Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

26
Set 07
 
Designação
Capela de Santa Luzia
 
Localização
Viana do Castelo, Caminha, Âncora, Lugar de Santa Luzia
   
Protecção
Não definido
 

Enquadramento
Rural, isolado, integração harmónica com pequeno adro, delimitado, a S., por muro em alvenaria de granito e calcetado com cubo granítico, rasgado por escada de três degraus, sendo pontuado por oliveiras, em posição ligeiramente sobrelevada ao arruamento principal do aglomerado.
No adro ergue-se cruzeiro com soco constituído por dois degraus de planta quadrangular, sobre o qual assenta um pedestal paralelepipédico, composto por plinto e dado monolítico, sendo rematado por cornija saliente.
O fuste, alto, monolítico, de secção circular, é encimado por capitel esférico envolto, inferiormente, por motivo canelado, sustentando cruz latina de secção quadrangular, de arestas chanfradas, apresentando faces gravadas com cruz com terminais flordelisados. O dado apresenta inscrito na face frontal a data 1671 e na face direita a inscrição em três regras; R(estaurado) / EM / 1926.
 

Descrição
Planta longitudinal, composta por nave única e capela-mor, rectangular, mais baixa e estreita, com sacristia, rectangular, adossada a N. Volumes escalonadas, com coberturas diferenciadas, em telhados de duas águas. Fachadas, rebocadas e caiadas, percorridas por embasamento pintado a cinzento.
Fachada principal, orientada a O., rematada em empena de cornija saliente, com embasamento de cantaria e pilastras nos cunhais, sobrepujadas por pináculos piramidais e cruz sobre acrotério, ao centro. É rasgada por portal de verga recta, com cornija saliente, encimado por cartela recortada e janela de modelação idêntica ao portal, e ladeado por duas janelas rectangulares.
Fachada O. da sacristia rasgada por portal de verga recta. Fachada S. com janela rectangular, na capela-mor e, sobre a cornija, sineira de ventana única, em empena com cornija saliente, de ventana em arco pleno sobre pilastras, molduradas, com sineta de metal. Fachada E. com janelo rectangular na sacristia e, no remate da empena, cruz sobre acrotério e fachada N. cega.
Interior rebocado e caiado, com silhar de azulejos, de estampilha azul, amarela e branca, com pavimento em mosaico cerâmico e tecto, estucado, tipo masseira. Coro-alto assente em viga de betão, tendo balaustrada de madeira. No sub-coro pia de água benta gomada, do lado da Epístola, e escada de acesso ao coro-alto, do lado do Evangelho.
Neste mesmo lado da nave, possui púlpito, pintado de branco, de base rectangular sobre mísula subcircular com remate inferior estriado, e balcão em madeira; confrontantes, vãos rasgados nas paredes, de remate em arco pleno, assentes em pilastras e ornados na pedra de fecho, no lado da Epístola, com flor-de-lis relevada, e, do lado do Evangelho, com as Chaves do Reino, albergando imagens, em madeira. Arco triunfal, pleno, assente sobre pilastras, ladeado por imagens, sobre mísula.
Capela-mor com pavimento em taco de madeira e tecto, estucado, tipo masseira, porta de vão rectangular de acesso à sacristia, do lado do Evangelho. Retábulo-mor em talha dourada e policroma, de planta rectangular, com edícula central. Envolve o retábulo, estrutura apainelada pintad de vermelho.
Mesa de altar, em talha dourada, branca e azul. Sacristia rebocada e caiada, com pavimento em mosaico cerâmico e tecto estucado.
   

Utilização Inicial
Cultual: Capela
 
Utilização Actual
Cultual: Capela
 
Propriedade
Privada: Igreja Católica
   
Época Construção
Séc. 17 / 18 / 19 ( conjectural ) / 20
 
Arquitecto | Construtor | Autor
Desconhecido.
 
Cronologia
1671 - data inscrita no cruzeiro, indicando, provavelmente o ano de construção;
1764 - teve uma irmandade de clérigos leigos de São Pedro "ad vincula" que, naquela data, se encontrava em decadência e que tinha o encargo de zelar pelo altar de São Pedro, imagem posteriormente transferida para a Igreja Paroquial;
1765 - data inscrita no retábulo-mor;
1772 - o Visitador manda proceder a reparações na sacristia;
Século XIX - provável remodelação da capela;
1926 - data inscrita no cruzeiro, indicando data do seu restauro.
 

Tipologia
Arquitectura religiosa, vernácula barroca. Capela de planta longitudinal composta, com capela-mor mais baixa e estreita, com sacristia rectangular adossada a N., de fachada principal, em empena de cornija, com vãos em eixo, composto por portal de verga recta e janela, ladeado por duas janelas rectangulares.
Interior com tectos de estuque de três panos, duas capelas laterais na nave e retábulo-mor em talha dourada e policroma, barroco.
 
Características Particulares
Capela vernacular muito modificada no século XIX, conforme denotam as modinaturas dos vãos da fachada principal, e adulterado no século XX.
O retábulo-mor, recortado em algumas zonas, de estilo barroco joanino, e o frontal de altar, de diferente modinatura, é neoclássico.
   
Intervenção Realizada
Comissão Fabriqueira: 1982 - restauro do retábulo; 1991 - reparação da porta; 1996 - reparação das coberturas; 1998 - reparação dos paramentos.
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 19:52

25
Set 07

publicado por Brito Ribeiro às 19:25
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22
Set 07

Este artigo chegou-me às mãos há pouco tempo apesar de já ter cerca de três anos. É a transcrição de um artigo escrito por um jornalista espanhol, correspondente em Portugal de um diario de grande tiragem, salvo erro, o "El País".

A serem  verdade estas afirmações estamos perante um quadro vergonhoso de falta de controle do aparelho fiscal, para não falar da imoralidade que tudo isto representa. Por algum motivo este país não sai da "cêpa torta" e mantem-se na cauda da Europa. 

 

DESARROLLO-PORTUGAL:
Lejos de Europa
 
Mario de Queiroz
 
LISBOA, 21 sep (IPS) - Indicadores económicos y sociales periódicamente divulgados por la Unión Europea (UE) colocan a Portugal en niveles de pobreza e injusticia social inadmisibles para un país que integra desde 1986 el ”club de los ricos” del continente.
 
Pero el golpe de gracia lo dio la evaluación de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE): en los próximos años Portugal se distanciará aún más de los países avanzados.
 
La productividad más baja de la UE, la escasa innovación y vitalidad del sector empresarial, educación y formación profesional deficientes, mal uso de fondos públicos, con gastos excesivos y resultados magros son los datos señalados por el informe anual sobre Portugal de la OCDE, que reúne a 30 países industriales.
 
A diferencia de España, Grecia e Irlanda (que hicieron también parte del ”grupo de los pobres” de la UE), Portugal no supo aprovechar para su desarrollo los cuantiosos fondos comunitarios que fluyeron sin cesar desde Bruselas durante casi dos décadas, coinciden analistas políticos y económicos.
 
En 1986, Madrid y Lisboa ingresaron a la entonces Comunidad Económica Europea con índices similares de desarrollo relativo, y sólo una década atrás, Portugal ocupaba un lugar superior al de Grecia e Irlanda en el ranking de la UE. Pero en 2001, fue cómodamente superado por esos dos países, mientras España ya se ubica a poca distancia del promedio del bloque.
 
”La convergencia de la economía portuguesa con las más avanzadas de la OCE pareció detenerse en los últimos años, dejando una brecha significativa en los ingresos por persona”, afirma la organización.
 
En el sector privado, ”los bienes de capital no siempre se utilizan o se ubican con eficacia y las nuevas tecnologías no son rápidamente adoptadas”, afirma la OCDE.
 
”La fuerza laboral portuguesa cuenta con menos educación formal que los trabajadores de otros países de la UE, inclusive los de los nuevos miembros de Europa central y oriental”, señala el documento.
 
Todos los análisis sobre las cifras invertidas coinciden en que el problema central no está en los montos, sino en los métodos para distribuirlos.
 
Portugal gasta más que la gran mayoría de los países de la UE en remuneración de empleados públicos respecto de su producto interno bruto, pero no logra mejorar significativamente la calidad y eficiencia de los servicios.
 
Con más profesores por cantidad de alumnos que la mayor parte de los miembros de la OCDE, tampoco consigue dar una educación y formación profesional competitivas con el resto de los países industrializados.
 
En los últimos 18 años, Portugal fue el país que recibió más beneficios por habitante en asistencia comunitaria. Sin embargo, tras nueve años de acercarse a los niveles de la UE, en 1995 comenzó a caer y las perspectivas hoy indican mayor distancia.
 
¿Dónde fueron a parar los fondos comunitarios?, es la pregunta insistente en debates televisados y en columnas de opinión de los principales periódicos del país. La respuesta más frecuente es que el dinero engordó la billetera de quienes ya tenían más.
 
Los números indican que Portugal es el país de la UE con mayor desigualdad social y con los salarios mínimos y medios más bajos del bloque, al menos hasta el 1 de mayo, cuando éste se amplió de 15 a 25 naciones.
 
También es el país del bloque en el que los administradores de empresas públicas tienen los sueldos más altos.
 
El argumento más frecuente de los ejecutivos indica que ”el mercado decide los salarios”. Consultado por IPS, el ex ministro de Obras Públicas (1995-2002) y actual diputado socialista João Cravinho desmintió esta teoría. ”Son los propios administradores quienes fijan sus salarios, cargando las culpas al mercado”, dijo.
 
En las empresas privadas con participación estatal o en las estatales con accionistas minoritarios privados, ”los ejecutivos fijan sus sueldos astronómicos (algunos llegan a los 90.000 dólares mensuales, incluyendo bonos y regalías) con la complicidad de los accionistas de referencia”, explicó Cravinho.
 
Estos mismos grandes accionistas, ”son a la vez altos ejecutivos, y todo este sistema, en el fondo, es en desmedro del pequeño accionista, que ve como una gruesa tajada de los lucros va a parar a cuentas bancarias de los directivos”, lamentó el ex ministro.
 
La crisis económica que estancó el crecimiento portugués en los últimos dos años ”está siendo pagada por las clases menos favorecidas”, dijo.
 
Esta situación de desigualdad aflora cada día con los ejemplos más variados. El último es el de la crisis del sector automotriz.
 
Los comerciantes se quejan de una caída de casi 20 por ciento en las ventas de automóviles de baja cilindrada, con precios de entre 15.000 y 20.000 dólares.
 
Pero los representantes de marcas de lujo como Ferrari, Porsche, Lamborghini, Maserati y Lotus (vehículos que valen más de 200.000 dólares), lamentan no dar abasto a todos los pedidos, ante un aumento de 36 por ciento en la demanda.
 
Estudios sobre la tradicional industria textil lusa, que fue una de las más modernas y de más calidad del mundo, demuestran su estancamiento, pues sus empresarios no realizaron los necesarios ajustes para actualizarla. Pero la zona norte donde se concentra el sector textil, tiene más autos Ferrari por metro cuadrado que Italia.
 
Un ejecutivo español de la informática, Javier Felipe, dijo a IPS que según su experiencia con empresarios portugueses, éstos ”están más interesados en la imagen que proyectan que en el resultado de su trabajo”.
 
Para muchos ”es más importante el automóvil que conducen, el tipo de tarjeta de crédito que pueden lucir al pagar una cuenta o el modelo del teléfono celular, que la eficiencia de su gestión”, dijo Felipe, aclarando que hay excepciones.
 
”Todo esto va modelando una mentalidad que, a fin de cuentas, afecta al desarrollo de un país”, opinó.
 
La evasión fiscal impune es otro aspecto que ha castrado inversiones del sector público con potenciales efectos positivos en la superación de la crisis económica y el desempleo, que este año llegó a 7,3 por ciento de la población económicamente activa.
 
Los únicos contribuyentes a cabalidad de las arcas del Estado son los trabajadores contratados, que descuentan en la fuente laboral. En los últimos dos años, el gobierno decidió cargar la mano fiscal sobre esas cabezas, manteniendo situaciones ”obscenas” y ”escandalosas”, según el economista y comentarista de televisión Antonio Pérez Metello.
 
”En lugar de anunciar progresos en la recuperación de los impuestos de aquellos que continúan riéndose en la cara del fisco, el gobierno (conservador) decide sacar una tajada aun mayor de esos que ya pagan lo que es debido, y deja incólume la nebulosa de los fugitivos fiscales, sin coherencia ideológica, sin visión de futuro”, criticó Metello.
 
La prueba está explicada en una columna de opinión de José Vitor Malheiros, aparecida este martes en el diario Público de Lisboa, que fustiga la falta de honestidad en la declaración de impuestos de los llamados profesionales liberales.
 
Según esos documentos entregados al fisco, médicos y dentistas declararon ingresos anuales promedio de 17.680 euros (21.750 dólares), los abogados de 10.864 (13.365 dólares), los arquitectos de 9.277 (11.410 dólares) y los ingenieros de 8.382 (10.310 dólares).
 
Estos números indican que por cada seis euros que pagan al fisco, ”le roban nueve a la comunidad”, pues estos profesionales no dependientes deberían contribuir con 15 por ciento del total del impuesto al ingreso por trabajo singular y sólo tributan seis por ciento, dijo Malheiros.
 
Con la devolución de impuestos al cerrar un ejercicio fiscal, éstos ”roban más de lo que pagan, como si un carnicero nos vendiese 400 gramos de bife y nos hiciese pagar un kilogramo, y existen 180.000 de estos profesionales liberales que, en promedio, nos roban 600 gramos por kilo”, comentó con sarcasmo.
 
Si un país ”permite que un profesional liberal con dos casas y dos automóviles de lujo declare ingresos de 600 euros (738 dólares) por mes, año tras año, sin ser cuestionado en lo más mínimo por el fisco, y encima recibe un subsidio del Estado para ayudar a pagar el colegio privado de sus hijos, significa que el sistema no tiene ninguna moralidad”, sentenció. (FIN/2004)
publicado por Brito Ribeiro às 19:37
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14
Set 07
 


Como vimos no anterior post sobre Cândido dos Reis, quis o destino que a sua vida ficasse para sempre ligada à de Miguel Augusto Bombarda que nasceu no Rio de Janeiro a 6 de Março de 1851, estudou na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde viria a ser professor.
Como médico, dedicou-se principalmente a doenças do foro nervoso, especializando-se em psiquiatria sendo por isso convidado para director do Hospital de Rilhafoles, onde criou o Laboratório de Histologia em 1887. Deixou publicados vários escritos, entre os quais: ''A Contribuição ao Estudo dos Microcéfalos'', ''Consciência e Livre Arbítrio'' e foi o fundador da revista ''Medicina contemporânea''.
Foi presidente e secretário-geral da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa e organizou o "XV Congresso Internacional de Medicina e Cirurgia" que se reuniu em Lisboa em 1906. Foi activo secretário-geral e animador da Liga Portuguesa contra a tuberculose e, nessa qualidade organizou vários congressos nacionais que tiveram grande êxito.
Republicano convicto, foi um acérrimo anti-clerical, mas apenas em 1908 entrou na vida política activa. Tornou-se membro do Partido Republicano Português em 1909, tendo sido eleito deputado em Agosto de 1910 embora nunca tivesse tomado posse, assim como o Almirante Reis.
Membro do comité revolucionário que implantou a República em Portugal, em 5 de Outubro de 1910, é considerado o seu chefe civil.
Não chegou, contudo, a assistir à vitória dos republicanos por ter sido assassinado no seu gabinete por um dos seus doentes, um tenente do exército que sofria de esquizofrenia, em 3 de Outubro de 1910, poucas horas antes do início da revolta.
Teve um funeral conjunto ao de Cândido dos Reis, no dia 6 de Outubro.
As mortes destes dois ilustres republicanos contam-se entre os 76 mortos e cerca de 300 feridos de ambos os lados, que provocou o golpe que derrubou a monarquia.


Em Vila Praia de Âncora foi dado o nome de Miguel Bombarda à rua que começa na Praça da República até ao extremo da freguesia em direcção a Vile e restantes freguesias do Vale do Âncora.
A Atribuição desta toponímia, assim como a de Candido dos Reis, tem o cunho da 1ª República e muito provavelmente a influencia local do Dr. Luis Ramos Pereira.
Para terminar, conferimos uma pequena cronografia dos acontecimentos que antecederam a implantação da República:

1910.10.02 A revolução é marcada para o dia 4, à 1 hora da madrugada.
1910.10.03 Miguel Bombarda, médico republicano, é assassinado. Às 20h realiza-se a última reunião dos conspiradores.
1910.10.04
00.45 h Revoltas nos quartéis da Infantaria 16 (Campo de Ourique), Artilharia 1 (Campolide) e Marinha (Alcântara)
05.00 h Acampamento na Rotunda
07.00 h Encontrado morto o republicano Cândido dos Reis, na Rotunda.
08.00 h Oficiais do Exército abandonam a Rotunda.
10.00 h 50 manifestantes são alvejados a tiro nos Restauradores.
12.30 h Ataque à Rotunda pelos monárquicos comandados por Paiva Couceiro (dura até às 16h).
14.00 h Navios revoltosos bombardeiam o Palácio das Necessidades. D. Manuel II refugia-se em Mafra.
16.00 h A Marinha bombardeia o Terreiro do Paço.
21.00 h O navio D. Carlos é capturado pelos republicanos.
1910.10.05
06.00 h Combates de artilharia na Avenida da Liberdade.
08.00 h A República é proclamada na Câmara Municipal de Lisboa, por José Relvas.
publicado por Brito Ribeiro às 15:03
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13
Set 07

 

Fotografia obtida durante a recente visita surpresa de George W. Bush ao Iraque.  O presidente dos EUA procurava ver na ocasião um bairro problematico em Bagdad. 

Só foi pena os "tais" problematicos não o terem visto a ele primeiro!

 

publicado por Brito Ribeiro às 14:56
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08
Set 07
- E se fossemos a S. João D`Arga?
- Eh?... Quando é isso? – Perguntei eu, deitado na praia sobre a toalha.
- É na próxima terça à noite – diz o Zé Alfredo, abanando chapéu de palha em frente à cara.
- É uma ideia, já lá não vou há meia dúzia de anos, pelo menos.
- Tal como eu. O Daniel é que ontem me falou nisso, porque costuma ir todos os anos lá jantar.
- Mas janta numa tasca ou leva merendeiro?
A curiosidade aguçada pelo evocar do merendeiro invadia-me a mente. A última vez que lá tinha estado, tinha sido de fugida e não tivera oportunidade de provar o cabrito, nem sequer o famoso bagaço com mel. Por isso a sugestão do Zé Alfredo não estava nada despropositada. Alem disso, tinha passado a maior parte das férias sem pôr o nariz fora da toca e uma noite animada, calha sempre bem.
No dia seguinte voltamos à conversa e o plano ficou mais ou menos delineado. Iríamos nós, mais o Daniel, o Álvaro e respectivas famílias. Convidamos também o Rico e a Cira, uns primos nossos que vivem em Paris e que adoram estas festas.
Marcamos a saída para as cinco da tarde de terça-feira e até essa hora houve treino de culinária.
 Eu e a Paula fizemos um empadão e uma tortilha, o Rico (lê-se Ricô, porque ele é Italiano) fez uma omoleta de esparguete e já contávamos com os habituais panados, bolos de bacalhau e similares que alguém havia de levar. É infalível!

 

De qualquer forma, eu e o Zé Alfredo estávamos filados no cabrito e principalmente no sarapatel que, como sabem, é feito com os “miúdos” do dito. À hora marcada lá aparecemos junto ao Centro Cívico e (milagre) ninguém se atrasou, dando-se de imediato a partida. Como era para a festa estava tudo pronto, se fosse para trabalhar…
Ao chegar à freguesia de Arga de S. João ultrapassamos uma coluna de romeiros de Dem e pouco depois começamos a ver os automóveis que já estavam estacionados nas bermas.
 
O Daniel parou para estacionar, o Álvaro ultrapassou-o e continuou em marcha lenta. Eu vinha a seguir também continuei à procura de um local em que pudesse fazer (com segurança) inversão de marcha, de forma que, à noite, tivesse o carro apontado para a saída. Numa curva onde havia um recanto, deu-me a possibilidade de fazer a manobra e o Zé Alfredo, que me seguia fez o mesmo. O Álvaro continuou a descer em direcção ao Convento.
- Onde vai aquele gajo? – Disse eu ao ver a descontracção com que se metia no meio da confusão.
Descarregamos as tralhas, mochilas com agasalhos para a noite, mantas para o chão e os comes e bebes, aguardamos pelo Daniel que tinha ficado para trás umas centenas de metros e aí vamos nós, estrada fora.
Quando chegamos ao recinto junto da antiga casa florestal deparamos com mais de uma dúzia de auto caravanas a um canto do parque e bastantes tendas de campismo, o que para mim constituiu a primeira novidade, pois da ultima vez que lá tinha estado não haviam auto caravanas e tendas não me lembro de ter visto alguma.
A segunda surpresa veio logo de seguida com as roulottes das farturas, do pão com chouriço e tendas que vendiam sapatos, quadros, roupas e todo o bric a brac a que estamos habituados nas festas “da cidade”.
Para mim foi uma surpresa ver aquele estenderete em S. João D`Arga, tudo bem iluminado à custa de inúmeros geradores que faziam um barulho do caraças. Acho que S. João D`Arga não precisava nada daquela tralha e que só vieram adulterar uma romaria genuína.
 
O nosso objectivo era arranjar um lugar para “acampar” dentro do recinto e, por isso, lá fomos descendo, furando e empurrando. Já estava bastante gente mas ainda se circulava razoavelmente.
Começaram a aparecer as primeiras caras conhecidas, trocaram-se os primeiros cumprimentos. Ao fundo, detrás da capela, havia um espaço que parecia estar à espera de dono e foi mesmo aí que estendemos as mantas. A vizinhança tinha ar simpático e estávamos perto de tudo, mas desviados da confusão.
Tirei algumas fotografias, dei umas voltas sem destino, tipo perdigueiro de nariz no ar e apeteceu-me urinar o que até nem constituiu preocupação porque estava perto dos sanitários.
Só que havia bicha (de mulheres) para o xixi e nos sanitários já se entrava de calças arregaçadas ou de barco (com o fundo chato). Decidi ir à natureza, como tantos outros, desci uma ladeira para “regar” umas giestas, falharam-me os “patins” sobre a relva húmida e lá vou eu, por ali a baixo, com o cu a rasto. Pouco faltou para ir ter à ribeira de S. João!
Estava já de pé a sacudir-me quando passa outro melro ainda mais embalado, que só parou lá mais em baixo.
 

No final da missa saiu a procissão que faz um percurso até ao cruzeiro do caminho antigo e regressa à capela, percorrendo no total pouco mais de duzentos metros, mas que representa o que de genuíno encontrei nesta romaria popular.
Entretanto o Álvaro e a Bina ainda não tinham chegado, nem atendiam o telefone. Começava a escurecer e, depois de metermos paleio com os donos de uma tasca e vermos o que se preparava na cozinha, decidimos comprar ali o cabrito e o sarapatel.
Como não tínhamos levado pratos nem talheres o senhor da tasca pôs-nos logo o material à disposição, muito agradecido por não irmos ocupar uma das suas preciosas e escassas mesas.
No grelhador deste estabelecimento estava o nosso velho amigo Clemente, um grande cantador da Serra D`Arga e, pelo visto, também um grande grelhador de frangos, costela de porco e bacalhau.
 
Tínhamos combinado começar o jantar às oito e eis que chega o Álvaro e a Bina, que de orelha caída, nos explicam que seguiram sempre para baixo até que um elemento da GNR já não os deixou dar meia volta na estrada, obrigando-os a seguir em direcção a Arga de Baixo.
Como só encontraram lugar para estacionar a mais de três ou quatro quilómetros decidiram ir até Covas, virar para Vilar de Mouros e voltar outra vez por Dem, estacionando finalmente o automóvel perto do Daniel. Com esta habilidade andaram mais de hora e meia às voltas e fizeram cerca de vinte quilómetros desnacessários!!!
Claro que depois de nos terem contado esta aventura, o mais simpático que chamamos ao Álvaro foi “parolo”. Agora imaginem o que ele disse do polícia…
 

O homem da tasca encheu um par de travessas de cabrito e sarapatel e quando “tocou o pau no balde” eu, o Zé Alfredo e a Paula regalamo-nos com aquele pitéu serrano, enquanto os outros iam aligeirando os tupewares de bifanas, rissóis e empadas. O Rico e a Cira que nunca tinham provado sarapatel, provaram, gostaram e ficaram clientes.
A Bina tinha acamaradado com as nossas vizinhas e já saboreava uns nacos de coelho estufado, que tinham o sabor lá dos lados de Vitorino de Piães.
Barrigas cheias, hora de tomar café e provar o bagaço com mel, antigamente um néctar dos deuses, hoje uma aguardente comercial, baptizada com água e adoçada com mel e açúcar amarelo. Enfim, bebia-se…
As bandas de Lanhelas e de Moreira já tocavam ao despique e depois de levarmos algumas dúzias de empurrões, pisadelas e apertanços, desistimos de ver e ouvir as bandas de perto, cada um acabou por procurar um lugar mais calmo para assistir ao espectáculo, o que, diga-se em abono da verdade, valia a pena.
O concerto das bandas não tem nada a ver com os habituais concertos de outras festas, pois os reportórios são completamente diferentes, mais ligeiros, mais populares, menos formais e com o publico a apoiar e a “puxar” pela banda da sua preferência.
Do outro lado da capela, vários grupos de tocadores de concertina juntam à sua volta multidões para ouvirem cantar ao desafio ou até para darem um pé de dança.
E assim se passou até depois da uma da manhã, quando a banda de Lanhelas se despediu e saiu do recinto, ficando alguns elementos da banda de Moreira em total autogestão (já sem maestro) a tocar em cima de um dos coretos. Aquilo já era mais jazz vadio que outra coisa qualquer!
 

Entretanto íamos circulando e volta e meia íamos até ao local onde tínhamos as tralhas, quando soubemos que tinha desaparecido o telemóvel ao Álvaro.
- Talvez o tenhas deixado cair?
- Já procuraste bem?
- É pá, ou me caiu do bolso ou mo roubaram. Sei lá, no meio desta confusão… Só tenho pena é dos contactos que lá tinha. Estou tramado! – Desabafava o Álvaro completamente desconsolado com mais este percalço.
- Vamos à cabine de som para eles anunciarem, pode ser que alguém o encontre…
Foi o Zé Alfredo com ele, mas os tipos da comissão de festas disseram logo que não valia a pena, só anunciavam desaparecimento de carteiras por causa dos documentos.
Decidimos vir embora, reuniu-se a malta e toca de arrumar tudo, pois ainda tinha sobrado muita comida, alguma bebida e era preciso encher as mochilas.
- Olhai o que está aqui dentro deste tupeware – diz a Bina
Era o telefone do Álvaro que estava bem aconchegado dentro de uma marmita, entre os rissóis e os croquetes, o que motivou mais umas sonoras gargalhadas e mais uma vez uns mimos para o nosso Alvarinho ia bebericando uns goles de "Teobar". Há dias que um gajo não pode sair de casa!
 

Fizemos o caminho de regresso, recuperamos os carros e fomos barrados pela Brigada de Transito na rotunda de Dem, que nos mandou encostar para controle documental e de alcoolémia.
O Álvaro como compensação dos azares anteriores, foi o único (???) que mandaram embora sem bufar. Todos os outros bufaram e foram mandados em paz (não sei como) e com votos de boa viagem.
Depois do susto, já a descer na A-28, pensei que, por pouco, não tinha ido beber mais um “fino” antes de vir embora.
Mas um pressentimento travou a minha ida à tasca mais próxima. Agora é que acredito que o último copo é sempre o mais perigoso. Ainda bem que só tomei o penúltimo!
publicado por Brito Ribeiro às 17:34
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05
Set 07
Em muitas das nossas cidades e vilas, direi mesmo em largas dezenas de cidades e vilas existem ruas denominadas Cândido dos Reis e/ou Miguel Bombarda. Vila Praia de Âncora não é excepção e até possui ambas, embora me pareça que a maioria esmagadora da população não tem a mais pequena ideia da vida e obra destes ilustres portugueses.
Há tantos que nem sequer sabem quem é o D. Afonso Henriques, quanto mais os senhores Cândido dos Reis e Miguel Bombarda. As informações disponíveis também não são muitas, contrariamente ao que pensava e senti algumas dificuldades em reunir algum material relevante sobre estas personalidades.
 
Comecemos por Cândido dos Reis que nasceu em Lisboa a16 de Janeiro de 1852 e que iniciou a sua carreira na Armada como voluntário aos dezassete anos, sendo sucessivamente promovido até ao posto de vice-almirante, reformando-se em Julho de 1909.
Tendo sido agraciado com o grau de oficial da Ordem de Avis e a de Cavaleiro da Torre e Espada, foi desde muito novo adepto republicano de firmes convicções e participou activamente na luta antimonárquica. Era também um elemento próximo da Carbonária e da ideologia anticlerical.
Participou na revolta de 1908 que devia começar com a prisão de João Franco, então chefe do governo, mas esta intentona acabou por se malograr. Após um pequeno período de desânimo voltou à luta e rapidamente se transformou no organizador militar da revolta de Outubro de 1910.
 

No dia 3 de Outubro ao saber-se que o chefe do governo, Teixeira de Sousa tinha sido avisado do golpe republicano e pusera de prevenção as tropas leais à causa monárquica, a maioria dos chefes republicanos propuseram um adiamento do golpe, tendo a oposição do Almirante Cândido dos Reis, que impôs a sua vontade de avançar com a revolta.
Nos primeiros momentos da revolta, julgando-a perdida, não quis seguir para bordo de um dos navios que estava implicado no movimento, despediu-se dos oficiais da Marinha próximos e horas depois era encontrado morto na Azinhaga das Freiras.
Tinha-se suicidado, vítima do seu temperamento hipocondríaco que lhe proporcionava crises de entusiasmo e de depressão frequentes.
 
Efectivamente, no inicio a maioria das unidades militares comprometidas no movimento não chegaram a revoltar-se e muitos oficiais do exército, julgando tudo perdido haviam abandonado o entrincheiramento da Rotunda.
O golpe, afinal, acabou por triunfar e poucas horas depois José Relvas do alto da varanda da Câmara Municipal proclamava solenemente a República.
 
O nome do Almirante Carlos Cândido dos Reis foi utilizado não só para ruas e avenidas como também para substituir o nome de “D. Carlos I” no principal cruzador da esquadra portuguesa em homenagem à memória de tão prestigiado marinheiro.
Em Vila Praia de Âncora, a Rua Cândido dos Reis liga a praça da Republica à marginal da praia a Avenida Dr. Ramos Pereira e actualmente é uma artéria pedonal, atravessada pela linha do caminho de ferro.
 
 
 
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 22:37
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01
Set 07

 

Há dois ou três dias ocorreu uma forte explosão na vizinha freguesia de Âncora, provocada pelo rebentamento inesperado de material pirotécnico.

A explosão teve lugar num anexo da residência do nosso inestimavel amigo Agostinho Gomes, que não deve ter ganho para o susto.

No momento da explosão, sentida em Vila Praia de Âncora, estava eu na praia, regaladamente a tirar umas fotografias.

Obras do acaso dirão alguns, mas o que é certo é que registei o momento da explosão e o forte abalo que causou. Deixo-vos com esse registo!

 

 

 

Não acredita? Então faça clic sobre a fotografia...

publicado por Brito Ribeiro às 19:28
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