coisa. Duas tortilhas feitas pela minha sogra e uma empada de frango feita pela Paula. Os habituais panados ficaram para mais tarde.
Mais tarde chegou a Mariazinha, a mulher do Pedro, que é pouco dada a estas comunhões com a natureza, vinha buscar a Inês que tinha comido este mundo e o outro. Pelos meus cálculos tinha comido quase tanto como o pai e olhem que ele é um bom garfo (faca, colher e tudo). Aquela miúda precisa é de ar livre!
Enquanto esperávamos por os nossos amigos orfeonistas, demos umas voltas porque a noite convidava, desenferrujamos a língua na esplanada e quando chegaram, já depois da meia-noite, vinham cheios de fome porque, mais uma vez, os comes e bebes não chegaram nem para a cova de um dente. Tinha sido um beberete de “arreda queixos”, lá foram mais uns panados e acabou a empada de frango.
 
No dia seguinte comentamos que a mesa do Zé Alfredo, aquela que tinha comprado na Decathlon, era super, só tinha um inconveniente, era muito baixa e nem sequer dava para meter as pernas por baixo. Ao almoço comemos uma paelha deliciosa e começamos a aturar as mulheres com as manias costumeiras, “limpa os pés antes de entrares na tenda”, “arruma isto”, “leva aquilo”; é o que dá levá-las, nem descansam nem dão descanso!
Durante a tarde começou a ventar e o céu a encobrir-se. Já não fui à piscina, preferi ficar na tenda a ler. Já me esquecia de dizer que a Paula tinha levado o Kanguru, mas tinha deixado em casa o link de USB e por isso não tínhamos NET.
Só televisão com os canais “apanhados” por aquela parabólica comprada no chinês, no ano passado, pelo Pedro. O jantar foi um bocado tristonho porque jantamos dentro da tenda do Pedro, já que no exterior estava frio e cada vez mais vento. A noite foi preenchida com jogos de cartas e muita treta. E alguma cerveja também!
 
A meio da noite, por culpa da cerveja, tive de ir ao WC ali perto e quando regressava ao aconchego do saco cama, senti alguns pingos de chuva na cara.
Adormeci despreocupado e mais tarde senti a barulheira da chuva a cair sobre a tenda. Há quantos anos que não sentia isso, já tinha saudades e até de manhã a chuva não mais nos abandonou.
Como estava no seco, deixei-me sornar até que ouvi vozes dos meus companheiros no exterior. A Paula levantou-se, eu ainda me demorei, quando saí vi as “tropas” concentradas na tenda do Pedro e meia tenda do Zé Alfredo debaixo de água.
A tal pequena depressão que vos falei, acabou por se transformar num enorme charco, transformando a novíssima tenda, numa espécie de Titanic de tamanho familiar.
Depois do pequeno-almoço não houve outro remédio que desmontar tudo e meter de qualquer maneira nos sacos.
Chegados a casa fui directamente à garagem estender a tenda encharcada e lembro-me agora que a mesa rasteira do Zé Alfredo afinal tinha pernas de esticar, descobrimo-lo só no sábado à noite, o que alegrou o feliz proprietário, que perante tal descoberta exclamou simplesmente: “ Bem me parecia, pelo preço que me custou”.
E andou ele dois dias a comer de pernas abertas, todo inclinado para a frente, com o cu a um quilómetro da mesa!
publicado por Brito Ribeiro às 23:22
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17
Fev 08

Fui surpreendido há poucos dias com a nomeação para a Menção de Qualidade Prosa, atribuída mensalmente pelo site literário "Escritartes", no qual publico alguns textos nos géneros de conto e crónica .

Ao júri desse site quero publicamente agradecer a benevolência como tem analisado os meus textos e exortar a administração do "Escritartes" a continuar a promoção da escrita e da leitura em Língua Portuguesa, como o tem feito até aqui.

 

Bem hajam.

 

 

http://www.escritartes.com

 

 

 

 

 

publicado por Brito Ribeiro às 11:06

16
Fev 08
Primavera Marcelista
 
Esta é a designação usada para reflectir a onda de esperança suscitada pela política de Marcello Caetano na primeira fase do seu Governo (1968-1970).
Confrontado com numerosos e graves problemas de ordem interna e com uma guerra colonial sem fim à vista, Caetano, rodeando-se de representantes de uma nova vaga de tecnocratas, ensaiou uma política de liberalização e modernização sem contudo encarar a possibilidade de pôr termo às guerras que se travavam em África.
Assim, introduziu alterações de maior ou menor vulto, quer na economia (liquidou o condicionalismo industrial herdado da longa era salazarista, abriu o País a um mais vultuoso investimento estrangeiro e lançou grandes projectos como os do porto de Sines e da barragem do Alqueva), quer no campo social (melhoria da assistência social, propostas de democratização do ensino lançadas pelo ministro da Educação Veiga Simão), quer ainda na vida política interna.
Neste último domínio, dentro de um conceito de concessão de "liberdade possível", registaram-se medidas de descompressão sobre as oposições legais ou semilegais (autorização do regresso de alguns exilados, como Mário Soares e o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes; autorização também do II Congresso Republicano, que reuniu em Aveiro a Oposição), abrandamento da vigilância dos serviços de censura e alguma redução dos poderes da polícia política, eliminação de algumas restrições à actividade sindical e, finalmente, abertura do próprio partido de apoio ao regime à expressão organizada de opiniões divergentes (constituição da "ala liberal", assumidamente reformista, que viria inclusivamente a ter representação parlamentar).
No que às colónias dizia respeito, Marcello Caetano prosseguiu a defesa da opção militar, rejeitando a via das negociações e a concessão de independências. No entanto, introduziu alterações significativas no discurso oficial, colocando a tónica na evolução gradual (consubstanciada na concessão de uma autonomia progressiva), em nome da defesa da população branca radicada em África, subentendendo-se muito tenuemente uma tendência para aceitar independências brancas.
A legitimação da viragem política do regime seria feita por meio de um acto eleitoral, em cuja preparação o executivo demonstrou sensibilidade a algumas questões de direitos humanos fundamentais; efectivamente, alargou-se o direito de voto, os grupos oposicionistas, até aí tolerados, foram legalizados, sendo-lhes permitida a fiscalização de cadernos eleitorais e do próprio acto eleitoral, e a censura em época de campanha foi abrandada.
A política de abertura atrás sumariamente definida colocou Marcello Caetano no centro de uma complexa teia de reacções, já que, no campo político afecto ao próprio Governo e ao regime se registaram clivagens por vezes muito profundas entre reformadores e integristas e, ao mesmo tempo, a própria oposição (tanto a legal como a ilegal) se fraccionou entre, por um lado, aqueles que aceitavam a liberalização como uma via genuína para a democratização do regime a médio e talvez mesmo a curto prazo, e, por outro lado, os que continuavam a olhar com desconfiança as novas políticas.
 
 
Marcello Caetano
 
Marcello José das Neves Alves Caetano (1906-1980), foi reputado especialista de Direito, jornalista e político. Produziu uma obra vasta de investigação no domínio do Direito administrativo, do Direito constitucional e da história do Direito em Portugal, para além do Direito corporativo. Foi o autor do projecto do Código Administrativo de 1936 e o primeiro docente universitário a leccionar Direito corporativo em universidades portuguesas.

Tendo-se iniciado na política como seguidor do Integralismo Lusitano, aderiu ao Estado Novo criado por Salazar e ocupou numerosos cargos de alta responsabilidade, a nível partidário (presidente da Comissão Executiva da União Nacional), na direcção dos organismos miliciais do regime (Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa), em estruturas essenciais das forças de apoio político ao regime (procurador, vice-presidente e presidente da Câmara Corporativa) e ainda a nível governamental (foi Ministro das Colónias e Ministro da Presidência).
O seu relacionamento com Salazar nem sempre foi pacífico, mas tal não obstou a que fosse reconhecido como seu mais que provável sucessor na chefia do Governo. Em algumas situações encontraram em conflito aberto ou latente: quando, por exemplo, Marcello se demite de reitor da Universidade Clássica de Lisboa, como forma de protesto pela repressão violenta sobre os estudantes universitários de Lisboa (1962), ou quando o general Botelho Moniz o procurou associar ao seu frustrado golpe de Estado (1961).
Ascendeu efectivamente à chefia do Governo, mas por escolha do presidente da República, almirante Américo Thomaz, após se verificar a incapacidade de Salazar para continuar no exercício de funções. Entre 1968 e 1974, procura construir uma política de "evolução na continuidade", concedendo alguma abertura política à oposição, admitindo mesmo no seio da União Nacional (rebaptizada Acção Nacional Popular) um grupo de jovens liberais com forte espírito crítico e grande dinamismo.
Tentou, sem sucesso, uma política de equilíbrio entre uma facção de duros defensores do regime, partidários de posições intransigentes no campo da defesa da "ordem" interna e da continuação da guerra colonial, e uma tendência de certo modo reformista, mais liberal e europeísta.
As suas hesitações, ao tentar singrar entre as duas correntes, enfraqueceram-no e retiraram-lhe margem de manobra.
Cairia, por fim, no 25 de Abril de 1974, após o qual foi autorizado a seguir para o exílio, no Brasil, onde se dedicou à docência e à escrita.
 
publicado por Brito Ribeiro às 22:20
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13
Fev 08
 
 
Vale a pena ler até ao fim este artigo de Clara Ferreira Alves
 
 
Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, um ponto final sinónimo de assunto arrumado.
 
Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.
 
Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia que se sabe que nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.
 
Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve. Sabemos também que a maior parte dos culpados não serão punidos e provavelmente nem irão a julgamento.
 
Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços do enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura. Durante o Estado Novo a notícia simplesmente não aparecia aos olhos do grande público, fruto do traço azul do lápis censor. Hoje a notícia entra-nos em casa, todos os dias, repetidamente, mas não tem consequência. É explorada durante algum tempo e é abandonada em detrimento de outra mais actual. E acaba por cair no esquecimento, do cidadão da investigação e da justiça.
 
E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogues, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.
 
Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muito alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?
 
O único que pagou com alguns anos de cadeia foi o Vale e Azevedo que pagou por todos, devido ao escândalo que causou ao ser provado que um dirigente desportivo, ainda por cima do maior clube português “metia a mão na massa”.
 
Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.
 
Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.
 
Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?
 
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
 
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?
 
Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, fugiu da prisão e acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
 
Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
 
Quem se lembra dos inúmeros casos suspeitos relacionados com a área urbanística, que invariavelmente envolvem autarcas e que nunca são investigados ou, quando são terminam sempre, anos depois, por concluir que não há matéria probatória.
 
Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
 
No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalhou rumores e indícios que não substância.
 
E a miúda desaparecida em Figueira, também no Algarve? O que lhe aconteceu?
 
E todas as crianças desaparecidas antes delas, quem as procurou?
 
E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente"importante" estava envolvida, o que aconteceu?
Então os pedófilos importantes eram apenas os eternos réus do processo Casa Pia? Não há mais nenhum? Esta era a única rede a operar em Portugal?
 
Arranjou-se um bode expiatório, o Bibi, e da maneira como as coisas estão ainda os “putos” vão ser condenados por terem sido violados ou por acusarem algum figurão importante.
 
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?
 
E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
 
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
 
E os negócios do BCP o maior banco privado português, que violou sistematicamente leis e regras que o Banco de Portugal tinha por obrigação de fiscalizar, agitando o mercado de valores com a novela do sai ou não sai, fico ou não fico, numa espiral de descrédito no sistema bancário português e nos mecanismos de controle do Estado.
 
E aquele médico do Hospital de Santa Maria suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?
 
E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.
 
Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
 
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.
 
Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. Este é o maior fracasso da democracia portuguesa e contra isto os partidos, com o PS e o PSD à cabeça, que fizeram?
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 14:49
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10
Fev 08

 

Foto retirada de www.olhares.com

publicado por Brito Ribeiro às 16:57

04
Fev 08
 
O GPS é uma engenhoca extremamente útil para sabermos, em qualquer momento, onde estamos. Nasceu para uma finalidade militar mas rapidamente “saltou” para o uso civil.
Até há alguns anos era usado exclusivamente no mar, substituindo com todas as vantagens o vetusto sextante, que só funciona de dia e desde que haja sol. A aplicação para a navegação generalizou-se e qualquer barquinho passou ater a bordo o tal aparelhómetro que indicava a posição, a rota, os pontos cardeais e mais não sei quantas coisas, com o objectivo de que ninguém se sentisse perdido na mais tenebrosa escuridão ou no mais impenetrável nevoeiro.
Como pesquei durante vários anos ao robalo de barco, sei muito bem a utilidade do GPS para ir “direitinho” àquele pesqueiro ou para regressar “certinho” ao porto de abrigo com um nevoeiro que não deixa ver um palmo na frente do nariz.
 
Este equipamento fez a transição do mar para terra e, desde alguns anos a esta parte, começou a equipar os automóveis, disponibilizando os melhores trajectos em tudo quanto é estrada ou caminho, por mais esburacado que esteja.
Já não há necessidade de ninguém se perder na ida para férias ou na visita à tia Margarida que vive há quarenta anos em Cebolais de Baixo, para os lados de Castelo Branco. Viaturas topo de gama incluem já este equipamento bem aconchegado no centro do tablier, como estrela maior da parafernália de botões, interruptores e sensores que o rodeiam.

Mas como nem todos tem automóveis topo de gama ou melhor, a grande maioria tem é “charutos” velhos ou utilitários, são comercializados uns GPS portáteis que se adaptam a um suporte preso ao tablier ou ao pára-brisas, através de uma ventosa.
Com um custo de lançamento a rondar os quinhentos euros, estas preciosidades foram-se divulgando e o mercado fez o resto. Estão em baixa constante de preço, tem novas funcionalidades e tornaram-se um objecto de culto para muita gente que encara a presença do cobiçado GPS como um estatuto social relevante. Mais uma moda que o marketing inteligentemente lançou e os portugueses (alguns) comeram.
 
Se até algum tempo atrás ter um telemóvel com todas as “mariquices” dava estatuto, hoje isso está fora de moda, já toda a gente tem essas coisas! O factor de diferenciação é o GPS bem visível do exterior, a cantar “a cinquenta metros vire à direita”, “stop a duzentos metros” e outras instruções do género que, sem hesitações, a maquineta vai dizendo na voz metálica do sintetizador. Isso sim, é estatuto! Essa história das jantes especiais e escapes cromados, já deu o que tinha a dar. Agora é a hora da alta tecnologia, via satélite.
 
Que me desculpem quem usa o GPS por necessidade, mas a grande maioria anda com aquilo ligado para levar os miúdos à escola ou quando dá a habitual “volta dos tristes” ao domingo com a família, a mesma volta que invariavelmente percorre há mais de dez anos!
Mas que fica bem, lá isso fica! A caixinha quadrada agarrada à grande ventosa logo atrás do pára-brisas não é para qualquer um, por enquanto.
Como já vi GPS a cerca de cento e vinte euros, não me admirava que qualquer dia encontre um destes aparelhómetros no guiador de uma Famel Zundapp rançosa, à porta da tasca, enquanto lá dentro, o seu orgulhoso proprietário explica, de Super Bock na mão, para que serve o dito: “Ó pá, aquela merda está porreira, é só preciso carregar no botão, que diz logo onde estamos”.
E assim vai este país!
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 23:07
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02
Fev 08
 
Guerra Colonial
 
No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, o domínio colonial das potências europeias sobre territórios africanos e asiáticos começou a ser fortemente posto em causa, tendo-se formado um vasto movimento ideológico e político tendente a obter a independência daqueles territórios.
Tal foi sendo conseguido, nalguns poucos casos, sem surtos significativos de violência; mas, na maioria das independências, prevaleceu o uso da força. Foi o caso da revolta dos Mau-Mau no Quénia britânico, e da prolongada e duríssima guerra da Argélia, por exemplo.
 
O último império a ser afectado foi o português, que perdeu a primeira parcela após uma guerra de curta duração em que as forças portuguesas estacionadas em Goa, Damão e Diu não puderam contrariar a invasão daqueles territórios por forças indianas, incomparavelmente mais fortes.
Esta derrota serviu, contudo, para demonstrar dois factos importantes:
a) Salazar privilegiaria sempre a vertente militar para resolver as questões de soberania que se lhe colocassem no âmbito colonial; de facto, ordenara a resistência a todo o custo, sem olhar aos sacrifícios materiais e humanos que isso acarretaria;
b) A posição portuguesa no jogo da diplomacia mundial era débil e incapaz de mobilizar apoios em defesa de domínios coloniais, já que a própria Inglaterra, instada a honrar históricos compromissos de solidariedade em nome da secular aliança entre os dois países, se recusara a apoiar a posição do Governo português.
 

Em 1961 abre-se um novo capítulo na história do Império colonial português. Dois acontecimentos marcam o início de uma guerra que durará 13 anos, até que o poder revolucionário saído do 25 de Abril de 1974 imponha um fim político ao conflito:
1) a 4 de Fevereiro, militantes do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) tentam tomar de assalto esquadras de polícia em Luanda, sendo repelidos depois de combates violentos em vários pontos da cidade;
2) em 15 de Março, a UPA (União das Populações de Angola, mais tarde denominada FNLA = Frente Nacional de Libertação de Angola) lança uma série de ataques mortíferos em zonas isoladas e desguarnecidas do norte da colónia, tentando erradicar a população branca.
Estes dois movimentos, a que anos mais tarde se juntará a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), fruto de uma dissidência na UPA, conduzem uma luta de guerrilha que, após uma primeira fase de êxitos tácticos, se vê remetida à defensiva. A guerra em Angola não conhecerá nunca um vencedor claro nem um derrotado assumido.
 
Muito diferente é a situação na Guiné-Bissau, onde se encontra em campo uma única organização política, o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde), que não encontra rivais no terreno desde o início do conflito em 1963, beneficia de apoios logísticos eficazes nos países vizinhos, tem a simpatia dos governos do Terceiro Mundo com representação e influência na Assembleia Geral das Nações Unidas, consegue os êxitos tácticos suficientes para reunir uma assembleia de delegados em Medina do Boé, proclamar unilateralmente a independência e vê-la reconhecida por numerosos países em 1973.
 

Em Moçambique, a guerra é desencadeada em 1964 pela FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), que tem de se confrontar não só com outras forças, menos estruturadas, no terreno, mas que enfrenta no seu seio dissidências de carácter étnico, que a enfraquecem.
Tal como em Angola, a guerra nunca se decidirá claramente a favor das forças portuguesas, no plano militar, apesar de algumas operações de grande envergadura, desencadeadas particularmente pelo general Kaúlza de Arriaga. Tal como em Angola, o 25 de Abril irá encontrar a situação num impasse.
Na África, apenas os territórios insulares (Cabo Verde, São Tomé e Príncipe) ficarão imunes à guerra; na Ásia, Macau sofrerá de alguns momentos de instabilidade por influência da Revolução Cultural na vizinha República Popular da China e Timor só verá surgir os seus movimentos a favor da independência após o 25 de Abril de 1974.
 
Logo em 1961, Salazar formula numa frase lapidar a sua intenção de privilegiar a defesa do império, custe o que custar, enviando tropas para Angola, "imediatamente e em força", rejeitando toda e qualquer negociação, mesmo que Portugal se encontrasse "orgulhosamente só" a partir desse momento.
Apesar de privilegiar a solução militar, introduzirá alterações no estatuto legal e social dos indígenas africanos, promoverá acções sociais para captar a simpatia das populações, abrirá as colónias ao investimento metropolitano e externo, procurará incentivar a emigração para África, desviando-a da França, para onde se dirigia de preferência naquele momento.
 
A guerra, travada em três frentes, significará um investimento extremamente gravoso para as finanças do Estado português, provocará dissensões no seio do próprio Governo (golpe do general Botelho Moniz, em Abril de 1961), desgastará o moral das próprias forças armadas, retirará braços à produção em Portugal e provocará o isolamento do país na arena diplomática mundial (tanto nas relações multilaterais no seio da Organização das Nações Unidas como a nível bilateral).
 

O seu balanço em termos humanos é trágico: mobilização de cerca de um milhão e quatrocentos mil homens, aproximadamente nove mil mortos e trinta mil feridos e ainda cento e quarenta mil ex-combatentes sofrendo de distúrbio pós-traumático do stress de guerra (isto sem esquecer as vítimas civis, de ambos os lados, obviamente em maior número entre as populações do teatro de guerra, mas que nenhum dos beligerantes alguma vez contabilizou).
Um dos maiores golpes diplomáticos contra as posições do Governo português será a audiência concedida a dirigentes dos movimentos das três colónias pelo papa Paulo VI, em 1 de Julho de 1970.
Marcello Caetano, que sucede a Salazar na chefia do Governo, não encontrará também solução para o conflito, quer por meios militares quer por meios pacíficos.
Será apenas por meios diplomáticos e políticos, por iniciativa do poder revolucionário instituído em 1974, que o conflito verá o seu termo.
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 18:18
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