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Abr 07
Com a sensação do "deja vu", assistimos dia após dia, ao desenrolar da trama e do drama da Universidade Independente. A "outra" chamava-se Moderna, esta chama-se Independente. Em ambas há acusações de gestão danosa, falsificação de documentos e mais alguns crimes do género.
Mais surpreendidos ficamos, quando se põe em causa a validação pedagógica, emitida por esta universidade privada. Parece já não haver muitas dúvidas da confusão administrativa que reina na Universidade, estando a ser analisada a suspeita de favorecimento em processos individuais de alunos.
Mas surpreendentes são também as declarações do Procurador-geral da Republica ao dizer que não há motivos para abertura de um inquérito patrocinado pelo ministério público. É surpreendente tanto mais que há já vários órgãos de comunicação que vinculam noticias, resultado de investigação jornalística, extraordinariamente preocupantes quanto à forma como a universidade era gerida em termos pedagógicos.
Como se não fosse pouco, ainda estava reservada mais uma surpresa, ao saber-se que o próprio diploma de licenciatura do primeiro-ministro José Sócrates estava sob suspeita.
Estou convencido que não passa de uma tentativa torpe de o fragilizar, mas não impede de se apurar o sucedido, não só com ele, mas com todos os outros, até se ter certeza absoluta na seriedade ou não dos procedimentos da Universidade Independente.
Muita água vai correr debaixo da ponte, muita tinta vai correr até se desvendar estes imbróglios. O ministro Mariano Gago fez aquilo que já se esperava, ao decretar o encerramento compulsivo da Universidade e dar um prazo para que a actual direcção, apresente provas que garantam o bom funcionamento no futuro e justifique cabalmente as incógnitas do passado.
O que o ministro Mariano Gago não explicou foi porque é que a Direcção Geral do Ensino Superior e as instâncias inspectivas do Ministério, não detectaram nada durante estes anos todos, principalmente depois do "aviso" da Moderna. Das duas uma, ou estiveram a dormir ou fizeram "vista grossa".
Não é possível que, de repente, apenas porque há uma luta de poder pela direcção da Universidade todo este lodo, toda esta porcaria, venha à tona da noite para o dia.
Que vão fazer agora os docentes e os funcionários da Independente com o encerramento da sua escola? E os alunos? Cerca de duas mil pessoas envolvidas e seriamente prejudicadas pela ganância, pela irresponsabilidade e estupidez de meia dúzia. Que vão fazer os alunos finalistas aos quais faltam duas ou três cadeiras e os outros, aos quais ainda faltam alguns anos para terminar? Vão ser transferidos? Com que custos?
Há crime e os culpados devem ser exemplarmente punidos, mas o estado também não está isento de culpas. Não pode simplesmente encerrar a Universidade, primeiro porque foi responsável pelo seu licenciamento, segundo porque não geriu o processo de fiscalização e monitorização da escola em tempo devido, como era sua obrigação.
Deve, a meu ver, assumir imediatamente, de forma clara e determinada, a gestão da Universidade até os alunos terminarem os seus cursos, não abdicando do papel tutelar do ensino, mesmo que isso traga custos financeiros ou outros.
É o que se espera de um estado (de facto) de direito.
publicado por Brito Ribeiro às 17:31
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