Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

27
Dez 07

Embora a Freguesia de Vilar de Mouros não pertença geográficamente ao Vale do Âncora, possui um monumento digno de registo e de enaltecimento. A ponte que liga as duas margens do Rio Coura, que liga as duas metades da freguesia, unico atravessamento ao nivel  do interior do Concelho deste curso de água, o que configura uma grave lacuna no planeamento estratégico da autarquia.

A causa próxima deste post, tem a ver com o facto da Câmara Municipal me ter brindado um baralho de cartas com fotografias de alguns monumentos concelhios.

Ideia interessante e simpática que peca pela falta de rigor em alguns casos e um erro grosseiro no que respeita à Ponte de Vilar de Mouros, ao ser classificada como ponte romana, o que em absoluto, é mentira.

 

 
 
Designação
Ponte de Vilar de Mouros
 
Localização
Viana do Castelo, Caminha, Vilar de Mouros
 
Acesso
Lug. da Ponte
 
Protecção
MN, Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 Junho 1910
 
Enquadramento
Urbano. Ergue-se na povoação de Vilar de Mouros, ligando as 2 margens do rio Coura e tendo nas proximidades algumas construções e a capela de Nª. Srª. da Piedade.
 

Descrição
Lançada sobre rio, de tabuleiro formando cavalete e precedido por rampas de acesso, assenta sobre 3 arcos quebrados, sendo o central maior, de aduelas estreitas e compridas, com talha-mar prismático a montante e talhantes a jusante, encimados por olhais de arco pleno, com guardas em cantaria aparelhada e pavimento calcetado com lajedo central separando-o em 2 faixas. A N. criou-se recanto com banco de pedra corrida e alminha com base decorada por volutões invertidos, pequeno nicho, vazio e sem qualquer ornato interior; exteriormente também com volutas e encimado por grande cruz.

 
 
Utilização Inicial
Equipamento: Ponte viária
 
Utilização Actual
Equipamento: Ponte com tráfego rodoviário
 
Propriedade
Pública: municipal
   
Época Construção
Séc. 14 / 15 (conjectural)
 
Arquitecto | Construtor | Autor
Desconhecido.
 

Cronologia
Séc. 14 / 15 - Época provável da construção; Séc. 18 - construção da alminha; 2004 - vedada ao tráfego pesado, devido a problemas estruturais; a Direcção Regional dos Edifícios e Monumentos do Norte solicitou à Faculdade de Engenharia do Porto uma peritagem à ponte; 2006 - elaboração de projecto de reabilitação da ponte pela DGEMN; 25 Outubro - as fortes chuvadas deixaram o imóvel parcialmente submerso, prevendo-se que a estrutura fique algo abalada.
 
Tipologia
Arquitectura civil de equipamento, gótica. Ponte de arco, seguindo o modelo criado pelo grande protótipo regional que foi a ponte de Ponte de Lima.
 
Características Particulares
O emprego de arcos quebrados com aduelas estreitas e compridas, e de olhais sobre os talha-mares, indica ser obra de finais do séc. 14 inícios do 15 e muito provavelmente impulsionada pela entidade concelhia.
 
Dados Técnicos
Estrutura mista com aparelho "mixtum vittatum".
 
Materiais
Granito.

 
Bibliografia
ARAÚJO, José Rosa de, Caminhos Velhos e Pontes de Viana e Ponte de Lima, Viana do Castelo, 1962; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987;
 
Intervenção Realizada
DGEMN: 1936 - obras de conservação da ponte; 1960 - Reparação ligeira do pavimento; 1964 - obras de consolidação e conservação; 1977 - limpeza de vegetação; 1979 - trabalhos de conservação; 1984 - trabalhos de conservação; 2000 - consolidação e limpeza de paramentos; iluminação e arranjo da sua envolvente; 2003 - escoramento dos pilares.
 
Observações
A intensa vegetação e silvedo impede-nos confirmar o número de talha-mares e, portanto, de analisar a verdadeira estrutura da ponte. Visíveis são apenas 3 talha-mares, 2 deles intercalando os arcos e um outro a S. depois do arco.
 
publicado por Brito Ribeiro às 10:52

19
Dez 07
Passei vários dias a compilar os documentos. Trabalhei que me fartei, mas valeu a pena. Consegui entregar ao nosso “primeiro” um dossier com as 100 melhores anedotas que o tem como protagonista. Ele ficou encantado com a ideia, aliás nota-se no rosto.

- Brito, meu amigo, porque é que te incomodaste?
- Ó Zé, não foi nada, tive muito prazer.
- Trouxeste algumas com o Cavaco?
- Trouxe, pá. Até tenho aí algumas com o Marques Mendes…
- Com esse já não interessa… Queria com o outro, com o… com o… Ó Vieira, como é que se chama aquele gajo?
- Quem? O Meneses?
- Sim, o Meneses. Tens alguma do Meneses?
- Tenho um par delas, mas tu ficas sempre bem, está descansado.

- Óptimo, óptimo, ficas para almoçar?
- Não, Zé. Eu tenho que trabalhar, não tenho nenhum tacho no governo.
- Lá estás tu! Sempre na brincadeira… Vai dando notícias.
- Combinado! Vieira, um abraço! Lurdes, beijinhos…
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 16:26
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16
Dez 07

Estas fotografias são bastante conhecidas mas não quero perder a oportunidade de as partilhar com todos os que visitam este blog. Regularmente irei publicar mais fotos e solicito a quem possua fotografias antigas, mesmo em mal estado de conservação, o favor de me facultá-las para restauro e publicação. É uma das formas de preservar a nossa memória colectiva.

 Panorâmica obtida do Monte Calvário

 Moinho do Lira no Paredão

 Panorâmica do Portinho obtida do Forte da Lagarteira

 Pescadores cosendo as redes

 O Portinho. Em primeiro plano o "Gaivota" o veleiro do Almirante Ramos Pereira

 Praça da República e Rua 5 de Outubro

publicado por Brito Ribeiro às 15:14

14
Dez 07
 
PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado)
 
 
O Estado Novo, constituído sob a direcção de António de Oliveira Salazar, criou diversos organismos de Estado com o fim de condicionar, controlar ou eliminar as manifestações de opinião e impedir a organização política das forças que se lhe opunham, bem como dos contestatários ou descontentes no seio das próprias forças de apoio do regime.
Um dos mecanismos de controle, particularmente vocacionado para operar a limitação do direito de reunião, expressão e organização políticas, foi a polícia política, instituição de carácter secreto que começou por ter uma base apenas regional durante a Ditadura Militar e posteriormente veio a estender-se ao todo nacional.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria, Salazar empreende a modernização do aparelho policial secreto, criando em 1945 a PIDE, atribuindo-lhe a missão de defender o regime contra as actividades das organizações clandestinas, particularmente do Partido Comunista Português, para tal recorrendo a métodos os mais variados, que iam da vigilância de suspeitos à prisão sem culpa formada, passando pela intercepção de correspondência e de comunicações telefónicas e pela criação e manutenção de uma rede tentacular de informadores, culminando com a apresentação dos detidos a Tribunais Plenários, que constituíam a forma de legitimação jurídica das prisões e investigações.
Muitas vezes acusada de prender para investigar em lugar de investigar para prender, foi a executora da política selectiva de repressão preconizada por Salazar. Pelas suas cadeias privativas no Continente e pelo campo do Tarrafal (Cabo Verde) passaram suspeitos da mais diversa origem social e filiação ou tendência ideológica ou política, por períodos mais ou menos longos, muitos deles sujeitos a maus tratos ou torturas.
Contrariamente às suas congéneres dos países do Eixo, nunca praticou, de acordo com a filosofia selectiva enunciada pelo chefe do Governo, formas de repressão massiva. No entanto, foi responsável por alguns crimes de sangue, como o assassinato do militante do PCP José Dias Coelho e do General Humberto Delgado.

Durante as guerras coloniais, a polícia política, até aí virtualmente ausente dos territórios africanos, assumiu nos três teatros de operações a função de serviço de informações e, constituindo, enquadrando e dirigindo milícias próprias, compostas por africanos, por vezes desertores da guerrilha, colaborou com as forças militares no terreno.
São-lhe atribuídas responsabilidades, quer no atentado que vitimou o dirigente da FRELIMO Eduardo Mondlane, quer na manipulação dos descontentes do PAIGC que, num "golpe de Estado" dentro do partido, assassinaram o dirigente independentista Amílcar Cabral.
Com a Primavera marcelista sobreveio uma mudança de nome, passando a PIDE a denominar-se DGS, numa liberalização de procedimentos mais aparente do que real, vista pelas oposições legal e clandestina com grande desconfiança. Depois do 25 de Abril de 1974, acabou por ser extinta, sendo alguns dos seus altos responsáveis levados a tribunal.
 
 
Humberto Delgado
 
Nasceu em 1906 e, como Jovem oficial, participou no movimento militar de 28 de Maio de 1926, que derrubou a República liberal e implantou em Portugal a Ditadura Militar que, poucos anos mais tarde, iria dar lugar ao Estado Novo liderado por Salazar.
Durante muitos anos comungou das posições oficiais do regime salazarista, particularmente do seu violento anticomunismo. A sua atitude política, aliada a uma reconhecida competência técnica, levou-o a ascender rapidamente na escala hierárquica (será o general mais jovem da Força Aérea) e a ocupar posições de destaque, nomeadamente como Director da Aeronáutica Civil e em cargos de elevada responsabilidade na representação de Portugal na orgânica da NATO, nos Estados Unidos.
Estas experiências colocá-lo-ão em contacto com a vida política das democracias ocidentais, que vivamente o impressionam e o levam a questionar a legitimidade do regime que até aí servira.
Regressado a Portugal, aceita o convite de personalidades oposicionistas para se candidatar à Presidência da República contra o candidato governamental, o Contra-Almirante Américo Thomaz.
Imprime à campanha um ritmo vivo, até aí desconhecido da vivência oposicionista, manifestando-se decididamente contrário à continuação de Salazar à frente do Governo -- quando questionado, publicamente, sobre as suas intenções quanto a Salazar na eventualidade de vencer as eleições, responde secamente "Obviamente, demito-o!", o que equivalia a uma declaração de guerra ao regime.

Esta frase, rapidamente celebrizada, incomodou os mais conservadores dos seus apoiantes, mas incendiou os espíritos das massas populares que o vitoriaram durante a campanha. Apesar do apoio popular, os resultados eleitorais oficiais atribuem-lhe a derrota, que tanto o próprio General como a Oposição em geral nunca aceitarão por acreditarem ter havido uma gigantesca fraude eleitoral.
Convencido de que o regime não poderá ser derrubado pelas urnas, procura atrair as chefias militares para um putsch, ficando desiludido pela falta de receptividade ao seu apelo. Considerando-se em perigo, refugia-se na Embaixada do Brasil, aí ficando largos meses até lhe ser permitido partir para o exílio, onde debalde tentará congraçar os núcleos oposicionistas exilados. Somando desilusões e traições, rodeado de colaboradores indisciplinados, dá cobertura à Operação Dulcineia, desencadeada pelo seu aliado Capitão Henrique Galvão (outro dissidente do regime), que consiste na captura do paquete Santa Maria, que será utilizado como veículo de propaganda que atrairá as atenções da opinião pública internacional para a situação política no País.
A operação coincide com o início da guerra em Angola, fazendo nascer suspeitas de entendimento entre os oposicionistas portugueses e a direcção dos movimentos independentistas africanos, situação habilmente aproveitada pelo regime para descredibilizar o General Humberto Delgado junto da opinião pública.
A sua tendência para privilegiar a solução militar para o derrube do regime, a sua ousadia (que justifica o qualificativo de "General Sem Medo"), que muitos desentendimentos provocará no seio da oposição no estrangeiro e no interior, leva-o a planear e executar uma nova tentativa revolucionária, tomando de assalto o quartel de Beja (Ano Novo 1961-1962), e eventualmente outras posições, de onde partiria à conquista dos pontos fulcrais do País.
Falhando a revolta, o General, que entrara clandestinamente em Portugal, volta a atravessar a fronteira, deslocando mais tarde as suas actividades para o Magrebe, onde procura outros apoios e aliados, nomeadamente o Partido Comunista Português e os movimentos de libertação das colónias portuguesas.
Este isolamento proporciona, em 1965, a montagem de uma armadilha fatal, sendo assassinado em Badajoz, por um comando da PIDE.
O clamor que se ergueu na opinião pública ao saber-se do assassinato do General criou significativas dificuldades políticas a Salazar, que nunca reconhecerá oficialmente as suas responsabilidades pelo facto. Os autores do atentado, só após o 25 de Abril é que foram levados a juízo, sendo a maior parte deles condenados à revelia por terem fugido para o estrangeiro.
Após a restauração da democracia, promovido postumamente a marechal, o seu corpo será trasladado com todas as honras para o Panteão Nacional.
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 16:44
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08
Dez 07
Mais uma vez decidimos ir até A Guarda, na Galiza por altura das festas locais, mais ou menos em meados do mês de Agosto, as já famosas Festas do Monte.
Apesar das intenções reiteradas durante muito tempo, aconteceu que alguns dos habituais interessados acabaram por ficar em casa, devido à eminência de “conflitos diplomáticos” internos (lá da casa deles) e sobre os quais não vou tecer mais nenhum comentário.

Como estava cá um sobrinho meu que vive em França e o miúdo não costuma ter este tipo de convivência, decidi levá-lo comigo. Para uma criança de nove anos que nunca tinha acampado, que só fala francês, ir com uns tios portugueses para Espanha, pode ser um bocado confuso, mas no mínimo, é uma aventura.
Depois dos preparativos inerentes à preparação de uma semana de férias, lá arrancamos os quatro, eu a Paula, a Joana e o Lidick no nosso velho Audi, que mais uma vez ia carregado(íssimo).

O Zé Alfredo e a tropa dele já lá estavam desde o dia anterior e tinham reservado um local para nos instalarmos à vontade. O parque não estava cheio, mas estava bem preenchido. Onde se notava mais era na piscina ou no bar e este ano haviam poucos portugueses, pelo menos foi o que me pareceu.
 O Lidick tinha ficado mudo de espanto quer na travessia do ferry-boat, quer na instalação do acampamento no parque, para nós banal, mas para ele um desfiar de novidades. Embora sem se afastar, era vê-lo de pescoço esticado e olhos bem abertos a registar todas as novidades. Até se esquecia de ajudar a montar a tenda e arrumar as tralhas.
Ao nosso lado estava a tenda do Pedro, que a tinha deixado montada para quando quisesse lá ir passar um ou dois dias. É o que dá ter tendas complicadas de montar! Mais vale deixá-las armadas, mesmo que isso custe alguns euros suplementares. Como também tinha deixado ficar um grelhador aproveitamo-lo um dia para grelhar umas febras que ficaram divinais.
O Zé Alfredo, a Cristina e a Carina tinham ido no dia anterior jantar uma mariscada a um restaurante no porto de A Guarda e ainda estavam um pouco enfastiados, mas conhecendo-os como eu os conheço, sabia que rapidamente iriam retomar o apetite habitual.
Estávamos com um problema suplementar, motivado pela azáfama de limpeza que as mulheres transportaram para o acampamento. Acho que já uma vez me queixei disso, mas agora já não tem remédio. “Limpa os pés, arruma isto, não deixes aquilo aí”, etc, etc., só visto.

Bem, a solução foi pirarmo-nos para a piscina, onde as brincadeiras se sucediam sem que ninguém parecesse ter frio, mesmo depois de muito tempo dentro de água. O Lidick era o mais animado e gozava de uma liberdade a que não estava habituado. Posso-vos dizer que o puto estava positivamente encantado, comia como um leão e quando caía na cama, dormia como uma pedra até ao dia seguinte.
No dia da Festa do Monte desde manhã que ouvíamos os grupos de bombos participantes, a subir ao Monte de Santa Tecla, em Galego Santa Trega. Ora os ouvíamos com mais intensidade, ora os ouvíamos de forma mais abafada, como se estivessem mais longe.

À noite arrancamos (a pé) até ao sopé do Monte onde tencionávamos assistir à descida dos romeiros, em grupos organizados por freguesias ou por associações e que vinham mais ou menos etilizados, melhor, vinham todos encharcados, por dentro e por fora, de vinho tinto, outra tradição desta festa.

Passamos momentos verdadeiramente animados que procuramos registar em fotografia e depois demos uma volta pela vila, até estacionarmos na já habitual praça para ouvir o concerto de duas orquestras de baile.
Quando as pernas já não aguentavam mais e os olhos já piscavam de sono, abalamos de regresso até ao parque, pois ainda são uns dois quilómetros ou mais.

Este ano tivemos que regressar a casa mais cedo, pois o tempo estava a ameaçar chuva o que efectivamente veio a acontecer um dia depois de termos levantado o acampamento. Na realidade os meses de Junho, Julho e Agosto estiveram uma grande porcaria, se não chovia, havia vento; se não havia vento, havia nevoeiro; não me lembro de um verão como este.

Quem ficou triste foi o Lidick, por ele tínhamos ficado, nem que chovesse a potes. Claro que lhe prometi que no próximo ano o levarei outra vez à Festa do Monte ou a qualquer outra festa, ele quer é sentir a liberdade e o sossego que não tem lá em casa. Também eu!
 
publicado por Brito Ribeiro às 17:21
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06
Dez 07
Até 31 de Outubro do corrente ano morreram 22 pessoas nas estradas do Distrito de Viana do Castelo. Esta informação foi dada pelo Sr. Governador Civil, Prof. Pita Guerreiro que atribui à falta de responsabilidade dos condutores a causa mais importante da sinistralidade automóvel.
O desrespeito pelas regras de trânsito estão na razão directa do aumento do número de acidentes, reconheceu o Governador Civil, no Dia Mundial em Memória das Vítimas na Estrada, que passará a ser comemorado no terceiro domingo de Novembro, por decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Sem pôr minimamente em causa as conclusões do Sr. Governador, parece-me que foram omitidos factores de risco importantes, como o traçado e o estado de conservação das estradas.
E sobre essa matéria apenas vou referir a EN-13 entre Viana do Castelo e Valença, uma das estradas portuguesas com maior movimento, a par da Nacional um ou da Nacional cento e vinte e cinco, que há muitos anos necessita de obras de requalificação, sempre adiadas com a aplicação de uns remendos sobre os buracos que vão aparecendo.
Arrisco-me a dizer que há troços desta estrada que já tem mais remendos que piso original. Será que isso não tem influência nas condições de segurança, nomeadamente quando o piso está molhado?
Julgo que sim, mas admito que não sou técnico qualificado na área para fazer afirmações categóricas. Como condutor e utente diário da EN-13, não me sinto nada seguro enquanto finto os buracos, lombas e ressaltos que, metro a metro, povoam esta via, mesmo que cumpra as regras mais elementares do Código da Estrada, respeitantes às velocidades máximas e às condicionantes de ultrapassagens.
Será que alguém pode afirmar, no seu juízo perfeito, que a travessia da ponte de Caminha ou o atravessamento da Freguesia de Seixas se pode fazer nas melhores condições de segurança? Já nem falo do conforto…
Será que o atravessamento das Freguesias de Gondarem, V. N. de Cerveira e Campos é feito por uma estrada nacional de um país da União Europeia ou por uma “picada” africana, onde é obrigatório fazer gincana entre os buracos e as obras eternas que enchem as valetas.
O Sr. Governador Civil que é uma pessoa sensata e responsável, utilizador diário da EN-13, deve usar toda a sua influência para resolver (entre outros) este problema de acessibilidade Distrital, já que não vejo as Câmaras Municipais, nomeadamente a de Caminha, a considerarem a requalificação desta importante estrada como uma prioridade para o desenvolvimento, para a segurança e qualidade de vida dos cidadãos.
Não basta dizer que há falta de responsabilidade dos condutores (o que até é verdade), é preciso assumir que também há falta de responsabilidade do Estado e isso, lamentavelmente, o Sr. Governador não referiu.
                                                                                
publicado por Brito Ribeiro às 11:47
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03
Dez 07
 
União Nacional
 
O lançamento de uma estrutura partidária de carácter frentista de apoio ao regime saído do 28 de Maio de 1926 partiu da iniciativa pessoal de Oliveira Salazar, que em várias intervenções foi preparando a opinião pública, frisando mais de uma vez a sua necessidade.
Foi ainda Salazar quem coordenou a criação de estruturas regionais do futuro partido, para o que contou com os esforços do Ministro do Interior e dos governadores civis que daquele dependiam hierarquicamente. Foram estes actores, dotados de autoridade política e administrativa, que fizeram o trabalho de campo necessário à efectivação do projecto.
O processo terá tido início, informalmente, em 1930, adquirindo legitimidade em termos jurídicos com a publicação dos seus Estatutos no Diário do Governo dois anos mais tarde; em 1934, no seu I Congresso, a União Nacional criaria os seus órgãos de direcção, estabeleceria a sua estrutura interna e definiria as suas normas de actuação futuras. Em 1970, sob a direcção de Marcello Caetano, viria a alterar a denominação para Acção Nacional Popular (ANP), designação que se manteria até ao dia 25 de Abril de 1974, altura em que foi dissolvida por decreto da Junta de Salvação Nacional.
A criação da União Nacional obedecia a objectivos definidos a curto e a longo prazo. Destaca-se, de entre eles, a intenção de criar condições para uma transição suave da Ditadura Militar instituída em 1926 para um novo regime, de contornos ainda mal definidos, que viria a ser o Estado Novo.
O carácter indubitavelmente civil do novo partido iria retirar legitimidade à intervenção das Forças Armadas na política, quebrando assim uma tradição que vinha da República democrática e que a própria Ditadura Militar, pelo seu carácter declaradamente castrense, ainda mais acentuara. Para conseguir tal desiderato, Salazar, mestre em compromissos e equilíbrios como sempre, forjou alianças com todos os sectores da vida política que se haviam rebelado contra a República (católicos, monárquicos, integralistas lusitanos) e ainda com republicanos convertidos ao novo regime.
O I Congresso da União Nacional reuniu-se em 1934, num momento de crispação particularmente grave da vida política nacional, quando a corporativização dos sindicatos desencadeara movimentos de forte contestação (o mais significativo dos quais seria a revolta de 18 de Janeiro de 1934) e o movimento nacional-sindicalista punha de modos diversos em causa a sobrevivência ou a estabilidade do regime.
A unanimidade conseguida por Salazar foi em grande parte resultado do endurecimento do regime após as movimentações oposicionistas, permitindo, por outro lado, o isolamento dos nacional-sindicalistas mais radicais (que, postos em minoria, foram relegados à clandestinidade) e a absorção dos restantes.
Este carácter "frentista" da União Nacional manter-se-ia durante toda a vigência do regime. De facto, embora tivesse vivido momentos de quebra de unanimidade, nunca foi seriamente abalada na sua estrutura interna e nunca deixou de desempenhar o seu papel de sustentáculo político civil do regime, quer sob Oliveira Salazar quer sob Marcello Caetano, embora nos poucos anos de governo deste último tivesse permitido no seu seio a criação e manifestação, com elevado grau de autonomia, de uma "ala liberal" que iria questionar aspectos fundamentais do sistema político.
Organização centralizada e intimamente ligada ao Governo, a União Nacional e depois a sua sucessora Acção Nacional Popular seriam sempre superiormente dirigidas pelo Primeiro-Ministro em exercício: seria primeiro António de Oliveira Salazar a assegurar a presidência da sua Comissão Central, a título vitalício, e mais tarde, após a constatação do carácter irreversível da doença que o acometera, caberia a Marcello Caetano ocupar o mesmo posto.
Estas características de centralização e de ligação ao executivo foram acompanhadas, durante mais de uma década, de um absoluto monopólio da representação política, dado que as oposições possíveis estavam ilegalizadas.
Foi assim que a União Nacional não teve concorrentes aos actos eleitorais até 1945; neste ano, como reflexo do desfecho do conflito mundial, Salazar cederia algumas liberdades formais e pontuais às oposições, tolerando a sua participação em campanhas eleitorais e a consequente apresentação de listas.
Apesar dessa abertura, a União Nacional e a Acção Nacional Popular garantiram o monopólio da representação parlamentar e asseguraram que os três Presidentes da República eleitos durante a vigência do regime fossem sempre aqueles que ela própria escolhera e apoiava (Marechal Óscar Carmona, F. H. Craveiro Lopes e Américo Thomaz).
 
 
Legião Portuguesa
 
Organização miliciana portuguesa criada em 1936 e que perdurou até ao 25 de Abril de 1974, a Legião Portuguesa dependia dos ministérios do Interior e da Guerra. A sua criação favoreceu a subordinação do Exército ao Estado Novo. A Legião estendeu a sua organização aos diversos distritos, onde era chefiada por um comandante distrital. As estruturas locais eram compostas por batalhões, terços, lanças, secções e quinas. A Legião dispunha de vários serviços, como o Serviço de Informações, a Brigada Naval e a Força Automóvel de Choque.

A criação da Legião Portuguesa encontrou alento, a nível externo, na consolidação das experiências ditatoriais alemã e italiana, na difusão do autoritarismo e no deflagrar da Guerra Civil de Espanha; internamente, assentou na mobilização da direita radical, mobilização que o eclodir da guerra na vizinha Espanha favorecia.
Nos primeiros anos do seu funcionamento, a Legião Portuguesa agregou as forças da direita radical. Este foi um período delicado do relacionamento entre Salazar e os militares - existiu uma tensão constante entre as bases da milícia (direita radical) e os esforços de Salazar para "normalizar" a Legião. Neste contexto, em 1938, Casimiro Teles procedeu a uma verdadeira reorganização da milícia. Afastou a maioria dos seus comandantes anteriores e remodelou serviços e corpos especiais, levando à subordinação total da Legião ao Exército.
A Legião Portuguesa foi o único organismo político português que com o eclodir da Segunda Guerra Mundial se posicionou ao lado das pretensões alemãs.
Salazar, porém, queria calar as manifestações abertas de germanofilia e atribuiu à Legião funções na organização da Defesa Civil do Território (DCT), para fazer recair a sua atenção sobre a ordem interna e a repressão da agitação social gerada depois de 1942. A partir de 1944, a Legião viu aniquilados os resquícios do radicalismo que a tinha caracterizado nos primeiros anos da sua existência. Foi definitivamente transformada num serviço auxiliar das estruturas do regime, nomeadamente no que diz respeito ao seu Serviço de Informações.
Nos anos 50 e 60, a acção da Legião Portuguesa ficou marcada pelo papel do seu Serviço de Informações e da sua densa rede de informadores, bem pelo desempenho da polícia de choque repressão de manifestantes e instituições tidos por oposicionistas do regime.
 
 
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 12:02

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