Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

29
Ago 07
 
 
Designação
Santuário de São João de Arga
 
Localização
Viana do Castelo, Caminha, Arga de Baixo
   
Protecção
Em estudo
 
Enquadramento
Rural, isolado, plataforma em encosta de pendor acentuado, sobranceira à ribeira de São João, no contraforte N. da Serra de Arga, coberta com pinhal. Recinto de contorno rectangular com duas entradas, abertas no muro que o delimita.

 
Descrição
Igreja de planta longitudinal composta pelos volumes desiguais e articulados horizontalmente da nave e capela-mor rectangulares, e sacristia, mais baixa e também rectangular adossada a S.. Coberturas em telhado de duas águas na igreja e de uma na sacristia. A frontaria, virada a O., tem portal axial de verga recta, ladeado e sobrepujado por óculos elipsoidais gradeados, terminando em frontão angular interrompido com aleta em voluta, encimado por cruz latina, alta, assente sobre plinto. Cunhais com pilastras toscanas encimadas por pináculos. Fachadas N. e S. semelhantes, sendo a nave percorrida por cornija sustentada por cachorrada lisa e decorada, excepto na zona próxima da frontaria, em que a diferença no aparelho do paramento demonstra a reconstrução que sofreu. São rasgadas por portal de vão rectangular, com arquivolta em arco apontado, de tímpano liso, sustentado por impostas lisas, sobre pés-direitos; na capela-mor, virada a N. abre-se uma pequena janela e a S. uma abertura quadrangular da sacristia.
A fachada E. demonstra pela diferença de aparelhos dos paramentos obras de remodelação; no remate da empena, cruz grega pomeada.
No interior, púlpito com base pétrea e varandim em madeira, pintado no lado do Evangelho. Arco triunfal de arco apontado, sublinhado por dois anjos tocheiros e envolvido por amplo retábulo, constituído por duas séries de colunas compósitas sustentando cornija com entablamento clássico, apresentando no intercolúnio as imagens de São João Evangelista, do lado da Epístola, e da Senhora da Conceição, do lado do Evangelho, estando encimadas por sanefas. No ático está gravada num quadro a cena do Baptismo de Cristo, enquadrada por imagens, em pedra, de Santa Ana, do lado do Evangelho e de uma outra imagem, do lado da Epístola. Tecto de madeira de perfil curvo e pavimento lajeado. Na capela-mor, antecedida por um degrau, altar em pedra, barroco, pintado, polícromo.
As hospedarias, de planta em L, implantam-se frontalmente a N. e a S. da igreja, definindo o contorno do recinto em três dos seus lados e cujos lados menores enquadram o portal de entrada do terreiro. Formam quatro volumes, com dois pisos, cobertos com telhados de duas águas. Têm pequeno pé-direito, paramentos em aparelho irregular, fazendo-se o acesso por porta de verga recta.
No piso térreo, destinado às vendas e tabernas, tem pavimentos cimentados e em terra batida, constituindo a zona frontal uma galeria aberta entrecortada pelos pilares que sustentam o varandim do piso superior. A este acede-se por escadas frontais, tendo o varandim parapeito em grandes lajes e pilares quadrangulares sustentando a cobertura, constituindo um corredor amplo pelo qual se faz a passagem para os compartimentos dos romeiros. As compartimentações efectuam-se por divisórias em madeira, tendo pavimento de soalho, e escassas janelas, de vão quadrangular.

 
Descrição Complementar
Envolvendo a capela regista-se um murete constituído por lajes colocadas de cutelo, definindo o percurso de promessas. O retábulo-mor, com acesso através de um degrau, apresenta três séries de pilastras, decoradas com motivos que se prolongam nos toros do ático, em cujo remate está, em cartela subcircular, a representação da cena da Degolação de São João Baptista.
Na capela-mor conserva-se inscrita num silhar a data 1333, em alto-relevo. A sacristia apresenta uma cobertura em abóbada de pedra, tendo um pavimento lajeado. Num cunhal da hospedaria da ala S. encontra-se inscrita numa cartela, em baixo-relevo, a data 1907.
O portal do terreiro é delimitado por ombreiras de secção quadrangular, com base e cornija moldurada, sobrepujado por plinto de pináculo, tendo portão gradeado, alto, de duas folhas, ao lado do qual se encontram outros dois, de uma folha e de menores dimensão. Junto a uma das hospedarias encontra-se um sarcófago, servindo como pia de água.
O terreiro está pontuado por alguns sobreiros de grande porte que ensombram os dois coretos, constituídos por bancada de planta quadrangular em alvenaria de granito, sendo só num caso coberto com alpendre metálico. Na bancada de um dos coretos, encontra-se reaproveitado um silhar com uma cruz patada.
 
Utilização Inicial
Cultual e devocional: Santuário
 
Utilização Actual
Cultual e devocional: Santuário com romaria a 29 Agosto
 
Propriedade
Privada: Igreja Católica
   
Época Construção
Idade Média / Idade Moderna / Idade Contemporânea
   
Cronologia
Século XIII - época provável de construção da igreja; 1333 - data inscrita em silhar da capela-mor; século XVIII, finais - época provável de reforma da capela; 1907 - reforma do recinto.
 
Tipologia
Arquitectura religiosa, românica, barroca e popular. Santuário de montanha em recinto fechado com igreja românica, do tipo da bacia do Minho, de planta longitudinal, reformulada no século XVIII, em estilo barroco, e dois albergues dispostos frontalmente, de planta em L e dois pisos, de arquitectura popular.
 
Características Particulares
Altares em pedra, pintados, polícromos; imagens em pedra; albergues de dois pisos, com planta em L.

   
Materiais
Muro do recinto em silhares graníticos, portão em ferro, estrutura da capela em cantaria e alvenaria de granito, altares em pedra, estrutura dos albergues em cantaria e alvenaria de granito, cobertura em madeira e em madeira telhada, pavimentos em madeira, lajes de granito e terra batida, portas de madeira e madeira chapeada, paramentos rebocados, janelas gradeadas, plataforma dos coretos em alvenaria de granito, alpendre do coreto em ferro.
 
Bibliografia
COSTA, António Carvalho da, Corografia Portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal, vol. 1, Braga, 1706, p. 248 - 251; VIEIRA, José Augusto, O Minho Pittoresco, 1, Lisboa, 1886, p. 175, OLIVEIRA, Ernesto Veiga de Santiago, A Romaria de S. Joao D'Arga, Geographica, 7 (28), Lisboa 1971, p. 3 - 15; ALMEIDA, José António Ferreira de (org.), Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976, p. 100 - 101; ALVES, Lourenço, Caminha e o seu concelho. Monografia, Caminha, 1985, p. 281 - 285; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, História da arte em Portugal, vol. 3, Lisboa, 1986; idem, Alto Minho, Lisboa, 1987, p. 154 - 155.
 
Intervenção Realizada
Confraria: 1980, década - obras de recuperação das coberturas da capela, limpeza do reboco dos paramentos exteriores da nave, remoção de compartimento, denominado "Casa das Esmolas", adossado à fachada S. da igreja e que encobria o respectivo portal, e recuperação das coberturas dos albergues; Junta de Freguesia: 1996 - obras de construção dos sanitários; Confraria: 1997 - obras de conservação das fachadas da igreja e dos albergues.
 
Observações
*1 - No exterior do terreiro, em frente ao portão, encontra-se um cruzeiro, tal como a cerca de 100 metros a SE. do recinto, à margem do caminho velho que conduzia ao santuário.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 15:03

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