Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

21
Ago 07
Hoje fui dar uma volta a pé, junto ao mar, entre V. P de Âncora e Moledo e deparei com uma situação incrível de lixeira generalizada na zona do Caído e de Santo Isidoro.

Estas zonas são das mais interessantes áreas costeiras para lazer e são frequentadas por pessoas que preferem um ambiente mais calmo que a praia, um local onde podem mariscar, andar pelas poças de água, absorver o abundante iodo, experimentar os prazeres da pesca, regalar-se com um lauto picnic ou simplesmente olhar o mar, as ondas ou as gaivotas.
Infelizmente nem todos os turistas são pessoas civilizadas e limpas, havendo por aí muito porco disfarçado, desde o mais pelintra ao mais ricaço. E são esses porcos que deixam ficar as marcas da sua passagem, como testemunho badalhoco no qual alguém irá, mais cedo ou mais tarde, tropeçar. Ora nós sabemos que é assim mesmo e a sociedade, ao longo dos tempos, organizou-se e criou aquilo que vulgarmente chamamos de “recolha de lixo”.
Este serviço público é fundamental e só o apreciamos devidamente quando, por qualquer motivo, esse mesmo lixo não é recolhido e começa a inundar as nossas ruas. É como a electricidade, só lhe damos valor quando ela falta!

 
Convencionou-se já há muitos anos, que a recolha de lixo não pode ficar pelo esvaziamento simples dos contentores ou pelo varrimento dos passeios. Há zonas que pelo seu valor patrimonial, pela sua utilização ou pelo seu enquadramento são habitualmente limpas, embora não configure uma situação de recolha de lixo doméstico. São limpezas sazonais, são limpezas especializadas, na maior parte das vezes. A limpeza da praia é um bom exemplo deste tipo de limpeza extraordinário.
É claro que uma terra com aspirações a estancia turística, tem de ter um mínimo de cuidados, um mínimo de trabalhos preparatórios para bem receber quem nos visita. Mesmo que uma pequena parte desses visitantes, faça parte do grupo dos tais porcos de que falei.
É necessário ter tudo mais ou menos limpo e arranjado, que é o que não acontece aqui em Vila Praia de Âncora. Infelizmente!!!

 
Parece que ainda subsistem algumas mentalidades que defendem o turismo exclusivo de praia e esplanada, quando a realidade é bem diferente, até porque praias há muitas e com melhores condições climatéricas. Esplanadas também há muitas e bem melhores que as nossas.
Por isso, esse modelo é totalmente bacoco e vê-se que de ano para ano há menos gente a alugar casa, ou a permanecer nos hotéis e residenciais, preferindo vir de manhã e regressar à noite ou procurar outras paragens com melhor oferta, ao nível de garantias ambientais (que não podemos dar), ao nível da animação ou à diversidade turística (património, natureza, infra-estruturas).
E se alguns destes itens que são de difícil resolução ou de custo elevado, há outros que são acessíveis e que são basilares. A limpeza é um desses itens.

 
É por aí que se começa a construir um destino turístico. Deixem-me dar um exemplo, um bocado grotesco, mas real. Não passa pela cabeça de ninguém vestir um fato novo, de boa marca, com uma camisa encardida e há oito ou quinze dias sem tomar banho. Só um tolo faria uma coisa destas. Ou então, muito porco!
Por isso estou indignado com o lixo que encontrei ao longo da costa, e hoje só falo deste troço mas sei que não é o único, que está um nojo, que não é limpo há muito tempo e isso vê-se que estado dos resíduos encontrados, muitos deles deixados pelos tais turistas indesejáveis (em anos anteriores) ou arrojados pelo mar nas maresias de Inverno.
Não era caro, direi até que o custo seria marginal, proceder a uma limpeza criteriosa, antes do verão, ao longo da costa e criar condições de deposição de lixo, fora dos circuitos habituais das praias concessionadas e das avenidas.
Isto para não escutar da boca de alguns passantes como eu, que ao verem-me a tirar as fotos exclamaram: “Ao menos podiam ter recolhido aquela merda”.

 
Será que ninguém na Câmara ou na Junta de Freguesia se lembrou disso? Parece impossível, tanta gente empenhada na gestão da causa pública e não haver alguém que se lembre da limpeza dos locais com aptidões turísticas e com relevância ambiental. Andam a pensar em quê?
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 18:47
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