Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

30
Jan 08
Designação
Alminhas de Santo Isidoro
 
Localização
Viana do Castelo, Caminha, Moledo
 
Acesso
Antiga EN 13, Lugar de Stº Isidoro 
 
Protecção
Inexistente
 
Enquadramento
Rural, isolado, integração harmónica na orla costeira, em plataforma coberta com vegetação rasteira e acácias, estando o alçado posterior encaixado no afloramento granítico, talhado para o efeito, em face da estrada, asfaltada, que faz a ligação de Vila Praia de Âncora a Moledo.
 

Descrição
Planta longitudinal, rectangular, tendo alpendre rectangular adossado a N.. Volumes escalonados, com coberturas diferenciadas, em telhados de lajes pétreas de duas águas nas Alminhas e de uma no alpendre. Fachadas rebocadas e caiadas. Fachada principal virada a E..
As Alminhas com embasamento de cantaria e pilastras toscanas nos cunhais, encimadas por duplo friso e cornija bastante saliente, moldurada, e rematada por dupla voluta afrontada, sendo coroada por cruz latina, com remates das hastes flordelisado, sobre acrotério concheado, ao centro.
É rasgada por portal de arco abatido, marcado por três aduelas realçadas, a do centro correspondendo à pedra de fecho inscrita com a data 1878, assente em pilastras, sendo encimado por brasão inscrito com IHS e coração inflamado, envolto por elementos vegetalistas, duas chaves e encimado por mitra e pequeno ornato.
Interior rebocado e caiado, com pavimento lajeado e tendo tecto de duas águas, em pedra, donde pende lamparina metálica. Na parede testeira mesa de altar pétrea, suportando maquineta, em talha polícroma a branco e dourada, envidraçada, de remate superior curvo, albergando painel de madeira em alto relevo e policromado, com a figuração de Santo Isidoro entre as Almas, sobre chamas.
Inferiormente possui inscrição, em duas regras: "Ó VÓS QUE IDES PASSANDO LEMBRAIVOS / DE NÓS QUE ESTAMOS PENANDO". Alpendre rasgado por amplo portal de verga recta sem moldura e fachada lateral e posterior cegas; interior com pavimento cimentado, tendo banco de cimento percorrendo a parede testeira e prateleira pétrea, a meia altura do alçado, à direita.
 

Utilização Inicial
Devocional: Alminhas
 
Utilização Actual
Devocional: Alminhas
 
Propriedade
Pública: municipal
 
 
Época Construção
Século XIX
 
Arquitecto | Construtor | Autor
Desconhecido.
 
Cronologia
1878 - Construção das alminhas por acção do benemérito António Manuel A. Casal da Cruz; séc. 20 - provável construção do alpendre.
 
Tipologia
Arquitectura religiosa devocional, neoclássica. Alminhas de planta longitudinal com cobertura de duas águas em lajes pétreas.
Fachada principal definida por pilastras que suportam frontão de volutas que a rematam, com portal de arco abatido, sobre pilastras, com pedra de fecho saliente e inscrita, sendo encimado por brasão episcopal. No interior, ostenta maquineta em talha policroma e dourada com painel das Almas.
 

Características Particulares
Alminhas de grandes dimensões, com fachada principal reproduzindo o modelo da fachada da Igreja Paroquial de Moledo.
No interior, o painel das Almas integra Santo Isidoro, figura pouco comum neste tipo de representação; à direita, o paramento apresenta o orifício para encaixe de caixa de esmolas, já inexistente.
 
Materiais
Estrutura em cantaria, com paramentos rebocados e pintados; cobertura em lajes de granito; mesa de altar em granito; maquineta de madeira envidraçada; pavimento lajeado e cimentado; porta de ferro; lamparina metálica.
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 19:27

29
Jan 08

 

Com uma ementa destas será que alguém , no seu juízo perfeito, confia na qualidade da comida?

 

 

 

Será que as festas de "anivercario" são festas de anos? Ou de ânus ? Sendo assim bastará levar a festa, que o resto é por conta da casa?

 

E a ASAE, sempre tão escrupulosa, não faz nada? No mínimo, pegar fogo à barraca...

publicado por Brito Ribeiro às 12:30
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25
Jan 08
Pois é meus amigos, este blog estava a ficar com posts muito variados nos temas que aborda e, por isso, decidi criar outro blog, inteiramente dedicado às crónicas e aos contos.
Uns serão inteiramente ficcionados, outros nem tanto, alguns terão como pano de fundo o Vale do Âncora, outros correrão os quatro cantos do mundo. Por ali passarão personagens inventadas e personagens reais, muitas vezes de mãos dadas, às vezes de costas voltadas.
Haverá contos com final feliz, mas também contarei tragédias, como as da vida real. Procurarei expressar sentimentos, não sei se o conseguirei, tenho dúvidas. Mas vou tentar!
Chamei-lhe Rio Âncora, nome bem importante para tão humilde blog. Afinal é um pequeno rio, com grande significado para mim. Foi nas suas margens que cresci, foi nas suas águas que aprendi a nadar, é nas suas margens que respiro, é junto do Rio Âncora que quero continuar a viver.
O vilapraiadeancora vai continuar imperturbável (espero) com posts variados na área da história, do património, do ambiente, da fotografia, da pesca, do humor (muito, que bem precisamos), da opinião e do que calhar, sempre com o objectivo de levar bem alto o nome da nossa terra. Bem hajam!
publicado por Brito Ribeiro às 20:10

20
Jan 08
Há dias fomos surpreendidos com anulação da prova de todo-o-terreno Lisboa-Dakar, devido a problemas de segurança. Parece que os terroristas da Al Quaid ou associados fizeram diversas ameaças que foram levadas muito a sério pela organização e pelos serviços secretos franceses.
Certo é que a prova foi anulada, pela primeira vez em trinta anos e diversos municípios e empresas portuguesas ficaram seriamente prejudicadas pois tinham já efectuado investimentos avultados nas mais diversas áreas.
Ocorreu-me que para minimizar os prejuízos e principalmente para não defraudar as expectativas dos concorrentes e dos aficionados, poderia ter saído para a estrada uma versão mais reduzida do Lisboa-Dakar, que passaria a ser o Lisboa-Valença, aproveitando algumas das melhores pistas do todo-o-terreno nacional.
A Nacional 10 ou a Nacional 1 por exemplo, e mais a norte, que é o que nos interessa, a Nacional 13.

Que suprema beleza ver os bólides a atravessar Vila do Conde e Póvoa do Varzim, quais aldeias africanas, a ponte de Fão ou a de Viana, para atingirem o clímax nas mais rudes pistas europeias, desde a saída desta linda cidade até Valença.
Só não sei se depois da viagem até à Princesa do Lima, os veículos iriam aguentar o último esforço de percorrer a EN-13. Iria ser duro para os pilotos e para as assistências, muitas peças iriam ceder pelo caminho. Enfim, isto é que é competição!
 
Isto vem a propósito das condições miseráveis, da vergonha que é a Nacional 13, semeada de buracos, o piso todo partido e irregular, que uns funcionários remendam quase diariamente sem qualquer resultado prático, que não seja pôr o pavimento ainda mais irregular.
O Instituto de Estradas continua a fazer vista grossa para a mais importante via de comunicação do Alto-Minho que é da sua jurisdição, na mesma semana em que se teve conhecimento que este Instituto com 1800 funcionários, possui 800 viaturas de serviço que abasteceram em 2007 mais de 5 milhões de euros de combustível. Estamos perante um consumo médio de consumo por viatura de 6.250 euros.
Nem vale a pena fazer contas aos quilómetros que teoricamente cada funcionário percorreu. E para quê, em serviço? Mas que serviço?
Mais um escândalo, mais um exemplo da roubalheira que opera (até agora) impunemente no Estado português.
Enquanto os portugueses na generalidade pagam os combustíveis a peso de ouro, devido aos pesados impostos aplicados, há uma minoria de portugueses que alegremente se passeia à nossa custa, nas estradas que, por missão, deviam zelar e conservar.
 
                                                                                
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 16:40
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17
Jan 08

Vila Praia de Âncora ao longo dos últimos 100 anos evoluiu muito, nem sempre para melhor, dirão alguns, mas sempre se afirmou como o pólo aglutinador da sua unidade geográfica, o Vale do Âncora.

Foi e continua a ser a freguesia mais populosa do Concelho de Caminha e é simultaneamente, a freguesia não sede de concelho com mais população do Distrito de Viana do Castelo.

Deixo-vos com alguns instantâneos da rua principal de Vila Praia de Âncora, a Rua 5 de Outubro.

 

 

 

 

 

Ao fundo, à esquerda a pensão dos meus avós, mais tarde, Pensão Meira

 

 

Um aspecto inalterado, a casa dos Morais Cabral

 

Em primeiro plano a casa da D. Titó

 

 

 

 

 

À esquerda a pensão dos meus tios Simão e Felisbela

 

 

 

As duas primeiras fotos são mais antigas, provavelmente anteriores a 1920. Todas as outras são dos finais dos anos cinquenta. Apesar de retocadas estas fotos tem uma qualidade muito baixa.

Se alguem tiver em sua posse fotos antigas da nossa terra, ficaria muito agradecido se me pudesse facultá-las para publicação.

 

publicado por Brito Ribeiro às 16:03

16
Jan 08
 
Mocidade Portuguesa
 
 
Organização de carácter milicial dirigida às camadas mais jovens da população, foi criada por decreto em 1936, tendo a sua secção feminina sido criada dois anos mais tarde. Em 1939 seria alargada às colónias.
A criação e manutenção de organizações miliciais não era exclusiva do Estado Novo português; na realidade, encontram-se organizações do mesmo tipo quer na Itália de Mussolini (Balilas) quer na Alemanha hitleriana (Hitlerjugend).
Tal não quer dizer que a organização criada sob a orientação de Salazar fosse uma cópia fiel daquelas, embora tivesse havido algumas relações entre a Mocidade Portuguesa e as organizações daqueles países e haja algumas semelhanças de facto.
A Mocidade Portuguesa destinava-se a crianças entre os 7 e os 14 anos de idade, escolarizadas ou não, e a frequência das suas actividades tinha carácter obrigatório. Para os jovens do sexo masculino entre os 17 e os 20 anos foi ainda criada uma milícia, espécie de braço armado da organização.
Estes dois ramos do sector masculino da organização, bem como a respectiva extensão nos domínios coloniais, eram inspirados por objectivos claramente definidos de adestramento pré-militar, para o que se instituíram mecanismos disciplinadores e uniformizadores diversos: a farda, a disciplina rigorosa baseada em conceitos de autoridade e hierarquia, as paradas e acampamentos, os prémios e as sanções.
Para os mais velhos, a quem a milícia se destinava, estavam reservados benefícios particularmente atraentes, dado que da sua qualificação na instrução pré-militar decorria a dispensa de parte do serviço militar obrigatório (a recruta no caso das praças, o primeiro ciclo dos respectivos cursos para os sargentos e oficiais milicianos).
O carácter paramilitar de muitas das actividades desenvolvidas (até mesmo a prática desportiva estava centrada em actividades afins da instrução militar: esgrima, boxe, voo) justificava o facto de a direcção da organização estar entregue, a diversos níveis, a oficiais das Forças Armadas ou a graduados da Legião Portuguesa (registando-se mesmo a tendência para recrutar na Mocidade Portuguesa quadros para a milícia adulta que era a Legião Portuguesa).
A direcção ao mais alto nível era, no entanto, confiada a personalidades afectas ao regime, gozando de grande prestígio ou autoridade, que foram sempre civis (o primeiro Comissário Nacional foi um antigo embaixador em Berlim, o segundo foi Marcello Caetano, etc.).
O ramo feminino da Mocidade Portuguesa obedecia a outras orientações, naturalmente sempre enquadradas nos objectivos de orientação ideológica do Estado Novo: as raparigas seriam ali encaminhadas para assumirem mais tarde o papel de mães de família e donas de casa, ao mesmo tempo que lhes era ministrada educação religiosa católica de acordo com uma trilogia cara ao regime (Deus, Pátria e Família).
 A exaltação do espírito patriótico não era aqui acompanhada por exercícios de carácter militar, de acordo com uma filosofia tradicionalista que encarava a guerra como domínio exclusivo do homem.
O exercício físico a que as filiadas eram submetidas tinha um outro sentido, o da preservação da sua saúde precisamente como futuras mães de família.
Enquanto a Mocidade Portuguesa era dirigida quase exclusivamente por militares, a direcção do ramo feminino estava nas mãos de docentes do ensino secundário ou reitoras de liceu, naturalmente apoiantes do regime.
A época de maior desenvolvimento da estrutura da Mocidade Portuguesa foi a que medeou entre a sua criação e o final da II Guerra Mundial, em 1945. Com efeito, a queda dos regimes totalitários na Europa levou ao descrédito das organizações de tipo milicial destinadas à juventude (é preciso manter presente que o fim do conflito trouxe sinais de crise social e política ao Estado Novo).
A organização entrou em decadência, perdeu vitalidade e, anos mais tarde, em 1966, perdeu o controle das actividades circum-escolares, que passaram a ficar centradas na Escola.
Em 1974, quando o regime é derrubado, a Mocidade Portuguesa, tal como numerosas outras organizações, foi extinta sem quaisquer sobressaltos, tal a debilidade em que tinha caído.
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 19:45
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14
Jan 08

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Brito Ribeiro às 21:47
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05
Jan 08
Há pouco tempo, mais concretamente em Agosto último, insurgi-me contra o estado de limpeza da zona litoral entre Vila Praia de Âncora e Moledo, uma zona conhecida por Caído e mais a norte por Santo Isidoro.
O Caído pertence à freguesia de V. P. de Âncora e Santo Isidoro já faz parte da freguesia vizinha de Moledo. É uma zona de beleza natural insuperável, mas tem sido muito mal tratada ao longo dos tempos, não só pelo estado degradante motivado pela porcaria espalhada e nunca retirada, mas essencialmente pelos repetidos atentados de que tem sido alvo.

Lixo, depuradora/restaurante e pedreiras

É no Lugar do Caído que se encontram com frequência vestígios do Paleolítico, nomeadamente “picos ancorenses”, raspadores e pesos de rede. Também nesta zona que se encontram pequenas salinas que podem ter origem no século III ou no século XI.

Antigamente o Caído era conhecido por ser um sitio ermo que até servia de porto natural de descarga do contrabando e por ser um local onde o sargaço dava à costa, tendo os sargaceiros construído umas pequenas casinhas para guardar os aprestos. Ainda hoje existem, embora já não tenham essa utilidade, mas também não agridem a paisagem pois estão perfeitamente integradas.
 
No entanto sobram aspectos negativos com fartura e que passo a descrever:
 
  • Construção de um armazém de depuração de bivalves e mais tarde um restaurante no piso superior;
  • Abertura de estrada calcetada até ao armazém de depuração;
  • Existência da lixeira municipal durante mais de uma década;
  • Construção clandestina de um curral de ovinos e caprinos;
  • Construção clandestina de um canil;
  • Exploração de duas pedreiras no monte sobranceiro;
  • Descarga das águas das pedreiras directamente para o Caído sem qualquer bacia de retenção ou tratamento;
  • Ausência total de recolha de lixo e de detritos numa zona eminentemente turística;
  • Nenhuma referencia, informação ou estudo aos vestígios arqueológicos;
 
O armazém de depuração de bivalves é um edifício sem qualquer cuidado na integração paisagística, espampanante e que foi aprovado ainda no tempo do presidente Pita Guerreiro, curiosamente, numa reunião em que ele não estava presente; já na altura foi pública a oposição a este licenciamento por parte do NUCEARTES, tanto mais que cheirava a “esturro” uma depuradora com dois andares.
Anos mais tarde, o proprietário abriu uma marisqueira no piso superior. Este foi, para mim, um dos casos mais graves, em matéria de licenciamentos, dos anos oitenta, pois foi violado deliberadamente um conjunto de legislação de protecção da orla costeira. A depuradora até podia existir sem ferir a paisagem e agredir o meio ambiente, tanto mais que esta zona está integrada na Rede Natura 2000 e no Biótopo Corine.

Capela de Santo Izidoro

 
A abertura da estrada calcetada foi uma consequência da construção e exploração da depuradora, outro erro tremendo pois alterou a morfologia do terreno numa zona supratidal ou seja, na linha máxima de praia mar. Onde existia um pequeno caminho térreo foi rasgada uma estrada de duas vias e há quem diga que o calcetamento foi pago pelo proprietário da depuradora, pelo menos acaba à sua porta.
 Mais a norte, durante os anos oitenta e princípios do anos noventa era depositado todo o lixo recolhido pelas equipas camarárias num terrenos confrontante com o mar, sendo a eliminação dos resíduos obtida por incineração, causando fumos e odores que com ventos de norte atingiam a própria vila, ainda distante alguns quilómetros.

 

Felizmente a lixeira foi encerrada e os resíduos são agora depositados em aterro municipal, embora o terreno tenha sido limpo, nunca foi devidamente recuperado e encontra-se abandonado. Esporadicamente encontram-se deposições clandestinas de lixos e entulhos de obras nas margens do caminho que lhe dá acesso.
 
Há alguns anos, um indivíduo que se dedica à criação de ovinos e caprinos começou por construir uns barracos para abrigar os animais e ao longo dos tempos tem vindo a aumentar a exploração e consequentemente a aumentar o número de barracos construídos num terreno particular.
Embora a pequena exploração pecuária não traga por si só qualquer mal, as condições visuais de tal aglomerado de barracas dá um aspecto degradante ao local e não sei até que ponto as condições higieno-sanitárias da exploração estão ou não, a ser controladas pelas autoridades competentes.
 
Ao lado nasceu um canil que vem suprir a falta de um canil municipal e que é da iniciativa de alguns entusiastas na defesa dos animais. Apesar da intenção ser muito positiva, o resultado é francamente degradante em termos visuais e os animais não tem as condições necessárias à sua permanência no local.
 
Quem visita aquela zona, por muito que não queira, tem forçosamente de encarar as pedreiras que esventraram (e continuam) os montes sobranceiros, rasgando enormes feridas de recuperação impossível, tal o estado de exploração que aquele terreno sofreu.
É realmente um crime ambiental, um atentado paisagístico que foi crescendo ano após ano, sem que se arranjasse meio e disposição para o travar. Hoje é tarde e um dia, quando aquilo deixar de ser rentável, os proprietários limitam-se a virar costas e ir escavar para outro lado ou, quem sabe, a urbanizar os terrenos. Nunca mais ficará no seu estado original.
 
Também as águas que provem destas pedreiras acabam por ser lançadas ao mar na enseada do Caído, sem qualquer decantação ou tratamento, originando perturbações na turvação da água devido às lamas arrastadas. Também aqui não é feito qualquer controle pelas autoridades de saúde e desconhece-se se vêm arrastadas algumas substâncias nocivas junto com estas águas.

Estradão entre Santo Izidoro e a Meia Légua

 

 Outra ameaça foi criada recentemente com o rasgar de um estradão desde a antiga lixeira, até à última urbanização de Moledo, no Lugar da Meia Légua, sempre junto à linha do caminho-de-ferro. Este acesso, que já permite o trânsito automóvel, vem substituir um antigo caminho de serventia agrícola e suspeito que sirva no futuro próximo para dar capacidade construtiva aos terrenos confrontantes. Acho até que nem é nada difícil prever que há aqui interesses imobiliários e dos grandes. Com a cobertura de quem, pergunto eu? Deixem sair o novo PDM, que depois falamos!

 

 
Por tudo isto é difícil acreditar que temos a governar-nos autoridades atentas aos interesses colectivos e que lutam para que Vila Praia de Âncora e Moledo sejam um destino turístico com qualidade aceitável.
Ao longo dos tempos fizeram-se algumas asneiras, mas não é legítimo deixar essas asneiras perpetuarem-se, agravarem-se ou multiplicarem-se.
Já é tempo mais que suficiente de se inverter a situação de degradação e elaborar um plano de pormenor para a zona do Caído e Santo Isidoro, eventualmente até à praia de Moledo, sempre norteados pela defesa do ambiente e pela preservação paisagística, não pela cultura do betão ou pela especulação fundiária, que acaba por enriquecer meia dúzia e deixar mais pobre toda a restante comunidade. 
publicado por Brito Ribeiro às 13:03
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01
Jan 08
 
Partido Comunista Português (PCP)
 
O partido mais antigo na cena política portuguesa, foi fundado em 1921, na legalidade, integrado num regime democrático parlamentar que reconhecia a liberdade de formação e actuação dos partidos políticos. Apanhado de surpresa pelo golpe militar de 28 de Maio de 1926, que deu origem à criação da Ditadura Militar (o golpe quase coincide com o II Congresso, que teve lugar a 19 e 30 de Maio), só três anos mais tarde reinicia a sua actividade, na clandestinidade, sob a direcção de Bento Gonçalves.
Ainda não liberto das concepções anarco-sindicalistas que privilegiavam a acção violenta, armada, para o derrube do regime, o PCP participa na gorada tentativa revolucionária de 18 de Janeiro de 1934, pela qual o movimento operário tentava opor-se à corporativização dos sindicatos. Foi apenas em 1935, sob orientação da Internacional Comunista, de que o partido era membro, que se orientou para tácticas que tomavam em consideração, simultaneamente, três níveis de acção: clandestina, semi-legal e legal, orientação esta que nunca mais abandonará até à queda do Estado Novo, em 1974.
Várias vicissitudes marcaram a vida do partido, sem nunca o destruírem, embora em numerosas ocasiões o tenham debilitado fortemente: golpes repressivos desferidos pela polícia política, tais como a apreensão de tipografias clandestinas; prisão de dirigentes (Álvaro Cunhal e outros), deportação para o Tarrafal (Bento Gonçalves) e morte de alguns deles (Alex, Dias Coelho); dissidências provocadas pelas crises que abalaram o movimento comunista internacional, de que há a destacar o diferendo entre Estaline e Trotsky e respectivos seguidores, e a divisão entre pró-soviéticos e maoístas na década de 60, que dará origem a um movimento marxista-leninista fragmentado com uma vida que se prolonga até depois da queda do Estado Novo.
Chegado o 25 de Abril de 1974, numerosos dirigentes comunistas encontram-se na prisão ou no exílio, mas prontamente acorrem ao País, participando activamente no movimento revolucionário, nomeadamente na aplicação da Reforma Agrária, na dinamização da vida sindical e na luta contra a continuação da guerra colonial.
Ao cabo de setenta e cinco anos de existência, representa uma força política e social sem a qual se não pode compreender a História contemporânea de Portugal, e pode alinhar nas suas memórias colectivas as figuras emblemáticas de Bento Gonçalves, dirigente na clandestinidade nos primórdios do Estado Novo, Álvaro Cunhal, reorganizador e dirigente incontestado no segundo após-guerra, e Soeiro Pereira Gomes, militante clandestino e escritor neo-realista, entre outros.
 
 
 
Álvaro Cunhal
 
O político português Álvaro Barreirinhas Cunhal nasceu em 1913, em Coimbra. Foi estudante da Faculdade de Direito de Lisboa e, em 1931, filiou-se no Partido Comunista. Em 1935, foi eleito secretário-geral da Juventude Comunista e, um ano depois, passou à clandestinidade.

Em 1937, entrou para o Comité Central do partido. Após várias prisões temporárias, foi preso em 1949 no Forte de Peniche, de onde conseguiu evadir-se em 1960.
A partir do ano seguinte passou a ser secretário-geral do partido, cargo que ocupou até Novembro de 1992, data do último congresso, que elegeu, para o mesmo cargo, Carlos Carvalhas. Regressou a Portugal em 27 de Abril de 1974, sendo ministro sem pasta dos governos provisórios de 1974 e de 1975. Foi eleito deputado várias vezes, mas raramente ocupou o lugar na Assembleia da República.

Cunhal distinguiu-se também como escritor. Escreveu vários livros de índole política, como “Rumo à Vitória” (1964), “O Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista” (1970), “Contribuição para o Estudo da Questão Agrária” (1976), “A Revolução Portuguesa” (1976) e “Passado e Futuro” (1976). No campo do romance, entre outros livros, publicou, sob o pseudónimo de Manuel Tiago, “Até Amanhã, Camaradas” e “Cinco Dias, Cinco Noites”. Ambos os romances têm por tema os tempos em que o PCP se movia na clandestinidade, durante o Estado Novo deposto no 25 de Abril.
Também se distinguiu como artista plástico. Os seus Desenhos na Prisão, realizados quando cumpriu pena por "actividades subversivas pró-comunistas", dão uma carga estética à visão política do seu autor.
 
Mário Soares
 
Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasceu em 1924. Oriundo de uma família com tradições políticas republicanas liberais, participou activamente, desde a juventude, em actividades políticas contra o Estado Novo, o que lhe acarretou a passagem pelas prisões da polícia política (PIDE) e o exílio, primeiro em S. Tomé e depois em França, onde o 25 de Abril de 1974 o encontraria.

Advogado, defendeu em tribunais plenários numerosos opositores do regime, tendo-se destacado como representante da família Delgado nas investigações sobre as circunstâncias e responsabilidades da morte do "General sem Medo". Oposicionista declarado, apresentou-se como candidato em actos eleitorais consentidos pelo regime, nunca sendo, obviamente, eleito.
Dirigente da Acção Socialista Portuguesa, é um dos fundadores do Partido Socialista (1973), de que será o primeiro secretário-geral.
Após o levantamento dos capitães em Abril de 1974, regressa prontamente a Portugal, ocupando a pasta dos Negócios Estrangeiros, passando a ser responsável pelo estabelecimento de relações diplomáticas com diversos países do mundo e pelas negociações que levariam à independência das colónias portuguesas.
 
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 18:25
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