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Abr 07
Estou de acordo com o Presidente da República, isto não são maneiras de se comemorar o 25 de Abril, todos os anos a mesma treta e depois perguntam à rapaziada qualquer coisa sobre o acontecimento e não sabem nada. Parece impossível, mas foi para isso que D. Afonso Henriques fundou Portugal.
Mas a culpa é dos nossos políticos que não tem artes, nem engenhos para redescobrir o 25 de Abril, de forma mais moderna e inovadora. Os foguetes do costume, o bailarico, os cravos e o discurso sempre igual, sempre repetido, a puxarem ao sentimento dos antifascistas, dos pobrezinhos que foram torturados pela PIDE.
O que me chateia é ver alguns sacanas lerem estas coisas com ar compungido, quando sabemos que, se não houvesse 25 de Abril, eles próprios seriam Pides, legionários e membros da ANP. No entanto, quem quer pode ver, ei-los com ar grave, a falar das liberdades, das democracias, da fraternidade e de outros tantos chavões, que ficam bem em qualquer discurso comemorativo.
Por isso acho que se devia organizar uma base de dados nacional, com os discursos dos políticos, proferidos nas comemorações do 25 de Abril. Tal como há o vidrão e o papelão, podia haver o "discursão", onde eram depositados os discursos, que seriam reaproveitados nos anos seguintes, por outros políticos.
Poupava-se no papel e no tempo que os presidentes de câmaras, de Juntas e outras instituições, gastariam com estes discursos. Tempo que lhes é pago por todos (deixa-me rir) nós.
Por exemplo, o presidente da Câmara de Cascais, lia o discurso do ano anterior do presidente da Câmara de Reguengos, o de Viseu, lia o discurso de Sesimbra e por aí adiante. Só o Rui Rio é que não podia ler o do Filipe Meneses, senão ainda dava asneira!
Esta ideia foi-me sugerida pela prática de alguns partidos políticos e por alguns sindicatos, que ciclicamente regressam aos mesmos temas e dizem as coisas sempre da mesma maneira, lidos pelas mesmas pessoas, há mais de vinte anos. E depois ficam admirados por as criancinhas dizerem tantos disparates, quando lhes fazem perguntas sobre o 25 de Abril!
Agora a sério, penso que a evocação deste acontecimento histórico tem sido nitidamente insuficiente, aborrecida e desajustada aos dias de hoje e principalmente às mentalidades actuais.
A continuar assim, dentro de alguns anos, esta data estará enterrada, como está a ser enterrada a guerra colonial, ainda hoje um tabu incompreensível. Como alguém já disse, quem não guarda a memória do passado, não tem futuro.
publicado por Brito Ribeiro às 12:00
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