Ambiente, história, património, opinião, contos, pesca e humor

29
Ago 07
 
 
Designação
Santuário de São João de Arga
 
Localização
Viana do Castelo, Caminha, Arga de Baixo
   
Protecção
Em estudo
 
Enquadramento
Rural, isolado, plataforma em encosta de pendor acentuado, sobranceira à ribeira de São João, no contraforte N. da Serra de Arga, coberta com pinhal. Recinto de contorno rectangular com duas entradas, abertas no muro que o delimita.

 
Descrição
Igreja de planta longitudinal composta pelos volumes desiguais e articulados horizontalmente da nave e capela-mor rectangulares, e sacristia, mais baixa e também rectangular adossada a S.. Coberturas em telhado de duas águas na igreja e de uma na sacristia. A frontaria, virada a O., tem portal axial de verga recta, ladeado e sobrepujado por óculos elipsoidais gradeados, terminando em frontão angular interrompido com aleta em voluta, encimado por cruz latina, alta, assente sobre plinto. Cunhais com pilastras toscanas encimadas por pináculos. Fachadas N. e S. semelhantes, sendo a nave percorrida por cornija sustentada por cachorrada lisa e decorada, excepto na zona próxima da frontaria, em que a diferença no aparelho do paramento demonstra a reconstrução que sofreu. São rasgadas por portal de vão rectangular, com arquivolta em arco apontado, de tímpano liso, sustentado por impostas lisas, sobre pés-direitos; na capela-mor, virada a N. abre-se uma pequena janela e a S. uma abertura quadrangular da sacristia.
A fachada E. demonstra pela diferença de aparelhos dos paramentos obras de remodelação; no remate da empena, cruz grega pomeada.
No interior, púlpito com base pétrea e varandim em madeira, pintado no lado do Evangelho. Arco triunfal de arco apontado, sublinhado por dois anjos tocheiros e envolvido por amplo retábulo, constituído por duas séries de colunas compósitas sustentando cornija com entablamento clássico, apresentando no intercolúnio as imagens de São João Evangelista, do lado da Epístola, e da Senhora da Conceição, do lado do Evangelho, estando encimadas por sanefas. No ático está gravada num quadro a cena do Baptismo de Cristo, enquadrada por imagens, em pedra, de Santa Ana, do lado do Evangelho e de uma outra imagem, do lado da Epístola. Tecto de madeira de perfil curvo e pavimento lajeado. Na capela-mor, antecedida por um degrau, altar em pedra, barroco, pintado, polícromo.
As hospedarias, de planta em L, implantam-se frontalmente a N. e a S. da igreja, definindo o contorno do recinto em três dos seus lados e cujos lados menores enquadram o portal de entrada do terreiro. Formam quatro volumes, com dois pisos, cobertos com telhados de duas águas. Têm pequeno pé-direito, paramentos em aparelho irregular, fazendo-se o acesso por porta de verga recta.
No piso térreo, destinado às vendas e tabernas, tem pavimentos cimentados e em terra batida, constituindo a zona frontal uma galeria aberta entrecortada pelos pilares que sustentam o varandim do piso superior. A este acede-se por escadas frontais, tendo o varandim parapeito em grandes lajes e pilares quadrangulares sustentando a cobertura, constituindo um corredor amplo pelo qual se faz a passagem para os compartimentos dos romeiros. As compartimentações efectuam-se por divisórias em madeira, tendo pavimento de soalho, e escassas janelas, de vão quadrangular.

 
Descrição Complementar
Envolvendo a capela regista-se um murete constituído por lajes colocadas de cutelo, definindo o percurso de promessas. O retábulo-mor, com acesso através de um degrau, apresenta três séries de pilastras, decoradas com motivos que se prolongam nos toros do ático, em cujo remate está, em cartela subcircular, a representação da cena da Degolação de São João Baptista.
Na capela-mor conserva-se inscrita num silhar a data 1333, em alto-relevo. A sacristia apresenta uma cobertura em abóbada de pedra, tendo um pavimento lajeado. Num cunhal da hospedaria da ala S. encontra-se inscrita numa cartela, em baixo-relevo, a data 1907.
O portal do terreiro é delimitado por ombreiras de secção quadrangular, com base e cornija moldurada, sobrepujado por plinto de pináculo, tendo portão gradeado, alto, de duas folhas, ao lado do qual se encontram outros dois, de uma folha e de menores dimensão. Junto a uma das hospedarias encontra-se um sarcófago, servindo como pia de água.
O terreiro está pontuado por alguns sobreiros de grande porte que ensombram os dois coretos, constituídos por bancada de planta quadrangular em alvenaria de granito, sendo só num caso coberto com alpendre metálico. Na bancada de um dos coretos, encontra-se reaproveitado um silhar com uma cruz patada.
 
Utilização Inicial
Cultual e devocional: Santuário
 
Utilização Actual
Cultual e devocional: Santuário com romaria a 29 Agosto
 
Propriedade
Privada: Igreja Católica
   
Época Construção
Idade Média / Idade Moderna / Idade Contemporânea
   
Cronologia
Século XIII - época provável de construção da igreja; 1333 - data inscrita em silhar da capela-mor; século XVIII, finais - época provável de reforma da capela; 1907 - reforma do recinto.
 
Tipologia
Arquitectura religiosa, românica, barroca e popular. Santuário de montanha em recinto fechado com igreja românica, do tipo da bacia do Minho, de planta longitudinal, reformulada no século XVIII, em estilo barroco, e dois albergues dispostos frontalmente, de planta em L e dois pisos, de arquitectura popular.
 
Características Particulares
Altares em pedra, pintados, polícromos; imagens em pedra; albergues de dois pisos, com planta em L.

   
Materiais
Muro do recinto em silhares graníticos, portão em ferro, estrutura da capela em cantaria e alvenaria de granito, altares em pedra, estrutura dos albergues em cantaria e alvenaria de granito, cobertura em madeira e em madeira telhada, pavimentos em madeira, lajes de granito e terra batida, portas de madeira e madeira chapeada, paramentos rebocados, janelas gradeadas, plataforma dos coretos em alvenaria de granito, alpendre do coreto em ferro.
 
Bibliografia
COSTA, António Carvalho da, Corografia Portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal, vol. 1, Braga, 1706, p. 248 - 251; VIEIRA, José Augusto, O Minho Pittoresco, 1, Lisboa, 1886, p. 175, OLIVEIRA, Ernesto Veiga de Santiago, A Romaria de S. Joao D'Arga, Geographica, 7 (28), Lisboa 1971, p. 3 - 15; ALMEIDA, José António Ferreira de (org.), Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976, p. 100 - 101; ALVES, Lourenço, Caminha e o seu concelho. Monografia, Caminha, 1985, p. 281 - 285; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, História da arte em Portugal, vol. 3, Lisboa, 1986; idem, Alto Minho, Lisboa, 1987, p. 154 - 155.
 
Intervenção Realizada
Confraria: 1980, década - obras de recuperação das coberturas da capela, limpeza do reboco dos paramentos exteriores da nave, remoção de compartimento, denominado "Casa das Esmolas", adossado à fachada S. da igreja e que encobria o respectivo portal, e recuperação das coberturas dos albergues; Junta de Freguesia: 1996 - obras de construção dos sanitários; Confraria: 1997 - obras de conservação das fachadas da igreja e dos albergues.
 
Observações
*1 - No exterior do terreiro, em frente ao portão, encontra-se um cruzeiro, tal como a cerca de 100 metros a SE. do recinto, à margem do caminho velho que conduzia ao santuário.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 15:03

23
Ago 07
 
   
Designação
Cividade / Monte da Suavidade
 
Localização
Viana do Castelo, Viana do Castelo, Afife e Âncora
   
Protecção
Não definido
 
Enquadramento
Rural, isolado, outeiro coberto de pinhal, eucaliptos e giestas, sobranceiro a um ribeiro afluente do Rio Âncora, junto à orla marítima.
 
Descrição
Povoado fortificado defendido por 2 linhas de muralhas construídas em aparelho poligonal e irregular, que circundam o povoado, apresentando estas uma espessura de c. de 1,5 m.
As intervenções realizadas permitiram exumar várias construções, em aparelho irregular, de planta circular, com ou sem vestíbulo, e planta sub-rectangular, sendo as estruturas habitacionais integradas por várias destas construções dispostas em torno de um pátio, por vezes lajeado, com cisterna ou fonte, enquadradas pelos arruamentos e definidas por um muro, formando um quarteirão.
Uma destas unidades familiares integrava um recinto funerário.

 
Descrição Complementar
O espólio desta estação é constituído por fragmentos de cerâmica comum, da Idade do Ferro e romana, cerâmica de importação romana, fragmentos de vidro, ânfora, "tegula", "imbrex", mós manuárias rotativas, elementos numismáticos, escória de ferro, artefactos metálicos, fíbula em bronze tipo Aucissa, objectos de adorno, elementos arquitectónicos.
 
Utilização Inicial
Militar e residencial. Povoado fortificado
 
Utilização Actual
Marco histórico-cultural
 
Propriedade
Privada: pessoa singular
   
Época Construção
Proto-História / Sec. VII e VI a.C.
    
Tipologia
Povoado fortificado proto-histórico (Castro) de duas linhas de muralhas, com vestígios de ocupação em época romana.
 
Características Particulares
Casa com bancos de pedra em redor dos muros; suporte de pedra para poste de sustentação de cobertura de habitação; construção com um forno; conjunto habitacional com uma fonte de mergulho; recinto funerário com caixas sepulcrais.

   
Materiais
Muralhas e construções em granito; as muralhas são construídas com silhares assentes em seco, em aparelho poligonal e irregular, constituídas por dois paramentos paralelos preenchidos interiormente com pedra miúda; as paredes das construções são em dois paramentos; paramento interior de algumas habitações rebocado; cobertura das construções com materiais perecíveis e com "tegula" e "imbrex"; pavimentos das construções em terra batida e barro; arruamentos pavimentados com lajes graníticas; lareiras estruturadas com lajes graníticas ou com barro, caixas sepulcrais em granito.
 
Bibliografia
SARMENTO, Francisco Martins, Observações acerca do Vale do Âncora, O Pantheon, 1, Porto, 1880, p. 63; CARDOZO, Mário, 2ª campanha de escavações arqueológicas em castros do Norte de Portugal (Cividade de Âncora e Monte do Cútero) dirigida pelo Prof. Dr. Christopher Hawkes da Universidade de Oxford (7 a 26 de Setembro de 1959), Revista de Guimarães, 69 (3 - 4), Guimarães, 1959, pp. 522 - 546; VIANA, Abel, Cividade de Âncora: sua importância. Explorações de 1960 e 1961, Lucerna, 3, Porto, 1963, pp. 167 - 178; SILVA, Armando Coelho F. da, A cultura castreja no Noroeste de Portugal, Paços de Ferreira, 1986, pp. 48 – 51; Roteiro do Vale do Âncora de Joaquim Vasconcelos
   
Intervenção Realizada
1959 - Escavação arqueológica de responsabilidade de Christopher Hawkes;
1960 / 1961 - Escavação arqueológica de responsabilidade de Abel Viana;
1978 / 1982 - Escavação arqueológica de responsabilidade de Armando Coelho Ferreira da Silva;
1984 - Escavação arqueológica da responsabilidade de Armando Coelho Ferreira da Silva.
 
Observações
O povoado encontra-se localizado na divisória das freguesias de Santa Maria de Âncora (Caminha) e de Afife (Viana do Castelo) tendo uma dupla designação conforme o local, respectivamente, Cividade de Âncora ou Cividade de Afife; o espólio está depositado no Museu Municipal de Caminha e no Museu Municipal de Viana do Castelo.
Infelizmente este monumento encontra-se totalmente abandonado e quase submerso por infestantes vegetais, sem qualquer plano de recuperação e de protecção por parte de entidades oficiais.
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 21:41

21
Ago 07
Hoje fui dar uma volta a pé, junto ao mar, entre V. P de Âncora e Moledo e deparei com uma situação incrível de lixeira generalizada na zona do Caído e de Santo Isidoro.

Estas zonas são das mais interessantes áreas costeiras para lazer e são frequentadas por pessoas que preferem um ambiente mais calmo que a praia, um local onde podem mariscar, andar pelas poças de água, absorver o abundante iodo, experimentar os prazeres da pesca, regalar-se com um lauto picnic ou simplesmente olhar o mar, as ondas ou as gaivotas.
Infelizmente nem todos os turistas são pessoas civilizadas e limpas, havendo por aí muito porco disfarçado, desde o mais pelintra ao mais ricaço. E são esses porcos que deixam ficar as marcas da sua passagem, como testemunho badalhoco no qual alguém irá, mais cedo ou mais tarde, tropeçar. Ora nós sabemos que é assim mesmo e a sociedade, ao longo dos tempos, organizou-se e criou aquilo que vulgarmente chamamos de “recolha de lixo”.
Este serviço público é fundamental e só o apreciamos devidamente quando, por qualquer motivo, esse mesmo lixo não é recolhido e começa a inundar as nossas ruas. É como a electricidade, só lhe damos valor quando ela falta!

 
Convencionou-se já há muitos anos, que a recolha de lixo não pode ficar pelo esvaziamento simples dos contentores ou pelo varrimento dos passeios. Há zonas que pelo seu valor patrimonial, pela sua utilização ou pelo seu enquadramento são habitualmente limpas, embora não configure uma situação de recolha de lixo doméstico. São limpezas sazonais, são limpezas especializadas, na maior parte das vezes. A limpeza da praia é um bom exemplo deste tipo de limpeza extraordinário.
É claro que uma terra com aspirações a estancia turística, tem de ter um mínimo de cuidados, um mínimo de trabalhos preparatórios para bem receber quem nos visita. Mesmo que uma pequena parte desses visitantes, faça parte do grupo dos tais porcos de que falei.
É necessário ter tudo mais ou menos limpo e arranjado, que é o que não acontece aqui em Vila Praia de Âncora. Infelizmente!!!

 
Parece que ainda subsistem algumas mentalidades que defendem o turismo exclusivo de praia e esplanada, quando a realidade é bem diferente, até porque praias há muitas e com melhores condições climatéricas. Esplanadas também há muitas e bem melhores que as nossas.
Por isso, esse modelo é totalmente bacoco e vê-se que de ano para ano há menos gente a alugar casa, ou a permanecer nos hotéis e residenciais, preferindo vir de manhã e regressar à noite ou procurar outras paragens com melhor oferta, ao nível de garantias ambientais (que não podemos dar), ao nível da animação ou à diversidade turística (património, natureza, infra-estruturas).
E se alguns destes itens que são de difícil resolução ou de custo elevado, há outros que são acessíveis e que são basilares. A limpeza é um desses itens.

 
É por aí que se começa a construir um destino turístico. Deixem-me dar um exemplo, um bocado grotesco, mas real. Não passa pela cabeça de ninguém vestir um fato novo, de boa marca, com uma camisa encardida e há oito ou quinze dias sem tomar banho. Só um tolo faria uma coisa destas. Ou então, muito porco!
Por isso estou indignado com o lixo que encontrei ao longo da costa, e hoje só falo deste troço mas sei que não é o único, que está um nojo, que não é limpo há muito tempo e isso vê-se que estado dos resíduos encontrados, muitos deles deixados pelos tais turistas indesejáveis (em anos anteriores) ou arrojados pelo mar nas maresias de Inverno.
Não era caro, direi até que o custo seria marginal, proceder a uma limpeza criteriosa, antes do verão, ao longo da costa e criar condições de deposição de lixo, fora dos circuitos habituais das praias concessionadas e das avenidas.
Isto para não escutar da boca de alguns passantes como eu, que ao verem-me a tirar as fotos exclamaram: “Ao menos podiam ter recolhido aquela merda”.

 
Será que ninguém na Câmara ou na Junta de Freguesia se lembrou disso? Parece impossível, tanta gente empenhada na gestão da causa pública e não haver alguém que se lembre da limpeza dos locais com aptidões turísticas e com relevância ambiental. Andam a pensar em quê?
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 18:47
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17
Ago 07
 Retomamos a saga da "Bela e do Monstro" que interrompemos há algumas semans atrás. Como declaramos desde o início, todas as personagens e situações são ficcionadas e não tem correspondencia directa com quem quer que seja.
O largo do Tribunal estava cheio desde as oito da manhã. Dois carros da polícia estacionados discretamente e alguns agentes nas imediações davam um ar mais solene e prenunciavam a chegada eminente dos detidos, dos advogados e das testemunhas.
Alguns jornalistas ainda com ar ensonado preparavam os equipamentos de som e de imagem. O Agostinho Moravitch era o único que já estava em directo e aproveitava para ir entrevistando alguns dos presentes, com a entrada habitual “ora muito bem, senhores óbintes”.
Faltavam dez minutos para as nove, ouve-se uma sirene e aparece um carro à civil com uma luz rotativa no tejadilho, logo seguido de uma carrinha fechada dos Serviços Prisionais e outro carro da polícia a fechar a escolta. Rapidamente abrem a porta lateral da carrinha e saem dois indivíduos algemados, tentando esconder a cara com os casacos, esquecendo-se que eram mais conhecidos que os tremoços, depois daquela aventura rocambolesca do assalto aos correios.
Vários agentes acompanharam os presos para o interior do tribunal e outros barraram a passagem aos inúmeros mirones que se preparavam para entrar de qualquer maneira. Só entravam a conta gotas, depois de apalpados e após passarem por um detector de metais. Em breve a sala de audiências ficou cheia e os que não tiveram a sorte de entrar, ficaram na rua a conversar e a apreciar as movimentações dos jornalistas.
 
Enquanto não se iniciava o julgamento os presos aguardavam numa salinha junto do gabinete do juiz, nas traseiras, com um guarda junto deles.
O gago sentado na cadeira junto à janela lia uma revista antiga que encontrara na sala, enquanto o cúmplice se entretinha a fazer desenhos imaginários com a biqueira dos ténis. O guarda fumava um cigarro e dava pequenos passeios, para lá e para cá entre a porta e a janela.
De repente o gago investe de cabeça contra a barriga do guarda que desprevenido é atingido em cheio, dobrando-se para a frente sem um pio. Imediatamente caiu sem fôlego, acto que o gago aproveitou para lhe acertar um par de pontapés raivosos.
De seguida procurou a chave das algemas que encontrou no bolso da camisa do guarda inconsciente. Depois de livre das amarras que lhe impediam os movimentos dos braços, retirou-lhe a pistola e soltou o pencudo que continuava a olhar de forma aparvalhada para o seu companheiro.
- Então, v…vens ou… ou não vens?
- Para onde?
- Fu… fu… fugir, estúpido!
- Fu, fu, o quê?
- Pi… pi… pirarmo-nos!
- Não percebo nada. Agora é pi, pi, mas o quê?
- Bu…rro. Anda co… comigo.
O gago entreabriu a porta e espreitou para o corredor. No fundo deste, um guarda estava encostado à parede. Por ali era difícil sair, sem ter de começar aos tiros. Se isso acontecesse ficava em desvantagem, porque haviam muitos polícias nas redondezas e rapidamente iriam cercar o tribunal.
Fechou a porta silenciosamente, aproximou-se da janela, depois de ferrar outro pontapé na cara do guarda, que lentamente recobrava conhecimento. Da janela do primeiro andar era fácil alcançar o pátio das traseiras, onde estavam estacionados vários carros pertencentes aos advogados e aos juízes. Por baixo da janela, nem de propósito, estava estacionado um monovolume, que encurtava a distância ao solo.
Aberta a janela, passou uma perna para o exterior, olhou em todas as direcções e saltou suavemente para o tejadilho do carro. Daí escorregou para o chão e colado a carroçaria chamou pelo parceiro, que em duas pernadas se lhe juntou.
Escolheu um Alfa-Romeo encarnado, experimentou a porta mas estava fechada. Levantou a pistola para rebentar o vidro com a coronha, quando o pencudo lhe diz:
- Olha, este está aberto!
Era um dos novos Mercedes, que por acaso pertencia ao juiz que ia presidir ao julgamento, estava aberto e com a chave na ignição. O pencudo instalou-se ao volante, mas foi violentamente puxado do exterior pelo gago, que lhe disse:
- Fo…fora daí. Q…uem gui…a sou, sou eu.
 
Motor em marcha, o gago ao volante e o pencudo encolhido no banco do lado direito, o carro arranca suavemente e dirige-se para a saída do parque. Na rua em frente ao parque, um polícia manda, com autoridade, parar o trânsito para o reluzente Mercedes passar. O gago nem queria acreditar, paravam o trânsito, deixavam-no passar e ainda lhe faziam continência. “Que grande polícia nós temos, haviam de ser todos assim”. E afastam-se calmamente em direcção à periferia e à liberdade.
Deram a volta à praça do mercado, subiram ao longo da avenida e quando passavam o cruzamento da rua que levava à estação, pareceu-lhes que o céu lhes caiu em cima.
Algo bateu com uma força incrível no lado direito do Mercedes, que foi projectado contra outros carros que estavam estacionados ao longo da rua. Os air-bags rebentaram o que contribuiu para aumentar a confusão.
O gago tentou abrir a porta esquerda mas estava esmagado contra um dos carros estacionados. Olhou para o lado direito e viu o capot fumegante do outro carro, o que os tinha abalroado, perigosamente perto do pencudo que em choque olhava para ele com os olhos esbugalhados. Estava encurralado, só lhe restava sair pelo para brisas. Quando se preparava para levantar uma das pernas para forçar o vidro, uma dor aguda subiu-lhe ao longo do corpo, deixando-o sem acção.
Olhou para a perna direita e admirou-se com o ângulo impossível que apresentava. Custava-lhe a crer, tinha uma perna partida e nem dera por isso. Pronto, acabara-se a fuga. Que raio de azar!
Cada vez mais gente se juntava em roda dos veículos acidentados, até que apareceram uns polícias que estavam ali perto, no exterior do tribunal, e reconheceram de imediato os ocupantes do amachucado Mercedes. Do outro veiculo estavam a retirar os dois ocupantes. Um senhor de meia-idade que tinha um golpe profundo na testa e o condutor, um moço alto que não se tinha nas pernas, aparentemente sem ferimentos de maior.
O gago, ainda encerrado dentro do habitáculo luxuoso do Mercedes, olhava para o outro condutor, com a boca aberta de espanto:
- Não po…de ser. Ou… outra vez o mes…mes…mo gajo. Vou da…dar-lhe um, um, ti…ti…tiro.
E procurou a pistola que tinha entalado no cós do cinto e que, com o embate tinha saltado, rebolado no piso do carro.
Fez um esforço para se dobrar, a dor na perna era insuportável quando se mexia, conseguiu chegar-lhe com a ponta dos dedos, arrastou-a até a empunhar decididamente, levantou a cabeça e embateu nos queixos do pencudo que se tinha inclinado para ver o que o cúmplice fazia. “Pum”, ouviu-se dentro do carro, o gago olhava aparvalhado para a pistola fumegante, ao seu lado o pencudo berrava, parecia que o estavam a esfolar
- Mer…da, que foi que… que te d…deu?
- Filho da puta, deste-me um tiro, vou-te meter a pistola pelo cu acim…
- Larga a pistola!
- Mãos no ar!
Eram os polícias que no exterior apontavam as armas para o interior do Mercedes, depois dos primeiros momentos de admiração.
- Vamos, não ouviste? Larga a pistola, senão disparamos.
Lentamente o gago deixou cair a pistola e levantou as mãos contra o para brisas do Mercedes. Ao seu lado o pencudo apertava a perna onde alastrava uma mancha de sangue.
 
Ouvem-se as sirenes das ambulâncias, saem os socorristas, os polícias tornaram a algemar os presos que são desencarcerados no meio de muitos queixumes. Um com a perna partida, outro com a dita furada a tiro.
Os ocupantes do outro carro recebiam a primeira assistência sentados na beira do passeio até serem encaminhados para uma ambulância.
O automóvel que ocupavam, um Volkswagen verde com publicidade de uma escola de condução, estava com a frente desfeita contra o lado direito do espampanante Mercedes, que só parou depois de esmagar um carro pequeno e já antigo, ao qual lhe era difícil identificar a marca e o modelo, tal era o estado em que ficou.
Jornalistas com câmaras e microfones corriam para cobrir o acontecimento, Agostinho o pivot da rádio local foi o primeiro a chegar e ainda teve oportunidade de entrevistar em directo alguns dos acidentados.
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 23:43
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16
Ago 07

Informação de última hora

 

O maestro Vitorino d`Almeida acaba de convidar o "artista dos côcos", divulgado no ultimo post, para o acompanhar no seu próximo espectáculo, a realizar numa aldeia do nosso Concelho, não sei muito bem se é em Dem ou em Vilarelho. 

 

Segundo nos confidencializou o mediático maestro, frequentador assíduo deste blog, ao escutar a voz e a técnica aplicada naquele acordeão, não hesitou, mandou dar uma volta o Carlos Mendes e a Olga Prates e contratou o "artista dos côcos", apenas com a condição da sua partenair o acompanhar.

 

Sim, porque alguém tem mesmo que segurar aqueles cocos!

publicado por Brito Ribeiro às 00:18
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10
Ago 07

 

 

 

 

 

 

Este vídeo foi tirado de um anúncio publicitário a um ambientador automóvel . Dá vontade de ir a correr comprar meia dúzia deles. E já agora, uns cocos daqueles...

 

publicado por Brito Ribeiro às 10:04
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08
Ago 07

   
Designação
Alminhas da Rampa do Calvário
 
Localização
Viana do Castelo, Caminha, Vila Praia de Âncora, Lugar do Santo, Rampa do Calvário
 
Enquadramento
Urbano, na periferia de Vila Praia de Âncora, encastradas num muro em face da Rampa do Calvário, junto à Fábrica de Lacticínios Âncora.
 

Tipologia
Arquitectura religiosa, setecentista. Alminhas de caminho setecentistas, com nicho rasgado em pano de muro, encimadas por frontão interrompido e cornija curva, contendo baixo-relevo em pedra com representação de São Gabriel, Santo António, Espírito Santo e as Almas entre chamas.
 
Características Particulares
Encastradas num muro; retábulo talhado em pedra, em baixo-relevo; inscrição com data de construção; contraste entre as linhas arquitectónicas de certa erudição e o carácter popular do retábulo e baixo-relevo.
 

Utilização inicial e actual
Devocional. Alminhas
 
Propriedade
Privada: pessoa singular
 
Época Construção
Séc. XVIII
 
Arquitecto | Construtor | Autor
Não definido
 
Cronologia
1797 - Construção das alminhas.
 
 
 
 
publicado por Brito Ribeiro às 18:49

07
Ago 07
 
 
 
A qualidade ambiental numa zona balnear é tão vital para o bem-estar quanto o sol e o mar.
A costa portuguesa, conhecida pelas suas belas praias, oferece ao veraneante condições únicas.
Em 2007, Portugal dispõe de 190 Praias e 12 Marinas com a Bandeira Azul. Esta distinção, atribuída anualmente pela Fundação para a Educação Ambiental (FEE) a praias (marítimas e fluviais) e marinas, garante o respeito por um conjunto de critérios de natureza ambiental, de segurança e conforto dos utentes e de informação e sensibilização ambiental.
Por isso, preservar as nossas praias é responsabilidade de todos.
Melhorar a sua qualidade passa por alertarmos para a falta de infra-estruturas, a má qualidade da água, a limpeza do areal, a falta de informação ao utente ou a ausência de vigilância mas, também, por uma atitude consciente de todos os que delas usufruem.
Lembre-se que o lixo que muitas vezes deixamos na praia ou lançamos no mar, demora muito tempo a decompor-se.
Uma praia limpa, com águas não poluídas depende de todos e o planeta agradece!
 
 
 
Material
Tempo de decomposição
Jornal
6 meses
Caixa de cartão
2 meses
Fósforos
6 meses
Pontas dcigarro
2 anos
Restos de fruta
1 ano
Fralda descart.
450 anos
Lata de alumínio
10 anos
Copo plástico
50 anos
Garrafa plástico
400 anos
Pedaço madeira
13 anos
Linha de pesca
650 anos
Vidro
Indeterminado
 
publicado por Brito Ribeiro às 10:46
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06
Ago 07

O resultado da análise obtida no dia 1 de Agosto denuncia a presença de coliformes, a um nivel que sendo aceitavel, não deixa de ser preocupante, tanto mais que ainda não se atingiu o pico de residentes que é toda a primeira quinzena de Agosto.

 

 

2007 Classificação Colif. Totais Colif. Fecais Estreptoc. Fecais
16 Maio Boa 53 22 10
23 Maio Aceitavel 3800 760 170
30 Maio Aceitavel 830 99 22
06 Junho Boa 6 4 0
12 Junho Boa 190 63 32
20 Junho Boa 340 28 22
27 Junho Boa 3 3 0
04 Julho Boa 120 14 14
11 Julho Boa 61 55 47
18 Julho Boa 6 3 3
01 Agosto Aceitavel 2500 290 120

 

Informação mais detalhada sobre este tema em www.inag.pt

publicado por Brito Ribeiro às 10:19
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02
Ago 07
Terminamos estes apontamentos sobre o navio hospital "Gil Eannes" com a descrição do barco e as suas caracteristicas tecnicas, que para a época (1955) eram muito avançadas e cuja construção representou um sério desafio para os Estaleiros navais de Viana do Castelo.
Foi a construção nº 15 dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Sem dúvida, o maior desafio que se apresentou à empresa, desde que esta iniciou a sua actividade, tendo então apenas 11 anos de existência, já que os 14 navios anteriormente construídos, apesar de muito contribuírem para a consolidação e enraizamento de toda a estrutura produtiva eram de menor exigência técnica, de menor porte, e por isso, de maior simplicidade.
O "Gil Eannes", conhecido como "Navio Mãe da Frota Branca", foi projectado pelo Eng. Vasco Taborda Ferreira e foi concebido para ser um navio hospital, com a missão específica de dar apoio à nossa frota bacalhoeira.
Ao fim de 26 meses, depois de iniciados os trabalhos oficinais, porém, todas as dificuldades tinham sido ultrapassadas, demonstrando com evidência que nos ENVC se podia construir todo o tipo de navios, do mais simples ao mais sofisticado. O navio estava pronto a ser entregue.  
Este "Gil Eannes" veio substituir um outro navio com o mesmo nome e que desempenhou ao longo dos anos a mesma missão nos mares da Gronelândia . É óbvio que o "Gil Eannes" que os ENVC construira dispunha de condições que o seu antecessor não poderia ter, já que não tinha sido feito para a actividade que desempenhou e só conseguida depois de reconvertido.

O "Gil Eannes", em 1955, na primeira viagem, iria assistir uma frota pesqueira de 70 unidades, com uma arqueação bruta de 64.093 toneladas e capacidade para 950 mil quintais de peixe, tendo a bordo cerca de 4.900 tripulantes.
Era um hospital flutuante. Composto por 3 pavimentos devidamente apetrechados para todas as situações hospitalares, a sua capacidade permitia-lhe receber até 70 doentes.
No primeiro pavimento, estavam instalados os gabinetes de consulta e de radiologia, apetrechados com o material mais moderno para a época.
Dispunha ainda de salas de espera e tratamento, câmara escura, enfermarias completamente isoladas para doentes infecto-contagiosos, com serviços sanitários e com privativos: camarotes dos dois médicos, capelão e biblioteca, alojamento para 12 convalescentes, refeitório e sala de estar, copa das restantes enfermarias, farmácia, depósito de medicamentos, arrecadação da roupa dos internados, lavandarias, secagem e engomarias comuns, etc.
No segundo pavimento, ficavam uma enfermaria para oficiais, outra para doentes em observação, com os respectivos serviços sanitários, a enfermaria geral com 40 camas subdivididas por divisórias, servidas por largas janelas que davam a possibilidade aos doentes de poderem assistir dos seus leitos e em conjunto à celebração da missa. A vante desta enfermaria, este pavimento dispunha também dos alojamentos dos enfermeiros, sala dos curativos e gabinete do enfermeiro de vela.
No terceiro pavimento, localizava-se o bloco operatório e de ortopedia, constituído por ampla sala de operações, apetrechada do necessário material, salas de desinfecção e esterilização, gabinete de agentes físicos e laboratório de análises.
Os três pavimentos ligavam-se por amplas escadas e elevador com maca para transporte de doentes. Em situações de emergência, a lotação do navio podia ir até aos 320 doentes.
O "Gil Eannes" dispunha, como se subentende, de local de culto. Para além da capela da enfermaria, possuía o navio de uma capelinha que abria a toda a largura da tolda, onde sobressaía um artístico painel a óleo, da autoria do pintor Domingos Rebelo, representando ao centro Nossa Senhora dos Mares e tendo aos lados um pescador e um grupo familiar.
A coordenação dos trabalhos de recuperação, que só se tornaram possíveis graças à colaboração dos ENVC e a cerca de duas dezenas de subempreiteiros, esteve a cargo do Sr. Gabriel Amorim, técnico dos ENVC.
 
 

 
 
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
 
Constr. Nº.: 15
 
Nome: Gil Eannes
 
Tipo: Navio Hospital
 
Sociedade Classificadora: Lloyds Register of Shipping
 
TDW: 2274 t
 
Tonelagem Bruta: 3467 t
 
Capacidade de Carga;
 
                Frigorífica: 1502 m3
 
Dimensões Principais;
 
   Comprimento Total: 98,40 m
   Comprimento PP: 88,70 m
   Boca: 13,70 m
   Pontal: 8,00 m
   Calado: 5,50 m
 
Motor;
 
   Número Motores : 2
   Designação : FAIRBANKS M.
   Tipo : OIL 2SA
   Potência (cv) : 1400 X 2
   Velocidade (nós) : 14,3
 
Dispositivos Contra Incêndio
Tinha 2500 m2 de superfícies isoladas contra incêndio, sistema automático de inundação dos locais habitados por meio de chuva, e de um outro de alagamento dos porões de carga com gás carbónico, associado a um equipamento de detecção de fumos.
 
Sistema de Ventilação
Estava equipado com um sistema de ventilação bastante evoluído para época, dispondo para o efeito de uma caldeira de 50 m2 de superfície de aquecimento, que permitia uma temperatura ambiente de 18º C.
 

Reforço do Casco
O casco estava reforçado para a navegação em mares com gelo.
 
Instalações Hospitalares;
 
             Bloco Operatório;
 
                 Gabinete de agentes físicos
                 Sala de desinfecções
                 Laboratório de análises
                 Casa de RX de emergência
                 Sala de esterilizações
                 Sala de operações
                 Elevador
 
             Enfermarias;
 
               Enfermaria S.O. para (6 pessoas)
               Enfermaria de oficiais (4 pessoas)
               Enfermaria geral (40 pessoas)
               Enfermaria de doentes contagiosos (8 pessoas) + 2 camarotes privados (4 pessoas)
 
           Sala de tratamentos
           Alojamento para convalescentes (12 pessoas)
           Gabinete de radiologia
           Consultório médico
           Casa de desinfecção
           Farmácia
           Lavandaria de Hospital + Lavandaria para uso geral
           Secagem e engomaria
 
Tripulação;
 
             Comandante
             Imediato
             3 Telegrafistas
             2 Pilotos
             Oficial Delegado da Marinha
             4 Máquinistas
             5 Ajudantes de Máquinista
             2 Médicos
             6 Enfermeiros
             1 Capelão
             1   Dispenseiro
             1 Paioleiro da Máquina
             2   Cozinheiros
             1    Padeiro
             1 Ajudante de Cozinha
             1   Carpinteiro
             1 Contra Mestre
             14 Marinheiros
             12 Criados
             6    Ajudantes de Motorista
             2    Lavadeiros
             Estava ainda equipado com camarotes para alojar 5 passageiros  
 
Entrega: Maio 1955
 
Armador: Grémio dos Armadores de Navios de Pesca do Bacalhau
publicado por Brito Ribeiro às 10:13
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